Coleção pessoal de ednafrigato
Se você quiser vencer uma guerra não basta conhecer os pontos fracos do adversário, tem que conhecer muito bem os seus, porque são eles que o teu inimigo vai atacar.
Se você já fez tudo que podia para se aproximar da pessoa e não adiantou, tente uma última coisa, mas desta vez por você, afasta-se.
Um bom professor não é aquele que só tira dúvidas dos alunos é aquele que, sobretudo, acrescenta-lhes pontos de interrogação.
Atualmente é comum ouvir as mães dizerem que a criança é desobediente, só que essa afirmação se torna inválida a partir do momento que não há ninguém para que ela obedeça.
O amor não nos tira nada, muito pelo contrário, enriquece-nos. Caso esteja acontecendo o contrário é porque você cometeu um grande engano e chamou qualquer outra coisa de amor.
A única coisa pela metade que não está incompleta é uma garrafa de vinho porque a metade que falta nela está cheia de história.
Prelúdio ao Luar
Sentia-me sonolenta... confusa. Com os sentimentos embaralhados, enrendados na névoa prata do luar que me banhava a face com gotas de orvalho transparentes e frias. As notas fortes do piano de Bach rasgavam o véu escuro da noite expondo a nudez despudorada de um céu cravejado com milhões de estrelas de lume divinal.
O vento da madrugada uivava forte nos meus ouvidos, causando-me uma mistura de êxtase e arrepio. Adentrava meus sentidos, acordando lembranças que, há muito, dormiam sob a lápide do esquecimento. Com elas, bombardeava, sem parcimônia, minhas emoções, deixando-as tão frágeis quanto a noite que escorria com violenta sutileza por entre os impiedosos dedos do tempo. Perante meu olhar anestesiado de beleza, a aurora começa a tecer o dia e uma infinitude de cores se espalha tímida pelo firmamento, revelando uma beleza ímpar.
De repente, o dia é todo luz... imensidão e cor. As notas do piano de Bach são sobrepujadas pelo canto do galo, pelo revoar dos pássaros, pelo estalar das folhas... e eu ainda ali deitada sob o edredom gelado com as notas de “prelúdio”, valsando insones nos meus sentidos já despertos. Sentia-me tão abençoada quanto pequena. Pequenina e só como uma estrela perdida na imensidão gris versada pelo bocejo da noite, pelo sorriso boêmio da lua. No entanto, sentia-me salpicada de paz como se o espetáculo que prenunciava o dia e a energia do sol que resvalava em mim fossem o próprio ópio que me acalmava a alma.
A sensualidade é algo que extrapola o plano físico, engloba também o psicológico da mulher, mas só aflora quando ela quer ou precisa. Caso contrário fica ali, quietinha, latente esperando um motivo plausível que justifique a sua razão de existir.
