Carta De Amor De Fernando Pessoa
DEPOIS QUE TUDO FICA ESCURO...
Poderes... Nuvens...
Sol... Mar...
Sal... Vento...
Calor... Lua...
Brilho... Calor...
Frio... Brisa...
Sono... Estrelas...
Pássaros... Nasce...
SONHOS...
Você... Graça...
Sentido... Existiria...
Banquete... Momentos...
Glorioso... Mundo...
Louco... Chama...
Escurece... Chega...
Escurece... Iniciam...
Imagem... Comigo...
Criando... Cenas...
(...)
ESCURO... Olho...
Descubro... Nunca...
Presente... Toquei...
Senti... Sempre...
Se poderes tivesse, te levaria para as nuvens, nos banharíamos ao Sol escaldante, na vastidão do mar te molharias, espremeria uma pequena nuvem onde tiraria todo o teu sal.
Te secarias com o vento e o calor do sol, agora morno por já esta se pondo.
Em uma grande, magnífica e estupenda vista de um incrível pôr-do-sol com você, esperaríamos a lua chegar com sua imensidão de Beleza e Brilho me permitindo ter duas maravilhas para admirar, e, se calor ou frio sentires, faria uma brisa de sua necessidade passar para te cobrir.
E quando o sono chegasse, com o brilho da lua e das estrelas no céu te colocaria para dormir e deixaria o canto dos pássaros a te minar.
Passaria todo o tempo cuidando para que sono pudesse ser tranquilo.
Instantes antes do grande astro rei mostra-se novamente para a humanidade, te despertaria e te levaria onde o sol nasce mais belo...
"EM MEUS SONHOS"
Mas ele não é o mais belo por ser em meus sonhos, e sim, pelo simples fato de você esta em meus sonhos.
Sem você ele não teria graça, sentido... Nada disso teria sentido ou existiria.
Um banquete te serviria, faria chegar até você.
Após, te proporcionaria OS mais belos momentos de apreciação de uma vista exuberante ao seu redor.
Findando estes pequenos instantes gloriosos contigo vividos, te retornaria para o teu mundo. Louco para ter-te novamente.
E algo chama... Tudo escurece...
(...)
E algo chega... Tudo escurece...
Meus sonhos se iniciam formando a sua imagem, formando você, você comigo. Criando cenas onde só podem ser vividas aqui...
Mas, DEPOIS QUE TUDO FICA ESCURO...
Abro os olhos...
Descubro que nunca te tive...
Que nunca esteve comigo...
Mas era Tão presente, eu te toquei...
Te senti...
Você não estava aqui, comigo...
Mas te tenho sempre...
INFINITOLHOES DE BEIJOS.
FERNANDO LÊDO
Salvar o mundo é fácil, convencer as pessoas a fazê-lo é que o difícil.
A opinião de qualquer pessoa é importante, desde que tenha fundamentos sólidos. Esse é o primeiro passo em busca da influência.
A felicidade não tem endereço fixo, por isso, receba-a com gratidão e a sirva com carinho, quem sabe ela passe um tempo maior ao seu lado.
Se os seus atos o fizeram descer as escadas da vida, não se renda. Ao menos você esteve lá em cima e avistou novos caminhos.
Pra que mentiras? Se meus olhos não mentem.
Pra que fingir que nada acontece? Se as coisas sempre mudam.
Pra que sonhar? Se nem sempre no final você se realiza completamente.
Pra que parar para pensar? Se os melhores momentos veem do acaso.
Pra que olhar pras estrelas? Se aqueles brilhos ja se apagaram a anos.
Pra que tudo isso? Eu te digo... pra você acordar toda manhã e poder dizer... Eu um dia Amei alguem.
A pequena mistura do clássico ao moderno , do preto no branco ,
da velha escola californiana envolta ao estilo do novo mundo.
Mescla da esperança de dias melhores envolvida a realidade momentanea ,
mas com a certeza de que um destino ainda desconhecido seja a a grande surpresa
de um tempo que ainda nos causa ansiedade !
Sou a sombra e o impacto de um sonho distinto ,
algo ...que poderia definir como chocolate amargo !
Ainda vejo o mundo com os mesmo olhos voltados a aquilo que desejo ,
poderia eu sim, me perguntar , mais isso só em si já não é o suficiente ?
