Coleção pessoal de edsonricardopaiva

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Das coisas que se quer
Muitas não passarão jamais
do patamar do querer
Pois querer
Não significa necessariamente
Que eu vá movimentar
Uma palha pra conseguir
E das coisas que desejo
Não vejo a hora de acordar
Pra poder
Movimentar todo um Universo
Tirando Estrelas de lugar
Se preciso
Porém eu não preciso
Basta desejar de coração
E conversar com meu pai
Numa simples Oração
Que um Universo inteiro se move
Tudo depende
daquilo que a gente também faz,
da sinceridade nas intenções,
E da urgente necessidade
Que algo simplesmente
Venha a causar na gente
Tudo isso
Pelo fato de eu ter em mente
Que também faço parte
de um Todo
Que faz nascer
Mil Sóis a cada instante
E tenho força suficiente
Pra viver meu dia a dia
Sentir a brisa das calmarias
e ter no coração a serenidade
de sorrir durante as procelas
Que porventura a vida me trouxer
Pois nada disso
A vida traz de graça
Mas a luz do Sol convida
a gente todo dia
Pra olhar a cara das tempestades
Rir da cara da sorte
Mas rir de verdade e com vontade
e depois de tudo isso
Escrever ao mundo um poema
Contando como é que acontece
Basta querer
Que mesmo sendo
Infinitamente pequeno
Creia:
A alma cresce.


Edson Ricardo Paiva.

Deixei de guardar as datas
Me esqueci de como fazia
Pra lembrar-me dos nomes
Faz tempo que não me ocupo
Com aquela antiga aflição
Que me fazia lembrar
Endereços e preços
Agora compreendo
Que coisas, cujo valor se mede
Não valem muita coisa
E que não existe um dia combinado
Muito menos um lugar certo
Pra que aconteça
de a vida da gente virar ao avesso
e descobrir
Que nomes ou endereços
deixam de ter importância
E que as coisas realmente importantes
Podem estar bem perto,
Ou distantes
Não existe certeza
Pra nada
Aquilo que vem
Sem nome, lugar ou hora marcada
é que realmente vai fazer
A gente acordar triste ou feliz
No meio da madrugada
Um rosto sem nome certo
Um rastro a ser seguido
Sem a gente ao menos saber
A razão de estar
Tão contente
Indiferente ao fato
de tudo que tinha guardado na lembrança
Não servir pra nada
E aquilo que tanto interessa
Não tem nome e não tem preço
endereço ou hora marcada
Não tem passado; não tem cor
Não tem medida e nem peso
Nada que explique a pressa
Nada que àquilo mensure
Existe apenas suavidade
e um tanto assim de magia
Junto a tanta alegria
e uma grande quantidade
daquela coisa que faz a gente
Não querer saber como se faz
Só da vontade de fazer
Fazer exatamente
Perfeitamente perfeito
Aquilo que nunca fez
E fazendo do jeito que vier à mente
de repente a gente olha
E vê que não tinha outra escolha
Só tinha querer
Um querer que não podia ser
Guardado ou escrito
Não estava em lugar nenhum
No tempo ou no espaço
e independia
de tudo que houvesse nos bolsos
E mesmo assim
Tinha sim
hora e lugar pra ser
Mas demorou pra perceber
Que a real felicidade
Independe da nossa vontade
das nossa lembranças
E também das nossas crenças
Pois chega do inesperado
Sem nem ao menos pedir licença

Edson Ricardo Paiva

Acordei de madrugada
Pra contar
Que duvido que haja no mundo
Amor de amar assim
Igual a esse, que existe em mim
Eu tenho vivido
Um amor em recesso
E tudo que peço
A quem eu amar
É um espaço pequeno de coração
Um momento sereno
de pura atenção
E que possa ouvir até o fim
Todas as juras
deste humilde coração que pede
Qualquer migalha de conforto
Pra um amor
Que acorda de madrugada
e passa os dias absorto
Por amar-te tanto assim
Um amor sem dor
Amor de alegria
Um amor que te traria
Qualquer coisa que fosse
No final de cada dia
Um amor que partisse
Apenas pra poder fazer
Com que você risse
ao vê-lo voltando
E saber que foi verdade
Aquilo tudo que eu disse um dia
Esse amor procura
Alguém que o entrelace
E num simples olhar
lhe diga somente
O quanto gostaria
Que ele ali ficasse
E depois suspirando
de tanta alegria ali contida
Tivesse a certeza
Que a beleza de tanto amar
Haverá de crescer
e permanecer pra sempre assim
Até o fim
de todos os nossos dias.

