Cartas de Despedida de Clarice Lispector
Não fiz o que queria,
porque nunca soube o que queria.
Não amei o que deveria,
porque nunca soube se deveria.
E, entre esse "dever" e esse "querer",
perdi-me.
Perdi-me entre o ser e o parecer,
onde se estendia um campo de batalha,
onde todas as minhas vontades desertavam
antes mesmo do primeiro tiro, deixando apenas as bandeiras plantadas
em território nenhum.
As pessoas vivem.
Eu assisto ao filme mudo da existência alheia,
da poltrona desconfortável da minha consciência —
esta cadeira de espinhos
que chamo de "eu".
Elas vivem de migalhas e festas,
de segundas-feiras sem graça,
de desejos medíocres,
de pecados sem culpa.
E eu tenho mais sonhos que noites,
mas nenhuma janela para voar.
Ah, se ao menos me dessem
um riso emprestado,
um amor qualquer,
uma vida sem importância —
eu a aceitaria como um mendigo
aceita a última moeda que não compra nada,
mas faz tilintar no bolso.
Mas não me deram.
E agora,
o que me resta
é escrever versos, poesia que ninguém lerá
num caderno que ninguém encontrará.
Talvez eu mesmo tenha sido
apenas um rascunho de homem, aquela primeira página arrancada
e amassada no cesto de papel,
onde Deus joga os projetos inacabados.
Há todo um universo que não me pertence,
todo um dolorido e quieto
não-viver.
As pessoas passam — não como rios, mas como garrafas vazias
rolando no asfalto.
Não tive paixões — tive asterismos.
Constelações de desejos que nunca se tocaram.
Quando a noite aperta o cerco como um credor implacável,
e os últimos faróis se apagam como velas num bolo de aniversário não comemorado,
eu desenterro meus mortos
e faço-lhes dançar ao som de um órgão de rua.
Tenho mais sonhos que o céu tem estrelas,
mas nenhum chão onde plantá-los.
Ter todos os apetites e nenhum dente,
todas as fomes e nenhuma boca.
Eu, notário do amor não consumado,
registrava em ata o que nunca aconteceu —
protocolos de beijos não dados,
autos de carícias não realizadas,
processos de encontros
que permaneceram eternamente
na sala de espera do destino.
Enquanto, lá fora, implacável como um metrô noturno,
a Realidade segue, indiferente,
passando sem parar pela minha estação.
Todo aquele que se opõe a todos os tipos de violência.
Que nunca aceitaram ou tentaram entender a escravidão e o regime nazista, também não aceitará nenhum tipo de violência contra mulheres, crianças e adolescentes...
Uma reflexão:
A violência cresce numa proporção que ela consumirá até os seus causadores, pois é algo que não tem o controle.
Existe um ditado que diz: "Quem com ferro fere, com o ferro será ferido".
"Quem mata pela espada, morre pela espada" e assim sucessivamente...
Por isso, Cristo nos ensinou a amar os nossos inimigos senão, que recompensa teremos se amarmos apenas quem nos ama?
Amando o nosso inimigo teremos ainda recompensa!
Apesar da violência, sabeis de uma coisa: o nosso Redentor vive e se Levantará ao nosso favor!
E continuei observando aquele senhor caminhar lentamente.
Seus passos revelavam cansaço e resignação — sinalizando que, talvez, estivesse conformado com situações pessoais e familiares que clamavam por transformação.
No entanto, seu comportamento era de aceitação.
Aproximei-me dele e disse:
"Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente" — como Deus ensina em Romanos 12:2.
E, persistindo no desejo de ajudá-lo a mudar o seu olhar, acrescentei:
— Deus não se conforma com o que nos paralisa... Ele nos chama para recomeçar!
Lembre-se: Deus tem um recomeço para a sua vida!
Ele voltou o olhar em minha direção, acenou com a mão... e partiu.
Fiquei parado — por muito tempo — observando-o seguir o seu caminho.
Comovido, a voz embargada, permaneci ali...
Em silêncio, orando a Deus, pedi:
— Querido Deus, o meu pai está precisando de ajuda… e eu vou ajudá-lo.
