Cem Sonetos de Amor de Pablo Neruda (trechos inesquecíveis do autor chileno)

Meu amigo leitor
Observe por favor
meus poemas podem ter rima pobre
porém tem alma nobre
não ignore
apenas aflore

Pablo e seus poemas


Pablo, poesias tão vazias, tão sem graça
que tom é esse? escreve com os dedos dos pés?
Pablo, o que é isso? poema precisa fazer sentido
o que você escreve é apenas sorteio de palavras
Pablo, seus poemas não são chiques, não tem rima
mas como terá rima se não tem conteúdo
você nem fala de Deus, você acredita em Deus?
Tu não escreve bem, essa não é sua praia
vai tomar banho de praia, Pablo
as águas salgadas combinam mais com suas letras… desconfortáveis

⁠Gosto de escrever os poemas
que vem de minha inspiração
não aprecio escrever sobre temas
cujos versos não vem do coração

Teus olhos castanhos, profundos e serenos,
guardam segredos que não cabem em poemas pequenos.
São como a terra após a chuva cair,
um abrigo tranquilo onde eu gosto de existir.
Neles encontro o brilho de um amor verdadeiro,
calmo como a brisa, forte como um rochedo inteiro.
Quando me olham, o tempo parece parar,
e o mundo inteiro aprende a se aquietar.
Há um fogo suave em seu tom acastanhado,
que aquece meu peito e me deixa encantado.
Não precisam de palavras para me convencer,
pois dizem em silêncio tudo o que preciso saber.
Se o amor tivesse uma cor para escolher,
seria o castanho dos teus olhos ao me ver.
Profundos, apaixonados, cheios de luz e calor,
espelhos perfeitos da beleza do teu amor.

De tanto romântico ser
Anti-romântico se tornou
Pelas cartas que escreveu, dos poemas que recitou
Tudo o que produziu, a desilusão levou.

E então descobriu, o verdadeiro significado
Do romantismo, pregado e idealizado
O poeta disse: deve ser evitado.

Em estórias escritas de romances massivos
Ensinava ao público a tudo momento
Afim de evitar escravizar os iludidos
A lei do anti-romântico desse moderno tempo.

Não sei o que dizer!
Já não escrevo poemas, já não sou mais poeta.
A ausência de palavras me aparecem do tanto que cresce nossa distância.
Confesso que não deveria ter conhecido o inimaginável, deveria ter deixado subentendido apenas em pensamentos.
Você se foi levando consigo todas as rosas, e palavras, e versos.
Levando o sol dos meus verões.
Voce foi chuva passageira, e eu fiz de você inverno, me agasalhem no teu frio e conheci a solidão.
Agora habitas tu nas estações das minhas recordações.

RECOMEÇO


Eu cansei de escrever poemas e rimas falando de dor, de sofrimento e de tudo aquilo que me machuca, que fere.
Eu cansei, eu cansei, eu cansei de falar daquilo que dói.
Fui aprendendo que é preciso escrever e falar sobre a alegria da vida, sobre o silêncio que habita a minha casa neste momento e que também habita a minha mente, e sobre a possibilidade de pensar em tudo e, ao mesmo tempo, em nada.
Eu cansei de escrever sobre o que ficou para trás, para trás na minha estrada.
É melhor olhar o horizonte, escrever sobre o dia e sobre a hora exata que está em minhas mãos. Olhar para a frente, sabe? E dizer que eu nasci para falar das coisas que fazem vibrar de alegria o coração e das coisas que me fazem ser quem sou: poeta.
Nildinha Freitas

[Poemacicatriz]


cicatrizes
são poemas,


que a vida
nos dedica,


entalhando
em nossa carne
versos inesquecíveis,


para recordarmos que
o sofrimento ensina


e a dor,
é poesia.


(Michel F.M. - Altas do Cosmos para Noites Nebulosas - Trilogia Mestre dos Pretextos)

Série
Poemas de marcio melo


____Na vida andamos por caminhos empoeiramos os pés em meio aos tropeços tristezas e sorrisos pelo caminho a vida é uma caminhada longa com acertos e desacertos a quentura do sol queima os pés e o Fusca os olhos assim tudo que buscamos é o que encontramos e deixamos pela estrada já longe não se pode voltar pois o tempo segue sempre adiante e quem caminha pela vida sabe o que ficou lá atrás não se pode recuperar mais é assim a vida é estrangeira e o tempo seu guia a vida nunca acaba somente aquele que caminha


A caminhada

Eu não sei escrever poemas, sei escrever sentimentos,
Vontades não ditas, pensamentos reprimidos,
Desejos escondidos sob uma camada grossa de medo.
Medo das pessoas, medo dos julgamentos, apenas medo.
Poderia dizer que andei por mares e viajei por céus.
Mas não fiz isso, essa é minha verdade nua e crua,
Estou numa sala, em um pequeno apartamento
Escrevendo enquanto minha xicara de café esfria
Escrevendo o quanto eu sinto,
e não consigo falar.
⁠

Autor e teólogo Jalison Santos
ESCREVEU AS 12 POEMAS PARA SUA ESPOSA.


