Choro sem Lagrimas
Creio que entre o riso e o choro há uma discreta melancolia, que nos permite sempre louvar a Deus derramando lágrimas ao cantar sorrindo
A tristeza gera uma diminuição notável de energia, o choro é um fenômeno que ocorre quando a alma precisa de ajuda, há a limitação do convívio social, que causa incômodo, até nosso próprio ambiente se torna chato e caótico, e queremos de longe a solidão.
Enquanto chove lá fora,
choro aqui dentro,
a chuva, às vezes, acorda
intempestivos pensamentos,
entretanto, também fortalece,
não vai embora
sem que sequem as minhas lágrimas,
adujando a terra fértil
minha alma se acalma
com um esperado refrigério.
O choro não pode ser contido por muito tempo, caso contrário, será semelhante a uma represa que, num determinado momento, estando sem resistência, certamente, irá sangrar, causando danos, alimentando a tristeza, sufocando a alma que infelizmente não pôde desabafar.
Por meio de uma percepção errônea, chorar pode ser considerado como sendo um sinal de fraqueza, quando na verdade, graças a Deus, é uma prova de força de quem consegue externar seus sentimentos, suas angústias, mesmo que, muitas vezes, na sua privacidade, um ato evidente de muita bravura.
Não importa se choramos por causa de uma dor física ou na alma ou ainda emocional, O Senhor seca as nossas lágrimas e assim, renova as nossas forças, os nossos ânimos, portanto, que o medo de chorar, de sofrer e a insegurança sejam cada vez mais ausentes, pois é Deus que nos conforta verdadeimente.
O choro de felicidade é um dos mais preciosos e sinceros por ser a gratidão que transborda dos olhos, que denota a forte emoção que vibra no peito de quem se encanta com a arte, que sabe que o simples é belo, que percebe que o valor de algo está na soma dos detalhes, uma sensibilidade de tamanha importância, nítida benesse do Senhor, um brilho de esperança.
A alma precisa
da Fé que a conduz,
do choro que a purifica
e de um sorriso que traga luz
que a fazem não desistir da vida.
Havendo falsidade no sorriso,
melhor um choro de aflito
ou de felicidade,
não precisa
e não deves ser insensível,
mas sejas honesto contigo,
respeita a tua necessidade,
qual o sentido de expresse-se
se não houver sinceridade?
A vida precisa de momentos de tirar o fôlego,
tais como aqueles ao ouvir o primeiro choro de um recém nascido,
ao ver o filho dar seus primeiros passos,
na concretização de um sonho,
com a superação de um trauma antigo, durante um reencontro muito esperado, pela emoção de um amor sincero correspondido, na vitória após um medo enfrentado, de um grande desfecho de um livro,
por causa de uma música bastante agradável
ou o resultado de um casal conectado
num prazer recíproco
entre outros exemplos
e, resumindo,
o fôlego do viver deve ser esbanjado
em momentos que tragam sentido.
O choro de grande tristeza que não pode se evitado, transborda dos olhos quando a alma está profundamente desgastada e precisa desabafar com urgência para que a sua essência não seja perdida se afogando em um lamento profundo e destrutivo, mas não quer causar nenhum incômodo, então, geralmente, espera pela chegada da lua e desabafa em silêncio durante à noite para que as suas lágrimas não sejam vistas, uma chuva de desabafo que aos poucos irá se dissipando até que um certo alívio tome conta e a faça cair no sono, consequentemente, na manhã seguinte, estará fortalecida, mais aliviada como se uma luz de esperança de um sol nascente brilhasse bem diante dela graças a Deus e sua providência divina, tornando a sua natureza resiliente, cada vez mais viva, que chorando se fortalece, ressignificando seus momentos tristes.
Saudade...
palavra
simples,
Com um
efeito
imenso
em meu coração...
Choro,sinto e
triste permaneço,
até que
um dia
esse sentimento
possa
tornar-se
( suspiro ),enfim
recomeço.
Tatiane Oliveira-08.11.2012*
Sei que sabe que choro com tigo as dores das suas saudades. Choro por amor. Porquê quem ama sente as mesma dores. Serei seu abrigo. Sei que sabe que me machuca sem piedade. Mais sabe a falta dessa pele morena que leva toda minha felicidade. Por isso choro as dores de tua saudades. Porquê só eu sei a dor da saudade que sinto por ti. Choro as suas dores. Porquê sei que são as mesma dores que sinto por amar-te
Sessesses
Quantas luas
Quantos lagos
Quantos rios a deslizar...