Entre minha costela esquerda e o baço,
ele instalou seu ateliê:
um ser que não é meu,
e que, no entanto, me conhece mais do que eu.
Não trouxe flores —
apenas o silêncio que já habitava minha boca
antes mesmo que eu aprendesse a mentir.
Veio como vêm as coisas irremediáveis:
sem alarde,
sem pedir licença,
sem se importar se eu estava pronto.
Chegou sem fazer barulho,
apenas se aninhou,
como se sempre tivesse estado ali.
Como se o corpo fosse seu
antes de ser meu.
Limitou-se a ocupar o espaço
que eu, ingênuo, julgava vazio.
Não paga aluguel,
mas exige tudo: os sonhos que engoli antes de sonhar,
as margens dos meus livros
sujas de hesitações,
a primeira palavra
que travei na garganta.
Não fala.
Não precisa.
É o hiato entre um pensamento e outro,
o instante suspenso antes do tombo,
a sombra que se alonga no meu cansaço.
Ele não dorme.
Fica acordado à noite,
costurando meus pesadelos.
E quando meu corpo — traidor — se entrega ao sono,
ele deita-se ao meu lado
e sonha os meus sonhos
melhor do que eu.
Às vezes, penso que sou ele.
Ou que ele me esculpiu
enquanto eu fingia estar vivo.
Move-se sob a pele,
apaga-me aos poucos no reflexo do espelho, mistura seu medo com meu suor.
Seus argumentos crescem em meus interstícios,
como ervas daninhas entre rachaduras.
Já tentei revoltas.
Ergui fortalezas de papel.
Quis incendiar a casa toda.
Tentei ser dono de mim.
Mas como arrancar da carne
aquilo que já se tornou carne?
Há dias em que temo
que esse vazio
seja a única herança que deixarei.
A certeza de que, um dia,
vou olhar para dentro
e não reconhecer
nem o vazio.
Talvez um dia eu acorde,
e ele terá ido embora.
Ou talvez eu acorde,
e já não reste
ninguém.
**🌤️ Bom dia, amor da minha vida...**
Acordei com seu cheiro na memória e o desejo de ter você aqui.
A distância dói, mas nossa conexão vira viagem —
só de olhos fechados, já entro no *quarto que inventamos*,
onde o mundo some e só existem seus braços.
Te quero como um refúgio...
**Nosso esconderijo particular é onde o tempo para.**
❤️🔥 *Saudade é só o nome do fogaréu que você acendeu em mim.*
O Peso da Pele
Carrego na pele o peso de um tempo,
Onde ser negro é fardo, dor e lamento.
Na sombra do racismo, sigo o meu trilho,
Enquanto os olhos julgam o meu brilho.
Viver em um mundo que me nega o direito,
Como se a cor fosse crime ou defeito,
Eles não entendem, ou fingem não ver,
Que o meu sangue é igual, que eu também sei viver.
Eu não quero migalhas, nem falsa igualdade,
Quero o que é meu, de fato, em verdade.
Direitos de andar, de sonhar, de existir,
Sem que a cor me impeça de simplesmente sorrir.
Ser negro é lutar todo dia, em cada olhar,
Em cada esquina, onde tentam me calar.
Mas minha voz ecoa, firme e altiva,
Porque sou história, sou força, sou vida.
E um dia, quem sabe, hão de entender,
Que o direito é de todos, basta querer.
Não sou menos, não sou mais, sou parte inteira,
Sou filho da Terra, a luta é verdadeira.
Eu sou libélula.
Diferente da borboleta, eu não renasço, eu transformo (me transformo) e mudo.
Me liberto, eu voo, eu mudo.
Eu deveria voar, mas minhas asas estão molhadas, eu pus secar.
Eu deveria voar, mas as minhas asas molharam na chuva, então eu pus pra secar, para amanhã voar.
Eu sou a libélula.
Sem asas.
Asas provisórias ou à procura de asas.
Ou eu deixei no varal.
Eu sou libélula — quase liberta
Falta,
Pouco.
