Cartas de Amor para a Pessoa Amada

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Eternamente

Não quero que esse amor seja eterno.
eterno pesa,
eterno prende,
eterno cansa até o que é bonito.
e se for pra ser eterno,
que eu morra
sem te amar de verdade.
que eu morra amando pouco,
amando torto,
amando de longe.
porque te amar de verdade e pra sempre
seria morrer todo dia
um pouco mais.
(Saul Beleza,)

Amor não se pede, não se mendiga; amor não deve ser exigido de ninguém: Porque amor se dá.


Amor autêntico não envolve barganha, intimidação ou exploração financeira. Quando o afeto é usado como moeda de troca para subtrair patrimônio, trata-se de abuso financeiro, estelionato sentimental (Art.171 do CP) e violência patrimonial (Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006, Art.7º, Inciso IV), a conduta também pode configurar os crimes de Extorsão (Art. 158 do CP) ou Violência Psicológica (Art. 147-B do CP).


Amar alguém não significa permitir ser pisado nem explorado por ninguém. Jamais aceite ser explorado por ninguém.


Num mundo com mais de 8 bilhoes de pessoas certamente alguém voluntariamente vai te dar amor sem te cobrar por isso.

A Glória do Amor Divino — O Caos e o Cosmo: O Preço do Equilíbrio

Os ventos são fortes e incontroláveis em determinados momentos, quando sopram com mais intensidade; dançam ferozmente entre as rochas; sem hesitar, os seus movimentos mexem com as ondas do mar e deixam as águas instáveis, subindo e descendo, para a frente e para trás, tocando as margens: a mesma movimentação expressiva que faz balançar as folhas numerosas e os galhos das árvores.

O caos e o cosmo acontecem ao mesmo tempo, chegam a trocar de lugar, um após o outro — a parte bela da vida e as suas adversidades. O equilíbrio é constantemente desafiado, precisa de muito empenho para ser mantido; assim, a instabilidade do mar pode ser vista como um espetáculo: ele permanece vivo; as árvores estremecem, mas são lindas e as suas raízes são fortes, elas resistem bravamente.

A postura equilibrada também pode estar presente em um cenário caótico se a beleza que estiver à volta puder ser notada, o foco naquilo que mais importa, o fôlego da alma não estiver esgotado, o amor divino alcançar a glória; portanto, até os desequilíbrios das fases caóticas podem contribuir com o equilíbrio da mente, da percepção que transforma, ainda que não seja algo frequente. O preço do equilíbrio que a vida cobra.

E, quando encontrar um grande amor, que rolar o tchan, que o seu coração palpita e você escreve pensando nele, que chora quando imagina estar sem ele. Lute pelo amor dele. Porque o amor se constrói. É, na adolescência geralmente é onde a gente encontra o verdadeiro amor das nossas vidas.


Fale tudo o que o seu coração pedir, olho no olho por carta, mas fale.


Nunca deixe o seu amor fugir de você, por ter medo de expressar o que sente.

18 de março de 2026

Oi, meu amor...

Hoje a gente completa 15 anos de casados. Quinze. Eu repito esse número como quem prova uma palavra nova na boca, devagar, quase com medo de não caber dentro dele tudo o que vivemos. E não cabe mesmo. Porque 15 anos não são apenas dias empilhados em um calendário, não são apenas datas comemorativas que chegam e passam. São camadas. São versões nossas que existiram, se desfizeram, reaprenderam a existir. São pedaços de nós dois que, de alguma forma misteriosa, decidiram ficar.

Não é pouca coisa. Nunca foi.

Se alguém me perguntasse, lá no começo, se eu acreditava que chegaríamos até aqui, talvez eu sorrisse meio sem jeito, talvez eu desconversasse, talvez eu nem soubesse responder. Porque o início foi feito de incertezas. Foi em 2011 que tudo começou a acontecer, e eu lembro como se fosse uma fotografia meio desfocada, daquelas que a gente guarda mais pelo sentimento do que pela nitidez. Você tentando se encaixar no meu mundo, eu tentando caber no seu, e nenhum de nós realmente sabendo como fazer isso sem se perder no processo.

Era uma dança desajeitada. Um passo seu, dois meus, um tropeço nosso.

E, ainda assim, algo nos mantinha ali.