Realmente não acho que um dia irei me confomar com o comodismo tal qual
insiste em adoecer aqueles que pelos caminhos escolidos decidiram se
estabelecer com algo .. posso eu sim ser um pouco egoísta mas afinal nada é eterno
e sejamos francos melhor deixar algo bom na lembrança que seja sincero , do que apenas deixar
fotografias apagadas
de algo que quemou de forma abstrata .
Poderia sim encontrar algo a sombra ofuscada de pele morta , envolvida em cores desbotadas ,
que nos mostra cicatrizes de um tempo passado de um momento vivido ,
tranformando tinta colorida em eternidade .
Eu ainda aguardo desacomodado ,
encontrar um brilho no fundo dos meus olhos acinzentados , assim como encontro nas minhas memórias ,
algo sutil , tranformando , algo fraco simples, em exemlos como benjamins , cajueiros ,
Algo encontrado como num velho carvalho plantado em um jardim centenario de algum antigo reinado ...
faço parte da antiga escola , e ao mesmo tempo pertenço ao grande centro formado
pela imensidão cinza , pela força conjunta de algo que não vivi .
Não preciso das suas falsas mentiras nem de seu censo de humor ,
alias tenha calma , não tente me forçar a nada, tudo deve ser devidamente ajustado ,
o suave e o forte , nada esagerado alias , tudo vem ao seu tempo não tente comprar aquilo
que não cabe a você decidir afinal , somos livres por nossas escolhas e apesar de
momentaneamente nos sertimos bem junto aquilo que desejamos a nós ,
o melhor momento ainda é definitivamente
quando estamos a sós e nos encontramos tranparentes como a
camisa amarelada de uma antiga memória...
Mas não espere encontrar em mim as suas respostas , cada um abraça seu caminho ,
estamos sósinhos correndo atras de algo que fortaleça a nossa escensia ,
para ser feliz . basta querer encontrar-se em si mesmo , o verdadeiro caminho ,
seeja este o caminho triste , alegre ,culto , ou apenas simples , por que como um grande homen ja dizia ,
não vale a pena se ter raiva o tempo todo .
Me Perdoa...
O erro não foi meu, não cometi nada de errado, não traí, não beijei outra boca, não senti o toque de outra pele, mas, às vezes, até algo que julgamos ser certo, como responder uma mensagem, atender um telefonema, pode estragar em segundos o que demorou para ser construído. Me arrependo, pois tudo que queria agora era seu toque, sua pele, seu cheiro, sua voz. Se soubesse que uma situação, mesmo não havendo nada, fosse causar isso, eu teria fugido, pois nada substitui o que sinto por você. Só me perdoa, sei que errei muitas vezes e me perdoou muitas vezes, mas me perdoa mais uma vez, pois seu olhar de desapontamento, sua vontade de não falar comigo, sinto como se me matasse aos poucos. Não fiz nada de errado, apenas agi sem pensar, mas confiança é como um jarro. E, pelo visto, eu rachei o seu. Apenas me perdoa.
E assim se passaram 10 anos...
Pois é, aqui estamos nós, quem diria, não é mesmo? Há exatos 10 anos, no dia 30 de dezembro de 2014, me preparava para deixar Imbariê, Duque de Caxias, Rio de Janeiro, e iniciar uma nova etapa da minha vida em Rio Doce, Olinda. Durante o ano de 2014, trabalhei intensamente na praça de Imbariê, despedindo-me das minhas clientes. A cada mês, adquiria um novo item para a casa: geladeira, fogão, máquina de lavar. As entregas desses produtos eram feitas diretamente em Olinda, na casa da minha prima, aqui em Rio Doce.
Nasci em São Paulo, na zona leste, na maternidade Leonor Mendes de Barros, mas foi uma passagem rápida. Antes mesmo de completar um aninho de vida, já estava novamente em Olinda. E foi aqui que passei toda a minha infância, até os 14 anos, vivendo a experiência única de crescer no Nordeste. Foi aqui que aprendi a me conectar com as raízes nordestinas, com as pessoas e com a cultura local, que ficaram no meu coração para sempre.
Cheguei a Olinda em 2014 com a casa praticamente toda comprada, tudo planejado minuciosamente para montar o lar assim que chegasse. Tinha acabado de vender minha casa e possuía recursos para adquirir um kitnet ao chegar aqui. As expectativas eram grandes. O principal motivo que me levou a decidir morar em Olinda foi a praia. Sempre desejei viver próximo ao mar, apreciar o amanhecer e o entardecer, viver a vida à beira-mar. Esse sonho, que não consegui realizar durante tantos anos, foi finalmente concretizado aqui.
