Coleção pessoal de edsonricardopaiva
Nuvens cinzentas
Ocaso
Noite que se aproxima
Lenta e inexorável
Tão inevitável
Quanto a vontade
de olhar pro Céu
E enxergar
A sua cara nas estrelas
Escrever pra você
Um recado na Lua
Pra que assim lembrasse
Ao menos nas noites sem chuva
Que minha alma ainda vive
Pois
Outro dia
Numa noite chuvosa
Minha alma solitária
Nervosa e tristonha
Escreveu poesia nas nuvens
Pra que te molhassem de amor
E soubesse
Que os sonhos que você sonha
Sem entender o porquê
Foram todos escritos por mim
Nas noites em que eu fico assim
Saudoso e solitário
Vou vivendo
Vendo o tempo corroer
Cada dia que havia no calendário
E escrevendo
Poesias pra você
Edson Ricardo Paiva
A gente passa quase toda a vida
Cuidando das coisas que acredita
E medindo a passagem do tempo
Como se o passar do tempo
Aliado à nossa capacidade
de estar consciente dessa passagem
Nos trouxesse alguma vantagem
E fosse uma espécie de conquista
Esquecendo
Que conforme o tempo passa
Sem que nada se faça
Além de somente medí-lo
Sem crescer, evoluir e aproveitá-lo
simplesmente observando
Como passou depressa
Esse trem que corre lento
O mundo gira
O Universo se move
O relógio não pára
e o tempo passa
Não existe nenhum dinheiro
Que compre e que traga de volta
A vida que correu
Quase que inteira
Existência tão cara
Que a gente recebeu de graça.
Edson Ricardo Paiva
Não sei dizer o porquê
Simplesmente acontece
Você caminhando na rua
e te bate no rosto
Aquela brisa morna
Aquele vento brando
E você se recorda
de alguma esperança que tinha
e que se foi
Sem que você percebesse
Mas agora você sabe
Que ela não mais existe
Foi-se embora com o tempo
Mais um sonho se dissipou
E hoje
Não representa mais
Nenhum vazio
Tanto faz
Aquele arrepio que causava
E tirava a tua paz
acalmou
depois de tanto tempo
de frio e estio
Foi-se no vento
Afogou-se no rio
E hoje
Recordando
Você riu
Riu-se de si mesmo
Ao perceber
Que aquele abismo
Já nem é mais assim
Tão fundo
Como te parecia
Quando
Naquele tempo você carecia
de algo que hoje
Tornou-se uma coisa inútil
Você fortaleceu-se
E a brisa no rosto
Lembrou-te
De como muitas vezes
derramaste lágrimas
perdeste teu tempo
com algo tão fútil
Que mesmo sem perceber
Esqueceste.
Mais do que tudo na vida
Todo mundo sempre precisa
de um simples momento
de sorriso e carinho
Pra pelo menos recordar
Mais do que um sonho bom
Numa boa noite de sono
Mais do que
uma linda noite estrelada
à beira de uma fogueira
Em um sábado de outono
Melhor que chocolate morno
Mais valioso que os quilates
do ouro ou do diamante
Todo mundo precisa
Ter pelo menos um instante
De carinho e sorriso
Não importa nada que viveu na vida
Tudo isso será esquecido
E não vai sobrar nada
Se a gente não tiver
Um sorriso sincero
e um carinho verdadeiro
Pra levar
Edson Ricardo Paiva
Alegria se torna tristeza
Tristeza se transforma em agonia
O coração aperta
Algo que vem de muito longe
E sempre acerta
me deixa calado
Vou seguindo mudo
Em meio à da sombra da cortina
Algo se move
Venta
Mas não chove
Um anjo vem
Pousa suave
Olha em mim
de sorriso leve
Me lembra
Que em razão
de algo errado
Que existe no passado
Somos todos relegados ao degredo
E eu fui
Condenado à vida
Mas
Que mesmo assim
Não existe motivo
Pra que haja um grande medo
E ninguém nunca está só
Basta saber
Que esta vida é um barbante
E cada instante
é um nó a ser desatado
Ali
É que estão escondidos
todos os segredos
do acesso ao mirante
de onde, um dia
poderemos contemplar
A linda paisagem que aguarda
Aqueles que guardam no coração
Aquela certeza latente
da qual, às vezes
A gente duvida
Sempre que tropeça
Nas sombras das cortinas
Que a vida apresenta
Essa esperança me ilumina
o medo me abandona
descortina um sorriso
A certeza desse dia
Transforma
A tristeza e a agonia
Em pura alegria.
