Coleção pessoal de andresaut
As vezes esqueço que o roteirista da minha vida sou eu e acabo não escrevendo um belo dia para viver.
Escrevi este texto em 1977 quando estava na 7ª série, foi publicado em 2001.
Todo dia, quando ia para a escola, passava na casa de uma colega para irmos juntos.
Ela tinha os olhos grandes e tristes.
Até que um dia, notei que os olhos dela estavam mais tristes que normalmente.
Então pensei: Se eu der um beijo nela, será que ela ficará mais feliz?
Não hesitei; beijei-a no rosto!
Deu um clarão e eu nunca mais a vi.
Até que num dia chuvoso, quando passava por uma poça d’água, vi uma sapinha de calça jeans e tênis.
Dei dois passos e parei. Sapo não usa calça jeans. Muito menos tênis...
Voltei e olhei. Eram aqueles mesmos olhos grandes e tristes.
Pensei então: Será que é como um conto de Fadas?
De novo, não hesitei, me abaixei, peguei ela na mão para beijá-la...
Mas ela beijou primeiro.
E depois do clarão. te digo uma coisa: Aqueles olhos não são mais tristes
e acho o maior barato ficar coachando na beira das poças.
Mas não me acostumo a ficar pulando de lá pra cá e daqui pra lá o dia inteiro.
Amanhã, entre um minuto e outro, entre uma hora e a próxima, entre um momento e uns instantes, não esqueça de deixar espaços vagos. Espaço na gaveta para uma meia nova, espaço na prateleira para aquele livro que sempre quis ler, espaço no dia para um café com amigos, espaço na agenda para um compromisso não agendado, espaço na noite para um sonho inesperado, espaço nas entrelinhas para observações malucas e não tão importantes mas sinceras, espaço no espaço para viajar numa ideia. E um espaço para algo especial que não precisa ter tamanho porque ele se acomoda, se contrai, se expande: aquele espaço para amar que sempre está do ladinho do espaço que a gente esquece de deixar na vida, o espaço para viver.
No princípio da aula de português, surgiu o A seguido do B,C e do D.
Depois em sequência chegaram o C,D e o E. de uma vez só, foram aparecendo o F,G,H, I,J que convidaram um tal de K, para se juntar com os que já se acomodavam no quadro negro que era verde, na minha sala de aula. Antes do recreio, uma turma enorme e entusiasmada com a reunião surgiram de entre-linhas, eram o L,M,M,O,P,Q,R,S,T U,V e para terminar chegaram os que para nós são os últimos mas, que para nos contrariar, alguns cientistas dizem que é o começo de tudo, os tais X,Y e Z, mas isto, já é ciências. Ah! quase esqueci daquele estrangeiro que ganhou asilo, o W.
Vou ensinar só uma vez e tenho certeza que não vais esquecer. É um laço que começa com uma mão que passa por cima do ombro de outra pessoa e por baixo ao contrário também do outro braço que passa por cima. Depois é só apertar não muito, mas o suficiente para sentir o compasso de dois corações. Este laço de braços, eu, particularmente chamo de abraço. Mas acho que me perdi no segundo laço. Tem alguém por aí que queira ensaiar comigo?
Quando somos presenteados com um sorriso e um abraço o momento se transforma num beija-flor e faz as asas da alegria baterem tão forte que o tempo parece parar.
Descobri que sou um aprendiz da vida querendo ser um artesão de sonhos pois incessante não desisto daquilo que acredito. Sonhando bem acordado, trabalho em transformar o abstrato em concreto o impossível em provável e o incerto em certeza. Não acredito no “não dá”, mas em contornar a razão de quem achar que tem sem querer discuti-la, mas sem insistir que desista destas encravadas convicções, apenas acrescente à ela, outras e, perceba que não vai me ouvir dizer, vai me ver fazer! Mesmo que pareça irreal o mais difícil de alcançar não é o sonho, mas a capacidade de acordar e ver que a realidade acontece por que você a idealizou e, acreditou ou, por vezes com a ajuda do acaso, sem esforço, por motivação do aventureiro destino.
Mariana das bonecas.
Mariana era uma menina bem pequenininha do tamanho das bonecas que brincava, mas com um coração gigante que se fosse medir por tamanho de abraço, seria um abraço tão grande que caberia todas as bonecas do mundo. A Mariana amava qualquer boneca, as branquinhas, marronzinhas, gordas, magricelas, grandes e as bem baixinhas. As que tinham cabelos compridos, as de cabelo curto e até as sem cabelos. Adorava as roupinhas de bonecas, algumas até cabiam nela. Ela dava nomes de acordo com a cara de cada uma, tinha as Marias, as Berenices, As Fátimas, as Betes e até uma com uma cara engraçada que ela colocou o nome de uma amiga dela que não vou contar. A Mari cantava para elas músicas de verdade e cozinhava comidas de faz de conta. Ela as ensinava a dançar enquanto aprendia a viver. Assim era a Mari das bonecas, uma menina bem pequenina no tamanho e enorme nos seus sonhos.
Não há nada que arrepie mais do que um abraço de um amigo querido, que de tão carinhoso, abraça até a alma da gente.
Qual a cor do amor?
Verde é a cor do papagaio
Também é a cor das matas,
Onde vivem os animais.
Amarelo a cor do canário
Também a cor dos girassóis,
Que alimenta os passarinhos.
Marrom é a cor do sabiá
Também a cor da terra,
Onde plantam os girassóis.
Preto é a cor do corvo
Também a cor do infinito,
Onde o pensamento se confunde com as estrelas
Azul é a cor da gralha
Também é o cor do céu,
Onde todos os pássaros brincam de voar.
Branco é a cor das nuvens,
A cor da pomba
A cor da paz.
Já o amor, é de toda cor,
Da cor da terra, da cor do céu,
Da cor do mar.
