Coleção pessoal de Amontesfnunes
MEDO
O medo existe...
Que medo?!
... Medo do tarde, do triste
medo do cedo, do segredo
da tarde da noite
medo do degredo.
Medo do existir, ou não existir.
Da ida, da volta
do ir, e vir
de passar por aquela porta
o medo porta, torta, entorta,
o medo, importa.
O medo existe, alegre triste
... Entre choros e agouros
medo da aglomeração, do estouro
... Medo da cor do ouro...
Medo da fome...
Do homem, lobisomem
daquilo que nos consome...
Medo... Do imposto torto
da alegria do loco
dos olhos d'aquele morto.
Medo do medo
medo do terrível segredo...
Antonio Montes
GOMAS DA PAIXÃO
Aroma de corpo
corpo sob toalha
toalhas em gotas d'água
água em fina camada.
Camadas de desejos
desejos trepidos de volúpias
volúpias movidas a beijos
beijos em marcha a galopar.
Galopar na paixão
paixão de brasas e labaredas
labaredas atiçando fogo
fogo que a ti segreda.
Segreda em seu casulo
casulo que lhe dão gomas
gomas de vontades pesponta
pesponta e aponta o aroma.
Antonio Montes
TEIA DO BEIJO
Encontrei nos lábios seus
seus frenesis a me enfeitiçar
enfeitiçar minhas vontades
vontades e meu acelerar.
Acelerar com aquele amor
amor que pra você escolhi
escolhi com tanta paixão
paixão d'aquelas, que nunca vi.
Vi você ali, desabrochar
desabrochar nos braços meus
meus ensejos de desejos
desejos sem mais adeus.
Adeus, e viajamos ao céu,
céu que envolveu-me em sua teia
teia que me prendeu na volúpia
volúpia em centelha, encontrei.
Antonio Montes
ERRO DA LUA
A lua perdeu-se do céu
zanzou chorosa pela solidão
sem o sol, ficou pálida
não tinha mais a cor da prata
que pairava no seu coração.
A noite sem lua...
Só tinha escuros em suas sombras
o lobo, não urrava mais a sua dor
inebriado pela escuridão
sentia apenas o cheiro da sua flor
mas na visão...
Perdeu o tato, do seu grande amor.
Corujas sem rumo...
não via o trilho do seu revoar
em seus medos, ouvia apenas...
os batimentos dos seus corações
ficaram sem ventos, para planar
e perderam o timbre do cacarejar.
A noite com isso...
Ficou fria entristeceu, sem sua lua
chorou suas lagrimas de orvalhos
soprou ventos de medo nas ruas.
Que medo, que medo...
os silvos das serpentes
o choro na lata de lixo
os zumbidos das balas perdidas
que medo, que medo...
Que medo, dessa de gente.
Antonio Montes
PÓLO DOS SEGREDOS
É eu vi, os seus beijos
sassaricando a minha volúpia,
enquanto meu coração pulsava...
Meu corpo tremia de ansiedade
e as labareda da minha paixão,
crepitava na sofreguidão das suas mãos.
Com seus beijos...
O vento parou de farfalhar
os pássaros encantados
deixou de chilrear
nossos olhos reviravam pelas marcas,
geodésica dos nossos corpos.
Visitamos os pólos dos nossos segredos
para logo depois cochilarmos
nas águas mansas dos oceanos.
Antonio Montes
EM FRENTE
Em frente a gente...
Sonhos de uma vida
esperança de felicidade,
... O dia dá partida
horas dão despedida.
Em frente ao surreal...
As duvidas dos sonhos
o outono do viver
os insetos dos jardins
o acalanto do mal.
Em frente a gente...
Tumulto da aglomeração
planos, pautas e promessas
esperança fazendo festa
cântico e dança no salão.
A velhice com bengala
as filas nos sociais
frases curtas, dizendo não
a dor infligindo a cara
o desfeito no coração.
Em frente a gente...
A faixa, a placa... PARE
o semáforo, todo grená
a pulsação e exaustão
a duvida do viajar.
Em frente a gente...
admiração de flores e cachos
A vontade de ir para cima
o medo de ir para baixo.
Antonio Montes
A LABAREDA
Eu tenho querer no meu coração
essa casa digna só para você
ah, como é tão bom essa paixão...
Intercalada nesse imenso querer.
Eu fico a salutar e também crepitar
no meu peito repleto de amor
e o sono ao me levar te ajeita
nesse florido jardim em flor.
Da minha janela, o horizonte
me chamando para a verdade
a recordação vendo os montes
desse coração com saudade.
Penso na caricia, estou na sala
aonde a volúpia, se instalou
delirando com muita lembrança
momento que nosso fogo crepitou.
Na telepatia, tudo acontecendo
eu aqui nas labaredas de você
a salutar o aconchego já fervendo
venha meu imenso amor, meu querer.
Antonio Montes
AMOR DA LUA
É nessa calçada...
Que um dia tivemos o abraço da lua
olhares serenos das estrelas
... Te quero, você me dizia...
Imenso é meu querer,
e meu amor, por você,
amor meu... Se você me deixar,
de saudade eu vou morrer.