Foi tão difícil aquela época. Eu carregava sentimentos que me atravessavam como uma espada de dois gumes. De um lado, a vontade de te amar de verdade, sem reservas, sem medo, com tudo o que eu tinha. Do outro, um receio quase silencioso, mas constante, de me entregar de novo na mesma intensidade e acabar me despedaçando outra vez. Eu não sabia se era coragem ou teimosia. Talvez fosse um pouco dos dois.

Você sabia disso. Sempre soube.

Você conhecia meus medos, meus silêncios, minhas pausas no meio de frases que eu nunca terminava. Sabia que eu ainda estava aprendendo a amar, como quem aprende uma língua nova depois de anos tentando esquecer a antiga. Eu estava em construção. E construir, às vezes, dói mais do que destruir.

Demorou muito para eu entender isso.

Eu ainda vivia à sombra dos seus erros comigo no namoro, e isso me puxava para trás. Era como tentar caminhar com o passado segurando minha mão com força demais. Eu tinha medo. Medo de confiar, medo de sentir, medo de me abrir completamente e descobrir que, no final, eu estava sozinha de novo dentro de algo que deveria ser dois.

E o amor, dizem, acontece apenas uma vez na vida.

Eu já tinha acreditado nisso. Já tinha vivido algo que pensei ser único, definitivo, irrepetível. E então você apareceu, e eu me vi diante de uma pergunta que ninguém me ensinou a responder: e se o amor acontecer de novo?

Eu não sabia se queria descobrir. Mas descobri.

Porque, mesmo cansada, mesmo cheia de dúvidas, mesmo com o coração remendado de tantas histórias mal resolvidas, eu escolhi ficar. Cansada dos meus próprios anseios, dos meus sentimentos confusos, das dores que eu carregava como quem carrega uma mala pesada sem saber mais o que tem dentro. Eu sentia dor por tudo aquilo que ficou fora do meu alcance, por tudo que eu não consegui ser, por tudo que não deu certo.

E, no meio disso tudo, só restava você.

Você, ali, tentando do seu jeito. Talvez sem entender completamente o que eu sentia, mas tentando. E eu, tentando também, cada um à sua maneira, cada um com suas falhas, seus tempos, seus silêncios. Era como se estivéssemos construindo algo sem planta, sem projeto, apenas com a vontade de que desse certo.

Eu queria uma segunda chance. Você queria a primeira.

E, de alguma forma, isso nos encontrou no meio do caminho.

Teve um dia, e eu lembro disso com uma clareza que me emociona até hoje, em que algo dentro de mim mudou. Não foi um acontecimento grandioso, não teve música de fundo nem luz especial. Foi silencioso. Foi interno. Foi como se eu finalmente tivesse coragem de descer naquele porão escuro onde eu guardava tudo o que me prendia ao passado.

E eu abri as portas.

Coloquei para fora o que doía, o que sufocava, o que me impedia de viver o presente com você. Não foi bonito. Não foi fácil. Foi um tipo de explosão quieta, daquelas que ninguém vê, mas que muda completamente a paisagem por dentro.

E, dias depois, algo começou a se encaixar.

Pela primeira vez em muito tempo, eu senti paz. Uma paz que eu não sentia desde a adolescência, como se eu finalmente tivesse encontrado um lugar dentro de mim onde eu pudesse descansar. E, curiosamente, esse lugar tinha você.

Mas a vida não para para a gente aproveitar a calmaria.

Os desafios vieram. E não foram poucos. Foram intensos, foram difíceis, foram, às vezes, quase injustos. Situações que poderiam ter nos quebrado, nos afastado, nos feito desistir. E, ainda assim, aconteceu o contrário.

A dedicação cresceu.

O cuidado cresceu.

O nosso jeito de olhar um para o outro mudou.

O seu olhar sereno e gentil começou a me tocar de uma forma diferente. Eu comecei a te ver além dos erros, além das falhas, além das histórias que eu insistia em revisitar. Eu comecei a te ver como você é.

E isso mudou tudo.

Claro que ainda doía. Algumas coisas daquele tempo de incerteza nunca desaparecem completamente. Existem marcas que não somem, apenas deixam de doer todos os dias. E está tudo bem. Eu aprendi que o amor não é a ausência de dor, mas a escolha de não deixar que ela defina tudo.

Foi aí que a compreensão começou a falar mais alto.

E, junto com ela, veio algo que talvez seja ainda mais forte do que o amor: a admiração.

Eu comecei a te admirar. Pelo homem que você se tornou. Pela forma como você permaneceu. Pela maneira como você escolheu ficar, mesmo quando seria mais fácil ir embora.

