Cartas de reflexão para um Amor

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⁠Ressurreição
Naquela praça
Entreguei meus medos
Quietos
Em segredo
Esperei que me amasse
Amassado
Sem medo de perder a viagem
Oferecia-te tudo
O amor maior no mundo
Já não era dádiva dos deuses
(…)
Minha dor cativa
Logo
Tornou-se luto
E a carne
Já fria
Ganhou vida
Na igrejinha de São José.

Para Isac Silva do Nascimento, na Praça da Paróquia de São José;
Araraquara, 19 de novembro de 2021 (25 anos do autor).

Inserida por RafaelZafalon

Três de novembro


No mês em que a primavera se despede,
e o sol, mais manso, faz-se presente,
floresciam dias de ouro e espera,
prenúncio de encontros, docemente.

Foi na estação de brisa e lume,
quando as folhas murmuram segredos,
que nos achamos sem alarde,
em cores tênues, sem medos.

Caminhavas já em meus sonhos,
estrada traçada em silêncio,
onde o murmúrio do vento sussurra
o amor que arde em denso, intenso.

O mundo, em sua dança vasta,
girou em círculos de espera,
até que em ti se fez acalanto,
porto certo, luz sincera.

Achei-te na dobra do tempo,
onde o aleatório se curva à sina.
Outros conheci por ócio e acaso;
a ti, encontrei porque eras divina.

Outros, passos soltos, vento;
tu, raiz, urgência, beijo,
entre ecos e risos, enfim,
vi que ao teu lado me pertenço.

Inserida por Epifaniasurbanas

⁠Feliz Natal!

Natal é renascimento...
é uma nova oportunidade de ser.
É mais significado que festa.
É ver sacralidade na rotina de um jantar.

É memória que volta ao presente:
os passos do avô, a voz da mãe,
as mãos entrelaçadas ao redor da mesa
e a fé que se estende além do tempo.

É o convite para acolher o estranho,
para enxergar o outro com olhos de amor.
Natal é verbo que se faz atitude:
é ser Deus no abraço de quem estende a mão.

É convite para que sejamos neste dia,
como o menino em seu berço singelo:
pequenos na matéria, grandes no afeto,
humanos no gesto, divinos na entrega.

É quando Deus se limitou a um só lugar.
É prova que o finito pode conter um infinito.
É sentir Deus em um menino.
É repartir esse Deus em fatias de pão.

Natal é época de se repartir e sempre sobrar.

Inserida por Epifaniasurbanas

⁠Às margens do teu ser.

Meu mar doce,
represá-la?
Não posso.

És livre, mar...

Navegantes?
Só os que permites,

mas
não há ainda quem
te desbrave.

És livre, mar,

de
ondas curvilíneas,
poente de toda luz.

Povoas a mente dos homens,
morada do desejo.

És livre, mar,

a ti, tenho
apenas
um pedido:

Afoga-me.

Inserida por Epifaniasurbanas

Meu mar doce,
represa-la?
Não posso.

És livre mar...

Navegantes?
Só os que permitiu,

mas
não há ainda quem
o desbrave.

És livre mar,

de
ondas curvilíneas,
poente de toda luz.

Povoa a mente dos homens,
morada do desejo.

És livre mar,

a ti, tenho
apenas
um pedido.

Afoga-me.

Inserida por Epifaniasurbanas

Fênix

Assim como Hesíodo
testemunhei,
a bela ave renascer
das próprias cinzas que sobraram de si.

A mais forte e misteriosa,
Fênix.

A cada morte mais vida ela adquiriu.
Ela é como o amor
Fogo incendiário
que até morre, mas nunca acaba.
Sempre ressurge.

E o fogo que a tudo prova,
a purificou das memórias
das cinzas.
E como poesia,
renasceu.”

Inserida por Epifaniasurbanas

"Namorar é vencer a transitoriedade do ter, imposta pela paixão, transformando toda experiência física em formas de linguagem.
É transformar a voz do outro em letra, a fala em verso, o carinho em verbo, para assim torna-lo presente, mesmo longe, sempre quando for recontado. Por isso cada casal cria seu próprio vocabulário, para conjugar o outro em todos os tempos verbais. No namoro é onde acontece a gestação de uma história de amor!"