Edson Ricardo Paiva

Tem dias que a vida da gente
Parece simplesmente
Missão de ser ajudante
e a gente vai cumprindo a vida
Como a cumprir expediente
Construindo coisa importante
Sabendo que a gente mesmo
Não tem importância nenhuma
E permanece nos lugares
o tempo suficiente
Pra que aquilo seja feito
Mas que, após cuncluido
Sabe que vai ser
Esquecido
Não tem jeito
E no dia seguinte
Começa novamente
A fazer tudo aquilo
Qua a vida ensinou
A fazer sempre completo
Concreto e perfeitamente
sabendo que no final
Vai ser igual
E não vai poder ficar
Pra olhar por um mínimo instante
E lá se vão
Esses seres desimportantes
Seguindo adiante na sua jornada
Esperando
Um dia feliz,
Um olhar que me reconheça
A mão carinhosa
Uma cara ansiosa
Me esperando no portão.
Uma noite de Lua
Ama boa conversa
debaixo de um Céu de estrelas
E pares de olhos
e olhares sinceros
Sinceramente enlevados
Tudo aquilo que passou
A gente esquece e deixa de lado
Assim que adormece
A vida passa finalmente
a ter um sentido
As palavras ressentidas
Aquele mal que existiu por muito tempo
em todas as nossas vidas
Não haverão de encontrar espaço
Nunca mais
Apenas um milhão de abraços
Atmosfera de paz
Fortalecendo esses laços
E tudo que aqui não tiver
A gente vai juntos buscar
E aquilo que lá não houver
Basta me dizer que quer
E juntos a gente faz.

Edson Ricardo Paiva.

A gente deseja ...
Deseja demais
Sonha em coisas
com as quais
Não há de ter jamais
E por mais que veja
A maneira que se porta a vida
Insiste em pintá-la,
Transformá-la em gravura
Pendurá-la nas paredes
Na casa
onde guardamos ilusões
Justamente
No quarto da esperança
Ali não se fala
e nem se cabe pensar
Sobre as coisas reais
tais como
Lembranças
Sobre as quais jamais falamos
Pedaços de alma pelo chão
Sonhos esquecidos
Corações despedaçados
promessas não cumpridas
cacos de vida
Mas insistimos sempre
e não desistir jamais dos sonhos
Presentes que pedimos pra Deus
Pode parecer impossível
A alma sente, de repente
Um desnível e cai
Cai para um lugar
Que fica perto de nunca mais
A gente faz um esforço sobre-humano
Pra não desistir
de ao menos fazer planos
Que talvez
Irão se concretizar...ou não
Coração desliza
o juízo perde o chão
Quem é que vai
um dia aprender
ou ensinar
A forma correta e concreta
de mandar no coração?


Edson Ricardo Paiva

O tempo corre tão depressa
Que a gente nem mesmo percebe
Que nessa vida
a gente esteve sempre
Procurando um lugar pra ficar
E pouco importava
Se o lugar estava certo
Portanto
Qualquer lugar que fosse perto
do mais inóspito deserto
era sempre um lugar ideal
E a gente, simplesmente
não aceitava qualquer teoria
Que dissesse
Que existia lugar melhor
ou igual
Esteja onde estiver
A gente quase nunca
Está onde quer
mas é sempre importante dizer
Que os melhores lugares
Nem sempre estão perto dos Mares
Ou sob um lindo luar
O melhor lugar deste mundo
Sempre será aquele
No qual a gente quer permanecer
No primeiro segundo em que chega lá
Este lugar pode estar
No êxtase de uma oração,
Envolto pela melodia
de uma canção desconhecida
ou então; diante de um olhar
tanto faz, desde que seja ali
Qualquer lugar é lugar
e nenhum lugar nunca será
um lugar qualquer
Pois aquele pra sempre será
O lugar onde a gente quer estar

Edson Ricardo Paiva.

Cada dia que amanhece
Cada nova oportunidade
Cada velho pensamento
Que surge novamente
Porém, dessa vez ele vem
Melhorado, fortalecido
Ornamentado
pelas cores, agora mais vivas
Pois milagres sempre vem
e acontecem na noite calada
E assim que o dia clareia
Não existem mentiras
ou meias-verdades
Que possam ter sobrevivido
O orvalho nas folhas
O canto dos pássaros
A luz do Sol reluzindo
e imediatamente decantado
nos menores grãos de areia
A paz do silêncio
É o próprio ruido da paz
Quando a paz faz ruido
Tudo mais, sem que nada mande
Cresce, se expande e faz sentido
Assim, como a luz de um par de olhos
Muda a vida da gente
muito repentinamente
dá vontade de olhar para eles
de novo e de novo
Repetidamente
A cada dia que amanhece
E pedir para eles
Que nunca me neguem
A nova oportunidade
de poder sempre melhorar
a cada velho pensamento
renovado e ainda mais iluminado
a cada novo amanhecer
Pois uma nova esperança há de surgir
Juntamente com o brilhar
de um novo dia.