E eu também mudei.

Eu amadureci. Eu cresci. Eu me encontrei.

Eu não sou mais aquela adolescente insegura, perdida entre o medo de amar e a vontade de ser amada. Hoje eu sei quem eu sou. Sei o que eu quero. E, principalmente, sei o que eu escolho.

E eu escolho você.

Não por falta de opção, não por costume, não por medo da solidão. Eu escolho você porque, depois de tudo, de absolutamente tudo, é ao seu lado que eu quero estar. É com você que eu quero continuar escrevendo essa história, com todas as suas imperfeições, com todas as suas pausas, com todos os seus recomeços.

Eu não quero pensar no fim. Não agora.

O que eu quero é imaginar o resto da minha vida ao seu lado. Imaginar nossos dias simples, nossos momentos bobos, nossas conversas sem sentido que, no fundo, fazem todo o sentido do mundo. Quero imaginar a gente viajando, descobrindo lugares novos, mas sempre encontrando um jeito de se sentir em casa um no outro.

Quero imaginar a gente cozinhando juntos, rindo de receitas que dão errado, inventando pratos que ninguém mais entenderia. Quero imaginar nossas risadas por coisas pequenas, piadas internas que só a gente conhece, aqueles momentos em que o mundo parece pesado demais, mas a gente consegue, de algum jeito, torná-lo mais leve.

Quero continuar construindo com você.

Dia após dia.

Sem pressa, mas sem desistir.

Você é a minha paz nos dias caóticos. E não é uma paz silenciosa, distante, fria. É uma paz viva, que respira, que acolhe, que às vezes até discute, mas que, no final, sempre encontra um caminho de volta.

Você é o meu chão. Não no sentido de me prender, mas no sentido de me sustentar quando tudo parece instável demais.

Você é tudo o que eu preciso nessa vida.

E, por muito tempo, eu tive medo de dizer isso em voz alta, como se admitir fosse arriscado demais. Hoje não. Hoje eu digo com a tranquilidade de quem sabe exatamente o que está sentindo.

Eu só tenho você. E, pela primeira vez, isso não me assusta. Isso me acalma.

Ao longo desses anos, eu aprendi a te observar. Aprendi a perceber detalhes que antes passavam despercebidos. Aprendi a enxergar o homem incrível que você é, não apenas nos grandes gestos, mas, principalmente, nas pequenas atitudes do dia a dia.

E é ali que mora o amor de verdade.

Nos detalhes.

Nos silêncios confortáveis.

Nas presenças que não precisam ser anunciadas.

É... no fim das contas, depois de tantas voltas, de tantos medos, de tantas reconstruções, a verdade é simples.

Eu só quero você.

Por toda a minha vida.

Feliz 15 anos para nós.

Te amo incondicionalmente.

Sempre é sempre.

“O amor pediu a palavra”

