Cartas de Amizade para Irma

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Crônica para os Amigos

Meus amigos? Escolho pela pupila.
Meus amigos são todos assim: metade loucura, metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
Deles, não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas, angústias e aguentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Louco que se acocora e espera a chegada da lua cheia. Ou que espera o fim da madrugada, só para ver o nascer do Sol.
Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas próprias injustiças cometidas. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro, quero também a alegria.
Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade graça, metade seriedade. Não quero risos previsíveis nem choros piedosos.
Pena, não tenho nem de mim mesmo e risada só ofereço ao acaso. Portanto, quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia vença.
Não quero amigos adultos, chatos. Quero-os metade infância, metade velhice.
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto. Velhos, para que nunca tenham pressa.
Meus amigos são todos assim: metade loucura, metade santidade. Escolho-os não pela pele, mas pela pupila, que tem que ter cor no presente e forma no futuro.

Sérgio Antunes de Freitas

Nota: Uma adaptação desse texto, publicado em 23 de setembro de 2003, vem sendo repassada como sendo de diversos autores, entre eles Marcos Lara Resende ou Oscar Wilde.

...Mais

Abelhas na Barriga

Meu estômago não tem borboletas,
são apenas flores.
Cheias cheias de abelhas.
Agulhas que me causam dores.

Ansiedade?
Talvez medo dessa ferocidade!
Essa idade suficiente para perder beleza
crescer e competir com a velha natureza.

Quando o sol raia, prefiro por dia morrer;
os casulos crescem.
Mas a noite, ah a noite! na lua quero renascer
As borboletas florescem.

Acaso

No acaso da rua o acaso da rapariga loira.
Mas não, não é aquela.

A outra era noutra rua, noutra cidade, e eu era outro.

Perco-me subitamente da visão imediata,
Estou outra vez na outra cidade, na outra rua,
E a outra rapariga passa.

Que grande vantagem o recordar intransigentemente!
Agora tenho pena de nunca mais ter visto a outra rapariga,
E tenho pena de afinal nem sequer ter olhado para esta.

Que grande vantagem trazer a alma virada do avesso!
Ao menos escrevem-se versos.
Escrevem-se versos, passa-se por doido, e depois por gênio, se calhar,
Se calhar, ou até sem calhar,
Maravilha das celebridades!

Ia eu dizendo que ao menos escrevem-se versos...
Mas isto era a respeito de uma rapariga,
De uma rapariga loira,
Mas qual delas?
Havia uma que vi há muito tempo numa outra cidade,
Numa outra espécie de rua;
E houve esta que vi há muito tempo numa outra cidade
Numa outra espécie de rua;
Por que todas as recordações são a mesma recordação,
Tudo que foi é a mesma morte,
Ontem, hoje, quem sabe se até amanhã?

Um transeunte olha para mim com uma estranheza ocasional.
Estaria eu a fazer versos em gestos e caretas?
Pode ser... A rapariga loira?
É a mesma afinal...
Tudo é o mesmo afinal ...

Só eu, de qualquer modo, não sou o mesmo, e isto é o mesmo também afinal.

Sexta-feira 13 é dia de sorte para alguns, dia de azar para outros, gatos pretos e bruxas fazem parte da superstição. Mas, o que é real mesmo, é que sexta-feira é o dia da semana que antecede o sábado.
Assim, relaxa, que logo virá um lindo e abençoado fim de semana para você aproveitar na companhia de sua família.

Complicada?

Sim, eu sou complicada em alguns aspectos, tenho minhas manias, meus puderes, meu recato, mas, se você não esta disposto a suportar minha complexidade, jamais vai conhecer meu lado magnificamente simples.
Quem não suporta os meus óbices, os meus pontos fracos, quem, enfim, não desvenda os meus mistérios não chega a conhecer o meu melhor, as minhas maiores virtudes, os meus maiores encantos.
Qualquer tipo de relacionamento é constituído de trocas, você só desvenda o melhor do outro quando cede, quando consegue ignorar o que ele não tem de “tão” bom ou, enfim, aquilo que não lhe parece “simples”.
Quando você supera aquilo que não é “fácil” você entra na vida do outro, todavia, quanto mais complicado um homem é, mais raro e belo é aquilo que sua “complicação” esconde, mas nem todos desvendam.

