Coleção pessoal de edsonricardopaiva

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De vez em quando
Ainda dá tempo
Escreva mais uma página
Que seja diferente
De tudo que se imagina
Pois vai ser
Você pensa saber viver
Mas ainda não é capaz
De fazer melhor do que a vida
Pode lançar
Um último olhar de gratidão
À página arrancada
Na voz interior
O destino presente
Semana passada
Está feito
E tem sido assim
O pretérito imperfeito
Te desaconselha
A gente não precisa crer
Mas é tão bom acreditar!
Cedo entardece nas nossas vidas
Enquanto se avermelha esse horizonte
À luz do final do dia
Tem sido bem diferente
E de tão diferente
Tem parecido ser
Tão igual, de repente
E é assim que será pra sempre.

Edson Ricardo Paiva.

Eu
Procuro urgentemente
Um coração sincero
Pra guardar lá dentro este poema
Que escrevi na folha de papel
Da folha de papel
Eu fiz um avião
O vento veio e o carregou
Saiu em busca
De amor inteiro
E não de meio amor
Alguém que me faça sentir
Vontade de lembrar
Das coisas que falamos ontem
Alguém pra eu poder
Pensar o dia inteiro
Ser dono da saudade que ela sente
E a causa do sorriso em seus olhares
Procuro um coração que também voe
Eu busco urgentemente
A alma inteira e boa e verdadeira
Que queira de verdade
Ser a alma companheira
Dessa metade de alma
Que, feita de papel
Flutua ao léu
Pra andar de mãos dadas na rua
Escrever seu nome junto ao meu
Em algum lugar lá do céu
Pra nunca mais viver à toa
Procuro alguém
Que nada e nem ninguém
Jamais a separe de mim
Alguém que queira alguém assim
Desse jeito que escrevi
Pois o poema
O vento há tempos que o levou
Mas eu ainda estou aqui.

Edson Ricardo Paiva.

Andando pra sempre sozinho
E agindo pra sempre
Como se eu fosse sempre
Muito mais que um
Obedecendo a lei que determina
Que o dia termina pra sempre
E que indeterminadamente
Sempre há de nascer mais um
E se juntar pra sempre o hoje
Com todos os outros
Que nasceram antes de anteontem
Não tenho nenhum
Eu venho de lugar distante
Que fica adiante de onde nasce a Lua
Mas como sempre o mundo gira
A Lua queimou numa pira
Perdida na esquina que vira
Desce a rua e chega
Em frente à colina
Onde a noite termina e sempre nasce o Sol
Mas esse Sol também se despede
E o tempo concede mais um dia
E mais um e mais um
E eu
Andando pra sempre sozinho
E agindo pra sempre
Como se fosse eu pra sempre
Sempre mais que um.

Edson Ricardo Paiva.

Pensamento do dia:

Se a sua estrela não brilha, vai se fudê pra lá e não enche o meu saco.

Edson Ricardo Paiva.

Teu Poema.

O que precisamos na vida da gente?
Talvez desejemos apenas
Aquelas coisas, que ... de tão bobas
Tão boas e tão pequenas
A gente nem as veja
Como gostar de estar onde estamos
Poder ser só quem se é
E mesmo que não se seja
Quem a gente queria ser
Ser para alguém, Inexplicavelmente
Aquele que ela quer que a gente seja...é só
Pois é só assim que sabemos
Que nunca estaremos sós
A alma sobrevoa, pra além da nascente
Do majestoso rio que voa
Precisamos, de verdade
Dessas coisas imprecisas
Que não se pode dizer
E que, às vezes, não se enxerga quando as tem
Mas que ficam pra eternidade
Pois é disso que se precisa
E é sobre isso que a vida versa
Sentir-se feliz
Numa boa tarde de chuva
Companhia, conversa
Palavras concisas, apesar de poucas
Molhar-se de alegria
Olhar-se de manhã
E também olhar-se igual no fim do dia
Olhar com cara de quem confia
Sem saber porquê confia
Apenas acreditar
Que essas coisas tão boas
Apesar de bobas e tão pequenas
Serão para sempre genuínas
Jamais haverão de nos deixar
E assim
Teu poema termina.

Edson Ricardo Paiva.