Conheci a Política numa praça onde as estátuas desciam dos pedestais para descansar os braços. Ela estava sentada junto ao chafariz, remendando uma bandeira com fios retirados do próprio cabelo. A cada ponto, uma janela se acendia na cidade; a cada descuido, alguém ficava no escuro.
Aproximei-me com a imprudência de quem ainda acredita que pode amar aquilo que não compreende.
Você está ferida eu disse.
Ela escondeu os dedos sob o tecido.
Há muito tempo confundem meu corpo com uma cadeira.
Sentei ao seu lado. Trazia nos bolsos algumas certezas, mas todas começaram a derreter. Escorreram pelas minhas pernas e formaram no chão um pequeno lago onde peixes cegos discutiam o futuro.
A Política tirou os sapatos. Tinha nos pés o barro de todas as ruas que os discursos nunca haviam visitado.
Eu quis beijá-la.
Ela me entregou uma chave.
Antes, preciso lhe mostrar onde moro.
Entramos numa casa que por fora parecia pequena. Por dentro, havia corredores suficientes para perder um século. Numa sala, crianças dividiam uma laranja tão fina que podíamos ver o inverno através dela. Noutra, uma professora escrevia no quadro com os ossos dos dedos. Mais adiante, um homem esperava atendimento havia tanto tempo que criara raízes sob a cadeira.
A Política parou diante dele e tentou soltá-las com as mãos.
Ajoelhei-me para ajudar.
Trabalhamos em silêncio. Quando conseguimos levantá-lo, já era noite dentro da casa.
Ainda quer me beijar? perguntou.
Eu olhei para suas unhas quebradas. Até então, pensara o amor como uma espécie de abrigo: duas pessoas fechando a porta enquanto a tempestade passava. Mas aquela mulher tinha uma casa cheia de gente, e a chuva entrava pelo teto.
Beijei sua testa. Depois procurei uma escada.
Durante a madrugada, subimos ao telhado. Lá de cima, vi que a cidade dormia de maneira desigual: em certos bairros, os sonhos tinham varandas; em outros, precisavam dormir em pé.
Ela chorou, e suas lágrimas ficaram suspensas no ar. Dentro de cada uma havia um rosto que alguém reduzira a número.
Estendi a mão. Uma lágrima pousou na minha palma e disse seu nome.
Nunca mais consegui esquecê-lá.
Ao amanhecer, chegaram homens trazendo espelhos enormes. Queriam cobrir as janelas da casa.
Assim, todos verão grandeza anunciaram.
A Política recusou. Ofereceram-lhe joias, um vestido novo, uma cadeira que prometia durar para sempre. Um deles puxou meu braço e sussurrou que eu também poderia ter alguma coisa, desde que a convencesse a fechar os olhos.
Ela me observava.
Foi ali que nosso amor correu perigo: por um instante, imaginei como seria fácil viver num quarto sem ouvir os corredores.
Soltei o braço.
Juntos, levamos os espelhos para a praça e os viramos para o céu. Os homens foram embora, furiosos, enquanto as nuvens se examinavam com espanto.
A Política encostou a cabeça no meu ombro.
Você vai concordar comigo sempre?
Não.
Ela segurou minha mão com mais força.
Envelhecemos um pouco naquela manhã.
O suficiente para que a paixão perdesse a pressa e aprendesse a escutar.
Quando nos beijamos, o chafariz voltou a correr. As estátuas permaneceram entre as pessoas. E, na casa de corredores intermináveis, alguém abriu uma janela por dentro.


Descrição:


“O amor pediu a palavra”, o encontro amoroso com a Política representa a descoberta de que cuidar da vida coletiva exige sensibilidade, responsabilidade e disposição para agir. A Política ganha corpo de mulher para que possamos enxergar suas feridas e compreender quanto as decisões públicas atravessam a existência de pessoas reais.
Ao remendar uma bandeira com os próprios cabelos, ela tenta reconstruir aquilo que pertence a todos, oferecendo algo de si. As janelas que se acendem ou permanecem escuras mostram as consequências desse trabalho: uma decisão pode ampliar oportunidades, enquanto um descuido pode deixar alguém desamparado. Quando ela diz que confundem seu corpo com uma cadeira, denuncia a redução da política à disputa por cargos e à permanência no poder.
As certezas do narrador derretem quando ele se aproxima dessa realidade. Essa imagem representa a necessidade de rever convicções diante do sofrimento humano. Os peixes cegos que discutem o futuro sugerem o perigo de debater os destinos de uma sociedade sem enxergar as condições em que ela vive.
A casa de corredores intermináveis é o espaço da vida coletiva. A criança com uma porção insuficiente de alimento, a professora que se desgasta para ensinar e o homem que cria raízes esperando atendimento tornam visíveis a fome, a desvalorização da educação e o abandono de quem precisa de cuidados. O surrealismo dá forma física àquilo que a repetição pode tornar aparentemente comum: uma espera tão longa que parece prender uma pessoa ao chão.
É dentro dessa casa que o amor do narrador amadurece. Ele chega desejando um beijo e termina procurando uma escada para consertar o telhado. O sentimento ganha consequência prática: amar aquela mulher significa também se envolver com as vidas que ela abriga. O gesto de ajudar nasce do encontro com uma necessidade concreta.
A cidade onde alguns sonhos têm varandas e outros dormem em pé expressa a desigualdade até no direito ao descanso e à esperança. Já as lágrimas que carregam rostos devolvem identidade às pessoas tratadas apenas como números. Quando uma delas revela seu nome, o sofrimento se torna uma presença que o narrador já não consegue ignorar.
Os homens com espelhos oferecem uma grandeza feita de aparência. Ao cobrir as janelas, impediriam que a realidade fosse vista. As joias e a cadeira duradoura representam a sedução dos privilégios e do poder. O narrador também sente essa tentação: imagina o conforto de um quarto onde não precisaria ouvir os outros. Esse instante torna sua escolha mais humana, pois mostra que o compromisso precisa resistir inclusive à própria vontade de se acomodar.
Quando a Política pergunta se ele concordará sempre com ela, a resposta negativa revela um amor que preserva o pensamento e a liberdade.
A discordância pode fazer parte do cuidado: quem ama também questiona, aponta falhas e ajuda a corrigir caminhos.
No final, a janela aberta por dentro sugere uma transformação que começa na consciência e encontra passagem para a vida pública. A prosa apresenta o amor à política como compromisso com a dignidade das pessoas. O título reúne essa ideia: o amor pede a palavra porque também tem algo a dizer sobre a maneira como dividimos o mundo e sobre quem deixamos esperando à porta.