Edson Ricardo Paiva
Simplesmente viva
Amanheça todo dia
Feliz e altiva
Contente
Conte consigo mesma
Não olhe simplesmente as coisas
Mas, antes de tudo, as veja
Regozije-se com a luz do dia
Mesmo que chova
Procure enxergar
como as coisas se movem
Mesmo que nada se mova
Existem diversos caminhos
Mas nem todos possuem atalhos
Impossível estabelecer o diâmetro
Sem antes precisar
a medida do raio
Os dias passam
E tem sempre aquela hora
Em que as rodas deslizam
Sobre a superfície molhada
E quando você olha ao seu redor
Não há nada
Não há ninguém
Veja bem: melhor assim
Há coisas que nos fazem aprender
A contar com a gente também
É como olhar distante
A um campo de girassóis
Que de longe parecem
Serem todos uma coisa só
Mas quando você se aproxima
Enxerga-lhes as coisas mínimas
Os caules, as folhas, as pétalas
e os bulbos
Assim também acontece
Com todos nós
Muitas vezes a vida é um tudo
Onde cabe somente
Um de cada vez
Mas aquilo que existe
Após essa passagem
Há de tornar-te
Mais forte
Sejamos nós
Iguais aos girassoís
Buscando sempre
a direção da luz
Unidos
Mesmo que a distância
Mas à luz da verdade
Jamais deixemos de mostrar
A autossuficiência
da nossa intransferível
Sagrada
e humilde
individualidade
Num mundo de conflitos
Chega a parecer esquisito
Quando alguém gosta da gente
Mas a vida é um lugar
Por demais confuso
Que a gente faz de conta que entende
Pra dizer bem a verdade
tanto faz
Aquele que menos sabe
sabe mais
Eu espero a solidão da madrugada
E enquanto ninguém diz nada
e também não ouve
Eu tento explicar
Pra mim mesmo
Que sou um homem simples demais
E que nunca, jamais
Vou poder entender a vida
Como pode
alguém gostar de alguém
Como pode
alguém que não sabe nada
Acordar de madrugada
Pra dizer o que ninguém vai ouvir
e ao final
Achar bonita a vida
dividida
Entre belezas e conflitos
deste mundo
Mágico
Trágico
e sem lógica
Amanheceu relampejando
de maneira que eu
Há muito não via
Mas eu sei que a Natureza
Invariavelmente anda correta
Então
Sobre as coisas erradas
que eu vejo
Me abstenho e pouco falo
Estou neste mundo
Pra aprender com paciência
Um pouco do culto ao silêncio
Sobre muita coisa que sei
Me abstenho
Nesta curta existência
Não vim a este mundo
Pra fazer inimigos
E nem pra corrigir meus irmãos
Antes que eu nascesse
Deus já me avisou
de antemão
Que era castigo
Então
Quando tão perto de mim
A multidão pisa em flores
E o mundo vai se transformando
Nesse circo de horrores
Me calo
Preciso simular indiferença
Fazer de conta que nem ligo
A vida continua
E o mundo dá voltas
Existem leis perfeitas
E dentro dessas leis
Está escrito
Que o simples poeta
Tem a meta
de não semear discórdias
Muito menos se enxergar
Com o direito à uma revolta
É preciso aprender
Que quando o dia amanhece
Trovejando e relampagueando
Basta observar a lição
Que a natureza oferece
O Tempo, invariavelmente
Nos conduz à razão
Então
Vou à janela
Penso
Absorvo essa bela lição
Cresço
e, diante da voz suave
do trovão
Permaneço, perenemente
Em silêncio
edsonricardopaiva
Meu olhar pela janela
Contorna o mundo
desisto de procurar-te
Verdade
Fecho os olhos
Imprimo-te na retina
Vou te vendo e vivendo
Vivendo e sonhando
de vez em quando
Eu tenho algumas ideias
Medéia
Ah, meu Deus
Como eu queria
Viver tantos sonhos
Abro meus olhos, tristonhos
Penso em pão e poesia
Eu e ela na janela
Felizes
No final de mais um dia
Nesse tempo e nesse lugar
Um pouco de paz
Nenhuma saudade
Somente felicidade
Tudo mais
Conforme vier a vontade
a gente faz.