Inserida por Epifaniasurbanas

"Você é a única imagem de Deus que o outro verá!
A divindade é um atributo presente em cada um de nós, ela se manifesta através do amor. Só posso me tornar verdadeiramente humano quando me torno divino; quando amo. Quanto mais divino me torno, mais humano me pareço. Assim, ao dar um passo na direção do outro, dou dois passos em direção a mim."

Inserida por Epifaniasurbanas

Poema: Dois namorados

"Éramos apenas dois namorados.
Pensando me lembro de tu,
das tuas brincadeiras,
das tuas inocentes e hilárias,
que me faziam sorrir.

Eu me lembro das tuas loucuras,
que me deixavam sem graça,
eu me lembro de como tu fazias eu sorrir,
olhando-me com caretas ...

Com umas caras pintadas engraçadas.
Eu me lembro de como eu me sentia ao seu lado,
e de como eu fazia para está sempre ao seu lado,
fazendo de tudo sempre para que nunca desse errado.

Eu me lembro de tua felicidade infinita,
na hora sempre me erguia,
apenas um olhar engraçado,
e tuas loucuras sadias sempre nos faziam rir no fundo, no fundo,
sempre eram para nos fazerem sorrir."


Campina Grande-PB. 24/07/12.

Inserida por Wallace78

⁠Poema: Estou cansado

"Estou cansado de olhar pra vida
Cansado de não ser notado,
De viver de não ser amado.

Sem ser ouvido, sem ser correspondido
Estou cansado de andar só,
Olhando e pensando
Pra o que nunca irá voltar.

Estou cansado de chorar
De ser um ingênuo, estou...
Cansado de olhar o brilho falso,
Estou cansado e sigo andando só...

E só tenho medo...
De nunca sentir
Como é que é o amor verdadeiro?"

Campina Grande-PB.Abril.04/04/13.

Inserida por Wallace78

Quando alguém te ama de verdade, nenhum obstáculo é empecilho.
Quando se ama de verdade não é a roupa, aparência ou forte físico ⁠que irá ditar o rumo, a história, e a convivência de um e do outro.
É a sua forma de amar.
O quanto se doa e demonstra amar. Não é o tempo que irá dizer e não são os erros ou defeitos que vão dizer até onde irá chegar, mas sim, o quanto você está disposto a amar?

Inserida por Wallace78

Poema: És bela


⁠⁠És bela, como um diamante lapidado
Como as estrelas coloridas,
Teus olhos são brilhantes
Iguais ao arco-íris.

Tua boca, carnuda
Tua pele, macia,
O teu corpo despido
Me enfeitiçam.

Queria estar em seus braços
Sentir teu cheiro, o teu suor em meu corpo.
Ah quem me dera fazer do teu corpo
Uma excursão, conhecer lugares novos
E observar as paisagens do teu corpo e teu coração.

Inserida por Wallace78

⁠Dessa vez eu fui inocente

Dessa vez eu fui inocente,
Acreditei na luz do olhar,
Nas palavras doces ao vento,
No carinho a me embalar.

Dei meu peito sem defesa,
Dei meu sonho, dei meu chão,
E em troca, a dor traiçoeira
Fez morada no coração.

Mas quem vive de esperanças
Se arrisca ao jogo da ilusão,
E o preço de tanta confiança
É o eco frio da solidão.

Ainda assim, sigo em frente,
Carrego a alma resistente,
Pois sei que amar, mesmo errante,
É ser humano, é ser valente.

Inserida por Wallace78

⁠Encontro no Silêncio

No refúgio sereno da tarde que finda,
Teus olhos buscaram o que o coração sente,
Entre murmúrios suaves, a paz nos brinda,
Um instante eterno, tão eloquente.

Os beijos furtivos, como brisa ao passar,
Escrevem histórias em lábios ardentes,
E o tempo se perde, se deixa levar,
Nos gestos que unem almas contentes.

