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E depois de uma longa espera e muito cuidado, minha Rosa do Deserto floriu.
Flores são poemas coloridos.
É poético saber que uma rosa “decidiu” morar no deserto, local que carrega uma simbologia de tempos difíceis, escassez e luta.
No deserto ela cresce livre.
Presa em pequenos vasos ela se adapta e o poema vira haikai.

O outono ensina a encontrar a aceitação em deixar ir...

Te amei na espera, no talvez e no nunca mais,
abraçando promessas que só existiam em mim.⁠

Te conhecer foi como ouvir uma canção inédita, dessas que entram devagar, mas tomam conta da alma num segundo.


E quanto mais eu te descobria,
mais notas surgiam —
um solo de ternura,
um compasso de paz,
um silêncio bonito que só existe
quando dois corações se entendem.


Hoje, quando penso em nós,
é como deixar essa música
tocar no repeat:


não canso, não enjoa,
porque foi você quem virou
a minha melodia favorita da vida.


P.silva3

Brasil, tu és braseiro


Brasil, tu és braseiro,
terra onde o calor se
mistura à esperança.
Teus rios correm como lava silenciosa, eas matas respiram fumaça e perfume, guardando segredos que só o vento entende.


No teu ventre, sementes queimam e germinam, raízes firmes entre brasas e pedras, e o povo, feito labareda, sobe em canções e lutas,
acendendo o mundo com o próprio ritmo.


Brasil, tu és braseiro,
mas não deixas que
o fogo consuma tudo.
Entre chamas,
brilhas em cores vivas,
mostrando que até a ardência
pode se tornar calor que abraça.

Ainda pulsa a esperança


O fogo devora o verde,
o amarelo, o azul profundo,
uma bandeira queimada como memória de um sonho.
Ruas viraram cinza
e eco de passos perdidos,
mas ainda pulsa a esperança
em meio ao abandono.


As chamas refletem o caos de cidades em pranto,
carros queimados,
prédios que choram fumaça.
No horizonte,
silhuetas caminham sem destino,
como sombras que guardam histórias de um povo ferido.


O céu se abre em nuvens pesadas, carregadas de medo,
helicópteros cortam o silêncio
de uma pátria em alerta.
Mesmo na destruição,
há um grito que insiste:
“Olhem para nós,
aprendam com a dor
que carregamos.”


E assim, entre brasas e escombros, o país respira,
resiste no eco de vozes que ainda não se calaram.
A bandeira, ferida, ensina que mesmo em chamas
pode brotar a coragem de recomeçar.

Revela quem Ele é



Ele não espera que você se conserte
para então decidir amar.
Não observa suas rachaduras
como quem calcula se vale a pena ficar.


Ele vê o medo que você esconde,
as falhas que você tenta cobrir,
e não recua diante delas —
é ali que escolhe agir.


Porque a graça não floresce no mármore,
mas na pedra que já foi quebrada;
o poder não nasce da perfeição,
mas da alma cansada.


Deus não ama apesar das suas imperfeições —
Ele atravessa cada uma delas com luz.
E onde você vê fraqueza,
Ele vê espaço para revelar quem Ele é em você.

O tempo não repete histórias por acaso.
Ele devolve cenários com novos rostos,
na esperança silenciosa
de que a gente finalmente responda diferente.

E talvez amar de verdade seja isso:
aceitar que certas dores não pedem cura, apenas pedem um lugar seguro no peito, onde a esperança possa, enfim, descansar.

Eu fiz da espera uma forma de fé,
do abandono, um hábito discreto.
Enquanto eu sangrava tentando ficar,
você partia sem olhar pra trás
— ileso.

Teixo curvado, arqueiro paciente:
da madeira que espera nasce a flecha que não erra.

Antes da dor, depois da luz


O amor me amou
quando eu já não acreditava
que fosse possível amar de novo.


Quando a luz virou sombra,
a felicidade virou mágoa,
e o dia que era sol
fez noite dentro do meu peito.


Mas você chegou…
viu quem eu era antes da dor
e quem sou depois da escuridão.
Viu-me num quartinho,
feito um garotinho chorando, quebrado,
enquanto ao meu redor
era breu, tempestade e trovão.