Hoje eu passei
O dia inteiro aqui, parado
Igual ao que foi ontem
A Lua navega
A Terra se move
O Sol se esconde
Num lugar muito distante
Pra lá de não sei onde
E eu não sei a razão
Mas fiquei aqui
Houve em minha vida
dias mais aprazíveis
Ah...isso houve
Hoje eu vejo os dias passando
Ensolarados,
Lentos e modorrentos
Nada se move
Mas nem todo dia é assim
há dias em que chove
E nada além disso
Só isso
E isso me dá
Uma saudade imensa
daqueles dias
que eu saia de casa correndo
Procurando aquela molecada
Sempre propensa a brincar e rir
Saudades dos lagos e rios
Quando sapos e rãs, displicentes
Jamais se importavam
de compartilhar com a gente
Aquela vida boa
de pipas no Céu
Carrinhos de rolimã
E sempre os melhores amigos
tinham uma ou duas irmãs
Tudo isso se passava
Num tempo e lugar
Hoje
Irremediavelmente inacessíveis
Não dá pra explicar
Mas a qualidade dessa saudade
As faz revelar
Que eu tive a oportunidade de viver
dias incríveis...inesquecíveis
Não existe razão
Pra que aconteça
Tanta coisa
Que mesmo assim
Acontece
E nem infinitude
que as faça permanecer
eterna e simplesmente
As portas que se fecham
Hão de se abrir um dia
As coisas que não são
do jeito que a gente queria
tem poder de ser
e surpreender
e até de transformar
em alegria
Aquela tristeza de ontem
As cartas que hoje erram
Ainda vão se revelar um dia
e as coisas serão bem diferentes
e melhores
do que a gente pretendia
Aguardaremos
o efeito transformador
Que muda as coisas mínimas
As lágrimas que ontem rolavam
aquelas que doíam
Hoje a gente percebe
Que elas abrem as vistas
e revelam as conquistas
Que tanta tristeza escondia
Eu não sei
Pra que servem
as coisas
Que eu sei
Vou levando a vida
Em fogo brando
Teimando em buscar
Algo que insiste em se esconder:
Um brilho de olhos
Tão tristes quanto os meus
E os teus teimam em recordar
Muitas cenas esquecidas
desta vida
Que apesar de
hoje,
branda
Ainda queima
Creio que jamais vi de perto
A sanidade plena
Pois
Mesmo em épocas amenas
um mais um
Jamais somaram
dois, completamente
A vista engana
A memória mente
E eu, simplesmente
desconheço
razão ou utilidade prática
Pra esta insana matemática
E qualquer outra ciência.