Paris, outono de 73
Estou no nosso bar mais uma vez
E escrevo pra dizer
Que é a mesma taça e a mesma luz
Brilhando no champanhe em vários tons azuis
No espelho em frente eu sou mais um freguês
Um homem que já foi feliz, talvez
E vejo que em seu rosto correm lágrimas de dor
Saudades, certamente, de algum grande amor

Mas ao vê-lo assim tão triste e só
Sou eu que estou chorando
Lágrimas iguais
E, a vida é assim, o tempo passa
E fica relembrando
Canções do amor demais
Sim, será mais um, mais um qualquer
Que vem de vez em quando
E olha para trás
É, existe sempre uma mulher
Pra se ficar pensando
Nem sei... nem lembro mais

meu caminho
tem folhas de outono
tem noite escura
tem cores quentes
tem dias frios
tem chuva intensa
tem coracao destemido
tem sussurro e gemido
tem dor desmedida
tem chão de estrelas
tem mel de abelhas
tem abrigo e aconchego
tem amor aos pedaços
tem pensamentos ocultos
tem segredos e juras
tem memória intensa
tem pés calejados
tem corpo cansado
tem mente esgotada
tem alma iluminada
tem asas de anjo
tem a luz de Jesus
tem as mãos de Deus!!!

Um pouco melancólica porque é domingo
Suavizada pelo vinho seco
Pensativa e sentindo falta de alguma
coisa que ainda não tem nome...
Talvez seja de uma voz, não sei.
Reticente, reticente, reticente,
Preguiçosa pra amar
Salpicada de aspereza...
Só sorri 3 vezes durante todo o dia... e de nervoso.
Uma completa desorganização
Inapetência, inabilidade, inconstância...
Melancolia é uma palavra muito bonita.

Faz de conta que eu não publiquei isto.
(Hoje eu almocei caraminholas.)

Eu odeio me sentir assim. Odeio me sentir triste, desanimada. Odeio ler coisas que me deixam mal. Odeio quando as pessoas têm atitudes que me deixam com raiva. Eu queria que tudo mudasse por um instante, que tudo se acalmasse e encontrasse paz. Queria que as brigas cessassem, essas brigas que tanto detesto, que me fazem pensar em decisões precipitadas, que machucam meu coração de forma furiosa. Às vezes, as palavras machucam profundamente, trazendo lágrimas e nos fazendo sentir como um verdadeiro nada. Mesmo desejando ser tudo, é inevitável não se magoar com as pequenas palavras que dizem tanto, expondo tudo o que preferiríamos não ouvir daquela pessoa, aquela que tanto apreciamos, que tanto desejamos ter por perto.
As feridas provenientes de brigas e mágoas anteriores estavam começando a cicatrizar, até que algo aconteceu novamente, algo que fez você chorar, sentir tudo aquilo que evitava a todo custo. E então, as feridas se reabrem, deixando um vazio imenso, um aperto insuportável que traz uma tristeza que invade o coração, quebrando cada pedaço dele, permitindo que a dor se instale naquele momento. Naquele instante, você anseia por sorrisos em vez de lágrimas, por abraços em vez de distância. Porém, isso não é uma opção, pois o desejo não é compartilhado igualmente, depende daquela pessoa que mencionou antes, a pessoa especial, que você gosta tanto, que tanto deseja ter por perto. Mas ela permanece distante, presa em sua própria tormenta, aguardando a paz voltar a envolvê-la novamente.