O amor é o vento

Para onde o vento sopra?
para os horizontes,
para as casinhas perdidas nos campos,
leva as folhas que surfam em bandos.
Vai subindo e descendo os montes
e sopra na alma,
acorda e acalma
numa brisa suave
que nos toma e invade.
De onde vem o vento?
do mar e lento,
do túnel do tempo,
ou da imaginação,
como quem nasce num furacão,
impulsionado pelo olhar,
como aquele que sonha
e sabe onde quer chegar.
Esse vento é o amar,
deixe o amor soprar!

Ah, meu amor… Como é bom sonhar com você.
Mas essa noite foi diferente.
Essa noite sonhei que te perdia…
Sonhei que você estava perto, tão perto que quase podia sentir o calor do seu corpo, mas uma distância infinita nos separava. Eu não conseguia te ver, ouvir sua voz ou alcançar sua mão. Ainda assim, sentia sua presença: o aconchego do seu abraço, o perfume suave da sua pele e até o ritmo tranquilo das batidas do seu coração.
Era estranho perceber como alguém podia estar tão ausente aos meus olhos e, ao mesmo tempo, tão presente dentro de mim. Eu sabia que você estava ali, como se sua presença deixasse uma marca no ar, mas tinha a sensação de que estava te perdendo.
E doía imaginar meus dias sem você.
Eu queria apenas ouvir um áudio seu, daqueles simples, gravados talvez sem pensar muito, mas que para mim carregam tanto significado. Queria escutar sua voz doce, com suas pausas, seu jeito de falar e até os pequenos ruídos ao redor. Podia ser qualquer coisa, porque, quando se trata de você, até os detalhes mais comuns ganham um lugar especial em mim.
Naquele sonho, percebi algo que talvez nunca tenha conseguido explicar…
Sua voz não chega apenas aos meus ouvidos. Ela toca minha alma.
Seu carinho atravessa minha pele e encontra meu coração. Seu abraço é o lugar onde meus medos diminuem, minha respiração se acalma e o mundo parece, por alguns instantes, fazer sentido.
Eu sentia sua presença com tanta intensidade que quase podia reconhecer seu toque: a delicadeza da sua pele, a ternura do seu beijo e a segurança que existe quando você está perto, mesmo sem você estar realmente ali.
Quanto mais eu tentava me aproximar, mais parecia que você estava indo embora. Eu queria pedir que ficasse e dizer que ainda tínhamos muito para viver: abraços demorados, conversas sem pressa, risadas inesperadas, lugares para conhecer e sonhos para realizar.
Acima de tudo, ainda tínhamos muitos dias para escolher um ao outro.
Nós sabemos que não somos iguais. Temos nossas diferenças, nossos jeitos e maneiras distintas de enxergar a vida. Mas talvez seja justamente isso que torne nossa história tão especial.
Você não chegou para ser uma cópia de mim, e sim para me mostrar que o amor verdadeiro não precisa de duas pessoas iguais, mas de dois corações dispostos a se compreender.
Com você, descobri que amar é amizade, cuidado, cumplicidade, respeito, entrega e paz. É permanecer mesmo quando faltam palavras bonitas. É olhar para alguém e pensar: se a vida me permitir escolher, é com essa pessoa que quero continuar.
Então me lembrei de uma frase…
“Você pula e eu pulo.”
Talvez você nem imagine o que essas palavras representam, mais, elas significam que quero caminhar ao seu lado, dividir os dias bons e enfrentar as dificuldades com você. Significam que, diante do medo, quero encontrar coragem na sua presença e que você também possa encontrar a sua na minha.
Não quero prometer uma vida sem problemas ou tempestades. Quero oferecer algo mais verdadeiro, a vontade de permanecer, conversar, compreender e cuidar do que estamos construindo.
Porque eu não quero um amor perfeito.
Eu quero o nosso amor.
Com nossas diferenças, nossos sorrisos, nossas imperfeições e tudo aquilo que faz essa história ser somente nossa.
Quando acordei, ainda senti por alguns segundos o peso daquele sonho. O quarto estava silencioso, meu coração parecia continuar procurando você. Por um instante, quase esperei ouvir sua voz ao meu lado.
Mas logo percebi que tudo não passava de uma imaginação, e o medo deu lugar a uma profunda gratidão.
Gratidão por você existir, por nossos caminhos terem se cruzado e por eu poder viver algo tão verdadeiro ao seu lado.
A vida é breve, meu amor. Às vezes, preocupamo-nos tanto com o amanhã que esquecemos de agradecer pelas pessoas que tornam o presente especial.
Quero demonstrar meu amor enquanto posso, dizer o quanto você importa e valorizar cada momento que temos, cada conversa, cada silêncio confortável, cada toque, cada sorriso e até aqueles instantes simples que parecem pequenos, mas que depois se tornam saudade.
Porque, mesmo em sonho, compreendi ainda mais o espaço que você ocupa dentro de mim.
Eu sonhei que te perdia… e acordei entendendo ainda mais por que quero tanto cuidar do nosso amor.
Não sei o que o futuro guarda para nós, mas sei que ainda quero viver muitas histórias, realizar sonhos e guardar momentos ao seu lado. Quero continuar reconhecendo você nos detalhes: na sua voz, no seu abraço, no jeito como me olha e na paz que sinto quando estamos juntos.
Se um dia você me perguntar o que aquele sonho significou, minha resposta será simples:
Foi a vida me lembrando, através de um sonho triste, da beleza de um amor que tenho a felicidade de viver acordado.
Porque, sonhar com você é maravilhoso… mas nada se compara à felicidade de abrir os olhos, ouvir sua voz e saber que você faz parte da minha realidade.
E, se pudesse escolher novamente entre todas as pessoas e caminhos possíveis, eu escolheria encontrar você, conhecer sua voz, descobrir seu abraço e viver nossas diferenças.
E, principalmente, eu escolheria amar você outra vez.
Porque existem pessoas que passam por nossa vida…
E existem aquelas que passam a viver dentro da nossa alma.
Por isso, mesmo quando não consigo te ver ou ouvir sua voz, algo dentro de mim continua reconhecendo você.
É o meu coração.
E talvez seja essa a forma mais bonita de saber o quanto eu te amo, mesmo no silêncio, mesmo na distância e até durante o sono, alguma parte de nós continua encontrando essa pessoa.
O meu coração, até dormindo, sabe encontrar você...

