Cartas de reflexão para um Amor
Como Ave gentil,
Pousou a poesia,
Como gaivota,
À beira mar,
A contemplar,
E escutar,
O que o coração
Tem para falar.
Como Ave gentil,
Assim sou eu
No embalar,
Sempre a te esperar,
E cantarolar
Como as ondas do mar,
Cumprimentando sempre
O azul infinitamente anil.
Como ave gentil
A te espreitar,
Estou aqui,
Te buscando,
Devotadamente,
Sob a luz das estrelas,
Com uma saudade imensa,
Da tua paixão intensa...
Sou o verso mais inebriante,
O desafio, a tua lida,
Sou toda a tua vida,
A odalisca sensual, o teu afeto,
- o teu romance
A papoula rara, - proibida
O incenso oriental,
Que desarma o teu exército,
Genuflexa te embevece,
Dum jeito que te enlouquece.
Em meus lábios escaldantes,
Assim você se deslancha,
E se derrete inteiramente,
Eu tenho um talento único
De te pôr em ponto fervente;
O meu sabor é o da noite,
Eu te faço deitar com a madrugada,
- sou o maior amor da tua vida -
Uma amante para jamais ser esquecida.
Não consigo
ser diferente...,
A poesia que enxerga
em mim,
É mais tua
do que minha,
Essa poesia mora
mais em ti
Do que mora em mim;
Não consigo
ser diferente...,
Escrevo para causar
contentamento,
Escrever para mim
é como um rubi,
Escrevo com o que há
de mais vermelho,
- em mim -
Escrevo para mexer
com o sentimento.
Nunca duvide
do que a minha poesia
é capaz,
Quando menos imaginas,
tu irás atrás,
Do Bem que só
ela te faz;
Tu bem sabes do
que ela é capaz,
Além de ser canto, ela é
o teu colo de paz.
Não consigo
ser diferente...,
Sou o verso presente
nos teus lábios,
A doçura caída do céu
em teus átrios,
Para mudar o teu presente
– um presente,
Nunca estou ausente,
és ciente,
Porque eu
sou diferente;
Não consigo
ser diferente...,
Cheguei para mudar
os teus dias,
Para trazer sorrisos
e mil alegrias,
E fazê-lo feliz
e cheio de valentia,
Guardando cada escrito
meu como magia,
Para sempre se orgulhando
que eu existo: sou poesia.
A noite traduzida em pele de felina
Chegará só dizendo sim,
-altiva-
Para te fazer inteiramente meu,
No meu colo macio como cetim.
Chuva em noite que o luar enfeitiça,
Aqui dentro faz sol,
-ilumina-
Para te fazer inteiramente seduzido,
Doce e entretido.
Aqui no meu corpo tem mar,
E no meu coração tem amor,
Em mim há todo o mel,
Os meus lábios têm sabor do nosso céu.
Sei que não podemos,
Sei que não devemos,
- Nos limitar -
Fugir diante do mundo,
Nós temos a nós,
Decerto é o abrigar.
Sei que podemos,
Sei que devemos,
Nos recorrer, amar;
Sem medo do mundo,
Só nós sabemos,
O nosso tempo e lugar.
Para onde?
Eu não sei.
O nosso amor é a lei.
Ele escolhe o destino,
- o calendário
Elabora a rota e o ninho,
O amor sabe de tudo,
Ele sabe sempre onde chegar.
É o ventar irremediável,
Carregando as ondas
As areias e conchas,
O rebojar balançando,
O barco navegando,
Como o leme para lá,
E com o leme para cá.
Lá está você, e cá estou eu,
Somos estrelas-do-mar,
Somos o que quisermos,
Arte e ciência, - paciência
E doce imprudência;
Segundos, minutos e horas,
Somos anos, décadas e séculos,
A expressão de uma existência.
Debalde procuro as nossas histórias,
Todas retidas na minha retina,
E bordadas nas minhas memórias.
Flutuação que sempre me leva
Para dentro, ela rompe o tempo,
E sacode todo o sentimento...
Entrevejo a tua presença em tudo:
Tens o meu amor nada diminuto.
És o meu canteiro, o meu jasmineiro.
Não sossego nenhum segundo,
Distância que há de ser rompida,
Por esse amor inexplicável e profundo.