Hipérbole

Nos caminhos da imaginação
Onde as estradas dão curvas e se partem em duas
Onde a vida recomeça e se lança no impossível
Estou ali
Aqui
Bem próximo de mim mesmo
Mais próximo ainda de você
Do seu amor que gerado cria a vida de nós dois
Vitória de nossos sonhos
Das noites mal dormidas
Na espera incessante por nós dois

Nosso amor cresce dia a dia formado de uma substância ainda não conhecida.
Desconhecida por todos
Por muitos
O amor...
O amor que nos une
Dá-nos motivos de avançar
De ser eu e você, na luta constante desse amor que o Senhor nos deu.

As palavras são apenas palavras?

De nós fluímos nós mesmos
Parte de nossa esperança
Dessa nossa essência que cria nosso amor
Nosso amor
Ou simplesmente o que somos
Que o senhor fez

A história recomeça
Estendemos-nos no que geramos
Nós em nós mesmos
Mesmo que ainda em outra vida
Em outro sonho
Outro coração
Pois nosso sangue tem nome
Nosso amor.
A Vitória que geramos é mais que eu você,
Somos nós em um momento que nunca existiremos...

Mesmo que por onde as estrelas caminham
Onde os sonhos são tocados
O passo do caminheiro
Em estradas sem passos
Sem destinos ou marcas
Apenas nós naquele sonho que logo lembraremos
Do qual não resistiremos

Ao qual seremos levados pelos ventos da vida
Pelas lágrimas que correm em nossos rostos
À estrada onde a eternidade são nossas sandálias
Onde o fôlego que respiramos estinguirá.

Estarei
Mesmo de lá
Olhando onde olhos não existirão
Onde a distância nos separará
Somente Ela nessa dança
Onde o meu Guia me levanta e me acompanha na próxima música.

A vida que é mais que todos nós
Onde o Senhor amassa o Barro que quer e coloca-nos entre os mais preciosos
Mesmo quando não percebemos
Lá está a estrela que brilha mesmo pela manhã
O Lírio dos Vales
O Leão que nos cerca e protege.

Mais forte que Ele?
Mais alto que Ele?
Mais que Ele?

Estou aqui
Onde a aurora é eterna
E a noite jamais chega
Onde beijo os lábios do meu amor
A mulher amada que me ama
Inicio do que és
Madre que te gera
Da Vitória que és
Que sempre serás
Tens nela a primazia de si mesma
No sonho que logo acordarás para ter

Nesse caminho?

Onde as luzes fluem de onde não sei
Em que as escadas já não têm degraus
Onde a água não mata a sede
Só lá onde nem mesmo existimos
Vivemos nos arcos dos multicoloridos raios de luzes

Dos quais somos formados
Levados
Trazidos
Transformados
Exaltados
Pra sempre

Vejo nos seus olhos
Isto que carregas contigo
Trazes Daquele que não muda
Os sonhos dos sonhos que te fazes rir
Risos dos meus sonhos invisíveis
Irrepreensível é o que trazes contigo
Amor que flui do seu interior

Minha Linda Vitória de Amor...

