Coleção pessoal de CarlaGP

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⁠"Qualquer pedagogia que não considere a precedência da formação do caráter em relação a qualquer outra está fadada a produzir verdadeiros aleijões morais, cuja atuação é invariavelmente daninha.

Fadada a produzir bons intelectuais de péssimo caráter".

⁠"A identidade de um homem revela-se com peculiar ênfase nas suas lembranças, quando ele olha para trás e se vê nas próprias pegadas, as quais lhe dão a perspectiva do caminho percorrido. Este, por mais acidentado e permeado de mudanças que tenha sido, é uno, ou, noutras palavras, possui a unidade das coisas irrepetíveis, jazentes na memória.

Envelhecer bem é tornar-se capaz de contemplar a própria identidade. Infelizmente, isto não é para muitos, visto que, em todos os tempos, a maioria dos homens se afoga na superfície duma vida medíocre. Acresça-se o seguinte, ainda neste contexto: envelhecer bem é estar em paz com o passado, aceitando-lhe os sofrimentos e as alegrias, os erros e os acertos, as boas e as más escolhas, algo impossível para quem se recusa a vê-lo e, nele, ver-se.

Em contrapartida, envelhecer mal é estar em litígio com os vestígios do passado, sinal de que o medo ou a covardia de olhar para a própria história venceu. Trata-se duma vitória funestamente enganosa, com certeza, porque ninguém aborta um remorso, nem mesmo os covardes. Não adianta, pois, a pessoa mentir com a imaginação para apaziguar-se com lembranças falsas: a dor virá, e será tanto maior quanto mais adiada tiver sido.

Só dá testemunho da própria identidade quem amadurece, e só amadurece quem tem a coragem de amar. É a maturidade esse estado psíquico acidentalmente cronológico que dá sentido a uma vida humana.

Quem não se liberta na plenitude duma vocação realizada, conhece-se muito pouco, quase nada. Não consegue enxergar as suas impressões digitais anímicas, e, portanto, mal tem o vislumbre da própria identidade. Vive de saudades sabotadas, pois precisa inventar o passado para suportar o presente e, então, amoldar tudo a um futuro amesquinhado.

O passado renegado é uma herança maldita. Por isso, é livre quem aceita estes ossos lascados que pulsam de dor".

⁠"Caridade sem heroísmo é ouro ainda não provado pelo fogo".

⁠⁠"O otimismo é volátil; a esperança, perseverante".

"O amor não é um impulso natural cego, mas um conhecimento pletórico que arrebata a vontade".

⁠"Cada palavra participa materialmente de um conceito; cada conceito participa formalmente de uma realidade; cada realidade participa infimamente do ser que nenhuma palavra e nenhum conceito podem expressar".

⁠"A presunção de inocência do condenado tem como reverso da medalha a presunção de culpa do inocente.

Noutras palavras: uma sociedade que protege os culpados descamba, invariavelmente, na inculpação dos inocentes.

Isto é, a propósito, um arquétipo: os Barrabases precisam de Cristos que paguem pelos seus crimes".

⁠"No vaidoso, a admiração é inveja".

⁠"A pessoa vaidosa tem o condão de destroçar a própria família".

⁠"Sem justiça e sabedoria, a coragem não passa de astúcia".

⁠"Entre o medo e a superstição há um vínculo psicológico sutil, porém forte, daí que não seja raro o medroso querer adivinhar o seu futuro próximo com o intuito de precaver-se contra perigos reais ou imaginários. Em suma, onde há muitas pessoas assustadiças, pusilânimes, abundam as crendices e decai o nível médio de bom senso e razoabilidade.

O mais dramático, porém, é que decai também o padrão do amor em sociedades nas quais há muita gente supersticiosa, pois o amor não deita raízes em almas tendentes à covardia, sendo ele próprio a expressão máxima da coragem".

⁠"O medíocre é uma alma sem ponto de exclamação".

⁠"Em seu utilitarismo medíocre, o avarento vê o saber não como algo amável em si, mas apenas na medida em que possa ser lucrativo".

⁠"A sabedoria não consola os avarentos; antes os leva ao tormentoso afã de tirar dela vantagens indevidas".

"Sendo implacável consigo mesmo, o escrupuloso acaba por tornar-se cruel com outras pessoas".

⁠"O otimismo jamais terá a paciência da esperança".

"⁠Os grandes pedagogos educam para a generosidade, que na alma dos discípulos serve como precondição psicológica para a contemplação e posterior partilha da verdade — numa escala de conhecimentos que vai do menos abstrato ao mais. Em breves palavras: ser generoso é a nota essencial do verdadeiro mestre, e para percebê-la convém olhar os seus discípulos. Se sabem muito e amam pouco, o mestre fracassou porque sabem mal. Se amam muito e sabem pouco, o mestre fracassou porque amam mal.

O amor é o motivo, é o instrumento e é o fim do saber. Se o amor permear o conhecimento do princípio ao fim, é porque o mestre ensinou tudo na ordem ("ordo"), na forma ("species") e no modo ("modus") devidos. Mas não se chega a tais resultados sem doses de preciosa generosidade.

Amor e saber ou estão juntos ou são malogrados. Sua perfeição é literalmente co-incidirem.

A verdadeira erudição sabe a amor, e o amor é a mais sublime devoção ao bem apetecido pela vontade iluminada pela inteligência. Por isso, o bom mestre gera almas devotas do saber; o mau mestre gera almas devotas do próprio umbigo. Esta última devoção chama-se soberba, o anti-amor em ato.

Se alguém chega a esse triste ponto, é quase impossível que reordene os saberes e os hierarquize. O contato de sua inteligência com a realidade estará decisivamente depravado".

⁠"A estupidez nunca é inocente".

⁠"A maldade não morre de cansaço".

"⁠Ninguém é mais susceptível que o vaidoso".