Cinzas
A vida é como uma flor: nascemos tão rápido e aproveitamos tão pouco, até restar cinzas e dolorosas memórias.
O dia começou cinzento, não só pelo céu chuvoso, ou pelas cinzas de cigarro que, ao caminhar, deixo por aí. Comecei a ser descolorido já nas primeiras interações. No “bom dia” falho, dentro de casa. Em mais um dia de trabalho, sem o café da manhã. Nos pensamentos, que, sem ter com quem compartilhar, sequestram dos olhos o brilho que habitualmente uso para olhar o mundo.
Cinzas do Céu — O Renascimento da Fênix
Por Marcos, escritor da literatura
Entre o silêncio do céu e a vastidão da terra,
uma Fênix dormia nas cinzas do infinito.
Seu peito carregava o fogo da eternidade,
e cada batida era poema que ninguém podia apagar.
Quando o mundo fechava portas,
ela acendia sua alma com a força de mil sóis,
e o brilho atravessava montanhas, oceanos e o tempo,
tocando corações que ainda não sabiam que podiam sentir.
As cinzas se erguiam como pilares de luz,
e cada partícula era memória de batalhas e vitórias,
uma dança entre a vida e o impossível,
uma ode àqueles que ousam existir sem medo.
A Fênix renasce no silêncio de quem não vê,
nos olhos do paralítico, no coração do surdo,
no peito de quem sente que o mundo não compreende,
mas ainda assim insiste em brilhar.
Seu fogo incomoda os cegos de alma,
mas aquece os que entendem o valor do renascer.
E cada asa que se abre é verso,
cada chama que sobe é poema,
cada grito silencioso é hino à literatura do infinito.
Ela não teme o escuro,
pois dentro dela mora a luz de mil estrelas,
e no triângulo entre céu, terra e coração,
o impossível se curva diante da vontade de ser.
"Haverá dias cinzas,
Nublados, e pode até cair uma chuva.
Mas como o sol,
Uma luz continuará a brilhar em algum lugar.
Para enxergá-la, entretanto,
É necessário mover o olhar das poças
E focar no que está no alto:
O sol continua brilhando em dias nublados."
Jackeline Martins
Como a fênix que ressurge das cinzas, o coração renasce após a dor, e o sol, incansável, volta a pintar o céu com cores de esperança — porque cada fim é apenas o solo fértil para um novo começo.
Fui cinzas antes de ti,
corpo exausto, alma em ruínas,
tu, tempestade de desejo,
queimaste-me com ternura feroz.Teus lábios, abismos de prazer,
afogaram minha antiga carência,
e em teus braços — cárcere e abrigo —
renasci em nova pele, novo ser.És feitiço e salvação,
bruxa de luz, amante sem freios,
selaste em mim tua marca viva:
felicidade, vertigem, emoção.No limiar do meu fim,
quando a esperança já era pó,
teu amor me ressuscitou
sou agora teu, eterno amor.
☆Eu queria acender os sonhos que passou do tempo...
☆Assoprar as cinzas adormecidas na esperança...
☆Para ver no breu seu sorriso dançando com as estrelas.
Leonice Santos.............🌠⭐⭐⭐⭐🌟🌠
NÃO É POEIRA, SÃO CINZAS DE MENINO.
Me desculpem a poeira:
estou sacudindo as cinzas de menino.
A vida obrigou-me a atear este incêndio, que consumiu a minha inocência.
Hoje, o menino se foi. Dele restaram apenas cinzas.
O Homem reergue-se. Não por opção mas por dever. O dever antigo e mudo de ser Homem.
Um dever que…
não se aprende nos livros.
Não se herda do pai.
Não se ganha com idade.
A gente vem ao mundo marcado.
A sina vem na primeira respiração, um peso nos ombros que ainda não têm largura para carregá-lo.
Chamam-nos de Homens quando ainda somos meninos de sapatos de veludo.
O mundo espera guerreiros onde há apenas olhos assustados.
Exige provedores de mãos vazias.
E a vida, com sua gentileza cruel, vem buscar o que é seu.
O colo da mãe vira memória téria.
O aconchego, dívida.
As 8 horas de trabalho, deixam de ser simplesmente “tempo”: é um túnel que se escava todos os dias com as próprias unhas cravadas no solo, rumo a prosperidade:
E que prosperidade?
O salário é um cálcio magro no fim do mês, um suspiro curto antes de fechar os olhos e recomeçar.
A dor não se partilha.
O cansaço não se mostra.
O medo não tem voz.
É assim.
Não por escolha, mas por lei antiga escrita no sangue e no suor dos que vieram antes.
Carregamos a culpa de não sermos fortes o bastante e a vergonha de precisarmos sê-lo.
Mas ouça bem:
Não é sobre não chorar.
É sobre segurar o mundo nos braços enquanto as costas arrebentam, e mesmo assim não deixar cair.
Não é sobre não ter medo.
É sobre ouvir o filho chorar no escuro e, com a mesma mão que treme, aconchegá-lo nos braços.
É sobre olhar para o espelho e não se encontrar, e no desespero perguntar-se:
em que momento é que comecei a me perder?
É olhar no espelho e ver o menino perdido, e ainda assim amarrar os ténis e ir à luta.
Porque o homem não surge do nada.
As cinzas estão lá, o pó sempre esteve lá.
O menino não morre.
Ele é enterrado vivo.
E todos os dias, à mesma hora, ele ergue uma pá e cava.
Cava para encontrar ar.
Cava para encontrar sentido.
Cava para provar, só para si mesmo, que mesmo enterrado, ainda respira.
A vida não pergunta.
Entrega o peso e espera.
O mundo não aplaude.
Apenas consome.
E nós?
Nós fazemos.
Porque nascemos para isso.