Amar ao próximo não é apenas dizer com todas as letras que possui respeito pela diferença dos outros. Amar ao próximo não é apenas pensar que tudo está bem, já fiz minha parte, tudo bem e tudo certo! Não, não, amar ao próximo vai muito além do que pensamos, o amor é sentimento imensurável, nenhuma matemática poderá calcular o seu peso e importância nas nossas vidas. E não há outro modo de conectar as pessoas e deixá-las em uma só frequência se não houver amor, respeito, honestidade e com extrema sinceridade.
Amar não é simplesmente ser o bom profissional, nem o bom aluno. Amar é ir além de tudo, não apenas ser o bom, porém sempre buscar fazer o melhor, sem se preocupar em ser bom e reconhecido por todos. A questão é fazer o melhor e não ser o melhor! Aquele que faz o melhor é bem sucedido, com a graça de Deus tem seus passos guiados pelo Salvador Jesus Cristo. Quem faz o melhor é amado pelas pessoas, pode até possuir uns inimigos e desafetos, mas até estes reconhecem que és uma luz que transmite paz, amor, sabedoria, que és um iluminado, onde a escuridão não entra, pois você é um canal que transmite a solidariedade e a harmonia diante de uma sociedade fria, rude, que apenas se preocupa em ser rápida, objetiva, que transformou os homens em números que se combatem nas batalhas do dia a dia por brigas de ego, ocasionadas por uma suposta ascensão do orgulho infeliz às suas cabeças.
Não estamos aqui para fazer parte do jogo dos egos, não estamos aqui para sermos números, estamos aqui para fazer a diferença, não precisamos de pessoas para seguir e praticar o falso respeito mostrado pela sociedade. Precisamos de pessoas que façam a diferença, que se mostrem o canal do verdadeiro respeito, do verdadeiro amor, o amor onde não temos ambição. O amor que a cada dia leva-nos a querer, mais e mais a fazer o melhor, para todos, sem a intenção de ser o melhor. Com humildade, amor, respeito e solidariedade são possíveis conectar milhares de pessoas lutando por um mundo melhor, mas não podemos esquecer por onde isto começa: de nós mesmos!

Até Amanhã

Sei agora como nasceu a alegria,
como nasce o vento entre barcos de papel,
como nasce a água ou o amor
quando a juventude não é uma lágrima.

É primeiro só um rumor de espuma
à roda do corpo que desperta,
sílaba espessa, beijo acumulado,
amanhecer de pássaros no sangue.

É subitamente um grito,
um grito apertado nos dentes,
galope de cavalos num horizonte
onde o mar é diurno e sem palavras.

Falei de tudo quanto amei.
De coisas que te dou
para que tu as ames comigo:
a juventude, o vento e as areias.

Eugénio de Andrade
ANDRADE, E., Até Amanhã, 1956

e chegando a estranha percepção dos fatos, conclui
que o assédio mata o ser por dentro
que a corrupção aleija a sociedade doente
que a violência gera o caos na humanidade
que a falta de segurança destrói a população aos poucos
que a falta de educação inibe e coíbe o ser humano
que a falta de alimento extingue a vida por partes
que a falta de água resseca a vida e a alma
que a falta de perdão corrói a consciência e o coracao
que a destruição da natureza extermina o espírito
que a falta de ação para o bem, nos consome de forma geral
que a falta de fé, nos impede de seguir nos caminhos de Deus!!!

Se eu fosse profetizar, saberia que os nossos destinos iriam se cruzar.

Na infância te via pra lá e pra cá, analisava todo o seu caminhar.

Mas te tive só no olhar.

Hoje acordo do seu lado todo dia, quem diria!

Deixei meu coração me guiar, não deixei a chance escapar, o não eu já tinha, o sim fui conquistar.

Imaginava o que a gente não viveu ainda.

Hoje com vc formamos uma família.

Se soubesse dessa jornada de idas e vindas, bateria na sua porta e diria eu sou o amor da sua vida!

Lá no passado,

Bateria na sua porta e diria, eu sou o amor da sua vida!

A gente se encaixou tão bem, por tanto tempo deixei meu coração me fazer de refém.

Hoje olho pro céu e digo: ainda bem, ainda bem.

Te add nas redes sociais, pra chamar sua atenção,

Ao aceitar a minha solicitação, descobri que além de linda, vc é uma mulher de opinião.

Se soubesse dessa jornada de idas e vindas, bateria na sua porta e diria eu sou o amor da sua vida!

Lá no passado,

Bateria na sua porta e diria, eu sou o amor da sua vida!

Meu amor por vc nunca chegará ao fim, vc cuida bem de mim.

Que tudo continue assim, vc é a melhor enfim Tim Tim por Tim Tim.

Faço um mundo para te conquistar...

Por ti, caminho aonde as células não chegarão,
Vou e volto, não sei se devo limitar o caminho.
Por ti, solto foguetes até onde foi o Sputnik,
Esvazio o mundo para sentir-me sozinho.
Por ti, rabisco um documento por inteiro,
Falo coisas amorosas em seu ouvido, bem baixinho.