Seu choro fez voar a arara azul,
O boto rosa emergir do rio
E sob a luz de Venus
O uirapuru cantou o encanto...
E o amor de dois tapuias
Fez nascer Sessesses...
Sessesses a vitoria régia
A adornar águas,
O arco-íris sobre a cachoeira,
O mistério da floresta
Sem explicar o que seria sessesses
Se não fosse paixão...
INSPIRAÇÃO E POETA
Sendo poeta
(um sonhador),
não choro versos
sem conhecer
tristeza e dor...
Também decanto
em riso farto,
se for de parto
bem natural;
só se meu canto
não for postiço...
Para ter carro,
tenha-se casa;
quero ter asas,
mas antes vou
compor meu céu...
Sentir se a poça
é funda ou rasa
dirá, com calma,
se vale a pena
pescar a lua;
lançar minh´alma...
A INSPIRAÇÃO E O POETA
Sendo poeta
(um sonhador),
não choro versos
sem conhecer
tristeza e dor...
Também decanto
em riso farto,
se for de parto
bem natural;
só se meu canto
não for postiço...
Para ter carro,
tenha-se casa;
quero ter asas,
mas antes vou
compor meu céu...
Sentir se a poça
é funda ou rasa
dirá, com calma,
se vale a pena
pescar a lua;
lançar minh´alma...
VIDA PÓS-VOCÊ
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Vou chorar sem que o choro afogue o ego
nem me deixe vazio; raso; seco;
há um prego em que ponho essas pendências
de sentido, sentimento e razão...
Seu adeus não precisa ser simplório
ou se justificar com pranto exposto,
deixe o roto exprimir serenidade
sem achar que preciso vê-la triste...
Não encene a tal ponto; só acene;
tenho a força do brio que me blinda
pra minh´ alma ter vida pós - você...
Um adeus não me priva do meu sopro;
eu não vou disputar quem sofre mais,
pois não sofro, apesar do sofrimento...
OUTDOOR
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Você abre um sorriso como poucos,
mas um choro suplica transparência;
tem um belo mural que chama os olhos
à regência de suas propagandas...
Quer o mundo a seus pés, então escapa,
caso algum coração alcance o seu,
sua capa florida esconde farpas
que ninguém deveria descobrir...
Foi amargo adentrar os seus segredos
ao pular a janela do seu show;
ver os medos que a fazem movediça...
Você tem um querer aceso e forte
sobre o porte arrojado que a difunde,
mas confunde; não sabe o que não quer...
ALQUIMIA DO CHORO NA MÚSICA INVISÍVEL DE CAMILLE MONFORT.
Do Livro: Não Há Arco-íris No Meu Porão.
Autor: Escritor:Marcelo Caetano Monteiro .
Há instantes em que a alma pressente que a dor não é apenas um acontecimento, mas um rito. E é nesse território subterrâneo que Camille Monfort se torna a guardiã dos silêncios, aquela que recolhe as lágrimas antes que toquem o chão e as devolve ao mundo como tinta, melodia e presságio.
Sob sua música invisível, o pranto não se dissolve: ele se verticaliza. Cada gota assume a gravidade de uma estrela caída, e cada respiração se converte em um cântico cansado, como aqueles que, em que gravitam entre o anseio e o abismo. Nada em Camille é simples: sua presença é uma liturgia, sua voz um instrumento que atravessa o último refúgio do espírito e o obriga a reconhecer suas fissuras.
As lágrimas, ali, não se derramam. Elas se recolhem dentro da própria pele, como se buscassem um útero de silêncio para repousar. E ao repousarem, tornam-se tinta. Uma tinta densa, lúgubre, mas moralmente altiva, que escreve sem permissão e sem consolo. Ela se arrasta pelas páginas como o rumor de um vento antigo que conhece a ruína, mas ainda aposta na dignidade do sobreviver.
Camille, nessa paisagem, não é apenas musa. É uma presença que observa. Uma espécie de sacerdotisa de sombras que compreende que tudo o que é humano é feito de perda, mas também de uma coragem secreta que se mantém de pé mesmo quando o mundo interno desaba. Sua música infinita não ressoa pelos ouvidos, mas pelas rachaduras da consciência. É uma melodia que não pede compreensão; exige entrega.
Assim, a lágrima torna-se verbo, o verbo torna-se cicatriz, e a cicatriz, com o tempo, torna-se uma assinatura do espírito. Pois há dores que não se explicam, apenas se escrevem. Há tristezas que não se superam, apenas se transfiguram. E Camille Monfort é esse ponto onde a noite encontra sua própria voz.