Edson Ricardo Paiva

Amanhã
Eu vou poder caminhar
Pra onde quer que eu queira ir
Eu vou ser como sempre quis
E ser quem eu mesmo queira ser
dai então
descobrir quem eu sou
E nunca mais vou precisar
Ser quem o vento levou
Mas serei quem sempre esteve aqui
em cada verão e cada primavera
Porém, na verdade
Nunca pode ser quem era
Sou aquele que o tempo transformou
Mas sempre permaneceu
O mesmo
Este sou eu
E apesar do cinismo da vida
Jamais se adaptou a isso
Pois eu sei
Que ainda gosto de dançar na chuva
E sou criança
e tenho medo de escuro
E ao mesmo tempo
O Mesmo
E mesmo que nada se mova
Se renova a cada dia
E preserva a alegria guardada
E continua sendo
Quem tanto queria
Aquele que não quer ser nada
Nada além daquele cara
Que ri de alegria
Ao final de cada dia
todo dia

Edson Ricardo Paiva.

Eu sinto a tua presença
Aqui, bem pertinho de mim
E penso também assim
de um jeito que você mesma
Poderia deixar-se ficar
Abismada
Sem explicação, nem nada
Por pensar que nem você pensa
Quando sozinha
Escuridão à meia-luz
Um denso silêncio
Entristece as madrugadas
Mesmo assim
Eu sei que ri
Sabendo-se também aqui
Pois esta minha imensa vontade
Me traz a sua presença
e põe aqui, pertinho de mim
E não me sinto mais, tão sozinho
E é muito doce
Essa presença
que meu pensamento trouxe
Enquanto isso...compromisso
Em olhar os ponteiros lentos
Contar momentos
e devorar cada hora que separa
A mim mesmo dessa alegria
Há tanto tempo adiada
de simplesmente olhar
e saber o quanto é bom
e respirar o mesmo ar
na escuridão da madrugada
Te olhando e olhando
e mais nada

Edson Ricardo Paiva

No espelho.

Se um dia eu puder
Vou te pedir
que descreva
O que foi que sentiu
A cada vez
que um beijo chegou no vento
Um sorriso num pensamento
Um apelo numa oração
Coisas que precisava dizer
e não podia
Por favor
Se puder
descreva para mim
O que foi que sentiu
Quando finalmente percebeu
aquele amor
Que distante vivia
E que às vezes pedia
Pra Lua entregar um recado
Te avisando que eu existia
E desejava de verdade
descobrir
Em qual cidade se escondia
Me conta também
Se aquele sonho que te mandei
Me fez o favor de te avisar
Pra olhar pro Céu,
quando acordasse
Pois as nuvens que aqui passavam
me disseram que te conheciam
Outras vezes eu havia mandado
Que a luz do Sol
Fulgisse no teu espelho
e te desse o meu beijo
Feito de brilho
Eu sabia que teu recato
Faria teu rosto assumir
um tom a mais de vermelho
Eu quero
que saiba que fui eu
que acreditei muitas vezes
No milagre
de um feliz desenlace
E você
finalmente descobrisse
que eu existia
Pois tudo isso eu fiz
Eu te juro que fiz assim
Porque queria que você
Também gostasse de mim

Edson Ricardo Paiva

A vida
pode ser
Cheia de surpresas
Tem dias em que a vida
Se assemelha a uma roleta
Onde a gente somente
Vai percebendo
o quanto se perde
Por depositar a própria confiança
Naquilo que vai ocorrer a esmo
Porém dias há
Em que tudo muda
e o destino, simplesmente
resolve oferecer ajuda
Como se houvesse um desmo
Entre nós
E todas as forças
Que regem todos os Universos
Os versos escritos por mim mesmo
Ficaram bonitos no final do dia
Sorri para nós
A cara colorida da alegria
A vida muda
Deus oferece ajuda
Mesmo que a vida
Realmente
Não seja simplesmente poesia
Apesar de as palavras nela escritas
Atenuarem e transformarem
Até mesmo lágrimas
Em bonitas gotas de tristeza
Toda tristeza um dia
haverá de ter um fim
Portanto
Não precisa confiar em ser sozinho
Tampouco confiar em mim
Mas podemos sim
Transformar nossos fracassos
num grande sucesso
E se eu puder pedir-te algo
Te peço
Que confie em nós
A chuva vai cair e vai passar
Toda escuridão também tem fim
E nunca mais haveremos
de ficar assim...tão sós.