Nado de costas no mar. Desenho um lindo pomar.
Eu faço montanhas pra te conquistar.

Por ti bato asas até que a atmosfera me livre do respirar,
Torno-me um pica-pau e começo a comer madeira.
Por ti, mando mensagem ao mundo que você é meu bem maior,
Recito um poema com a voz do Cid Moreira.
Por ti, alimento-me das folhas e vivo entre toda a fauna,
Falo coisas tão belas quanto os galhos de uma videira.

Nado de costas no mar. Desenho um lindo pomar.
Eu faço estrelas pra te conquistar.

Por ti, danço com os flamingos, formo um coração com seus bicos.
Dedico páginas e mais páginas de um jornal.
Por ti, gasto fortunas que meu suor honra, só para te ver sorrir.
Faço milhões de balões vermelhos em uma festa saturnal.
Por ti, desafio os algarismos de Al-Khwarizmi,
Crio em sua presença, um verdadeiro amor fraternal.

Nado de costas no mar. Desenho um lindo pomar.
Eu faço luas pra te conquistar.

Por ti, atravesso um Tsunami com uma prancha de surf.
Canto com a voz do Axl Rose para te impressionar.
Por ti, pulo de bungee jump em qualquer ponte que escolher.
Planto um jardim para flores te dar.
Por ti, desafio a ciência e digo que tudo foi criado por outro mítico.
Escrevo-te estas linhas a fim de lhe impressionar.

Nado de costas no mar. Desenho um lindo pomar.
Eu faço um mundo inteiro pra te conquistar.

Um mover de olhos, brando e piedoso,
Sem ver de quê; um riso brando e honesto,
Quase forçado; um doce e humilde gesto,
De qualquer alegria duvidoso;

Um despejo quieto e vergonhoso;
Um repouso gravíssimo e modesto;
Uma pura bondade, manifesto
Indício da alma, limpo e gracioso;

Um encolhido ousar; uma brandura;
Um medo sem ter culpa; um ar sereno;
Um longo e obediente sofrimento:

Esta foi a celeste formosura
Da minha Circe, e o mágico veneno
Que pôde transformar meu pensamento.

Sabedoria de Preto Velho

Meus filhos julgam, às vezes, que perderam um ente querido pela morte. Mas essa visão é errada. Solte o seu parente que você julga morto. Aprenda a libertar a sua alma e deixar que ele voe nas alturas de sua própria vida. Muitos dos filhos acham que reter significa possuir. Engano. Na vida, o que possuímos de verdade é aquilo que doamos. Se você desejar reter as almas queridas, através de suas emoções e sentimentos desequilibrados, você se transforma aos poucos em pedra de tropeço para aqueles que diz amar. Amor não é posse. Amar é doar, é libertar, é permitir que o outro tenha a oportunidade de escolher e trilhar o caminho que lhe é próprio. Amar é permanecer amando, mesmo sabendo que os caminhos escolhidos são diferentes do nosso. Então, meu filho, você não perdeu ninguém, não perdeu nada. Perdeu, talvez, a oportunidade de aproveitar a experiência e aprender a amar de verdade. Esse sentimento de perda é o maior atestado de uma alma egoísta. Ame mais, meu filho. Liberte, liberte-se e procure ser feliz. Mas, pelo amor de Deus, deixe os outros prosseguirem e, assim, encontrarem também o seu caminho. Ainda que seja do outro lado da vida.

Pai João de Aruanda
Sabedoria de Preto Velho

Pátria minha

A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.

Se me perguntarem o que é a minha pátria, direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.

Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias, pátria minha
Tão pobrinha!

Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação e o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!

Tenho-te no entanto em mim como um gemido
De flor; tenho-te como um amor morrido
A quem se jurou; tenho-te como uma fé
Sem dogma; tenho-te em tudo em que não me sinto a jeito
Nesta sala estrangeira com lareira
E sem pé-direito.