Na marra.
Na garra.
Na angústia muda de quem sabe que o amor, às vezes, tem o peso de uma pedra e o nome de obrigação.
Não é missão.
É destino.
Não é glória.
É chão.
Não se ensina.
Apenas se vive.
Até que um dia, os pés descalços e calejados descobrem que o caminho, por mais duro, foi o único possível.
E nesse dia, sem fanfarras, o menino e o homem olham-se no espelho.
E finalmente, um acena para o outro.
Dois estrangeiros que, no fim da jornada, aprenderam a habitar o mesmo corpo.
Ser homem é isso:
Assinar, todos os dias, com a própria vida, um contrato que nunca se leu, mas que se cumpre com um suor sagrado.
A sina está cravada.
Agora meu caro, caminhe.
Desmataram o verde e cobriram de luto
com as cinzas das próprias folhas
a mesma folha que assina o contrato
é a mãe das que jazerão nos matos
consequência de nossos atos
em transformar que vive
em algo tão barato.
"Ser fênix é aceitar as cinzas; levantar-se delas e, sempre que a vida exigir, reacender a própria chama."
A Quarta-feira de Cinzas não é apenas o fim do carnaval, ela é um marco espiritual.
Enquanto o carnaval representa dias de excessos, estímulos intensos e permissividade, a Quarta-feira de Cinzas surge como um chamado ao recolhimento, à consciência é à reflexão sobre aquilo que fizemos, é sobre quem estamos nos tornando.
É o momento em que a alegria externa silencia, e a alma começa a falar.
A maioria dos seres humanos confundem Libertação com Libertinagem, pois existe uma linha muito tênue entre ser livre e viver sem limites.
Libertação é quando o espírito se torna mais leve, mais consciente, mais alinhado com o que edifica, é a liberdade que constrói, é escolher com maturidade.
Libertinagem, por outro lado, é a ausência de freios, é quando a busca pelo prazer ignora as consequências, é quando o corpo decide e o espírito paga. A libertação aproxima da luz. A libertinagem muitas vezes deixa marcas invisíveis.
Durante o carnaval, há uma intensa movimentação emocional e espiritual. Não apenas pela festa em si, mas pelo ambiente de excessos como, impulsos descontrolados, consumos exagerados, exposição do corpo, relações superficiais, e as piores decisões tomadas sem reflexão.
Uma verdadeira batalha espiritual, essa batalha, não é contra a alegria, porque alegria é um dom.
A batalha é contra aquilo que nos desconecta da nossa essência.
Muitas pessoas relatam, após o carnaval, sentimentos como, vazio, culpa, arrependimentos, uma sensação de peso interior.
Isso acontece porque o espírito foi exposto a experiências que não trouxeram crescimento, apenas estímulo momentâneo.
A simbologia das cinzas representa algo profundo: “Do pó vieste e ao pó retornarás.” Elas nos lembram da fragilidade humana, da finitude e da necessidade de vigilância interior, isso é um convite à humildade.
A Quarta-feira de Cinzas marca o início da Quaresma, tempo de arrependimento, jejum, disciplina, reconexão com Deus, restauração espiritual. É um chamado a verdadeira libertação.
O espírito humano responde às escolhas que fazemos. Quando vivemos na libertinagem, a consciência enfraquece, os limites se dissolvem, a sensibilidade espiritual diminui. Quando buscamos Libertação, nossa mente clareia, o coração se fortalece, o propósito se renova.
A liberdade real não é fazer tudo, é saber escolher o que não nos destrói.
Texto Gleiciele Oliveira.
Nas cinzas do que fomos, o inverno se fez morada, aconfiança, como névoa, sumiu na encruzilhada.
Onde havia o toque, resta o rastro do abandono, e a alma, exausta, já não encontra o seu sono.
É um luto sem corpo, um adeus que não se disse, como se a vida, num sopro, de mim se despedisse.
A ferida não sangra, ela gela o que resta de luz, ea memória do teu beijo é agora a minha cruz.
O silêncio é o carrasco que aperta o nó no peito, transformando o nosso ninho em um vazio estreito.
Trair foi o punhal que não matou o meu pulsar, mas condenou meu coração a nunca mais saber sonhar.
•Saudade•
A cor estava em seus olhos;
Restaram poeira e cinzas.
A cama agora é fria
O lençol não afunda mais.
Calou-se o motor da calmaria;
Seu vibrar não me alcança mais.
Quarta-feira de cinzas.
Enquanto alguns acordam exaustos,
eu acordo em paz.
Descansada.
Sem dívidas.
Com meus compromissos em dia.
Com a consciência leve.
Não é sobre deixar de viver.
É sobre saber escolher.
A vida não se constrói só nos dias de festa.
Ela se constrói nas decisões silenciosas,
na disciplina que ninguém vê,
no “não” que protege o teu futuro.
Porque a verdadeira liberdade
não é fazer tudo o que dá vontade,
é ter tranquilidade no dia seguinte.
Equilíbrio é poder.
Responsabilidade é maturidade.
E paz…
é o maior luxo que alguém pode ter.
Que cada escolha sua te aproxime da mulher que você quer se tornar.
"VAZIO"
Nas cinzas de um ontem que já se desfez,
O tempo caminha em passos de abandono,
Deixando o silêncio, este amargo patrono,
Ditar as saudades que sinto outra vez.
Não há mais o brilho nem a lucidez,
Apenas o vácuo de um longo outono,
Onde a esperança, em eterno sono,
Perdeu sua força e sua altivez.
Sou sombra perdida num corredor frio,
Buscando o abraço de quem já partiu,
Na margem deserta de um imenso rio.
A alma se curva ao peso da dor,
E o peito, cansado de tanto vazio,
Esquece o caminho do antigo fervor.
