Citações
#DESVALIDO
Os pés sujos...
A alma triste...
Se há esperança...
Onde está?
No gole da cachaça...
Na bagana fumada...
Nos tempos de criança...
Na alma cansada...
As roupas são um trapo...
Encardidas, mal cheirosas...
Na pele enrugada...
A face da desesperança...
Será que é amado?
Ou somente suportado?
Por alguém tão igual...
Por alguém desigual...
Deixa acontecer...
Ponto final...
O vento traz as palavras...
Tamanha humilhação...
Brilho nos olhos perdidos...
Alguém lhe tem consideração?
Não é ninguém...
Para morrer basta estar vivo...
Para alguém...
Talvez faça falta...
Mas nessa noite malfadada...
Acalenta suas esperanças...
Na marvada cana...
Sandro Paschoal Nogueira
Caminhos de um poeta
#ASSIM...
Deixem-me ver a vida...
Pelos sussurros de um anjo...
Acreditando ser tudo bem mais bonito...
Para ter meus sonhos...
Onde arde um coração em melodia...
Desse acaso em existir...
Um destino a ser cumprido...
Indecifrável jornada a seguir...
Ninguém vê minhas lágrimas mas eu choro...
E tão pouco sorrio...
Mas eu muito sonho...
Com minhas mãos à procura do Eterno...
No sopro do silêncio...
Estrelas colho...
Rolando pelo mundo...
Com os passos nas nuvens...
E os pés na terra...
Escondido no vento...
Sozinho em meu jardim...
No espelho de mim...
Sandro Paschoal Nogueira
Caminhos de um poeta
.
#MENTIRAS
Antes eu tive fé...
Deixei escapar em uma esquina qualquer...
Conheci a verdade...
Mas não posso lhe dizer...
Poeta mentiroso...
Que em cada versos existe um pouco de mim...
E onde sonhei viver...
Já não sei se desejo tanto assim...
De rima em rima um pranto...
Alma calma...
Declamando amor, o apego e o sossego que mais se acentua...
Do cisne , um canto de mentiras...
Enquanto a verdade anda nua...
Feliz de quem puder...
Aos domínios do céu o pensamento erguer...
Perdi-me dentro de mim...
Pois sou um grande labirinto...
Passei pela vida...
Por muitos abismos...
Nem todos os senti...
Não tenho o amanhã e nem o hoje...
E para os outros cujo o tempo foge...
Eu o tenho como meu consorte...
Aonde tanta vez a lua me beijou...
É onde tantas encontrei um amor...
Quisera eu lhe falar mais...
Sendo hoje o dia da mentira...
Quiçá depois...
Sandro Paschoal Nogueira
Em horas presentes de infortúnios e tédios...
Eu choro e espero...
Diante ao vendaval que ruge...
Luto...
Não me entrego...
Tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas...
Junto a toda a gente que eu conheço e que fala comigo...
Em vão tentei quebrar o círculo mágico...
Inútil escapar...
Procurei esconder-me...
Em esperanças...
Em audácias...
Pensei em não mais lutar...
Poetas, que somos nós?
E bater, é bater com alma na bigorna...
Mas vou pelos passeios...
Entre a sombra e a luz...
Meu sonho conduz...
Tirando da alma os bocados precisos...
Nem mais...
Nem menos...
Só o que sinto...
Sandro Paschoal Nogueira
Noite à fora...
Sobre uma navalha...
Ó divina esperança...
Sonho de criança...
O tempo a criar silêncio...
Tornando o sonho poeira dos tempos...
Poço imenso e fundo...
Que engoliu meus desejos...
A ver no mundo seco a seca realidade...
Dos ébrios jogados à sarjeta...
Das matronas em penunbras das ruas da esquerda...
Dos pederastas em gargalhadas...
Disfarçando as lágrimas não jogadas...
Das mocinhas vendendo favores...
Em troca de licores...
Daqueles que só encontram alegrias...
Quando deixam suas garrafas vazias...
A vã loucura a moda é prima-irmã...
Mas quando vem o senso erguer-lhe os densos véus...
Desse desgosto...
Livrai-me Deus...
Salvo o meu desejar...
Teço beleza em tudo...
No hálito podre de um sugismundo...
No idoso porchetta...
Em quem que com qualquer um se deita...
Nessa langorosa magia...
Sob a lua que irradia...
As torpes paixões...
Sigo para meu descanso...
Aguardando, quiçá ...
Outro dia...
Valei- Deus...
Ou quaisquer outros guias...
Fim de noite...
Madrugada fria...
Eu próprio me interrogo:
– Onde estou? Onde estou?
E procuro nas sombras enganosas...
Sob essas horas mortas...