A vida em São Paulo era uma correria constante: metrô, ônibus, trabalho estressante. Mas foi um grande aprendizado; chego a sentir saudade dos momentos vividos naquela cidade. Olinda, com seu ritmo tranquilo e sua energia calorosa, me ofereceu o oposto: um lugar onde pude respirar mais livremente. Sempre fui um paulistano com alma nordestina, e quando cheguei aqui, senti que finalmente encontrava o meu lugar. Olinda, conhecida como cidade dormitório, oferecia uma vida mais simples, mais calma, mais conectada com a natureza. Aqui, fui acolhido por uma cultura cheia de cores e sons, que, no fundo, sempre senti que fazia parte de mim.
Nos últimos 10 anos, ao longo de tudo que vivi, conheci poucas, mas pessoas altamente significativas para minha vida. Pessoas que, até hoje, têm sido a minha família. Agradeço do fundo do coração pelas dificuldades que enfrentei aqui e, principalmente, pelas pessoas que estiveram ao meu lado durante esse processo. Essas pessoas se tornaram parte de mim, e com elas aprendi a ser autêntico, a me entregar e a construir minha história com humildade. Não posso deixar de agradecer a elas, pois sem elas, não teria chegado até aqui. Obrigado! Obrigado! Obrigado! Sou grato por tudo, pela paciência, pelo apoio e pela amizade. Cada passo dado foi possível graças a essas pessoas maravilhosas, e sou eternamente grato.
Cheguei em Olinda na madrugada do dia 31 de dezembro de 2014, cheio de expectativas e felicidade por essa nova fase. No entanto, ironicamente, George e Valdir se esqueceram de me buscar no aeroporto. E lá estava eu, mais uma vez, vivenciando a experiência de viver sozinho... Felizmente, a tia Lúcia me salvou, acordando-os para que fossem me buscar.
Os primeiros anos em Olinda foram de adaptação e descobertas, mas a verdadeira conexão com a cidade aconteceu quando encontrei meu lugar à beira-mar. No início da minha trajetória aqui, busquei vários trabalhos e foi então que me encontrei na orla, vendendo coco verde gelado. Foi sensacional! Eu estava na praia de Barro Novo, em Zé Pequeno, e vivi ali por oito anos, vendendo cocada, refrescando turistas e moradores, e sentindo a vibração única daquele paraíso nordestino. Trabalhar à beira-mar, com o som das ondas ao fundo, foi simplesmente maravilhoso. Viver fazendo o que gosto, em plena paisagem de Olinda, foi um presente.
Hoje, já não trabalho mais à beira-mar; a idade, o tempo e a saúde já não me permitem mais, mas continuo fazendo da praia meu porto seguro para descanso, reflexão e passeios. Mesmo sem as vendas de coco verde, continuo sentindo a energia boa da orla de Olinda em meu coração.
Hoje, ao completar 10 anos em Olinda, reflito sobre toda minha jornada. Embora não seja mais festeiro, sempre sonhei com uma festa de aniversário à beira-mar. Tentamos, há 10 anos, organizar uma festa havaiana para os meus 50 anos, à beira-mar, com muitos frutos coloridos, sem álcool, uma celebração lúcida de amor e agradecimento por estar exatamente onde sempre deveria ter estado. Mas naquele dia choveu, e a festa dos meus 50 anos acabou sendo realizada na garagem da casa da Geórgia. Sensacional!
Essa viagem no tempo da minha vida, de Olinda para o Rio de Janeiro, depois para São Paulo, para o mundo, e finalmente de volta ao Rio de Janeiro e, por fim, a Olinda, me fizeram refletir que jamais deveria ter saído daqui. Hoje, vivendo aqui em Olinda, percebo que o lugar especial não é apenas a cidade, mas a capacidade de encontrar em mim mesmo a paz e a conexão que sempre busquei.
Olinda, 30 de dezembro de 2024.
#fernandokabral13
Sou procurado vivo ou morto nesta terra, mas não tem recompensa alguma. É que alguns corações que parti no caminho querem a minha cabeça, imploram por alguma justiça. Se ao menos eles soubessem que a dívida já foi cobrada a muito tempo, por outra pessoa que coleciona corações.
