Coleção pessoal de CarlaGP
"Da futurologia, o afã de prever com grande precisão o porvir, passa-se à futurolatria, a adoração do que ainda não existe.
Toda revolução perfaz-se num exercício ideológico de futurologia que descamba, necessariamente, em futurolatria: da previsão de um amanhã funesto passa-se à veneração de um amanhã político promissor.
O revolucionário catalisa o medo das massas no tempo presente para encantá-las, induzi-las à ilusão de um mundo melhor no futuro.
Isto, é claro, se as suas propostas ideológicas forem seguidas à risca.
O antídoto contra todos os profetas profanos da felicidade imanente, mundana, terrenal, é Aquele a quem todos normalmente chamam "Deus", o Próprio Ser Subsistente que está para além de todos os amanhãs e nos quer partícipes de Sua eternidade, situada fora do tempo".
"Quando tem por objeto a vida alheia, a curiosidade é uma subespécie do vício da devassidão. O curioso, de tanto invadir o que não deve, faz a sua vida interior perder todo o viço; daí a exibir a própria intimidade e a dos outros como se fossem troféus, é um passo".
"O mais venal dos homens é o que se vende por uma boa causa – à qual deveria aderir espontaneamente".
"Desde o começo do século XXI, o mundo foi tomado por hordas de pessoas maravilhosas capazes de trucidar o próximo, por desespero fantasiado de boas intenções".
"Os extremos não se escandalizam: as pessoas boníssimas a quem chamamos "santos", como também as de elevado grau de malignidade, têm a alma imune ao escândalo. Os santos por proficiência, pois conhecem de maneira extraordinária as insídias do mal e os anticorpos a serem usados contra elas; os cruéis por deficiência, pois suas almas foram narcotizadas a ponto de as piores maldades não lhes suscitarem espanto".
"A personalidade é a identidade profunda de uma pessoa consigo mesma, naquilo que essencialmente a constitui. Portanto, não pertence à ordem do agir, mas à do ser. Não pertence também a nenhuma instância subconsciente ou inconsciente. Não pertence, por fim, à instância sensitiva na qual afloram inúmeros apetites físicos.
A personalidade é a própria pessoa desprovida dos vícios que a impedem de afirmar-se no mundo pelo amor.
Tudo o que se constitui em óbice para o amor despersonaliza, desfigura nalgum grau a pessoa humana. Neste sentido, alguém que vive na superfície de suas pequenas satisfações ou insatisfações cotidianas é uma personalidade apagada, sem atrativos, desprovida de digitais espirituais que a distingam das demais pessoas.
Uma pessoa desfigurada por vícios presta-se à homogeneização fomentada por ideologias, sejam estas quais forem. Continua sendo uma pessoa, é verdade, porém uma pessoa em ruínas, impossibilitada de conhecer as suas próprias potencialidades.
A personalidade é o sujeito que está para além de todos os acidentes que nele inerem, quer intrínsecos, quer extrínsecos. A pessoa pode ser magra, baixa, alta, gorda, ter sofrido isto ou aquilo na vida. Estas circunstâncias não configuram a sua personalidade, embora a influenciem.
O "eu" em sua nudez metafísica, operando habitualmente de acordo com a excelência das potências superiores da alma, inteligência e vontade. Isto é a personalidade.
Quantos de nós conseguimos alcançar esse âmago que nos constitui?"
"A indiferença para com o próximo que passa por dificuldades — a começar pelos amigos e pela família, que são os próximos mais próximos — é o primeiro sintoma de fadiga moral. Ultrapassado este ponto, o passo seguinte de uma pessoa em tal estado é acusar o próximo pelo infortúnio que sofreu, maneira eficiente de não lhe estender a mão sem sentir culpa, num total alheamento.
Cedo ou tarde, a indiferença transforma-se em delito espiritual irreversível, pois vai destruindo aos poucos o que um homem tem de mais excelente: a possibilidade de amor verdadeiro. Possibilidade que essencialmente o constitui.
Ser indiferente é despersonalizar-se, nadificar-se sem o saber".
"A soberba é o único beco verdadeiramente sem saída para o homem. É pior que a morte porque é a morte em vida".
"Onde a moral natural degrada-se, o Estado transforma-se no deus que define acerca do bem e do mal, do certo e do errado".
"Destrua-se a moralidade e nascerão os piores moralismos. Cedo ou tarde, estes irão gerar o mais insano de todos: o moralismo de Estado".
"Ao sermos mal-interpretados por amigos, é razoável a presunção de que não fomos suficientemente claros, pois nem a boa vontade deles para conosco evitou o seu equívoco quanto à nossa intenção. Ao sermos mal-interpretados por falsos amigos, é razoável a presunção de que fomos claros e a malícia deles turvou-lhes o juízo, a ponto de distorcerem a nossa intenção. Ao sermos mal-interpretados por inimigos declarados, é razoável a presunção de que fomos claros, eles compreenderam relativamente bem os nossos motivos, porém não os suportam.
Um amigo pode errar mesmo julgando-nos com benevolência; um falso amigo erra sempre julgando-nos com inveja; e um inimigo declarado, julgando-nos com ódio. Nestes três casos, ainda que o erro seja o mesmo, as distintas motivações mudam a natureza moral do juízo equivocado.
As conseqüências também são diversas: a genuína amizade quando erra apenas arranha, e traz consigo pensos para fazer o curativo, se necessário; a inveja quando erra difama; e o ódio mente.
Estes dois ultimos costumam aumentar a ferida que causaram".
"Almas infladas podem ler absolutamente toda a história da filosofia, mas nunca passarão de cães que vivem a ladrar.