Fizeste-me tua
desde o primeiro
momento em que te conheci,
À partir desse dia
passei a ser
mais tua do que minha.
Fizeste-me tua porque o teu
acariciar é como o poente
em repouso dengoso sobre o Balneário,
contrastando com o mar de turmalina.
Fizeste-me tua porque
soube domar o meu pertencer,
Como o Sol toma conta do oceano,
Você invadiu todo o meu ser.
A minha pele já se confunde
com a sua,
- [por isso fizeste-me tua
No espetáculo da palavra ardente,
talhada no crisol da retórica
e no fogo ardente da mesma ideologia.
Nasceu o amor na troca de olhares:
a nossa inimaginável magia.
Fizeste-me tua porque comigo não
abandonaste o teu ser combativo,
Reaprendeste o caminho de volta
da ternura e do carinho.
Os teus dias passaram
a não ser mais os mesmos;
eles passaram a ser poesia,
doçura, carícia e melodia.
Fizeste-me tua porque mesmo eu
estando ausente, estou sempre
presente te embalando com versos
e a minha poesia que inundam
cada momento da tua vida.
Sou o tem sorriso, a tua canção e a paixão que trouxe brilho nos olhos e luz para o seu coração...
Você sabe que no minueto das horas
sempre estarei presente no teu sonhar, e em cada minuto do teu palpitar...
Vivo numa casa que tem palmeiras,
E você ainda não se deu conta,
Que eu vivo à beira mar.
E que da vida só levarei as grandezas,
Para sempre esquecerei as pequenezas,
´- eu vivo para escrever e sonhar.
O Frei me disse que o escritor tem uma
sina: "- O escritor de tanto escrever acaba
deixando a vida levar...".
Ainda sou moça tenho muito o que viver,
escrever e te amar.
Hoje passei a minha tarde pensando
o nosso amor na beira da praia,
- eu estou a te esperar.
Vivo nessa roda viva escrevendo,
Doidamente cada perfume do meu
pensamento,
Nascido do sentimento,
E forte como filho do vento.
Ao cair desta tarde, apreciei você meditando
na areia da praia,
Deixei o mar tocar os meus pés,
O céu estava brilhante e remexido,
Fiquei de longe te olhando...,
A tua pele macia...,
A tua barba e o teu sorriso branco.
Sim, vi um pássaro voando desacompanhado
voando na imensidão;
Foi um sinal divino que você estará chegando
para me tirar de vez da solidão.
O mistério dos teus olhos,
Castanhos e nordestinos,
Lembra os dias coloridos,
Marcante como passos,
Na areia e no coração,
O étereo beijo não dado,
Pela poesia sublimado,
Mas não esquecido,
Ainda me balança,
Tal como a palmeira
Ao vento de maracaípe,
Confundo Pernambuco,
Com Sergipe, e até parece
Que bebi um alambique.
Eu te vejo em boas letras,
Invernais e de verão febris,
Porque és meu chão,
És meu Norte e meu Sul,
Nem desconfia que és meu,
Tu és meu tudo e meu nada,
Tens todas as misturas,
Do que chamam de raças,
És verdejante por tuas matas,
Auri e profundo pelo teu ouro,
Azul pelo teu céu e teus mares,
Pleno, celeste e Sudeste,
Lindo até no seu Centro-Oeste,
Em berço coroado de estrelas,
És a minha constelação - e meu país.
Ouço o gentil bramido do mar,
- você aqui comigo não está
Grande é o espaço para sonhar,
Um dia você chegará para ficar.
Dizem que o vento te levou,
Canto para você voltar,
Quem uma vez se apaixonou,
Não esquece uma noite de luar.
Andas buscando mil desculpas,
Só para não me enfrentar,
Porque tens medo de amar,
E a tua vida me devotar...
Sei que não acertei na rima,
Perdoa-me, ainda sou menina;
- fiquei perdida -
Talvez seja até a minha sina.
De viver em busca do amor,
Tentando entender o mapa,
Que me leva até a mina
Deste homem que fascina.
Talvez eu tenha uma chance,
De nascer de novo,
Para redescobrir esse ouro,
De renascer esse romance.