Ah, pátria minha, lembra-me uma noite no Maine, Nova Inglaterra
Quando tudo passou a ser infinito e nada terra
E eu vi alfa e beta de Centauro escalarem o monte até o céu
Muitos me surpreenderam parado no campo sem luz
À espera de ver surgir a Cruz do Sul
Que eu sabia, mas amanheceu...

Fonte de mel, bicho triste, pátria minha
Amada, idolatrada, salve, salve!
Que mais doce esperança acorrentada
O não poder dizer-te: aguarda...
Não tardo!

Quero rever-te, pátria minha, e para
Rever-te me esqueci de tudo
Fui cego, estropiado, surdo, mudo
Vi minha humilde morte cara a cara
Rasguei poemas, mulheres, horizontes
Fiquei simples, sem fontes.

Pátria minha... A minha pátria não é florão, nem ostenta
Lábaro não; a minha pátria é desolação
De caminhos, a minha pátria é terra sedenta
E praia branca; a minha pátria é o grande rio secular
Que bebe nuvem, come terra
E urina mar.

Mais do que a mais garrida a minha pátria tem
Uma quentura, um querer bem, um bem
Um libertas quae sera tamen
Que um dia traduzi num exame escrito:
"Liberta que serás também"
E repito!

Ponho no vento o ouvido e escuto a brisa
Que brinca em teus cabelos e te alisa
Pátria minha, e perfuma o teu chão...
Que vontade me vem de adormecer-me
Entre teus doces montes, pátria minha
Atento à fome em tuas entranhas
E ao batuque em teu coração.

Não te direi o nome, pátria minha
Teu nome é pátria amada, é patriazinha
Não rima com mãe gentil
Vives em mim como uma filha, que és
Uma ilha de ternura: a Ilha
Brasil, talvez.

Agora chamarei a amiga cotovia
E pedirei que peça ao rouxinol do dia
Que peça ao sabiá
Para levar-te presto este avigrama:
"Pátria minha, saudades de quem te ama…
Vinicius de Moraes."

Vinicius de Moraes
Antologia Poética

A bênção, Bahia

Olorô, Bahia
Nós viemos pedir sua bênção, saravá!
Hepa hê, meu guia
Nós viemos dormir no colinho de lemanjá!

Nanã Borokô fazer um Bulandê
Efó, caruru e aluá
Pimenta bastante pra fazer sofrer
Bastante mulata para amar

Fazer juntó
Meu guia, hê
Seu guia, hê
Bahia!

Saravá, senhora
Nossa mãe foi-se embora pra sempre do Afojá
A rainha agora
É Oxum, é a mãe Menininha do Gantois

Pedir à mãe Olga do Alakêto, hê
Chamar Inhansã para dançar
Xangô, rei Xangô, Kabueci-elê
Meu pai! Oxalá, hepa babá!

A bênção, mãe
Senhora mãe
Menina mãe
Rainha!

Olorô, Bahia
Nós viemos pedir sua bênção, saravá!
Hepa hê, meu guia
Nós viemos dormir no colinho de lemanjá!

Olhe para si mesmo

Sempre haverá uma fração de você em mim.
Só o tempo sabe o quanto eu me dediquei ou o tanto que eu estimulei os meus pensamentos para poder olhar para o outro lado e enxergar as coisas de uma forma diferente, mas positiva, em busca da concentração necessária para encontrar a paz e descobrir um novo mundo. A dor é uma fera difícil de ser domada, ela é comum a todos, mas podemos através dela aprender e construir expectativas que nos levem a caminhos que nos realizem.
Quantas vezes eu caí, sofri e me agarrei com a solidão? Quantas vezes eu ignorei o meu coração, ou fiz escolhas erradas!
Olhe para si mesmo, levante a cabeça, encare a sua guerra interna com coragem, de vez em quando olhe para o antes, mas foque no depois, lute, conquiste, cuide, acredite e ame a si mesmo e a quem estiver do seu lado.