A razão da vida
São as diferenças
Vivemos distraídos
Em prol de quem pensa igual
O grande mal da vida da gente
É que morremos sem ter conhecido
A opinião de quem pensa diferente
Ou que tenha outra crença
Ou que se mostre propensa
A discordar da gente
Vivemos querendo agradar
E querendo ser agradados
Muita gente vive sem viver
Pois os Universos mais imensos que existiam
Não estavam além da estratosfera
Nem nos livros
No olhar desperto ou na alma deserta
Não estavam depois do horizonte que o olhar alcança
Estavam em tudo isso
E estavam em quem sempre esteve perto
Sempre estiveram no compromisso que assumimos
Muito antes de ter nascido
Pois a vida é um grande aprendizado
Mas pouco se aprende
Quando as palavras só concordam
Pois palavras são só palavras
Não dizem nada
Não tem medo e nem coragem
São só coisas inventadas, muitas vezes para inverdades
A grande marca que se deixa, são sempre atitudes
Para aprender com a vida
É preciso chegar lá no fim
Satisfeitos com nossa casa
Em paz com as pessoas
E agradecidos pela mesa e a comida
Um sorriso no coração
Vale também uma oração, com palavras boas
E o aprendizado adquirido
Nas verdades que não eram nossas
Pois qualquer um que disser para a própria consciência
Que cometeu mais acertos do que erros
Viveu errado
Mente
E não tem consciência
Pra bem viver a vida
É preciso chegar lá na hora da morte
E sentir-se feliz, porque vai ver a Deus
Ao invés de sentir-se assustado e com medo
Pois não existem segredos
Que pra sempre permaneçam ocultos
O segredo era a mente tranquila
Um coração sincero
E a certeza de ter aprendido alguma coisa
Com quem tivesse dentro de si outro Universo
Diferente do nosso
Pois a vida não é uma festa
Em que a gente vai embora com a mesma roupa que chegou
Infeliz quem busca ouvir apenas
Opiniões que sejam belas e iguais às suas
Chegaram na vida sem nada
No final, partiram dela, nuas.
Tudo um dia se desmonta
Exceto as contas, que serão prestadas.

Edson Ricardo Paiva.

Um dia a água corre
Noutro dia ela evapora
Ela chove
E quando ela chove,
Molha o mundo
Agora, molhado
O mundo olha a vida
Desconfiado de que o mundo morre
E percebe que morre
Quando isso acontece
O mais profundo sentimento
Que ao mundo ocorre
É que a vida é momento
E que é preciso viver a vida
Só isso
Voltas inteiras
Volta e meia, morre o mundo
Morreu de palavras pequenas
Água, vapor, ambição, chuva, mundo
Hora, tempo, dor, segundos
Vosso, nosso, teu e meu
Poeira de vida apenas
Sem motivo ou inspiração
Inexiste ação divina
A passar pelo prisma
São só coisas da vida, aos olhares do mundo
Uma coisa triste, embora viva
Mundano, infecundo, molhado,
Imensamente pequeno e perdido
Por vezes, iluminado
Mas somente o lado sem luz
E depois o mundo morre
Morto o mundo
E a gente, para o Universo
É morta a poesia
Pára
Evapora
Eram só versos mundanos
Sem causa divina
Nada muda
E depois de apenas uma pausa
Lá se vai a vida
E depois de apenas uma vida
Lá se foi a causa
Tão bonita e tão plena ela era
...enquanto era escrita.
E nem lida ela foi.

Edson Ricardo Paiva.

"Não era uma espera
E nem primavera sem Sol
Não era pela pedra no caminho
e nem no sapato
Não era pelo fato de a via ser de dupla-mão
Não, não era
Porque por ela, só ia
Não era a linha solta e nem cruzada
Não, não era nada
Era por causa da vida
Porque era isso que era."

Edson Ricardo Paiva.

"Tem dias que o ranger da porta irrita
Tem dias que o ranger da porta assusta
E tem dias que a porta range"

Edson Ricardo Paiva

Pense numa imagem
Imagine uma foto antiga
Coloque crianças brincando
Algumas das quais
Você mesmo conheceu em outra vida
Coloque nessa figura, algumas árvores
Um pedaço de Céu, nuvens de chuva
A mais pura cara da pureza
E tristeza nenhuma
Agora, de alguma forma
Procure acelerar o que acontece
E veja as árvores crescendo
As crianças envelhecem
Pássaros que vem e vão
E nesse vão que abriste no tempo
Desvendaste alguns segredos
A haste que aos poucos enverga
A terra que entrega a vida
Que depois, cansada, um dia
Ela também se entrega
Entenda, que apesar de tanto
Por enquanto, não viste quase nada
Enquanto pensares
Que nisso se resume a vida
Nas ciências da terra
E nasceres do Sol
A semente germina
E o pássaro que voa, devido à resistência do ar
Nada disso justifica a vida
Enquanto a gente
Não forçar um pouco mais a vista
Pra poder enxergar a esperança
A mentira, o ódio, a ambição
Ciência inexplicada
Da coisa que vira outra coisa
A alegria que nasce do nada
E depressa
No coração da pessoa, se a pessoa dança
Essa linda luz colorida
Que emana da melodia
E perdura
Além da semana de sete dias
Coragem pra se levantar da cama
E voltar a viver a vida
De coração abarrotado de tristeza
Existe uma pessoa, que se chama Fé
Um Anjo que explica a vida
E diz que ela pode ser boa
E com um pouco de boa vontade
Ela ainda pode até
Ser linda de verdade
E que algum espaço esquecido
Lá no canto daquela figura
Um dia, até ser traduzido
Na mais pura e bela poesia.