Você não teve medo,
lutou contra meus próprios sentimentos,
gritou meu nome no meio do caos.
Olhei pra trás
e vi a tempestade
e a solidão daquele quarto.
Não saí do lugar.


Mas você se aproximou.
Me abraçou.
E tudo o que em mim estava morto
floresceu de novo.
Ficaram apenas as cicatrizes —
pois o seu abraço me curou,
me conectou de um jeito que palavras não alcançam.

Dizem que mito nasce do medo,
mas o meu nasceu da esperança:
era mais fácil crer em nós
como lenda eterna
do que aceitar a carne frágil
dos dias que passam.

⁠E quando ninguém acreditou,
Eu acreditei em nós,
porque amor também é fé em movimento.
Mesmo sem aplausos,
seguimos sendo milagre,
dois corações sob o comando de algo maior.
Enquanto houver Deus no centro
e amor no passo,
vencer será apenas continuar de mãos dadas

Se quiserem me chamar do que quiserem, que chamem.
Só eu conheço o preço da mulher que me tornei.
E foi nesse caminho
— firme, imperfeito e verdadeiro
— que aprendi a amar sem me perder, e a encontrar felicidade
sem precisar me diminuir por ninguém.

Hoje, se me julgam fria(o),
sigo em paz.
Meu coração não fechou,
apenas escolheu.
Carrego amor
— mas com raízes,
porque foi assim,
entre quedas e escolhas,
que aprendi a amar sem deixar
de ser eu.

Todavia,
não me importo nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, pois a entrego inteira ao que me atravessa
— ao amor que me desfaz,
à fé que me refaz, à chama que insiste mesmo quando tudo em mim é cinza.


Se caminho é porque
algo maior me chama pelo nome,
e aceito perder-me para que outros se encontrem em mim.
Que minha dor seja ponte,
que meu silêncio seja abrigo,
que meu cansaço ensine alguém
a descansar.


Não me pertenço
— e nisso encontro paz.
Vivo como quem se derrama,
não como quem se guarda.
Se algo em mim tiver valor,
que seja apenas isto:
ter amado até o fim,
sem poupar o coração.

Amar é aceitar essa
contradição bonita:


luz e sombra no mesmo coração.
Porque só sente dor quem acredita
que vale a pena se entregar por paixão.

Missão impossível é te conquistar,
com esse fogo no peito que não sabe esperar


Te vejo de longe e o mundo desacelera, como se o tempo respeitasse o que eu sinto por você, mas teu silêncio me ensina a sofrer quieto, guardando no olhar
tudo que eu não consigo dizer.


E mesmo sem saber se um dia vou te ter, eu continuo,te querendo em cada detalhe do meu dia, porque tem amores que não pedem permissão pra nascer…
só chegam,
queimam,
e viram poesia.

No Domingo de Ramos,
a cidade canta,
Ramos nas mãos,
esperança que encanta,
Ele vem manso,
montado em simplicidade,
Rei de amor,
trazendo luz à humanidade.


“Hosana!”
ecoa no peito do povo,
Mas poucos entendem o plano novo,
Entre louvores e olhares distraídos,
O Salvador caminha…
já ferido.


Na Sexta-feira Santa,
o céu silencia,
A dor se derrama em forma de agonia, Madeiro pesado,
Coroa de espinho,
O Filho de Deus segue sozinho.


Cada passo,
um peso que não era Seu,
Cada golpe, o amor que não morreu,
E na cruz, entre o céu e o chão,
Ele entrega por nós…
o coração.


O véu se rasga, a terra estremece,
O mundo chora, mas algo acontece,
No aparente fim, nasce um começo,
No sacrifício, o maior endereço.


O silêncio do sábado parece vencer,
Mas Deus trabalha no invisível do ser,
Quando tudo diz “acabou”, sem voz,
O céu prepara o milagre por nós.


E então chega o domingo glorioso,
O túmulo vazio,
o impossível formoso,
A morte vencida,
a pedra rolada,
A vida eterna foi revelada.


Ele vive! Não está mais ali,
A esperança renasce dentro de ti,
E o que começou com ramos e dor,
Termina em vitória…
eterna, em amor.