⁠O amor.
Houve uma época que eu acreditava no amor, eu sonhava com alguém vindo me buscar em uma tarde de domingo e ansiosa no portão, rezava para que chegasse logo. Era tão mágico o amor para mim, que não acredito que nada disso era real. Sonhar é a parte boa da história, acordar é o pesadelo. Ninguém entende o amor, mas o que é mesmo o amor? O início que ainda vamos conhecer, o meio que nos encanta ou fim que que nos tira a venda da realidade. Não dá para ter uma noção boa da realidade, tudo é tão exaustivo, tão incomodo, não acredito que pude me encontrar em magias e devaneios. Casar, encontrar alguém para dividir a magia do encontro e depois chorar amargamente a desilusão de não ser tão mágico quanto na imaginação. Ter 15, 20 anos ou um pouco mais, nos torna escravos de uma fantasia que acreditamos ser muito maior do que realmente é. A vida não nos ensina que cada pessoa é uma verdade e que ninguém nos completa, ao contrário, o tempo nos divide em comportamentos, ações e atitudes. Se pudesse escolher uma nova vida, escolheria eu.
A gritaria na minha cabeça, um silêncio na minha voz, todas essas notas musicais estão compondo uma melodia comprida na minha história. Não há culpa ou culpados, somente uma distorção da realidade que insiste em aparecer de repente. Quero uma oportunidade para eu poder viver uma vida mais minha, sem cobranças, silêncios, resmungos e falta de reciprocidade. Eu aprendi a resolver na minha cabeça os conflitos que eu mesmo faço e somente assim, posso ser um pouco feliz e seguir minha vida em harmonia com minhas escolhas.
Cida Vitório

O AMOR DE UMA MÃE COMEÇA ANTES DA PRIMEIRA LEMBRANÇA




“Um filho pode esquecer o colo que o protegeu, a voz que o acalmou e até as mãos que o ensinaram a caminhar. Ainda assim, haverá nele pedaços de um amor que começou antes que pudesse se lembrar.”




