Coleção pessoal de Amontesfnunes

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PASSOS MARCADOS

Se eu passo com meus passos
com seus passos, pode passar...
Se seu passado, não passa
e suas passadas embaraçam...
Os passos segue carreira,
para no passado, passear.

Eu passei pelo passeio
com passos e passadas largas
meus passos foram escanteio
com minhas passeadas rasas.

José passou a galope
entre poços e passos seguros
suas passadas foram forte
com bote para o futuro.

Marcou passos no passado
no tempo foi passageiro
pelos passos do pai honrado
passou para o mundo inteiro.

Antonio Montes

PASSADO FUTURO

O amanhã eu passarei
todos vocês irá passar
e os que irão, passarão
passarão para ficar.

Quem não passa fica...
Na vontade de passar
quem passa, se agarra
com vontade de chegar.

Como passageiro do mundo
com meus passos, eu passo
passo devidamente apressado
para o futuro que será passado.

Ficará guardado, o presente
no passado bem ausente
o qual baterá no momento
no presente, consciente.

Antonio Montes

ESTRIMILIQUE

Com a cangalha
sobra a galha...
Com fuxico e sem fuxico
o burrico do seu Dico
ploc, ploc
nunca deu ouvido a grito.

Leva milho
leva palha...
Na estrada com zagaia
relinchos não atrapalha
seu reboque, seu enfoque
subindo descendo
babando, tremendo
a galope, de sul ao norte.

O seu Dico, vai aos gritos...
Acreditando no feito
e os ticks fiquitiço
nem esta ai para isso
muitos menos com os grilos
de burrice do burrico.

Antonio Montes

COM POEMA

Assim com poema, vou por ai
desenfreado sem lado
as vezes em sopros mirrados
em outras... Em ventos largos.

Te digo, não ligo...
Se eu vir, escorregar,
e por acaso, cair no lago,
quem sabe, sob frio, molhado
farei um poema de tremer
ou até mesmo um poema
encolhido, coitado.

Mas uma coisa, te digo
mesmo que eu acenda a centelha
Entre banhos de palavras e larvas
não irei queimar minhas favas...
saborearei o mel das frases
sobre as telhas da minha casa.

Antonio Montes

A RÉGUA

Lá vem a morte...
Em seu trem forte, não atrasa
com sopapo, com seu choque
vem moendo, vem morrendo
foiçando de sul ao norte,
não tem asas, mas arrasa.

Lá vem a morte...
Pelos campos pelas casas
arranca caretas, arranca lagrimas
espalha dor entre amores
seca espinhos , seca flores
espalha ausência e arrasa.

Mesmo sem asa ela voa
voa até a pessoa má
voa até a pessoa boa.
A morte é incerta
a na certa infecta
até mesmo a mais leve garoa.

Eu sou forte, vou lutar
mas tenho medo da morte, me levar.

Antonio Montes

ESSA AQUELA VIDA

Aquela historia da vida vivida
nascida no sereno, serena pequena
hoje a vida é velha, comprida ferida
as vezes tem gosto amargo de veneno.

Aquela vida todavia esta por vias
vias de fatos de atos... Baco-baco
entre tacos suspiros de tabacos
a vida passa com espirro e hiatos.

Aquela historia de vida vivida
estão lendo, tanta leitura perdida!
Aprendendo a cada dia uma vida
essa vida todavia só quer, viver a vida.

Uma vida de poema poesia
um viver um momento a cada dia...
Um sopro com muleta em primazia
as vezes um vento, em desalento leve
... Leva a farinha.

Antonio Montes

NOSSA TELEPATIA

Perdido na praia, da minha solidão,
ali, em meio as melodias das sereias
eu escrevia seu nome nas areias.

A lua estava cheia, São Jorge com dragão
enquanto, os peixes debatiam-se sobre as
ondas do mar... Eu sentia a flecha do amor
trespassar o meu frágil coração.

Vi as espumas, apagar seu nome...
Debruçado sobre a prata lunar, eu chorava,
enquanto eu chorava...
Minhas lagrimas molhava a saudade e a
paixão soluçava a telepatia do nosso amar.

