Cem Sonetos de Amor de Pablo Neruda (trechos inesquecíveis do autor chileno)

⁠Seus dentes perolados ofuscam a retina,
Globos oculares castanho-esverdeados,
Fios alaranjados semelhados a tangerina,
Perfumadas e vibrantes bochechas de resina.

Inserida por michelfm

⁠Graduada em hipnose,
Sentidos de rapina,
Em sua apoteose
Furtou-me a idolatria.

Inserida por michelfm

⁠Desafio Dóra !
Desafiadora a me desafiar.
Tua dor de outrora,
Minha dor de agora, a descontinuar.
Metáforas da Aurora
Que hão de demorar.
Mitologia nossa, há de nos coroar.

Inserida por michelfm

⁠Dóra

Desafiadora sem se pronunciar,
As qualidades lhe obedecem,
São pertences a lhe enfeitar.

Remova a maquiagem,
E os acessórios enfeitados.

Seus dentes perolados ofuscam a retina,
Globos oculares castanho-esverdeados,
Fios alaranjados semelhados a tangerina,
Perfumadas e vibrantes bochechas de resina.

Graduada em hipnose,
Sentidos de rapina,
Em sua apoteose
Furtou-me a idolatria.

Desafio Dóra !
Desafiadora a me desafiar.
Tua dor de outrora,
Minha dor de agora, a descontinuar.
Metáforas da Aurora
Que hão de demorar.
Mitologia nossa, há de nos coroar.

O que delonga faz confiar,
O que demora faz confiar.

Desafio Dóra !
Desafiadora a se entregar.
Tua dor de outrora,
Minha dor de agora, a descontinuar.
Metáforas da Aurora
Que hão de demorar.
Mitologia nossa, há de nos coroar.

Inserida por michelfm

Um olhar perdido.

Um olhar perdido
Uma mente insana
Um suspiro fundo
Um sorriso que engana

Muitos não percebem
Na verdade não vêem
Por fora tá lindo
Mas dentro explodindo
A destruição se fez

O semblante engana
O cabelo arrumado
A roupa deslumbrante
O perfume abstrato

O batom vermelho
Cabelo chapiado
Unhas feitas
No pé um salto

Mas por dentro um caos
Tudo acabado
Uma desolação
Um verdadeiro trapo.

Inserida por JoseanneKarla

Poema fedido

E de propina
Em propina
O Brasil
Acabou por virar
Uma imensa
E fétida
Latrina...

Inserida por zatonio

O canto triste e melancólico
da sabiá-laranjeira
que reside aqui em frente,
invade minha solidão.

Formamos um belo par de solitários,
ambos fora de tom:
ela, com seu canto,
lamenta o amor que se foi,
eu, em meu canto,
lamento o amor que não veio.

Inserida por zatonio

Um invisível vírus
Veio mostrar
Ao mundo
Como um
Governo omisso
Não tem
Nenhum compromisso
com seu povo

Inserida por zatonio

Patriotas corruptos

No Brasil
O que mais tem
É político
Que se diz
Patriota
Para fazer
O povo
De idiota.

Inserida por zatonio

O dia
está
por
chegar

beleza
intensa
no
firmamento

cogumelo
de
luz

sem
dor
nem
flor

pereceremos

Inserida por zatonio

⁠Nada matou mais na história
Que as certezas totalitárias
Dos profetas religiosos e ideológicos .
Milhões sucumbiram frente às verdades absolutas
Dos mentirosos que se arvoraram em donos da verdade.
Da vossa verdade!
Eu vos suplico!
Não vos deixe enganar por salvadores .
São, em verdade, reles ditadores
Que ditam, antes dores
Que verdades.

Eis o que são os donos de vossa verdade:
Mentirosos! Mentirosos! Mentirosos!
Os mais canalhas deles!

Inserida por zatonio

⁠Somos nada!
E, contudo,
Somos tudo!
De feio,
De belo,
De justo,
De injusto,
De absurdo!