Conversas tão doces, segredos trocados,
Palavras que dançam no ar, leves, puras,
O mundo lá fora parece calado,
Aqui só existe o que o amor conjura.

Carícias que embalam a noite a chegar,
Em toques sutis, promessas sublimes,
No calor dos abraços, me deixo ficar,
Buscando em teu peito, razões e rimes.

E agora me perco no doce desejo,
De um novo encontro, do mesmo embaraço,
De sentir novamente teu toque e teu beijo,
E de ter-te de novo, aqui, nos meus braços.

Inserida por Wallace78

⁠Adeus em Versos

Parto agora, deixando um pedaço,
Um rastro de mim no espaço.
Levo no peito cada memória,
Cicatrizes, risos e a nossa história.

Não há rancor, apenas o tempo,
Que nos afasta como o vento.
Nosso laço, embora profundo,
Agora pertence a outro mundo.

Os dias vividos não são em vão,
São estrelas que brilham na imensidão.
Carregue-as contigo, se precisar,
E nelas me veja, se desejar.

O adeus não é o fim de tudo,
É apenas silêncio em meio ao estudo.
E quem sabe um dia, em outro lugar,
Nos encontramos, sem precisar chorar.

Inserida por Wallace78

A VIAGEM

Queria poder fotografar o céu dessa noite. Um cobertor de constelações aqueceu meus pensamentos. Mesmo com todo o frio desejei estar deitada na boleia de um caminhão, só pra o meu olhar não ter pausa, só pra o meu corpo ter descanso, só pra ter a sensação de que essa viagem ao universo não iria acabar. A cada curva, embaralhavam-se com minha imaginação e eu só esperando a chuva, pra que ela levasse todo o excesso e deixasse só a leveza...

Inserida por Manaia

NO CAMINHO


É no caminho que eu me distraio

É no caminho que ouço os pássaros

É no caminho que eu sinto a falta

É no caminho que me falta a fala

É no caminho que bate o cansaço

É no caminho que sinto o mormaço

É no caminho que passa a multidão

É no caminho que enxergo a solidão

É no caminho que sopra o vento

É no caminho que me esbarro com o desalento

É no caminho que penso em tudo,mas vejo o mundo

com tanta grandeza que a minha tristeza se envergonha de existir…

Inserida por Manaia

Minha aldeia e dique!
Em ti fui criança!...
Sem ter, infância.
Quando, aos seis anos, vim de Monchique.
Meus amigos, oh Montes de Alvor!
Não foram, teus meninos, que me batiam,
Sem a Deus, terem temor!
Nessa escola, onde os gritos de Maria Emília, entoavam.
Mas meus amigos, foram:
As hortas, com as batatas…
E o milho, que meus pais, semeavam.
Montes de Alvor! Montes de Alvor!
Foram ainda, as tourinas vacas.
Sim tu aldeia! Dos meninos sem amor!

Inserida por Helder-DUARTE

⁠Ofício

O artesão observa em reflexão
O projeto em suas mãos
A projeção do que pode ser
A obra que modela
Como uma criança que forja
Seus sonhos em caravelas
Guiadas no mar da esperança.
Não há desespero que tome
O coração do artesão
Quando em seus devaneios
Se inebria no baile das ilusões
Como aquela mesma criança
Que nunca sonhou em vão.

Inserida por ricaardomf9

⁠Entender a vida, por si só, é uma arte. É olhar a existência nos olhos, e deixar-se guiar pelas trilhas que o mundo provém. É saber distinguir cada passo, e compreender os desígnios do futuro para além das expectativas, mas como quem sonha e faz acontecer. É notar a si mesmo como elemento fundamental da própria história, e não como um coadjuvante que tudo vê. É permitir-se ser livre, mesmo dentro das amarras que as circunstâncias podem trazer. É compreender o próprio tempo, alinhando as arestas que delimitam a imposição do outro no nosso querer.

Entender a vida é uma arte. Ser autor dela também.

Inserida por ricaardomf9