Edson Ricardo Paiva

A parte ininteligível
Que haveremos de deixar
Na história de nossas vidas
Sempre será
Essa imensa capacidade
em desvendar aqueles segredos
Que passaram anos e anos
Reluzindo
Bem em frente aos nossos olhos
Mas todo mundo jurou
Que aquilo era falso
e tudo isso acaba por tornar-se
um irresistível desafio
Que leva cada um de nós
A partir nu e descalço
Em busca, não da verdade
Porém da capacidade
em demonstrar ao outro
Alguma espécie de virtude
Enquanto
a soubermos inexistente
e complicamos a oportunidade
em virtude
da sagrada humanidade
Presente
em cada coração
que houver no mundo
Usamos o argumento
da busca pela verdade
Como uma espécie
de pano de fundo
Que encobre a mania esquisita
a complicar qualquer caminho
e preferimos
e sempre preferiremos
Subir e descer montanhas
Quando a trajetória se apresentar
Como uma simples linha reta
Desprezamos
as tarefas mais prosaicas
Subestimamos atalhos
Queremos
protagonizar atos heroicos
Buscamos sempre caminhos
mais longos e mais difíceis
Atravessamos sem compaixão
A outros corações humanos
Sabendo que ali havia
Um caminho fácil,
e insuportávelmente florido
aguardando pela gente
na sua apaixonada superfície
Pois sempre haveremos
de nos sentir ofendidos
Com aqueles que buscarem
Atrevidamente
Gostar e tentar entrar
Na vida da gente
e quase que invariavelmente
Vivemos a vida seguinte
Sentindo uma imensa saudade

Edson Ricardo Paiva

Tarde de dezembro
Tarde de calor
Tarde linda!
Depois
Que a bem vinda chuva
desaba e deságua
Novamente o Sol se desdobra
e a gente, feliz, descobre
Que mesmo após o fim
Aquela chuva não se acaba
do jeito qua gente queria
Permanece invisível e suspensa
Decantando a luz do dia
em coisa multicolorida
Enquanto isso o calor nos compensa
Com imensa quantidade de vida
Que revela que esteve escondida
Debaixo da minha janela
Num canteiro de margaridas
Eu me lembro que até há pouco
Me escondia, infeliz e louco
Em verdes colinas distantes
Existentes na minha mente
Onde eu me sentava
numa sombra triste
Fingindo-me contente
Apenas o tempo suficiente
de escrever versos felizes
Mas, na manhã seguinte
O clarão da aurora
Me traz outro dia
E desta vez
O meu coração não chora
Meus olhos enxergam vida
e vontade de sentir de novo
Uma vontade há muito perdida
Vida trazendo vida
a outra vida
que parece que também
Andou se sentindo perdida
E de repente a gente percebe
Que ainda não é tarde
Linda tarde de dezembro...

Edson Ricardo Paiva.

A nossa felicidade
Pode perfeitamente
Ser classificada
Na categoria
Onde se encontra
A Concretude do Abstrato
Enquanto tanta coisa
Que temos como concreta
É impossível que seja
Elas não podem existir de fato
Aquilo é somente
Retrato de coisa ruim
Que trazemos de lembrança
Em nossas mentes
Resultante
De alguma viagem malfeita
Tanto pra você, quanto pra mim
Mas não sabíamos o que era
E por isso
A guardamos com a gente
Enquanto de passagem
Nós a colocamos
Em algum lugar da bagagem
Que carregamos
Na ligeira viagem
Que fazemos neste mundo
Onde
Simples segundos
Podem valer por uma vida
Enquanto anos e anos
Serão pra sempre relembrados
Como parte
Da parte que foi perdida
E um dia será esquecida
Quiçá, resumida
Quando relembrarmos
Num futuro muito distante
A Parte Bonita da história
Que começa a ser escrita.

Edson Ricardo Paiva

Se a vida acabasse hoje
Eu juro que a deixaria
Um pouco triste
Pelas coisas
que não fiz ainda
Mas algo
Sempre há de ficar inacabado
E sem resumo
Se esta noite eu partisse
Diria que não fiz
Aquilo que eu tanto queria
Mas sereno
Por lembrar-me que disse
Se hoje
O Dedo de Deus
Apontasse pra mim
E dissesse
Que a hora do fim era agora
Eu iria embora um pouco triste
Porém, sem remorsos
Nenhum arrependimento
Sequer pelos muitos erros
Que eu cometi
Enquanto pensava acertar
E triste eu iria
Nos braços de uma isquemia
Uma hemorragia cerebral
Tanto faz, não faz mal
Na hora da partida
Qualquer despedida é igual
Creio ter feito
Menos o mal que o bem
Não deixaria ninguém
Que tenha sido
importante pra mim
Sem antes ter dito muitas vezes
Sobre a importância que tiveram
Nesta e em todas as outras vidas
Se minha vida acabasse hoje
Creio ter sido esta
A minha poética despedida.