Oração pela Luz na Depressão
Senhor, quando a escuridão pesar sobre mim e minha alma se sentir cansada, ilumina meu coração com a Tua paz.
Dá-me forças para cada novo dia, esperança para cada pensamento, e fé para acreditar que não estou só.
Ampara-me no Teu amor e faz nascer em mim a alegria de viver.
Amém.
Aqui temos o dever e a honra de manter viva nossas histórias e tradições..
"Somos e Morreremos Sentinelas da Pátria Querida, Nossa Vida é Guardar sua Vida." Mallet!!!
Brasil acima de tudo!!!
Deus acima de Todos!!
"Um país que não preserva a sua história está fadado a extinção."
Estrelas na terra
Próximo a um riacho, em uma folha a libélula pousou,
a sua volta um painel em forma de teia vibrante se apresentou,
no berço do brejo um monumento perfeccionista saia do conto de fadas com o brilho e a transformação do chumbo em ouro visto pela primeira vez pelos olhos grandes da libélula,
um arranha-céu de vagalumes iluminava a noite no pântano com o seu manto em forma de estrelas de uma grandiosa constelação sem pedir licença,
ao decolar, a libélula foi tomada pelo fenômeno da desmemoria, deixando preservada a imagem da pintura dos sonhos segura.
Subversivo
O mundo ideal só existe em nossas mentes,
o mundo surreal existe no mundo real,
a desigualdade é mantida pela resistência,
um mundo igual torna-se incapaz a sobrevivência.
a mente só envelhece e o mundo desaparece se forem abandonados e enganados pelo exercício de suas funções.
De nada adianta um corpo esculpido, um rosto admirado e a ilusão de uma autoestima elevada, se a mente permanece presa à ignorância. A mais cruel forma de baixa autoestima é a intelectual — silenciosa, mas devastadora. A beleza encanta, mas é a inteligência que sustenta. Priorize o que pensa, não apenas o que mostra.
H.A.A
*DEUS no comando sempre!*
cubo mágico
o cubo mágico é algo complexo
algo que necessita de muita prática
algo difícil de entender
algo incrível
a vida é como esse cubo mágico
levamos anos para decifrá-la
é complicada
é incrível
porém, com prática, podemos entender o cubo
enquanto a vida... é indecifrável
Mentes do caos
O menino já escapou de um afogamento,
O adolescente passou pela saudade, angústias e fome,
O jovem perdeu familiares, enfrentou a dor, o abandono e as mágoas,
O adulto sentiu a solidão e a tristeza profunda em meio aos muros altos,
No meio do caminho por um período ele sentiu frio e medo, viu e viveu intensamente no vale da morte,
No amor já sorriu e também chorou, conquistou vitórias mas também teve suas perdas,
Nos significados do eu e o mundo, o menino entendeu o quanto é difícil aprender na raça, dessa forma ao se levantar contra tudo e contra todos conseguiu achar o seu caminho.
A filosofia não nasce da felicidade, ela nasce das mentes que já experimentaram o caos.
O pensar é livre, o viver é duro, o sonhar é mágico e o saber é atemporal.
Lâmpada mágica
De pedrada em pedrada eu sigo construindo o mundo ideal.
Sem algodão doce, carrinho bate, bate e sem lonas e o bobo da corte as plantas estão sendo regadas e os ventos estão soprando na medida certa.
A cada passo vejo o horizonte tão sonhado se aproximar, sinto a brisa que antes era apenas de esperança se transformar em realidade.
Me contaram um dia que seria um sonho de cada vez, mas na verdade está chovendo sonhos e em cada gota consigo ver com transparência as realizações chegando.
Abençoados são os dias em que comecei a acreditar, vitoriosos são os momentos que eu estou vivendo, agora vou esfregar mais umas vez a lâmpada mágica dos pensamentos para futuros sonhos continuar realizando.
Perdura
Aonde existe o vácuo e o silêncio, existe o tempo e a esperança.
O excesso de pensamentos na hora errada e no lugar errado não são seguros nas mentes fragilizadas, então desafoguem!
Não basta só juntar os pedaços, faça o que for preciso para deixá-los na temperatura certa.