Como o teu beijo que me fala,
Aprecio o céu cor de opala,
Como a sutileza,
Nado nesse mar azul turquesa,
Carinhosa areia branca,
Cor de areia na ampulheta,
O amor está cheio de esperança...,
- todos misturados como letras;
Enchendo o coração de fé
e engrandecendo esse amor que não
cansa e nem se cansa... Vive e crê!
Festa e luz interior,
Iluminando o exterior,
Assim é o Rio de Janeiro,
Soberano como um poema de amor,
Belo e sempre em pleno esplendor.
Em busca do teu olhar penetrante,
Olho para o céu só para te encontrar,
- grande é o amor que tenho para dar
Da ternura boa para plantar,
- todas as veras faces reveladas pelo amor
Ipês floridos a coreografar,
Balançando e soltando flores pelo ar,
Para o nosso caminho de amor enfeitar.
Festa do Sol, verão estrelar,
Assim é o Rio de Janeiro,
Brilhando sem parar,
Sambando no salto da cabrocha,
Explosão sensual que te fez apaixonar.
Em busca de desvendar ousadamente,
Olho para a tua constelação solar,
Para melhor nos entrosar,
Escrevo para fazer a fazer engrenar,
Para você não esquecer, e sempre lembrar,
Que não existe limite para o amor amar,
E nada que seja impossível que o amor
in natura não possa contagiar...
Como se desperta para um sonho:
temos que nos descobrir.
Como se voa para um país distante:
temos que nos seguir.
Sem nada a temer, e nada a dever;
Temos que nos entregar...
Os outros podem até nos condenar,
É preciso não perder tempo,
e escrever a poesia galante que
celebre o verão amante.
O amor tem um caminho próprio,
Ele se faz lar por duas pessoas,
O amor tem uma lógica própria,
Ele transforma notícias ruins em
notícias boas - e sem retórica,
Transforma o ébrio em sóbrio.
Como se voa ao ponto mais alto céu:
temos que nos amar.
Como se desperta para a vida:
temos que nos transformar em mel.
Sem nada a resistir, e nada excluir;
Temos que nos servir...
Numa servidão doce, mútua e terna,
É preciso não ter limites,
e traçar o destino (com devoção);
Para eternizá-lo em versos de paixão.
Na graciosidade dos pequenos gestos,
Busco cada pedaço teu,
Cada palavra bem colocada,
Com o dom que Deus me deu,
Presenteio com doces versos,
Ignorando o final do mundo,
No afã de te encontrar,
E fazê-lo para sempre todo meu.
Eu tenho a minha própria graça,
Conheço cada espaço teu,
Cada fenda bem colocada,
Com a maciez que você concedeu,
Presente com doces amplitudes,
Ignorando as longitudes,
No afã de te saborear,
E deslizar em plenitudes...
Na imensidão do mar com ou sem luar,
Escolhi te amar,
Viver amando cada parte tua,
Espalhar pétalas de flores,
Para celebrar o maior de todos os amores,
Ignorando os desafios [enfim,
Porque tenho certeza
de que eu nasci para você,
E que você nasceu para [mim.
Se o mundo realmente acabar,
Não importa desde que sobre nós dois,
Que não se esgote a poesia,
E não fuja de nós os desejos,
Seja no balanço da praia,
Ou nos lampejos do trovão,
O mundo pode até acabar,
Menos o amor na imensidão.
Não se castra a poesia de [ninguém,
Quem castra - age como quem rouba a fé,
Uma poesia castrada,
- é como o brilho dos olhos roubados de
[alguém
Não se castra a poesia de [ninguém.
Das vezes que eu tentei te procurar,
Você não quis deixar,
O meu amor te amar,
E no teu coração eu penetrar.
Não se abafa o canto de [ninguém,
Quem abafa - age como quem acaba com o oxigênio,
Um canto abafado
- é como um país que virou terra de
[ninguém
Não se abafa o canto de [ninguém.
Do meu escrever sobre o amor,
E sobre o teu sentir,
Eu quis falar,
E você não quis me ouvir.
Quem me dera ser
repentista nordestina,
- só para cantar
os repentes de menina,
Quem me dar ser
o doce Rio Jacumã,
- só para me encontrar
com o seu mar,
Quem me dera ser
a carinhosa duna,
- só para apreciar
esse calmo desaguar,
Quem me dera ser
o amoroso Sol,
- só para brindar
esse espetáculo de amar,
Descrevendo o amor
e a nossa mística,
- até em dias sem
romance e sem luar,
Escolhi a Paraíba
para descrever e eternizar.
