Céus
Que os céus não ousem obscurecer os meus olhos, e a terra não se atreva a sepultar o meu coração. Almejo que você desvende os sutis mistérios da minha alma, ao passo que clamo pela dissolução das minhas próprias paixões.
Na ferida exposta temos a dimensão que somos frágeis ao mesmo tempo somos fortes pois a dor nos molda...
Na lucidez muitas vezes somos reais até que horas mais profundas nos encontramos num sentimento paralelo..
Ser poeta por que
Para escrever e depois morrer?
Sim, eu quero ser, ao menos meus escritos ficarão estampados com sangue nas rochas da terra.
Não sou Sansão, não lançarei por aí uma raposa
são minhas palavras que planarão como espadas no ar em grande velocidade.
Cortei o cabelo da minha cabeça, ele crescerá
ela foi não voltará
mas a minha missão como poeta continuará
Até o dia que me reúna com o meu pai no seol e tudo se consumirá.
A cavalaria dos céus vem chegando como um algoz da sociedade corrupta, transfigurada e doente da alma, só nos resta misericórdia.
É uma luta e eu estou lutando, mesmo se de momento estou perdendo, a luta não acabou ainda, e sei que há esperança.
As andorinhas são onze e estão voando em pleno céu azulado, agora são doze, contando-me também, eu vou com elas acompanhando-as de perto...
O bem que quero faço, mas o mal que não quero, este também o faço, lamentando.
Ai de mim porque breve virá o fim.
