Coleção pessoal de EdgarFonseca
Morremos antes mesmo de nascermos, por isso, procuramos a nossa alma instalados em corpo humano, que para muitos, o melhor que fazem passa por alterar as características do corpo em que habitam.
Em meio de muitas mágoas, a nossa condição de meros humanos nos transforma em seres cada vez mais amargos para a vida.
Exigimos as pessoas a entenderem a nossa existência, quando nós mesmos nem sequer nos entendemos o mínimo que seja.
Gastamos tempo para nos identificarmos com o mundo, mas, o mundo não nos reconhece como seres ligados a si, por isso, morremos em busca do meio em que pertencemos.
Vivemos mortos em corpo adaptado de um humano, mas, não nos preocupamos em buscar o vivo que habita no nosso espírito.
Não chores sobre a triste vida que levas, chore antes pela falta de oportunidade que tens de ser feliz.
Quando sentires a força do amor sobre ti, não te acanhes, deixe apenas que o teu coração se entregue a uma aventura sem igual.
Espalhamos amor sobre os cantos de uma cidade desamparada pela paixão, sem querer nos deixamos atingir pela chama da ternura e acabamos presos num coração cheio de candura.
Eternizamos o som da nossa voz entre as várias melodias soltas nos ouvidos das donzelas apaixonadas, mas, não nos reconhecemos nas noites sem luar, quando o encanto da ternura se acaba.
Sem medo olhamos para as costas dos outros e criticamos a sua vivência, mas, não somos capazes de nos olharmos de frente e nos criticarmos por nada fazermos para ajudar o errante a atinar pelo caminho do bem.
Ensinamos os nossos filhos a crescerem sobre os auspícios da sabedoria, mas, não admitimos a possibilidade de sermos sábios para ajudá-los a trilhar o caminho do bem.
Sonhamos em viver momentos inesquecíveis na terra, mas, não aceitamos dedicar a nossa vida fazendo o bem, para que as aventuras deste sonho se possam realizar.
A vida nos proporciona momentos para sorrirmos, chorarmos, cantarmos e até brincarmos, mas, não nos concede a possibilidade de escolhermos estar no mundo para sempre.
As vezes vivemos sem saber o fundamento da nossa existência, mas, marcamos passos largos ao longo da vida em busca de uma felicidade determinada pelas pessoas que nos rodeiam.
Demoramos para perceber que a nossa felicidade não está nas mãos de quem amamos, nem no corpo de quem apreciamos, está antes na sabia maneira como conduzimos a nossa vida pelo mundo.
Existimos sobre o fundamento de um corpo mortal, que as vezes acabamos por nos esquecer que a vida nem sequer nos pertence e que a qualquer momento o seu dono no-las pode tirar.
Mesmo que censuremos o tempo, ele jamais voltará para trás, por isso, faça tudo no presente como se fosse o fim dos seus dias na terra.