@fer_machado_escritor
É impressionante o numero de homens gados nas redes sociais, bajulando e rastejando atrás de mulher, e com tanto empenho que parecem que suas vidas dependessem apenas disso.
Uma carência afetiva escancarada, jogam o amor próprio pela janela na busca de conquistar uma mulher .
Saiam desse efeito manada pessoal, cuidem e invistam em vocês, trabalhem , estudem, tenha objetivos e vivam de forma natural que tudo vem na hora certa, inclusive relacionamentos.
"A fases incertas nas certezas da vida ,
Há tempo, histórias e momentos, estamos vivendo sabendo que tudo tem seu tempo,
Sem pressa, sem acelerar os passos, porque nada é por acaso.
Os erros, os acertos, tudo tem o seu porque, e fazem parte da nossa construção como pessoas melhores,
e a única certeza que temos, é que tudo que vivemos só poderá ser vivido uma única vez. "
O mar secará um dia
toda a sua sede.
O mar perderá todo o sal
num longo dia azul.
Sem sabor e sem ímpeto
o mar de ondas molengas
ficará desativado
de qualquer romantismo.
Plebeu e plausível
descortinará outro infinito
que não este gelatinoso
mistério-matriz.
Á força da metamorfose
o mar se desmarinhará
desmaiando aos poucos
sobre si mesmo.
Não perca:
Grande Teatro de marionetes!
Amanhã. Na orla da praia.
Temos muita facilidade em enxergar todos os defeitos nos outros mas a nossa maior dificuldade é enxergar as nossas próprias deficiências.
Paremos de achar que somos algo nesse mundo , porque aqui não somos nada.
Tudo aqui é vaidade ,e colheremos conforme plantamos.
Então que vivamos de forma plena segundo nossa essência.
Sabes, prometi não decepcionar e cuidar de ti, ser teu amigo, mas o cuidar é algo muito especial, é zelar pela amizade sem sufoca-la, é proteger a amiga, é querer bem a amiga, é às vezes abrir mão de sí para dar-se a amiga, o pior que a amizade foi gerada por afinidade, mas afinidade é consonância, é concomitância, é uma verdadeira simetria, a discordância destrói, magoa e doí, mas não pelo egoísmo e sim pelo entender que cada ser é único, e ser único significa não haver outro igual. Confiastes tua amizade a min, mas descobri que és única e não há outra igual.
Sentimentos se confundem, pois o querer bem passa a ser também querer mais, mas, mais o que? Se já recebi sua confiança e amizade? Mas ai é grande o conflito de tão tênue a linha que separa os sentimentos. Mas no lidar com a vida entendemos que é melhor fazer feliz que ser feliz, se alegrar em dar alegria, abrir mão de seus sentimentos para que a amiga seja feliz sem nenhuma interferência, por que a amizade não pode ser egoística, o egoísmo destrói a amizade, e ai é decretar morte da felicidade, porque tudo que fora prometido foi a amizade.
Pergunto, por que dificultamos a vida? Se é tão fácil viver...e ai eu copio um poema de um autor que diz:
Não sei nem mais dizer
O que sinto por você...
Se é amor...
Se é amizade...
Se é paixão...
Mas suspeito fortemente
Que seja tudo isso junto!
E ai volto a entender que, se o autor está certo, “eu tenho sua amizade” e mesmo de longe, me basta esta realidade. Uma realidade que começou com uma amizade.
O desejo de um minutos
Se torno o desejo de uma vida
Ti quero pra mim
Por muito tempo
Por toda a minha vida
Hoje tenho a certeza que é você
Que é você minha vida
Meu caminho
Minha historia
Pois a cada momento distante de ti
Eu me sinto mal
Me sinto sem rumo
Que tudo acabou
Meus sonhos
Meus planos
Minha vida.
