Chuva
Briguei Natural..
Briguei com a natureza,
Discuti com a chuva,
Resmunguei com
as nuvens.
Me despi por completo,
Corri para a varanda
e fiquei esperando o
Sol atravessar as massas
Carregadas e me acertar
bem no meio do peito,
com os seus raios ultra violetas.
E com ela sonhava,
na chuva corríamos,
dançávamos .
Fizemos amor, brincamos
de casar a cada gota de chuva
era um "celebrar".
Quando acordei era sonho
e estava "sol".
És verso
Há o barulho do silêncio, na tépida madrugada.
A chuva que rola solta pela areia seca de uma duna em movimento.
O brilho do sol por trás da noite enluarada,
A cantiga nova repelida do firmamento,
As vozes de uma multidão numa cabeça já cansada.
A fantasia na realidade digerida
Transforma em cantos o redondo dessa vida.
Sem fome num banquete já servido,
Gritaria aos milhares se pelo menos um tivesse ouvido.
Indaga-se a renúncia da pena quando faltam letras,
Procura-se a poesia no campo já florido.
Num alarido majestoso colheu a flor solitária de um buquê róseo,
Acordar cedo em uma segunda-feira de chuva é como andar em uma corda bamba. Não é fácil! Seguir em frente é a opção mais sensata.
Chuva de cores
irriga os canteiros floridos
da minh’alma...
e versos perfumados de luz
germinam de mim...
Uma chuva de cores me invade,
despeja sementes de poesia
sobre os canteiros secretos
da minh’alma inspirada ..
E então, de um lugar que nem sei nomear...
brotam versos, vivos, intensos
e nutridos do perfume
que só a emoção derramada sabe ter...
Cai sobre mim uma chuva mansa de cores,
tocando, com delicadeza antiga,
os canteiros floridos da minh’alma...
E é nesse gesto sutil do céu
que nascem meus versos:
docemente perfumados,
como flores noturnas
que se abrem ao clarão do luar...
✍©️@MiriamDaCosta
Ode à Chuva
Gotas cristalinas,
gotas benditas,
que caem do céu
como bênção infinita.
Regam a terra,
saciam a sede,
trazem vida nova
onde a aridez se perde.
Cantilena suave
no telhado a soar,
é canto de acalanto,
é promessa no ar.
Chuva que lava,
chuva que cura,
traz no teu ventre
a força da ternura.
✍©️@MiriamDaCosta
Pinto este céu cinério
com todas as cores da poesia...
e da chuva coleto milhares de gotas
esculpidas em versos...
sinto a magia surgindo na vida,
ardente por viver...
e me aqueço no sol
que brilha forte em minh’alma.
✍©️@MiriamDaCosta
É verão,
mas lá fora
a chuva declama seus versos
com a teimosia
dos que não pedem licença.
Não há trégua.
Ela sequestra o sol e o seu calor,
faz dele refém
entre paisagens cinérias,
onde o verão existe
apenas como promessa suspensa.
Quase como aqui dentro,
no meu âmago,
essa fonte inesgotável
de chuvas e tempestades,
correntes internas
que transbordam palavras,
versos.
E mesmo quando chove
em mim,
há versos solares
insistindo nascer e florescer
em estações que nunca
obedecem ao calendário,
mas ao pulso teimoso da alma.
Sou clima indomável,
ora dilúvio,
ora clarão insistente
rasgando nuvens
para lembrar
que o sol,
mesmo "sequestrado",
nunca deixa de existir,
brilhar e iluminar.
✍©️@MiriamDaCosta
O solo ainda estava úmido e macio,
bendita generosidade recente da chuva.
Afundei as mãos
nesse ventre antigo.
Os dedos se lambuzaram
de barro e promessa.
Semeei mamão papaya,
pimentas biquinho, malagueta
e dedo de moça,
(temperos de ardor e sabor),
alfavaca que reza em perfume e flavor,
abóbora moranga, tomates-cereja,
pequenos sóis
gestados pela paciência.
Cada semente
um juramento mudo.
Um verso sem palavras.
Cada sulco
um poema cavado
no útero da terra.