— Primeira Mãe




Obra: The Moedara Protocol
Autor: Jonas Saul P. Sodré
@Jonassaul.ofc

Sou viajante na estrada da saudade,
sou um excluído do reino da paixão.
Plantei amor, mas colhi ingratidão.
Já não importa se chego cedo ou tarde.
Tento esquecer a minha realidade,
ouvindo aquelas baladas do passado.
Da multidão eu tenho me afastado.
Estou cansado até mesmo para falar.
Já não tenho interesse em agradar
e ignorando, pois fui ignorado...

Seria o tempo, um instante no próprio tempo?
Seria o amor, a renovação de uma mente?
Seria o esquecimento, um questionamento da ignorância?
Seria o respeito, à ilusão do bom comportamento?
Seria o prazer, as virtudes de um só ser?
Seria à compaixão, a inquietude de várias nações?

Dúvidas que expressam as emoções, mas as razões se tornam complementos. Contemplações de pensamentos, no eterno molde dos contentamentos.

Amor de instruções equivocadas,
na temperança das mudanças climáticas.
Flores que vibram suas cores,
na sensibilidade de imensos amores.

Mistura de um organismo sustentável,
onde os solos foram pressionados.
Firmeza na posição atual,
onde um beijo se torna desigual.

Vidas que se modificam,
com memórias não consolidadas.
Hipnose quântica de um tempo,
cuja as imagens se misturam no período mal revelado.

Amor de encarnações não manifestadas,
mas escondendo os desejos de uma época pensada.
Reflexões de situações presenciadas,
no desenrolar de uma história mal contada.

Olhares ao longe,
refletindo as cores de um horizonte.
Campo florido de intensa relevância,
onde se renova as esperanças.

Mas sentimos uma ausência,
nos interpretares de outras existências.
Nomes que se assemelham,
nos conduzindo pelas notas de uma sinfonia.

Sol que ilumina os campos,
gerando diversos encantos.
Sintonias de uma vibração específica,
onde encontram vossas vidas.

Percebo em teus dizeres,
um amor ocultado.
Pesares de uma vida sofrida,
onde carregastes um fardo inapropriado.

Desilusões em um caminho de solidão,
no qual as sensações provocavam arrepios.
Depressão que lhe causou um tormento,
na desesperança de um retorno passageiro.

Mas a vida é uma caixinha de surpresas,
sendo esta formada pelas verdadeiras riquezas.
Levante a cabeça e sacode à poeira,
pois o mundo se transforma.

Coloque sua roupa preferida,
e diga ao teu espelho que "és capaz de viver à vida."
Motivação que nasce por dentro,
com à certeza de uma alma bem vivida.

Não há interesses mais confusos e covardes quanto aos que confundem amor com carência, e acabam após saciados.


Porque o Amor Verdadeiro não se esgota quando a fome é saciada — ele nasce justamente quando o outro deixa de ser remédio para a solidão e se torna companhia na inteireza.


A carência só quer preencher um vazio; o amor, transbordar!


Quem ama pela falta, consome, desgasta e até usa o outro.


Quem ama por plenitude, compartilha o que tem de mais inteiro.


Por isso, é tão fácil ver relações que começam com tanta intensidade e terminam em silêncios tão ensurdecedores — eram tão somente gritos de necessidade disfarçados de afeto.


O amor não almeja saciedade, mas sim, permanência.

Aprendi que tudo feito com muito Amor e Carinho dá certo…


Inclusive Brigar!


É raro alguém conseguir Brigar com tanto Amor e Carinho, sem deixar o pincel cair de propósito — só para rabiscar o perdão no meio da discussão.


Porque certas brigas nascem apenas para nos lembrar que o Abraço é o ponto final mais bonito…


Os abraços grandes, os memoráveis, nascem das mãos livres… e dos corações presos — ao desejo de amar.


Com carinho — à prima, Elaine Ferreira.

⁠
O amor não se sustenta nem se eterniza só na calmaria, mas também na fidelidade nas tempestades.


Na saúde, na doença e na eterna gratidão por estarmos juntos.


Sem revolta, passamos o Natal no hospital.