Sobre Meninos e Lobos é um filme que não se limita a contar uma história policial, ele abre feridas e expõe silêncios, e ao assistir senti como se estivesse diante de algo que não se conclui, como se o chão tivesse desaparecido sob meus pés, porque a trama de três amigos de infância marcados por um trauma e reunidos novamente pelo assassinato da filha de um deles não termina com justiça ou redenção, termina com silêncio e omissão, e esse silêncio me trouxe de volta lembranças da minha própria infância, de tempos em que a sociedade preferia calar diante da dor, em que todos sabiam mas ninguém dizia nada, e talvez seja por isso que o filme provoca tanto desconforto, porque ele mostra que o passado não desaparece, apenas retorna em novas formas, e ao mesmo tempo que acompanhamos Jimmy, Sean e Dave tentando lidar com seus fantasmas, nós também somos obrigados a encarar os nossos, e é nesse ponto que a obra se torna mais do que cinema, se torna um espelho, um convite à reflexão, uma experiência que deixa marcas, e por isso acredito que outras pessoas deveriam assistir, não para encontrar respostas fáceis, mas para sentir esse impacto, esse vazio que nos obriga a pensar sobre justiça, memória e hipocrisia social, porque Sobre Meninos e Lobos não fecha portas, ele abre, e quem se permitir atravessar vai sair diferente, talvez sem chão, mas com muito para refletir.
Fernando kabral
Olinda 15 de novembro de 2025
Fome
A pobreza nos tornou Africanos.
Nossa África nos tornou vítimas da colonização.
Nós somos Africanos de raíz.
A pobreza nos faz acreditar no amanhã.
Nós somos pobres Africanos, a esperança nos faz crer no amanhã.
Nós somos pobres, pôs somos africanos.
Mas tenho que lutar sim
Lutar contra essa maldita pobreza, pôs sou Africano.
Sim acreditar no amanhã não sentirei mais fome.
Sim sou Africano ter esperança me faz não sentir a pobreza.
$170 por uma TV 4K, $30 pra encher o tanque,
Um dia de trabalho nos Estados Unidos já paga esse valor.
Olha o Brasil, a conta não fecha, o salário é pura depressão, R$ 52,00, o valor pago ao rapaz.
Mas quanto vale o nosso pão?
A manteiga, o leite e o busão? o custo é pesado demais, mais caro que o café pros filhos, essa é a dor que a realidade traz.
Não é o rico a razão de o pobre não ter, mas um modelo que falha, que não quer te ver crescer.
Foi nesse contexto que eu nasci.
Dois dos meus irmãos passaram a rodar a cidade de Olinda, indo de casa em casa, durante toda a vida. Eu sempre soube da existência deles, mas nunca os conheci pessoalmente, porque a minha avó não permitia que eu tivesse contato. Eu era impedido de conviver com eles.
Fui criado dentro de uma casa fechada. Não tinha acesso à rua, não tinha acesso à convivência. Era assim a cultura da época. Uma espécie de prisão. Muitas vezes eu ficava trancado dentro de um quarto escuro, principalmente por eu ser um menino muito elétrico.
Os castigos eram constantes. Começavam em casa e continuavam na escola. Muitos deles envolviam ficar de joelhos sobre caroços de feijão. Foram muitas violências físicas e emocionais, que hoje eu reconheço como torturas.
Eu só vim conhecer o que era infância perto dos meus 15 anos, quando fui para o Rio de Janeiro. Nesse período, minha própria avó já não me aguentava mais. Eu havia entrado em um processo de rebeldia que fugia completamente ao controle que ela tentava exercer sobre mim, inclusive por meio da religião.
O primeiro livro que eu li na vida, e do qual jamais vou esquecer, foi “A Verdade que Conduz à Vida Eterna”. A partir dali, comecei a me questionar profundamente. Que Deus é esse que permite que crianças sejam mantidas trancadas, sofrendo, enquanto adultos observam calados? Que Deus é esse que convive com hipocrisia e com abusos, inclusive abusos sexuais contra crianças, praticados por pessoas próximas, muitas vezes ligadas ao ambiente religioso, em quem minha avó confiava cegamente?
Nada disso se apaga. Não adianta tentar suavizar. Nada muda a dor que senti naquele momento e a dor que ainda sinto hoje. É por isso que, em muitos momentos da minha vida, eu só consegui dizer: mundo, afasta de mim esse cálice.
Dando continuidade, meu irmão Joel, o mais novo, que tinha apenas 40 dias de nascido quando ficou trancado naquela casa, foi criado pela minha avó paterna, mãe do meu pai. Eu fui criado pela minha avó materna, mãe da minha mãe. Cada um de nós seguiu um caminho separado.
Eu só fui entender, de fato, o que era família por volta dos 15 anos. Foi quando saí de Olinda e fui para o Rio de Janeiro. Lá encontrei uma estrutura familiar diferente, já formada. Foi ali que ganhei mais dois irmãos, do segundo e verdadeiro casamento da minha mãe.