Edson Ricardo Paiva.

"Eu quis procurar a paz
Num desejo que formulei
Escrito num muro à giz
Um pedido que eu disse
Ao pedaço de estrela
Que caiu num lugar deserto
Antes mesmo
Que o caco de luz caísse"

Edson Ricardo Paiva.

Eu quis encontrar a paz
Num desenho
De pedaço de Céu
Que tenho guardado comigo
O desejo de encontrá-la
É tão antigo
Que as estrelas distantes
Pareciam mais perto
Eu quis procurar a paz
Num desejo que formulei
Escrito num muro à giz
Um pedido que eu disse
Ao pedaço de estrela
Que caiu num lugar deserto
Antes mesmo
Que o caco de luz caísse
E deixasse um buraco lá no firmamento
Eu quis encontrar
Quem quisesse dividir comigo
Pra poder vivê-la
Pois aquilo que se procura
Assim, distante
Não está no começo e nem no fim
Antes, não estava escrito
Sobre amar a liberdade
E deixar livre, pra evitar a luta
Quando um pouco menos, pra mim
Podia ter sido tanta coisa mais
Pois a paz é coisa que existe na gente
Pra quando desiste de ser encontrada
E ela ainda vai estar lá
Quando não restar mais nada.

.Edson Ricardo Paiva.

"A melhor maneira de evitar desentendimentos com gente que só nos aceita quando a gente concorda em tudo com elas é considerá-las mortas. Mas isso deve durar somente até o dia em que a gente morrer"

Edson Ricardo Paiva.

Leves
Como pétalas ao vento
No mais preciso momento
Em que o vento leve
A um suave soprar
Se atreve
E quando a gente o percebe
Parece que está recebendo
Mensagem de pensamento
Advindo de uma brisa
Exatamente
Quando aquilo que mais precisa
É que o vento só leve
De volta, de leve e depressa
Alguma resposta
Qual fosse uma prece
E contasse pra Deus
Sobre sonhos e lembranças
A parecerem esquecidos
Mas que ainda estão guardados
No meu cântaro perdido
E são meus
Diferindo-se, enfim
Queria eu que fossem
Como prantos de pássaros
Que pelo vento enveredavam
Adentrando pelas janelas
Elas, que a tantos sorviam
Mas, que mesmo assim
Permaneciam como sendo
Cantares de passarinhos
Pois é assim
Que homens iletrados
Sozinhos
E simples, iguais a mim
Os conhecem
Enquanto o pássaro, feliz
De lado a lado, cruza o Céu.
Por vontade de Deus, se esquecem
Sem razão pra viver, ele voa
Esquecidos da dor que doía
Pra que a dor não lhes doa outro dia.

Edson Ricardo Paiva.

"Sonhei com a simplicidade
Não sei quanto tempo levou
Mas o instante levou
O tempo que a vida leva"

Edson Ricardo Paiva

Eu tive um sonho pequeno
Era plena a alegria
Era noite de verão naquele dia
Eu sonhei que uma doce Lua
Brilhava no Céu, tão bela
Igual que se estrela fosse
Mas sonhei que era noite de inverno
E que tinha sopa de ervilha
Um prato de pão torrado
E uma estante cor de palha
Sonhei com a simplicidade
Não sei quanto tempo levou
Mas o instante levou
O tempo que a vida leva
Pois eu sei que a memória falha
Mas não sei se essa vida é verdade
Eu só sei que sonhar não é escolha
É como um vento, que varre as folhas
Então, só sonhei
Que eu estava sentado à mesa
E que tinha fogueira acesa
E também um amor ao meu lado
Eu tive um sonho bonito
Eu tive um poema escrito
E eu tocava um violão
Cantando pra Lua, tão bela
Mas não sei que Lua era aquela
Nem o nome do anjo que a trouxe
Mas, brilhava no Céu, tão doce
Igual que se estrela fosse!

Edson Ricardo Paiva.

Escuridão
É um lugar muito triste
Mas esse lugar existe
Pra que gentes de alma ruim
Lá, procurem outras gentes assim
Que digam que são do bem
E também tenham alma escura.

