Coleção pessoal de ednafrigato
Muitas pessoas contribuem no processo de crescimento, nas mudança da sua vida, algumas têm até participação especial, mas o protagonista vai ser sempre você.
Nem sempre o corpo de uma mulher pertence a quem o tem, mas o coração sempre pertence a quem faz os seus olhos brilharem.
Ponto cego
Hoje eu estive a pensar: qual o ponto em que a coragem, a força, a determinação e a persistência em um relacionamento amoroso deixam de ser amor para se transformarem na falta dele?
Qual o ponto em que a virtude de amar toma o rumo contrário da correnteza para se transformar em esforço desnecessário, perda de tempo e anti-virtude?
Qual o ponto, meu Deus, em que o excesso de amor por um homem denota claramente a falta de amor-próprio da mulher?
Qual o instante preciso que marca a hora do grande salto, a hora de pular do barco antes que ele naufrague no descaso, na indiferença, na falta de interesse dele?
E as perguntas foram me assolando durante toda a noite como tempestade em alto mar fustigando os rochedos, mas pela manhã eis que o farol da sabedoria surge majestoso a minha frente e tão claro como o sol que delimita a noite e o dia foi dissipando as minhas dúvidas no nevoeiro da manhã e, mais claro ficava a cada passo que eu dava em direção à luz que há em mim.
O ponto que eu procuro chama-se reciprocidade e foi nele que ancorei as minhas dúvidas. Lutar por um homem que não nos quer é como lutar contra o próprio tempo, não temos a menor possibilidade de vencê-lo. Lutar por um homem que não nos quer, além de perda de tempo é falta de amor-próprio e que homem ha de confiar no amor de uma mulher que não tem amor a si mesma? Eu sei que falar pelos outros é no mínimo perigoso e ingênuo, mas eu desconfio que, nenhum. E isso não serve só para os relacionamentos amorosos, mas as pessoas em geral nos dão o exato valor que mostrarmos a elas que nós temos.
Se você não sabe por onde começar, comece pelo perdão: perdoe a si mesma por ter feito tanta besteira na vida e recomece e siga em frente.
Eu não duvido que "conversar, filosofar e fazer amor, tudo com a mesma pessoa" seja a trilogia perfeita em um relacionamento. O que eu duvido é que seja fácil encontrar alguém assim em um mundo como o nosso, escasso de conhecimento e povoado por pessoas de músculos inchados e cérebros atrofiados, com quem possamos exercitar ou protagonizar essa trilogia.
Não deixe os teus sentimentos no modo silencioso, deixe-os em um volume que o outro seja capaz de escutar.