Nunca sorriu-me
Qualquer chance de escolha
A queda da última folha
Quase sempre além do alcance
Apesar de tudo que hoje eu sei
O desenlace me parece
Aqui dentro e ao mesmo tempo
tão distante
Vida esquecida
drástica e elástica
Revoltas que dão duas voltas
e voltam
O dia amanhece
A vida prossegue adiante
Com suas celeumas
e chamas infames
Uma espécie de charme
Que queima
Edson Ricardo Paiva
O mundo muda
Eu mudo com ele
e por menos que seja
hoje eu já não sou
Aquele que talvez
Nunca mais você veja
Esta vida se assemelha
a uma tigela de porcelana
bela e muito frágil
logo mais
Me atiro por essa janela
ou encaro um touro
trajando roupa vermelha
Eu faço projetos
Muitos deles não deram certo
Outros
aguardam pacientes
Enquanto a alma resiste
Tem dias que me sinto coisa
e enquanto objeto
me projeto
Me vejo rumando
em direção ao infinito
Não me encaixo
Mas apesar disso tudo
acho bonito
Quando alguém
tem alguém
Que sempre lhe aguarda
Seja na linha de chegada
depois de outra vitória
Seja no final do dia
depois de outro dia sem glória
Esta vida é feita
de muitas vitórias mudas
tudo muda
Eu mudei a minha maneira
de encarar
minhas derrotas e fracassos
a cada semente morta
eu faço brotar uma flor
e quando o dia termina
eu a dedico ao teu amor
Edson Ricardo Paiva
Minha fome
É uma arte
Que faz parte
da minha natureza humana
Minha fome
Me consome
Mas
Mesmo estando um trapo
Eu sempre retiro
O fiapo que tem na banana
Mas eu sei
Que tem gente que come
Há momentos
Em que a fome
é de conhecimento
Mas tem coisas
Que depois que a gente sabe
a gente pensa
Que era melhor não ter sabido
Tem hora
Que é fome de afeto
A palavra correta
Falada no ouvido
Fome de descanso
Fome de viver
Num mundo mais manso
Fome de abraço
Assim que passar
O cansaço
Tem dias
Quase todo dia
Que sinto fome de poesia
daquelas que consomem
Com toda tristeza
E me nutrem de beleza
Depois disso tudo
Me sento à mesa
repleto de fome
Não dá pra fugir
À minha mais primária natureza
de homem
A minha maior alegria
É poder me sentir muito perto
Nos momentos em que pareço
Estar pra lá de distante
E ao mesmo tempo me sinto triste
Quando vejo diante de mim
Tanta coisa
Que não queria que fosse assim
Falta de chuva no deserto
Parece coisa errada
Que sempre esteve certa
Noites sem estrelas
Leitos sem rio
Rios sem peixe
Não há muito
que se possa mudar
Mas não deixo de ter esperança
Em poder fazer um pouco que seja
Pra mudar as coisas
Que não deviam ser
Tampouco acontecer
Todo mundo um dia pensou
Ao menos por um breve momento
Em ser rei
E todo rei um dia percebeu
Por um momento mais breve ainda
Que ele realmente não o era
Não existe no mundo
Corrente mais resistente
Que aquela vontade que nasce
dentro da gente
de maneira repentina
Nem existem laços mais fortes
Que aqueles surgidos
Num simples abraço sincero
E de repente
Muda tudo
Até mesmo a maneira de se encarar
o fim de mais um dia
Espero aquele que vai nascer
Como se antes dele
Eu nunca tivesse visto nada
E cada vontade que se apresenta
Que venha renovada
E que a gente nunca mais
Se sinta distante
de nada que a gente queira
Não existem lugares longe demais
Ou destinos
Que não possam ser mudados
Se você também
Enxergar as coisas assim
Haverá sempre um pouco de mim
Bem aí
Ao seu lado
Chuva no chão
Calor de Sol
Raios de nuvem
Na linha do horizonte
Junto aos montes
Alguma coisa tinge o Céu
de cor maçã
Nesse momento eu percebo
Que deixei de perceber
O quanto a passagem dos dias
Foi minguando, de fato
As dores e alegrias
Que eu sentia
Agora
Os dias são apenas dias
Minh'alma já nem sofre
do doce ensimesmamento
Ao qual se recolhia
Nas madrugadas caladas
O coração quase que pára
Pouca coisa resta
O Passar do tempo
tem poder
de aparar arestas
e minimizar o efeito
das pedras que ficavam no caminho
E adentravam os sapatos
A ciência que eu que não tenho
é compensada
Pela vivência de tantos
Pores-do-Sol
de fato
Aqueles de nós
Que conseguem chegar nesse lugar
Poderiam sentir , quem sabe
Estranha estupefação
Mas há tanta calma no coração
Que tal coisa não mais lhe cabe
Resta-me, quem sabe
Dirigir aos Céus uma oração
de gratidão
Por tamanha mansidão
Que o tempo me trouxe à alma.