Edson Ricardo Paiva.

Faz tempo que percebi
Que o tempo passa
O que levou um pouco mais de tempo
Foi pra eu ver por onde ele anda
E quanta coisa esse tempo esconde
Porque, por mais dias de Sol que se faça
E por menos que o tempo se feche
E o mato cresça
Por mais tardes que a noite escureça
O tempo passa sim, mas não se mexe
O fato é que passou por mim
Eu sei disso, pois estou aqui
E depois do compromisso
Que eu cumpri com o tempo
Percebi
Que parte disso consiste
Em perceber-lhe a passagem
E manter-se sereno e em paz
Por menos que se conquiste
Porque, por mais que se corra
Não se vence o tempo em seu terreno
Vai-se à frente às vezes
Mas depois ele te passa
E não adianta correr atrás
Eis a lógica do tempo
Ele sempre corre mais
Basta ver a imagem refletida
E depois perceber
Que é um espelho da consciência
E que o tempo
Se esgueira pelo lado escuro
Onde nunca se olha
Fingindo inocência
Talvez, por conveniência
Se pensa que ninguém vê.

Edson Ricardo Paiva.

O vento
Que leva os pensamentos
Pensava
Que será que apenas os leva
Ou será que as tantas névoas
Cujas quais
Ele atravessa
Mais e mais o faziam
Entregá-los pelo avesso
E desse jeito
Simples pensamentos
de apelo
Lá pelas tantas
Do final do dia
Os havia demovido
Em pretensão
Amores em ódio
Simpatia em repúdio
A dúvida em certeza
E até mesmo
A mansidão adquirida
Lentamente, ao longo do caminho
Em questão mal resolvida
Que o avesso pensamento
Ou trouxe, ou transformou-se
Talvez, como prelúdio
Para o início de uma nova vida
E o vento percebeu
Que por breve momento
Passou por um desconhecido
Cujo nome era medo
Era cor que evapora
Era dor, era fome, era orgulho
Uma senhora sorridente
Mas seus passos não vem atrás
E nem vão à frente
Caminhando sempre ao nosso lado
Embora enevoados e sem fazer nenhum barulho
Quem treinar os olhos
A pode perceber
Mas somente se o quiser
De sorte que lhe falou
Sobre a existência de um lugar
Onde morrem os ventos
Mas que ninguém o sabe
Além de Deus... e da morte, talvez
Pois a hora marcada
Jamais esteve nos ponteiros
E o momento presente
é sempre breve
E a verdade, cada vez mais escondida
Nos segredos que o tempo escreve
Por detrás do denso nevoeiro
Que por ora
O vento atravessa
Sem pressa
e nem demora
A cada coisa o seu tempo
E a todo tempo
A sua hora
Mas que a vida
É um breve momento
Frágil como a neve
E tão leve como o vento
Mas que cada um de nós
Escreve
Em qual direção
Deseja que o vento a leve
Embora não veja
E, talvez, seja por isso
Que a chuva chora.

Edson Ricardo Paiva.

Se você chegar lá
Vai perceber a diferença
Entre ter alguém
Que lhe acompanhe com o olhar
Até você sumir na curva, ou não
E me contar se você viu
O frio, a cara de riso
Na tempestade negra que caiu
E o momento em que foi preciso
Fazer a exceção tornar-se regra
São essas coisas assim
Que tem o valor do que são
Portanto, enquanto ainda houver
Cura para os cortes...use!
Porque
Um laço de fita, um olhar
Prende a alma pelo encanto
Se você chegar lá, vai entender
Que pra quem não sabe o que quer
Tudo sempre se encaixa
E qualquer coisa serve
Mas que nada preenche a vida
Pois a vida é breve
Então, enquanto existir atalho
Ao caminho da morte...recuse
Pois, é sim, sempre possível
Encontrar o que tanto procura
E depois deitar tudo fora
Quando você chegar lá
Finalmente, vai saber
A razão
da lição que dizia
Que um mais um, são dois
E outras coisas que não sabia
No dia em que descobrir
Que o vazio
Ocupa um espaço imenso
Penso
Que nesse momento
Teus pés vão pisar no chão
Pois, quando a alma apenas voa
É sinal que viveu à toa
E, que pena, voou em vão!
Pois a visão era turva
Se você chegar lá
E descobrir
Que ainda existe sorte...não abuse
Tomara que tenha ao seu lado
Alguém que te ame de verdade
Te olhando, até sumir na curva
Porque, se não existe igualdade
Todo dia é do mesmo jeito
E tudo é igual, tristemente.
Pois é preciso ter amado de verdade
Pra ter o direito a deixar saudade.

Edson Ricardo Paiva.