A noite com sua brisa
nos aconchegava em seu peito
e o seu cheiro inebriava a minha vontade,
enrolávamos, sobre o apetite do silencio
e só os suspiros dos nossos corações
apontava vida para o nosso amanhã.
O momento, pespontava o nosso amor medonho
nos trazia sonhos e trepidava nossos corpos,
com a felicidade dos nossos risos
e, dos nosso rostos risonhos.
Os segundos, minha querida...
Transformou-se em flechas cúpidas
Fixando a nossa união...
No eterno alvo da vida,
e no pulsar do nosso coração.
Antonio Montes
PÉ DE COCO
Aquele pé de coco, tem coco...
Coco com oceano castanha
o cacho esta acima do horizonte
nele tem, casco, tem bagaço
tem folhas verdes, lá no alto
que sobre os ventos arranham.
Pegue uma faca ou facão
faça um talho e de um talho
o coco então, cairão ao chão
e deixarão de ser entalho.
N'aquele pé de coco, tem coco
Coco para fazer cocada
e distribuir em volta do fogo
na fogueira da molecada.
Antonio Montes
FRUGALIDADE
Da milharada eu quero milho
p'ra fazer um mungunzá
com mais puro sentimento,
socado a pilão, sem casca
as quais caíram ao chão
com peneiradas ao vento.
Da peneira a peneirada
com furos e suas águas
cheia de partículas no ar,
e esse cheirando a verde
orvalho matando a sede
de um sonho ao sonhar.
Quero também o aroma
do café quente da manhã
... Toalha xadrez na mesa
bule e xícara e a beleza
dos olhos da natureza
e a cesta cheia de maçã.
Já da roda, a ciranda
e quadrados do amarelinho
a corda eu pulo de banda,
e de manhã na manhãzinha
pego o ovo da galinha
antes que o dia me tromba.
Antonio Montes
QUERIA SER
O homem queria ser pássaro
E voar de verdade, e voou...
Voou com uma estrovenga
Foi a marte... Mas nunca!
Nunca ganhou a liberdade.
Antonio Montes
FEITOS DE UM POEMA
Eu tenho um poema...
Que fala de penas
que fala de asas e liberdade,
de musica leves tocadas
de sonhos nascidos do nada
das alegrias e felicidades.
Eu tenho um poema...
Que fala de versos e rimas
do cheiro da casa simples
das tranças d'aquela menina
que fala do rancor e da irá
do amor vivido em flor
do rancor causado pela dor
do amanhã e da doce vida.
Eu tenho um poema...
Já feito no fim da tarde
falando do alvorecer
da lua prata da noite
do vento e seus açoites
horizonte e por do sol
da solidão e seu anzol.
Eu tenho um poema...
Nascido de prosas e palavras
com boiada e boiadeiro
da vida mansa e canseira
do menino e da peteca
do ranger da velha porteira
e a moeda na gibeira...
Fala do velho caminho
das flores d'aquelas margens
das remadas na canoa
a brisa do amor na proa
os feitos de gente boa
dos desfeitos e das vantagens.
Eu tenho um poema...
Que também fala das espadas
das guerras desenfreadas
feita para lucro de facínoras,
um poema cheio te temas
com suas penas e lagrimas
suas magoas e suas tremas
nele contem as façanhas
e contendas de um poema.
Antonio Montes
A CANJA
Me arranja uma canja
que de banda nessa banda
voou tentando debandar
se a canja me arrumar.
Quem sabe uma colherada
... De riso carinho e amor
um abraço antes do nada
um jardim repleto de flor.
Me arranja uma canja?
Sim! Uma canja me arranja
... Para fazer do viver
uma canja com você.
D'essa canja, uma colherada
com toque de tamborim
sapateado samba rodada
uma canja, assim para mim.
Antonio Montes
SENTIMENTO PRESO
Como passarinho...
Me prende na gaiola, só para ouvir
o meu cantar, e eu canto.
Em troca, você...
Prende-se em mim,
me dá: Comida, água,
vontade de ser livre, e voar,
e você, quando vai se soltar?
Antonio Montes
BENQUERENÇA
O afeto que você me deu
para mim, é algo reto
Tu não sabe...
Eu, não presto,
tenho pena desse afeto
Porque?
Eu, todavia longe
você...
Sempre, sempre perto.
Antonio Montes
EVENTO CHATO
O João do pato
já muito fraco...
Caiu no buraco.
Foi grande o sopapo...
As penas do pato,
n'aquele evento chato
ficaram no saco.
Antonio Montes
SEDENTÁRIO
Se andas sedentário...
Pegue o boticão
de um esticão.
Não esgueire igual serpente
caçando lugar a frente
muito a frente...
Além dos dentes.
MINHA MEDIDA
Você...
É a minha medida sem peso
estou vesgo, fico teso
com peso do meu querer.
Te tenho em alto estima
minha jarda, minha rima
gravitacional da minha sina.
Instrumento, que me eleva pra riba
fada repleta de beleza,
tu és a flor da minha medida.
Antonio Montes