As mesmas coisas repetidas...
Inúteis os sonhos e as amarras
que nos prendem ao cais...
Mas quem sou eu que não escuto meus próprios ais?
Sandro Paschoal Nogueira
Um dia, talvez, haverá novos sonhos...
Ouvirei com encanto alguém que não conheço...
Para mim será o começo de tudo...
O começo de um novo mundo...
Agora para mim já tão frio e já tão tarde...
E sem fazer nenhum alarde...
A minha alma não descansa...
Não sou nem mesmo uma lembrança...
Uma esquecida sombra que ninguém repara...
Todo o amor é desejar...
Embora se viva às avessas...
Se o tempo troteia...
E pesa como uma estrela...
Quão afortunados são os amantes...
Quão infelizes os ignorantes...
Estranha cousa esta...
A ventura de querer ver-te bem...
Mãos de renúncia...
Mãos de amargor...
Ao perder seu amor...
Semente divina...
Que só n’alma germina...
Exalta o viver...
Em doce tortura...
Ai amor...
Que sorte de quem tem você...
Repara...
Aqui eu sem luz e sem vida...
Quando, alta noite, me reclino e deito...
Clamo por ti...
No vazio do meu leito...
Só o silêncio...
Sandro Paschoal Nogueira
Esta noite eu durmo de tristeza...
Um balão apagado...
Um caixão à cova...
A dor conhecida e não tão nova...
Vil despojo da triste alma...
De uma estrela morta...
Ainda terei alento diante o pranto?
Teu nada em um jardim de pedras...
A pá de cal como promessa...
Por dentro do que pensamos...
Sou espírito sonâmbulo...
Ser que passa no mundo, sem o ver...
Ainda correm lágrimas pelos olhos...
Doem mais as do coração...
É tão tarde para dizer as palavras necessárias...
É dia...
Mas no peito a noite já é bem escura...
Despertam-me um desejo absurdo de sofrer...
Partistes...
Não haverá retorno...
Vestiu-se para um baile que não há...
Só existem saudades e fotografias...
A vida tornar-se-a agora tão fria...
Resta-me apenas crer...
Em um dia te encontrar se eu puder...
E fazer de nossa eternidade...
Outra história a contar...
In memoriam...
Sandro Paschoal Nogueira
Grande ilusão morta no espaço tempo...
Do fundo do copo...
Disfarçando a espera de um qualquer sofrimento...
Pelas saudades que lhe aterram...
Procurando no amor a felicidade...
Entre conversas vãs...
Entre os descasos sem cuidados...
Pertencer a quem souber...
Apreciar os trejeitos...
No íntimo mais profundo...
Ignora o silêncio e o eco...
O que o coração murmura, a voz não diz...
Entorpecido sente-se feliz...
E vão-se em mar a fora...
Os sentidos embriagados e mal sentidos...
Que tudo é ilusão que esta alma sente...
Se nada há de novo e tudo o que há...
Sentir prazer em deitar-se com o perigo...
Que alguém lhe mostre a tua imagem, como tantos, sem sentido...
Sem expor à vergonha...
Sem alardear seus gemidos...
Pobre esperançado...
Que anda crê na ilusão…
Do amor…
Da fantasia...
Que nas portas dos bares aguarda...
Alguém a lhe acompanhar pelas ruas...
Tudo posso esquecer em minha vida...
As visões em minhas estradas percorridas...
Só não consigo me esquecer no entanto...
Dessa figura de alma nua...
Sandro Paschoal Nogueira
Ó estrelas infelizes...
Que sois belas e brilhais tão distantes...
Os amantes lhe conhecem...
Mas vós não conheceis o amor...
Brilham somente...
Tal sorte às cegas...
Por eternas leis vos regem...
Mas somente o homem escolhe e julga...
Sonhando em ser feliz eternamente...
Sei que nada me é pertencente...
E que tudo nessa vida é fugaz...
A cada um o tempo passa diferente...
Consome a tudo sendo voraz...
Então o homem cria desejos...
E seu coração transpõe todo os desertos...
Em nome daquilo que a si mesmo se criou...
Sentes atraído ao mais alto e ardente vôo... Diante tudo que sonhou...
Dentro de nós há também um universo...
De tantas outras estrelas que não vemos...
Porém o destino do homem é tal qual o vento...
Do céu vem, ao céu sobe...
Acaba em questão de momentos...
Vezes sem conto eu tenho às estrelas...
Contado meus sonhos, chorando lamentos...
Entretanto ao passar dos tempos...
Hoje compreendo, perdendo-me a pensar...
Feliz só será a alma...
Que aprender a amar...
Sandro Paschoal Nogueira
Como queiras amor...