Edson Ricardo Paiva

Perdido eu estive
E assim, perdido, vivia
Quando descobri você
Percebi
Que corações perdidos
Não vivem
ainda assim,
Eles sobrevivem
Portanto, quando pensei
Que finalmente
Havia me encontrado
E respirei e sorri
Crueldade do destino
Meu coração de menino
Se encontrava
Perdidamente apaixonado
Com vontade de pedir
Que me namore
Na sombra de uma árvore
e naquela sombra
Vou precisar
Que me permita que eu chore
Vou pedir também
Que não se afaste
Eu vou te contar
Sobre o tempo que perdi
Sobre o tempo que você
Nunca mais há de perder
Sobre a paz
E tudo que você
sempre me faz sentir
Falar do amor
Que Deus me deu pra dividir
Amor calado
Amor sem passado
Amor com futuro
Amor puro
Maduro igual ao vinho
Amor bonitinho
Que tanto preciso
Somar ao seu
Assim
Não haverei de querer
Mais nada
Nesse dia
Ficar ali
Te olhando
de mãos dadas
Me diz, meu Deus
O que é que eu preciso fazer
pra poder conquistar
O coração de uma fada

Edson Ricardo Paiva

Se acaso
Algum dia fugir de mim
E depois sentir saudade
Daquela boba companhia
Que os meus olhos ofereciam
Procure nos teus armários
E nos lugares onde guarda
Aquilo que... pode ser
Um dia vá querer ou não
Ali você vai encontrar
Meu coração
E nessa hora há de sentir
Um certo arrepio
E saber e se lembrar
Que ainda estarei aqui
Te aguardando
...e de peito vazio


Edson Ricardo Paiva

Existem momentos
Em que meu coração se agita
Porém, minha alma
Imutavelmente estática
Não geme e não chora
Não diz a verdade
e não mente
Não sussurra...não grita
Não suplica, não implora
O Fleumatismo da calma
Vem somar ao coração
Essa tortura
O coração se revolta
nas suas fibras mais íntimas
A alma,
com a sua costumeira indiferença
Não dá a mínima
E eu
No meio disso tudo
Me guardo o direito
No final de cada dia
Permitir que a alma
Escondida em algum canto
chore o pranto dos perfeitos
E o coração
Repleto de defeitos
Carregado de tristeza
Carente de paz
Ria
Ria até não poder mais.

Edson Ricardo Paiva

Tristeza, me diga
Da alegria que sentiu
Na primeira vez
Em que me viu
Qual foi o tipo de sentimento
Que despertou em ti
Tamanha vontade
de se aproximar
E aqui permanecer
deixando-me
de voz tão pálida
Na verdade
Aos poucos tem transformado
a vontade de viver
Numa pobre caquética
Minha esperança em cética
Matando a pupa
de qualquer alegria
Ainda no estágio de crisálida
Me diga, tristeza
Como podes ter prazer
e ver beleza
Nos irmãs iguais a ti
Quando as vê
de mim...sempre de mim
Se aproximarem
Todo dia
Me diga, tristeza
Por que é que tem
Que ser assim?


Edson Ricardo Paiva

Não tenho medo da morte
Da fome, da estupidez ou do frio
Destas coisas eu sempre me esquivei
Porquanto, a solução pra todas elas
Podem ser encontradas por mim
Meu medo é não saber achar
Aquelas coisas que independem
da boa vontade da gente
Pois, sem elas
Tudo mais não tem valor algum
E sem elas não se vive uma vida
Sobrevive-se somente
Engole-se diariamente
O gosto amargo das desilusões
O peso da carga que advém
Resultantes do desdém
e da maldade alheia
Não tenho medo de parar meu coração
Eu tenho medo de não conseguir
Estancar o corte ou espantar a dor
Se porventura alguém a quem amar
Me pedir pra curar um corte em seu dedo
Não tenho medo de perder
Nada daquilo
Que novamente vai brotar
Eu tenho medo pelas coisas singulares
Coisa que não se conta
Não se recria, depois que se desmonta
Incomparáveis, sui generis
Coisas sem par
Tudo que eu preciso
é de um singelo sorriso
Não peço ao vento que me traga
Me diga onde está
Que eu vou buscar

Edson Ricardo Paiva