Antonio Montes

RASCUNHO DA CANÇÃO

Rascunhei as curvas do nosso amor
sobre paginas de papel canção e nos desenhos...
Fiz rabiscos de ciúmes,
borrões das desconfianças...
Então esfreguei a borracha sobre as;
encrencas, os ímpetos das descrenças.

Descobri que nosso amor ficaria perfeito
se existisse coerência, adesão e paixão
e troca mutua em nossos corações.

Eu estava compenetrado em nosso rascunho
quando percebi que o nosso amor
não teria dissipado na ausência d'essas
coisas ... Foi quando uma lagrima dos
meus olhos, movida pela saudade, se
transformou em água, despencou e,
encharcou o rascunho da canção.

N'aquele momento, tudo que sobrou
foi a ótica de um grande amor.

Antonio Montes

MUDANÇA DE TEMPO

O tempo, mudou
... Levou o vento,
arrastou, chuva acampamento
e o sorriso do amor.

Deixou estio
pregou a seca
e acendeu a cerca
com seu pavio.

E todos os peixes
com sede de rio
ficou sem navio
e os seus queixes.

Antonio Montes

ARBÍTRIO

As ruas que são minhas
que são suas...
É das meninas inocentes,
dos presentes transeuntes
e dos Meninos de rua.

São ruas de calçadas
de muros altos, cercas elétricas
são ruas de muitas placas
semáforos, e câmaras para multar
ruas de gente que presta
e mentes que não presta.

Elas tem verdes nas paredes
engarrafamentos, tem sede
estrela em cada poste
espelhos pra todos os lados,
refletindo o seu embuste.

Essas ruas que são minhas
que são suas...
Nunca foram, as minhas ruas.
muito menos, as suas ruas.

Antonio Montes

Maria, Maria

Lá vai Maria...
Já soltou pandorga
saltou amarelinho
hoje, em sua correria
bate peca e pula corda
esconde as lagrimas do seu choro
almejando calmaria.

Pela tensa noite...
Chorou em silencio,
pelo propenso filho,
pela paz enganosa
e pela falsa alforria...
Maria, Maria.

Maria, Maria...
De todas as lagrimas
de todos os rios
de todas as penas
de todas as flores
Maria da noite
Maria do dia
Maria da cruz
Maria mãe de Jesus.

Varre o terreiro, lava casa
passa roupa, faz comida
passo, a passo na calçada
Maria pra baixo e pra riba.

Sentiu dor e agonia
orou pela magia
cobraram-te a verdade
velou o olhar do vigia
Maria, Maria.

Maria da cidade
Maria do pilão
Maria de todos os dias
Maria do coração.

Eu quero o cheiro do café
bacia com bolinhos fritos
quero o que Deus quiser
Maria, Maria, eu sei...
O mundo esta cheio de proscritos
mas os inocentes...
Ainda ouve os seus gritos.

Antonio montes

EU IMAGINO

Imagino se existisse de fato...
A coerência política,
o amor da humanidade
o aperto de mãos das nações
e a verdade das verdades.

Imagino se não existisse...
Gambelações religiosas
Gente perseguindo gente
abuso de autoridades aos inocentes.

Imagino se...
O poder não fosse povoado por,
calhordas que surrupia a nação
e inventam leis, em benefícios
próprios
e estão sempre de chibata nas mãos.

Antonio Montes

FILHO E PAI.

Ainda bem que eu tenho parte da família
do grande homem.
Eu fui criado depois do filho que mais
defendeu o seu nome.
Sim falo por todos nós que somos filhos teu...
Pois falo as claras, por esta falando com Deus.
Eu sei que tem sim, um em especial um
Senhor um filho seu.

Esse quando menino, sempre obediente, mas
brincava de bolita.
Sim! Lá em cima no universo, eu sei que
contando ninguém acredita.

Pois bem... O seu pai que sempre amou o seu
filho com carinho.
Resolveu fazer o universo para ampliar o seu
amar.
Decidiu com amor transformar as bolitas do
seu filho.