Edson Ricardo Paiva
Eu sou alguém
Que não duvida de nada
Porém,
ao longo desta longa Estrada
Aprendi
Que não existem certezas
Nem Neste e nem Noutro Universo
Pois mesmo este Imenso Infinito
Pode nem ter sido escrito ainda
De Sorte
Que eu não duvido da morte
Mas creio somente em vida
E duvido
de todo mundo que diz
Que duvida
Portanto
Minha dúvida mais acertada
Por enquanto
É aquela que diz
Que Neste Universo
Antes que haja certeza
da existência
desta vida
Não há que se duvidar
de nada
Quisera eu
Por um único momento
Poder acalmar essas feras
Que vão se infiltrando
Em movimentos muito lentos
E se apossam
dos meus pensamentos
Me calam a boca
Enquanto me falam
Poucas coisas
Que muito se multiplicam
Quisera eu
Que tudo fosse como antes
E eu pudesse corrigir
Em frente ao espelho
Meus olhares suplicantes
Que nada modificam
Quisera
Poder explicar
Que está chegando
Eu posso até respirar
Pois eu sinto no ar
O limiar de algo
Que não sei traduzir
E nada mais será
Do mesmo jeito que era antes
Quem dera, Meu Deus
Que todos os teus pensamentos
Fossem meus
E eu pudesse te mostrar
O reluzir do meu sorriso
Que se apaga
E se torna uma coisa vaga
diante
do teu olhar
indeciso.
Chega a ser triste
Que tanta gente distante
Seja presença constante
No coração da gente
E a gente
de coração transbordante
Tentando fazer um ninho
Nos corações daqueles
Que estão a um passo da gente
Porque será
Que aqueles que nem ligam pra gente
Nos momentos
em que a gente mais precisa
São sempre os mesmos
Que precisam da gente
Quando finalmente
A gente está tão distante
Parece que o amor
É uma semente de mostarda
Que muito tarda a crescer
Por que será
Que a gente tanto reclama, descontente
da rotina e pasmaceira
Que às vezes a vida apresenta
E depois percebe
Mais descontente ainda
Que a vida já correu
Passou-se, quase que inteira
E a gente não teve tempo
Pra quase nada
O tempo correu
E a gente não está mais lá
E também nunca esteve aqui
A gente nunca está onde precisa
E nos lugares onde está
Ninguém precisa da gente
Por que será
Que naqueles momentos
Em que nos sentíamos
tão perdidos
Na verdade, foram os únicos momentos
Em que a gente realmente
Sabia onde estava?
Edson Ricardo Paiva
Um dia eu sonhei
Em mudar as coisas
Que estivessem erradas
E quanto mais erros eu via
Menos gente
Havia ao me lado
descobri
Que o certo
É ter por perto
Quem não queira
mudar a gente
Este mundo imperfeito
É feito de pequenos e grandes
Enganos
Os Planos de Deus
São os mesmos que os meus
Mas pra mostrar tudo isso
A quem tem compromisso
Somente com si mesma
Leva anos
de trevas
E então a gente percebe
Que cada um recebe
A parte que lhe cabe
Neste grande Oceano
de "não saber e achar que sabe"
Que envolve o Mundo
Não dá pra vencer a tempestade
Porém, todo mundo pode
Aprender a diferenciar
O brilho que ilumina
do brilho que ilude
A verdadeira verdade
Se esconde
Nos lugares mais visíveis
E são tantos quanto possíveis
Os noventa graus de uma esquina
Podem ser aquele "Ás de Paus"
Que a cegueira desnuda
Nada é somente
Aquilo que parece
Não adianta tentar
Mudar o Mundo
A minha melhor atitude
É não permitir
Que as pessoas que nele vivem
Me mudem
Só isso já muda tudo.
Edson Ricardo Paiva.