Como queiras...
Entrego a ti todo o meu abandono...
Tudo quanto espero...
Tudo quanto sonho e desejo...
Toda minha loucura...
Todo meu desespero...
A chama estremece...
No momento em que os deuses invejam e concedem...
A ventura e o castigo...
Por tudo que vivemos e sentimos...
Ao amor que tomou posse...
De coração que já não mais sossega...
Há um fogo que devora…
Que me devora a mim...
Rendido pela paixão...
Tendo começo...
Não tendo fim...
A paixão traz a dor...
Quem é que se acalma nessa estranha brincadeira de gato e rato?
Nesses pensamentos e gestos todos emaranhados?
O teu tempo ao meu se seguirá...
Encontrarás aqui o amor tranquilo?
Tão triste estou na noite escura...
Sem levar nos olhos meus...
O teu derradeiro olhar...
Sandro Paschoal Nogueira
Sem lembranças...
Perdida todas esperanças...
Passando muitos dias...
Desconhecendo se vê...
E, contudo, com sua fé...
Com tudo que mudou...
Com que passa e já passou...
Sem muito cuidados...
Alheio ao desejo...
De não ver-se magoado...
E vaga ainda...
No interior da carne...
Vida sem gosto...
Corpo sem dono...
Amor sem fruto...
Devaneio...
E no abrir dos olhos...
Sentindo o toque...
Cansado da caridade...
Sem rodeios...
Esquece o freios...
Levando a vida como um sorteio...
Rasga...
Toca...
Hesita...
Se refestela na sarjeta...
Perdido...
Nas noites malditas..
Distantemente uma alegria foi...
Entre os quais...
Se deita...
Com qualquer um...
Que de si se aproveita...
Na perda tal..
Não sente o mal...
Que se sujeita...
Não se condena...
Na desventura que lhe assola..
Só diz que o amor lhe guia...
Como convém...
Triste...
Sem ninguém contradizer...
Já que todos...
Tão próximos...
Disfarçando o sofrer...
Mentem para sobreviver...
Vivendo tão igual..
Apenas rindo, disfarçando, suportando...
O próprio mal...
Sandro Paschoal Nogueira
Muitas vezes te esperei...
Perdi a conta...
Nada me importava...
Mas tu enfim me importavas...
Bem mais do que as estranhas horas...
No meu mundo interior ...
Tivesse mais que perder...
Tanto pó acumulado...
Optei por fechar, do coração, a porta...
Deixaste meu espírito conturbado...
Em mim se despojou todas as jóias raras...
Nem ave canta...
Nem mais susurra o vento...
Erros e cuidados...
Perdidos momentos...
Quando quis me deu de graça...
Mas é caro o seu barato...
Depois que minha esperança morreu...
Me vi contra o tempo ingrato...
Ah como eu quis tanto amar...
Enquanto tu apenas brincar...
Deixaste perder o quanto tinha...
Tudo pus em suas mãos...
Fizeste de conta que não sabia...
E enquanto eu sofria...
Perguntava-me o que eu queria...
Do que dei da vida minha...
De ti ingratidão eu recebi...
Antes que nada me deste...
Só tua fútil e vazia companhia...
Tento reconstruir na minha imaginação...
A ilusão destes dias...
Cada um sabe que está sozinho...
Ah, perante esta única realidade...
Digo que muito aprendi contigo...
Diante do que agora sinto...
Obrigado...
Ensinaste-me a viver...
E agora o que tenho em meu olhar...
Tu nunca irá compreender...
Sandro Paschoal Nogueira
Deixados sobre a mesa...
Como os homens vivem...
Nem os deuses socorrem...
Os sonhos, as esperanças e ilusões...
Como um deserto imenso...
De conversas vãs...
Da enorme dor humana...
Que todos fingem não ter...
A essência de ser e parecer...
Conduz ao purgatório...
Sem ninguém perceber...
Vácuo imenso e fundo...
Eterna busca...
Inconstância do homem de ser...
Responde sorrindo à cruel realidade...
Enquanto perde-se no horizonte...
Acreditando crer...
A terra cumpre sua promessa...
De tornar a todos iguais...
O bom, o mal...
Quem riu, quem amou...
Que chorou os seus ais...
Nem este falso silêncio...
Sobre os ombros nus
e esmagados...
Nem o luar...
Pode esconder os pecados...
Raro e vazio dia.
Noite desamparada...
O momento é tão fulgaz e rápido...
Até para o mais amado...
Sandro Paschoal Nogueira
Eu não sofro, meu amor...
Espero-te apenas...
Os ventos me arrastam...
Não é fácil amar o vencido...
Amo e não sou amado...