Manejar a terra
é rito,
é oração feita com o corpo,
é o tato conversando
com forças que não precisam de nome.
Entro nesse chão
como quem adentra
num templo ancestral
e saio marcada,
alma leve,
corpo suado,
mãos, pés e rosto ungidos de lama
(sujeira sagrada)
que purifica a alma.
É um prazer profundo,
diria ancestral.
É a memória do começo,
da origem enigmática
e da infância no quintal.
É poesia primitiva
que ainda pulsa
em quem não desaprendeu
a tocar o solo sagrado da vida
com as mãos operosas.
✍©️@MiriamDaCosta
E amanheço o meu olhar
respirando os versos molhados
que a chuva generosa escreveu
na pele da madrugada.
✍©️@MiriamDaCosta
Ser humano
Chuva que cai no dia de calor
Sensação de paz momentânea
Violência instaura o terror
A realidade é instantânea
Há disparidade em altos níveis
O consumo diário no capitalismo
O avanço utópico do anarquismo
Tantas diferenças, todas incríveis
Enquanto jogamos conversa fora
E outros não podem se expressar
Ignoramos a chance de mudar
Mudança global? Não agora!
Estamos cheios das tolices
Corrompidos pelos poderosos
Seres férteis em bizarrices
Nossos ídolos estão mortos
Quem pensa diferente, é louco
Quem pensa igual, é pouco
Quem não pensa, é normal
O que Ele pensa? Erro fatal.
Desfilando na chuva
Certa vez, um aventureiro saiu a caminhar
Estava chovendo e ele permitiu se molhar
Sem apressar o passo, optou pela sensação
Enquanto todos corriam, ele era a exceção
Sabiamente, refletiu acerca da fuga alheia
Era como se cada um quisesse a sua aldeia
Muito calor no verão, muito frio no inverno
Sempre há o que reclamar, um ciclo eterno
Imaginou o que eles imaginaram ao vê-lo
Sozinho, encharcado, em total desmazelo
Sequer possuía um guarda-chuva: coitado!
Já que é tão comum se prevenir um bocado
A sua intenção era lógica: sentir a chuva
Ao mesmo tempo que tinha gente de luva
Que pecado! Que blasfêmia! Que heresia!
Não ser mais um desesperado em demasia
Ele poderia ter ficado gripado e não ficou
Ter optado por chegar antes, mas desfilou
Parecia insana a curtição naquele cenário
Mas a felicidade não tem prévio horário.
As noites de chuva e os dias tenebrosos irão passar. Espere, pois o arco-íris logo virá para fazer sua vida florescer.
"Sou vento forte no calor intenso
Sou chuva fraca em meio ao fervor
Te queria perto mas te tenho longe
Não te ouço a voz mas te sinto amor."
- Pekenah
Filme que passa lento
No tempinho de chuva, a sala se enche de calor,
o aconchego do teu abraço é meu porto seguro.
Eu e você, perdidos no filme que passa lento, no silêncio do teu olhar, encontro o mundo inteiro.
O abraço que envolve nossos gestos e risos, onde memórias e suspiros se misturam sem pressa.
Cada cena se torna nossa, cada palavra um toque, como cena de filme, eterna e perfeita.
Entre pipoca e suspiros, o tempo parece parar, cada instante contigo é aconchego e encanto.
Nós dois, no sofá, abraçados e tranquilos, e no silêncio do teu olhar, posso existir.
E quando a chuva insiste em bater na janela, o aconchego que nos envolve nos faz flutuar.
Entre memórias e suspiros, a vida se faz poesia, como filme de amor, gravado só para nós dois.
E quando a terra exala seu cheiro terroso, me lembro que amor também floresce na chuva.
Nosso toque, como a água, é instante e eterno,
e cada gota sela o pacto de nossos corações
O cheiro da chuva me leva a teus olhos, onde vejo a luz que acende meu coração.
Cada gota parece sussurrar teu riso,
molhando a alma sedenta do meu desejo
Fica comigo nesta chuva que é só nossa,
Onde cada gota molha a alma e nos abraça.
Que o cheiro da terra, da chuva e do teu ser
Sejam lembrança eterna do que é viver e amar.
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