1.De noite eu busquei em minha cama
A quem a minha alma ama;
Busquei‑a, e não a achei.
​
2.Mas uma noite comecei sem a minha amada,
Esperei muito, mas a noite passou sem ela.
​
3.Comecei mais uma noite e esperei,
Quando a minha amada chegou, eu a busquei
E ainda não a achei — A quem a minha alma ama.
​
4.Onde está a minha amada,
A quem a minha alma ama?
​
5.Pensei até que a minha amada já estivesse comigo,
Procurei no meu leito e não a encontrei.
​
6.Depois esperei que ela viesse até mim,
Mas não apareceu; a noite ia passando,
E no meu coração eu esperava o milagre dela chegar,
Mas ela ainda não apareceu.
​
7.Onde você está, minha flor?
Onde está a flor do jardim do meu coração,
A minha doçura?


8.Eu sinto que em breve eu encontrarei a minha amada;
então abraço os pés e o meu coração se abre para ela,
e eu digo: “Você é a quem a minha alma ama”.
​
9.O que é tão doce quanto estar ao seu lado?
​
10.E assim, finalmente, encontro a minha amada,
fico com ela e não a deixo mais partir.
​
11.Eu sinto: quando a minha amada chega,
o meu coração bate mais forte,
pois sei que ela está ao meu lado.
​
12.Às vezes parece que você passa
lá no fundo do meu olhar…

"Uma alma eleva a outra."




Obedes Lobadias, no livro Labiríntimos Ou Poemas Mal Escritos."

Palavras difíceis
Poemas invisíveis,
Códigos indecifráveis
Poemas nada confiáveis.

E depois de uma longa espera e muito cuidado, minha Rosa do Deserto floriu.
Flores são poemas coloridos.
É poético saber que uma rosa “decidiu” morar no deserto, local que carrega uma simbologia de tempos difíceis, escassez e luta.
No deserto ela cresce livre.
Presa em pequenos vasos ela se adapta e o poema vira haikai.

“Meus poemas serão reconhecidos quando eu tiver virado pó.
Ou cinzas... ainda não decidi.”

— Cyntia Karla De Liz

Que cada novo caminho
te encontre com ternura,
e que a vida escreva em ti
poemas de paz e doçura.

RÉQUIEM POÉTICO.
Escritor:Marcelo Caetano Monteiro.
Lágrimas Sobre Poemas.
9° Livro de nossa lavra independente. Escrito quando tínhamos 17 anos de idade. Sinopse: O Livro trás uma visão libertadora desmistificando a única e inevitável realidade, que é a morte. De uma forma poética livre a cada poema o leitor vai se alforriando aos poucos do prisma do abismo da tristeza à luz de uma leveza do sub consciente até o ápice de uma vida sempre existente desde o micro ao macro cosmos. Obs. Em homenagem ao compositor Austríaco Wolfgang Amadeus Mozart, (1756-1791).

Entre textos inacabados, frases dispersas, pequenos poemas escritos à margem da lucidez e rabiscos nascidos de pensamentos transitórios, vou acumulando fragmentos de mim mesmo, vestígios silenciosos de tudo aquilo que nunca encontrou forma suficiente para ser dito em voz alta. Cada palavra parece carregar resíduos de memória, como se a tinta tivesse sido diluída em melancolia e o papel se tornasse incapaz de suportar o peso invisível das lembranças que insistem em sobreviver dentro de mim.


- Tiago Scheimann

William Contraponto — Parágrafo 175


Um dos poemas mais políticos e historicamente situados de William Contraponto, Parágrafo 175 transforma a perseguição aos homens homossexuais na Alemanha em uma reflexão sobre os limites morais do poder.


O poema parte de duas vidas comuns e de um afeto vivido sob discrição. Aos poucos, a intimidade é invadida pela lei, pela classificação e pela violência institucional. O percurso é claro: o homem amado torna-se suspeito, o indivíduo torna-se número e a identidade torna-se marca.


O triângulo rosa é o principal símbolo histórico da composição. Mais do que representar a perseguição, ele evidencia a tentativa de reduzir pessoas inteiras a uma categoria imposta pelo Estado. O poema contrapõe essa desumanização à simplicidade do vínculo entre os dois homens.


A força de Parágrafo 175 está em não transformar seus personagens em figuras abstratas. Antes da norma, havia um quarto, uma janela, conversas, livros e dias partilhados. A violência histórica aparece, portanto, como aquilo que invade e destrói uma existência que poderia ser absolutamente comum.


No final, William Contraponto ultrapassa o episódio histórico. A crítica não é dirigida apenas ao nazismo ou à antiga legislação alemã, mas a qualquer poder que pretenda decidir quais afetos são legítimos e quais existências merecem reconhecimento.


“Parágrafo 175” é, assim, um poema de memória e resistência: uma defesa da ideia de que nenhuma instituição possui autoridade moral para transformar o amor em culpa.




nenommarques@gmail.com

Não há frases, nem poemas
nem teorias, nem teoremas;
nada me farta alma,
já farta de dilemas.