Onde hoje me sentei a perguntar...
Que sortilégio a mim próprio lancei?
Tenho esta contemplação...
Mas não chego a desfazer...
Das velhas ilusões que achei no meu caminho...
No desolado coração...
O vácuo mudo adormece o meu pensamento...
Porque na noite, farto de sofrer…
Interrogando o destino...
A sua sombra escondida...
Procuro e não encontro...
E perante esse abismo...
Da única realidade no momento possível...
Escondendo os meus gritos...
Continuo a te esperar...
Sandro Paschoal Nogueira
''A Rotina Intempestiva''
Ao acordar, coloco a farda,
Me ajeito e vou para a escola,
Espero iniciar a aula.
Ao iniciar a aula, a voz do professor ecoa em minha mente,
Ao passar das aulas, as horas não dormidas me pesam rapidamente.
Ao chegar em casa, faço minhas tarefas, e depois durmo.
Quando chega o final de semana,
Minha sanidade começa a ficar em apuros,
Quando tiro meus óculos, me vejo em um mar oco,
Com apenas um relógio de ponteiro torto,
Enquanto as horas passam, minha sanidade fica cada vez mais incoerente.
E quando mais perto chega o anoitecer,
Vejo que há algo de errado com a minha mente,
E como sempre, observo a chuva cair sobre aquele mar estridente.
E de repente meu olhar está paralisado sobre o reflexo da chuva que está sobre aquele mar inconsistente,
E minha consciência que me guiava, que já estava quase desmaiada, ainda tentava me guiar,
Porém não havia mais tempo para que eu conseguisse utilizar isso, o reflexo toma vida
me olha de baixo a cima, e me pergunta "de novo isso?"
E sem esperar eu responder, dá um grito "engula seu choro, menino ridículo''
Quem vai te amar agora? Quem vai conhecer teus silêncios e traduzir tuas entrelinhas? Quem vai suportar teus dias cinzas e ainda assim te enxergar como sol? Eu me despedi, mas o vazio ficou. Talvez alguém te ame, mas jamais como eu te amei.
A vida nos transformou em estranhos que se conhecem profundamente. Eu não faço parte do seu dia, não ilumino suas manhãs nem aqueço suas noites solitárias. Somos apenas uma lembrança perfeita, uma possibilidade que nunca encontrou seu destino. Talvez sejamos isso: um amor eterno, mas condenado a existir apenas na saudade.
Era uma vez um homem que acreditava caminhar só... não por falta de passos ao redor, mas porque havia se tornado prisioneiro de muros erguidos dentro de si. Vivia entre palavras guardadas, olhares desviados e silêncios pesados como correntes. Até que um dia, como um raio de sol que ousa atravessar as frestas da cela, apareceu ela: uma amiga que não se intimidava com o seu estranho jeito de existir.
Ela o chamou de amigo, mesmo quando ele dizia que não sabia ser. Disse que ficaria, mesmo que o mundo partisse. E prometeu que, se um dia os dois se encontrassem sós no destino, ficariam sozinhos... juntos.
Ele a questionou, como quem duvida da própria liberdade, e ela o respondeu com leveza, como quem não tem medo de cuidar... nem de se deixar ser cuidado. Entre perguntas e provocações, entre o medo do amor e a esperança do abrigo, os dois descobriram que talvez a verdadeira fuga da solidão não estivesse no mundo lá fora, mas nos olhos de quem vê a alma e ainda assim decide ficar.
E assim, entre prisões internas e promessas eternas, nasceu uma história onde dois corações, marcados por feridas, aprenderam que não há maior liberdade do que encontrar repouso um no outro.
E viveram... como sabem viver os que ainda acreditam no amor que se escreve devagar.
Talvez seja mais fácil amar alguém que não conheço, porque no desconhecido mora a liberdade de imaginar o outro sem falhas, sem cicatrizes, sem o peso do cotidiano. Mas então me pergunto: será amor ou apenas atração disfarçada de encanto? Porque o amor real exige convivência, paciência e a coragem de amar mesmo quando o espelho revela rachaduras. Já pensei que o amor só valeria se durasse para sempre, mas o “para sempre” é uma fantasia que o tempo insiste em contrariar. Existem amores que duram um instante e mesmo assim deixam marcas que resistem à eternidade. Descobri que amar não é prender, nem possuir, mas sentir... com presença, com verdade, com entrega. E mesmo que termine, se foi amor, existiu. E isso basta. Porque o amor, em sua forma mais pura, é o motivo da existência. Não precisa ser eterno no tempo; precisa apenas ser verdadeiro no momento.
Nossos desejos e esperanças entrelaçados compuseram uma canção... Que tipo de história ela irá nos contar?
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