Esse homem, companheiro da minha mãe até os últimos dias da vida dela, tem todo o meu respeito. Ele cuidou não apenas dos filhos dele, mas também de dois filhos que não eram biologicamente dele, mas eram filhos dela. Foi ali que eu vi, pela primeira vez, um cuidado real.
Minha mãe só voltou a ter contato com os filhos que moravam em São Paulo quando eu fui para lá, depois do período no Rio de Janeiro. Fui eu quem trouxe esses irmãos para ela reencontrar. De tão distante que tudo tinha ficado, ela já nem lembrava mais como esses meninos eram.
É desse lugar que eu falo quando falo de rejeição. Não é teoria. É história vivida.
Fernando Kabral
7 de janeiro de 2026
9:58
.
Professora Jacy,
Eu queria lhe explicar com calma uma coisa que, para muita gente, parece exagero quando a pessoa fala, mas é real: o sentimento de rejeição não nasce do nada. Ele pode começar muito cedo, antes mesmo da gente entender o mundo.
Na década de 60, o mundo girava de outra forma. Existia uma cultura muito dura com as mulheres e com as crianças. Muitas famílias viviam na pobreza extrema, sem apoio, sem orientação, sem saúde emocional, sem planejamento familiar. Muita gente tinha filhos em sequência, no automático, porque era assim que se vivia. E criança, naquela época, muitas vezes não era vista como sujeito, como pessoa com necessidade de cuidado e proteção. Era só “mais uma boca”, e pronto.
Quando uma criança nasce dentro de um ambiente de briga constante, abandono, desestrutura, medo e falta de afeto, ela cresce sentindo que não tem lugar. Às vezes nem precisa alguém dizer “eu não te quero”. A rejeição se forma pelo clima: silêncio, ausência, descuido, humilhação, falta de acolhimento, falta de segurança.
No meu caso, a história familiar começou com conflitos graves entre meus pais. Ainda no ventre, eu já estava dentro de uma casa sem paz, sem estrutura emocional. Depois disso, veio um período de abandono e separação. Eu cresci com marcas dessa desorganização familiar, e isso mexe com a cabeça e com o coração de qualquer criança.
E tem outro ponto importante: quando uma criança é criada por alguém que não tem preparo emocional, ou que vê a criança mais como obrigação, ou como alguém para “servir” dentro de casa, essa criança aprende cedo que o amor é condicionado. Ela aprende que precisa ser útil para merecer presença, comida, atenção, carinho. E isso é um tipo de rejeição também. Porque a criança entende que, se ela não for “boa” ou “útil”, ela não vale nada.
Então, professora, quando eu digo “me senti rejeitado”, eu não estou falando só de um momento específico. Eu estou falando de uma construção. É como uma ferida que vai sendo alimentada com o tempo: abandono, desatenção, falta de colo, falta de escuta, falta de segurança, falta de carinho. E depois, na vida adulta, a pessoa vira alguém que tenta compensar isso do jeito que dá: trabalhando demais, buscando aprovação, se doando, se cobrando, se sentindo sempre “a menos”, mesmo quando está fazendo o melhor.
Eu quis lhe explicar isso porque eu confio na senhora e eu respeito sua sensibilidade. Eu não estou pedindo pena, nem justificando nada. Eu só estou mostrando o contexto para a senhora entender como certas dores não começam na fase adulta. Elas vêm de muito antes, lá de trás.
Obrigado por me ouvir.
Fernando Kabral
7 de janeiro de 2026
9:35
Quem deseja o sucesso precisa dominar a arte de superar os
obstáculos. Sem essa arte, a vida torna-se uma deriva emocional:
qualquer problema nos paralisa, qualquer crítica nos derruba,
qualquer dificuldade nos desvia. Mas quando compreendemos o
propósito oculto da adversidade, deixamos de vê-la como
inimiga e passamos a enxergá-la como uma aliada poderosa.
Grande parte do sofrimento não está no que acontece, mas na
história que contamos sobre o que acontece.
Quando observamos o que ocorre dentro de nós sem
identificação cega, uma enorme parte da ansiedade se dissolve.
A presença é uma forma profunda de autoconhecimento.
Não sofremos pelos eventos em si, mas pela interpretação que
damos a eles.