O fascínio perdura quando perdoamos e ao mesmo tempo cuidamos do espelho de nossos corações.
Daniel Goleman ensina: "Perceber o que as pessoas sentem sem que elas o digam constitui a essência da empatia"
Apreço aos valores humanos - valores próprios de quem é capaz, e sabe da importância, de causar bons sentimentos nas suas relações: profissionais, sociais... Fatores importantes para o bem-estar - proprio e coletivo - à satisfaça e qualidade de vida. O que resulta em mais sucesso - em todas as áreas.
O Apóstolo Paulo ensina: "Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos"
Romanos 12.18.
Agora, sem valores como: empatia, dedicação, atenção, companheirismo, amizade, amor...A vida esvazia-se... E, à ausência de bons sentimentos, pode levar à experiencias negativas, com prioridades desfavoráveis - com perdas maiores: o afastamento da presença de Deus.
Quando as flores não se calam...
Esperava, esperava, apenas esperava... esperava à espreita de um dia com um brilho diferente...
Todas as manhãs se repetiam, a todo instante esperando por algo diferente, uma nuance, um detalhe, uma luz, um caminho... esperava à espreita e assim foi por muito tempo, mas, infelizmente, nada acontecia...
A cada novo dia, nova espera, mas nada mudava, as esperanças já estavam se esvaindo... continuou esperando por algum tempo: caíram as folhas e também um pouquinho de suas esperanças, nenhuma luz dentro e nem fora...
O frio intenso chegou e a espera ainda era sua amiga em quem depositava sua esperança e se agarrava a ela de uma maneira quase que descontrolada... esperou por tempos e tempos, mas nada aconteceu, nenhum vestígio, nada...
Naquele dia cinzento desistiu de esperar por algo novo, sabia que nada aconteceria... E, de fato, nesse dia nada aconteceu, mas tudo mudou...
A transformação chegou, mas não da forma como ela esperava, foi ela quem decidiu mudar... Ao abrir a janela, a primavera a havia encontrado... Não só avistou flores no quintal, mas o seu jardim interior também havia desabrochado, dando lugar a luzes e cores...
Assim, percebeu que a esperar uma mudança externa para direcionar o nosso caminho nos faz reféns do acaso e da sorte e que a mudança mais bonita é aquela que se metamorfoseia dentro de nós e nos mostra que toda a luz da mudança está conosco. Ela enxergou, nesse dia, que a mudança sempre estivera logo ali dentro dela, plantada em solo fértil...
Desse dia em diante, tudo mudou e os dias nunca mais foram cinzentos ou nebulosos, a luz havia sido encontrada, as flores, antes invalidadas, agora falavam alto... e a espera se transformou em esperança de dias melhores que ela mesma se enveredou em construir...
***
Que todos os dias sejamos capazes de encontrar a luz que nos permite adentrar os caminhos de felicidade e que saibamos que não devemos apenas esperar por eles, pois somos nós quem os fabricamos quando decidimos seguir em frente com coragem e com a capacidade de acreditar que o futuro pode ser melhor porque nós somos os artífices dele...
Bora?
A noite chegou facilmente e mais uma poesia começa a florescer pensando em você,
A chuva lá fora e o vento fresco entrando pela janela são um convite a boas lembranças de nós dois,
Acreditar que você vai lê as poesias é um jeito que encontrei de não me sentir sozinho,
O teu batom e a tua pulseira ainda estão aqui em cima da mesa como um lembrete de que em breve irei te devolver,
Primeiro veio o acidente de corpos e carnes quentes, depois veio o incidente da nossa separação e com o passar do tempo nos restou o absurdo do silêncio,
Resta-nos pensar que o nosso maior erro foi a nossa partida e imaginar um recomeço talvez não seja de todo mal,
Vou te contar um segredo, gosto de como você me olha nas chamadas de vídeo isso mexe comigo,
Eu confesso que não sirvo pra ficar triste ou na espera, vamos bater nossas cabeças na parede ou então podemos nos descontrolar ainda essa noite aqui em casa,
Bora?
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