Jogou-as no universo e transformou nesses
planetas... Todinhos. Feito, logo
se interessou por um planeta de uma
esfera especial...
Pelo nosso, planeta terra... Povoou com
muitos seres, até com nós, seres humanos.
Humanos, sim!.. Essas criaturas que com
deslealdade tentou trair o magnífico plano.

Bem o seu filho entediado e sem bolita para
brincar... O seu pai mandou descer para o amor
da nossa humanidade, concertar.

Antonio Montes

A REDE

Que rede é aquela...
toda cheia de nó
fica quieta na dela
colhendo seu pó.

Bate o pé, bola rola
vai na dela, olhe a mão
a rede então desenrola
aos aplausos da nação.

Que rede é aquela...
que faz feliz e infeliz
com grito, lá vai ela!
e o silvo apito do juiz.

Uni o mundo e fundo
pra ver o desenrola
no mundo, todo mundo
já gritou... Olhe a bola.

Antonio Montes

BONECA DE SONHOS

Boneca de pano
com todos esses anos
perdeu-se nas linhas
dos planos que fiz.

Você embreou-se
na maquina do mundo
se desfez em engano
como risco de giz.

Boneca de pano
em maquina de mão
cutucada com dedal
e pesponta coração.

Com linhas dobradas
e pontos do passado
a vida dourada
perdeu-se no fado.

Boneca de pano
sem planos de sonhos
deixou-me sem sono
com seu abandono.

Antonio Montes

ACALANTO DA NOITE

Chover sem horas
adormecer aos sonhos...
Notas dedilham um violão
uma canção, de abandono.

Braços sobre a lua
suspiro a voar na rua
as luzes se fecham ao sol
a felicidade continua.

Orvalho ao alvorecer
as flores no jardim
o choro calou a noite
o silencio surgiu no fim.

Antonio Montes

CAMINHOS DE UM POETA

Pelos caos e os escombros
pelas restas, pelas frestas
vai o poeta e seu ombro
movendo poesia reta.

Diz da ganância e fome
recita a falta de pão
mazelas dos homens grandes
e a incoerência do coração.

Das lagrimas dos inocentes
os sonhos dos aprisionados
grilhões de toda essa gente
pela expansão do condado.

As vezes, pétalas de flor
com orvalho da manhã
das tristezas e do amor
e os espinhos do divã.

Antonio Montes

VOZES ESQUECIDAS
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Com patuá e caneta
canetas p'a rascunhar
rascunhar coisas da vida
vida poeta e poetar.

Poetar o olhar nos olhos
olhos misera, falta de pão
pão negado ao inocente
inocente exposto ao cão.

Cão fome e moscas
moscas a voar os restos
resto de uma vida louca
louca pobre sociedade.

Sociedade de clamores
clamores, voz esquecida
esquecida os seus amores
amores de simples vida.

Antonio Montes

QUINTAL DO MUNDO

Descidas, escadas empurram
empurram pés, pelos degraus
degraus da vida arfa o fôlego
fôlego, cheira, no quintal.

Quintal... Inicio do mundo
mundo fundo, sempre enterra
enterra o corpo sob terra
terra que devora a treva.

Treva, leva o peito seu
seu leito de água e mar
mar de bruma que empurra
empurra eu seu velejar.

Velejar pela verde vida
vida ventos, panos finos
finos trato de um futuro
futuro passos de menino.

Antonio Montes

ESSA ANGUSTIA

Essa angustia, esse stress
... Uma prisão sem porta
porta sem janela
língua sem tramela
dias sem dobradiças
duvidas não ouvida.

Essa angustia esse stress
... Correntes com cadeados
aleijado sem muleta
banguela sem dentes
aglomeração de enguiço
encruzilhada com feitiço,
maleta preta.

Esse stress, essa angustia
... Escuridão sob gruta
choro sem lagrimas
nó que não desata
domino e as cascatas
fim do verde,
fim das matas, sede
... Chibata que bata.

Antonio Montes