Sabíamos — e seguimos sabendo — que o Grande Aniversariante veio pelos doentes.


Sem revolta, passamos o réveillon no hospital.


E hoje, sem revolta, passaremos também o nosso aniversário de casamento no hospital.


Porque sabemos que estar juntos não é circunstância — é aliança: na saúde e na doença.


Naquele que tem autoridade até sobre a tempestade, confiamos:
Ele jamais permitiria que a atravessássemos se não pudesse dominá-la.


Mas ainda assim, Pai Amado, humildemente Te suplico:
restaura a saúde da mulher da minha vida —
aquela que me deste por esposa.


Toca seu corpo com a Tua cura,
acalma sua alma com a Tua paz
e renova suas forças dia após dia.


Dá-nos vigor quando o cansaço insistir,
silêncio quando o medo tentar falar mais alto
e esperança quando os dias parecerem longos demais.


Sustenta-nos na travessia
e permite que, ao final dela, saiamos mais inteiros,
mais gratos
e ainda mais unidos em Ti.


Que o Pai Amado continue abençoando a nossa jornada!


A Ti, Pai, gratidão por mais um ano de casados!


Amém!

⁠⁠Talvez não haja Dor que supere a de beijar a Testa Gelada do nosso Grande Amor num caixão.


Há despedidas que não encontram palavras suficientes.


O silêncio pesa muito mais do que qualquer discurso, e o coração tenta aceitar aquilo que a alma insiste em negar.


Nesse instante, compreendemos que o verdadeiro amor não se mede apenas pelos dias felizes, mas pela imensidão da saudade que fica quando a presença vira memória.


Quem ama de verdade, nunca está preparado para dizer adeus.


Restam as lembranças dos sorrisos compartilhados, das mãos entrelaçadas, dos sonhos construídos e da gratidão por cada momento (com)partilhado.


A morte pode até interromper uma história nesta terra, mas jamais poderá apagar um amor que marcou uma vida inteira.


Hoje, entre lágrimas, medos e saudade, só consigo dizer:


Vá em paz, amor da minha vida, Célia Maria!


E, mesmo com o coração dilacerado, elevo meus olhos aos céus e agradeço:


Gratidão, Pai Eterno, Pai Amado, por ter me emprestado a mulher da minha vida por mais de três décadas.


Que eu tenha forças e hombridade para honrar tudo o que vivemos, e para carregar comigo o legado de amor que ela deixou.


Talvez uma das maiores provas de que o amor existe seja exatamente a tamanha intensidade da dor da despedida.


E, talvez, não haja dor que supere a de beijar a testa gelada da pessoa mais amada da sua vida num caixão.




Vá em Paz, amor da minha vida!

⁠O grande Amor da nossa vida não é só quem Acelera nosso coração, mas também quem Desacelera nossa cabeça.


Porque amar não deveria ser viver em constante estado de alerta, tentando decifrar silêncios, justificar ausências ou adivinhar sentimentos.


O amor que realmente importa não é aquele que nos deixa presos à ansiedade de saber se somos suficientes, mas aquele que nos oferece a tranquilidade de simplesmente sermos nós mesmos.


Há pessoas que chegam e despertam borboletas no estômago, fazem o coração bater mais forte e transformam dias comuns em momentos inesquecíveis.


Mas existe algo ainda mais profundo: encontrar alguém diante de quem a alma consegue respirar.


Talvez o verdadeiro amor seja menos sobre a intensidade dos primeiros encontros e mais sobre a paz que permanece depois que a euforia passa.


É ter alguém que não alimenta inseguranças, que não transforma afeto em disputa, presença em prêmio ou silêncio em castigo.


É poder descansar no abraço de alguém sem precisar perguntar se amanhã esse abraço ainda estará ali.


Porque paixão pode incendiar.


Desejo pode estremecer.


Encantamento pode nos tirar o chão.


Mas, amor, quando é saudável, também sabe nos devolver ao chão — e permanecer ao nosso lado enquanto recuperamos o equilíbrio.


No fim, talvez o grande amor não seja quem nos faz sentir tudo ao mesmo tempo, mas quem nos ensina que não precisamos sentir medo para sentir amor.


É aquele alguém que acelera o coração quando chega, mas que, quando fica, faz a nossa mente finalmente encontrar silêncio.


E talvez seja essa a forma mais bonita de amar: encontrar alguém que não seja apenas motivo para o coração bater mais forte, mas também razão para a alma descansar.