Inserida por zatonio

⁠eu,
que só ando só,
sou mais que só ,
sou infinitos sós .
mas,
invariavelmente,
são solitários
meus sós.
e passeiam sua solidão
por meu espírito
que convive,
impassível ,
com meus vários
sós- que,
solitariamente,
o norteiam.

Inserida por zatonio

Verso inverso
Reverso verso
Com verso
Converso
Sem nexo
Verso adverso
Universo
Unir verso
Verso a verso
Verso versus verso

Inserida por zatonio

⁠Ódio!
O combustível
Do fanatismo.
O olho por olho.
O dente por dente.
Mundo demente,
Todos cegos e banguelas.
Humanidade doente!
Que ódio!

Inserida por zatonio

⁠Sim, transformaram-nos em coisas:
Em quantos carros temos na garagem ,
No patrimônio material que juntamos ao longo da vida ,
No volume de nossa conta bancária .
Grandes coisas!
No caixão serás só tu.
E uma roupa que de favor te vestiram,
Qual tal o mendigo que humilhastes ,
Ou o operário que explorastes .
Um corpo em breve fétido,
Como a consciência que nunca tiveste .
E pelos cantos dirão:
Morreu a peste!

Inserida por zatonio

⁠Tenho Lirios

Tenho Lírios nos olhos,
da água ... Os Lindos delírios
e algumas orquídeas
Sobre a mão
Qualquer dia
Uma borboleta
Pousa no meu jardim ou
Talvez nas rosas
Que floresceram
em meu coração.

Inserida por luccisantz

⁠Relicário do Tempo

No âmbar do tempo, há portais escondidos,
vestígios de astros, de passos perdidos.
O agora, que vibra em tão tênue espessura,
é sombra de outrora, é veste de altura.

Caminho em espiral sob cúpulas mudas,
em ruínas de horas, em casas agudas.
O tempo não passa — ele gira, ele espreita,
esculpe memórias na carne desfeita.

Se tento prendê-lo, escorre em minha mão,
mas volta em silêncio no sonho e no chão.
Se falo seu nome, ele cala em mistério,
oculto nos traços do mundo etéreo.

Talvez seja templo, talvez seja abismo,
ou um deus que se veste de ritmo e cismo.
Mas sigo seu rastro com olhos fechados,
ouvindo relógios nos céus enluarados.

Pois sei — mesmo quando se parte e se finda,
há algo no tempo que nunca rescinda.
Um fio, uma trégua, um véu de infinito,
que dança, que some… no velho labirinto.

Inserida por robscheuer

⁠O Umbral Invertido

Há um véu que se ergue no fim da ladeira,
tecido de névoa, bordado em madeira.
Ali onde os olhos já não têm abrigo,
a morte se curva — e retorna contigo.

Não vem como faca, nem sombra de açoite,
mas como um regresso ao ventre da noite.
Um porto sem nome, um espelho sem rosto,
um vinho ancestral sorvido com gosto.

O corpo se cala, mas algo persiste:
um traço, um sopro, um rumor que resiste.
E tudo que foste — promessa e engano —
recolhe-se ao pó do primeiro arcano.

A morte é um caminho que volta ao princípio,
um sino que ecoa num templo fictício.
Não leva, devolve; não cessa, transborda,
abrindo no nada uma porta sem corda.

E os que partem, dizem, não vão tão distantes —
permanecem na alma em forma de instantes.
São brisa que sonda o mundo adormecido,
são nome esquecido num canto contido.

Morrer é despir-se da forma do vento,
e ser o que sempre se foi por dentro.
É ter, no silêncio, um berço escondido —
é mais que um fim: é um umbral invertido.

Inserida por robscheuer

⁠Morena de olhar profundo
Com este jeito elegante
Penso em ti a todo instante
Criatura mais bela do mundo
Não fico nem um segundo
Mesmo estando distante
Meu pensamento é constante.

Inserida por sergiocancioneiro