Quem me dera ser
o tempo e ser o vento,
- só para semear corretamente
o sentimento,
Quem me dera ter
nos lábios o sabor de romã,
- só para entretê-lo além da hora
Quem me dera ser
o canteiro de estrelas,
- só para brilhar à beira mar
Quem me dera ser
a água do Rio Jacumã,
- só para com amor
o nosso sentimento regar,
Quem me dera ocupar
a tua vida,
- só para ser o rio
ocupando o teu mar,
E fazer você encontrar
um sentido mais doce,
todas às vezes que me encontrares
para me amar.
Palavras não são como folhas ao vento,
Dizem até que o vento as leva,
Mui diferentemente das folhas,
Elas - as palavras - sempre chegam ao
destino, - não duvide disso.
Lá do alto do Monastério,
Com os braços em direção ao céu
De tom opala e repleto de mistério,
Em busca de retirar todo o véu,
Ele que abriga o mel que te aflige,
Assim bem doce tu redige.
Palavras não voam com o vento,
Elas só trafegam,
Mui diferentemente do que pensam,
Elas ocupam o teu coração,
E tomam conta do teu pensamento.
Vejo no firmamento
do teu corpo,
Tatuadas as setes artes
liberais,
Inscritas deliciosamente,
Capazes de me endoidecer,
E de me invadirem ardentemente,
Rendendo-me severamente.
A tua retórica hipnotiza
a minha dialética,
A tua música a minha gramática
não traduz,
O teu beijo é expressão
- e o teu corpo seduz.
A tua aritmética domina
a minha geometria,
Somos uma constelação
- e uma só astrologia...
Escrevo para no seu
coração criar raízes,
Com a fé de que um
dia seremos felizes,
Não ligue para o que
os outros dizem,
O importante é que os anjos
nos bendizem.
As palavras são
como os bosques,
Elas podem ser
noturnas ou diurnas,
Deixe que permaneça
só os toques,
E que definitivamente
não te percas.
Escrevo para não
ficar de ti isolada,
Porque devagar irei
te adentrando,
Como um carinhoso remanso,
Aos poucos você irá
se apaixonando...
E destes versos
que se encaixam,
Como o bosque
e o remanso,
Sei que cada um
deles te encantam,
Seremos elementos
que se completam.
A tarde chega lentamente,
Exorcizo os fantasmas,
Desocupo a mente,
Dou abertura à poesia,
Ela que me acompanha
Sempre carinhosamente.
O mar alisa a costa,
Sei o que você gosta,
Faço perder a hora,
Rasgo todas as normas,
E você nem se importa,
Assim sou a tua aurora...
Sempre hei de ser tua,
Subversiva e rebelada,
Assim existo para você,
Eu sou a tua amada,
Em versos flamejantes,
Sou o mais lindo dos brilhantes.
A minha poesia é assim:
ela nunca vai atrás.
É você que sente quanta
a falta que só ela faz.
É grande a nossa alegria,
- doce e particular
Nela não cabe nostalgia,
É lira de amor a tocar...
Eu não preciso sair por
aí para te procurar;
- o teu amor sempre te traz.
Fonte que não seca jamais.
Porque tudo em nós é
escrito à quatro mãos,
Nossos suspiros vertidos
do nosso céu são bênçãos...
Pela delicadeza do olhar,
E pelas mãos da mulher,
O Rio não resiste,
- ele se deixa fotografar
Ele sabe o que ela quer
De dia ou de noite,
Caminhando iluminada,
Fazendo boa fotografia,
Lendo boa Literatura,
Nunca será como espuma do mar,
É presença feminina cheia
de balanço do mar...
O Rio por Maris se mostrou,
Que continua lindo,
Enluarado ou estrelado,
Ele sempre será eterno,
Quem nunca se interessou por ele,
- não conhece o seu reinado
O clamoroso barulho do mar,
- é como um clique delicado
Maris soube capturar bem
o seu lindo céu rosado,
O Rio só se deixa ser fotografado
por quem sabe o que quer,
Assim ele se deixa abrir diante dos
olhos enternecidos da mulher...
