Coleção pessoal de andresaut
Num dia de céu azul,
numa floresta verde nasceu uma onça branca
filhotinha de um casal de onças pintadas.
Foi um espanto para todos,
ela era diferente.
Os pais eram pintados e ela
nasceu branca.
Os irmãos eram pintados,
os primos eram malhados,
tinha até uns listrados.
Mas ela era branquinha como um
papel sem desenho.
Branquinha como as nuvens,
branquinha como as margaridinhas.
Mas também branquinha como a
oportunidade de ser da cor que queria.
Por enquanto que ela crescia,
sua cor mudava todo dia.
Quando ela brincava no barro da
beira do rio, ficava marrom.
Quando ela brincava no mato ficava verdinha,
quando comia melancia,
ficava cor de rosa e quando chovia,
ficava branquinha de novo.
E teve um dia que até pintada ela ficou,
foi quando no seu peito uma criancinha
sem medo um coração desenhou.
Só fique triste o tempo suficiente para que tuas lágrimas reguem teu coração para nascer mais flores, mais amores.
O que me faz diferente do meu semelhante é que aquele é mais gordo e o outro mais magro, no resto, tenho dúvida.
Meu coração é pequeno, por isso, não tem espaço para guardar mágoas, rancor ou ódio e o carinho ou amor que recebo, consigo repartir ainda quentinho, ainda batendo, ainda amando.
Tenho amigos que são como a lua, não convidei para entrarem, mas pela fresta da janela iluminaram minha noite.
Sabe porque que os passarinhos cantam tranquilos mesmo pousados num galho fácil de quebrar? Eles sabem que tem asas!
Faz algum tempo que em lugar de mandar flores, estou mandando sementes. Demoram um pouco mais para florir, porque tem que serem plantadas, regadas e cuidadas, mas serão para sempre LEMBRADAS.
Quantos anos eu tenho? O suficiente para lembrar como se faz balão de chiclete, dar muitas risadas e descobrir que viver é mais simples do que tentaram me ensinar.
