Carta de Amizade Expressando seu Sentimento

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Carta


Já pensou como as coisas acontecem em nossas vidas?
Muitas vezes não fazem sentido no momento, mas, com o passar do tempo, tudo fica mais claro. As peças se encaixam, e muitas vezes até percebemos que tudo teve um propósito.


É incrível a capacidade que temos de nos adaptar, de seguir em frente buscando alternativas, sempre na tentativa de alcançar a “tal” felicidade... mesmo sem saber, ao certo, o que é ser feliz.


Você já se perguntou o que é, de fato, a felicidade? Já se sentiu realmente feliz?


Às vezes, encontramos um amor que, por algum motivo, não dá certo. Mas o sentimento não desaparece. Ele pode até adormecer em nosso peito, mas, de repente, do nada, uma música ou um lugar nos traz de volta aquela pessoa, como se fosse ontem.


E então me pergunto: será que ser feliz é estar ao lado de quem amamos, mesmo que seja preciso abrir mão de tantas coisas? Será que é aceitar as diferenças, mesmo quando parecem nos afastar?


Eu talvez jamais saiba a resposta... O que me resta é seguir em frente, sempre buscando a tal felicidade.


Com carinho,
Seu chato

Agrotóxico


Nada pior do que ler a carta
De um suicida,
Que resolveu se jogar
Do último andar de um apartamento.
Comemos alface envenenado,
Comemos pepino envenenado,
Comemos espinafre envenenado,
Comemos...
Nada pior do que ler a carta
De um suicida,
Que resolveu se jogar na frente
De um carro, no dia seguinte
Chupamos laranja envenenada,
Comemos maçã envenenada,
Chupamos uva envenenada,
Comemos goiaba envenenada,
Chupamos melancia envenenada...
Nada pior do que ler a carta
De um suicida,
Que resolveu cortar os pulsos
E no dia seguinte sentiu-se
Um fracassado.
Comemos feijão envenenado.
Comemos arroz envenenado.
Nada pior do que ler a carta
De um suicida desesperado,
Na busca da morte.

Carta de despedida: Nosso mundo encantado


Querida,
Hoje, ao ver uma foto sua,
um álbum inteiro se abriu diante de mim —
não de imagens, mas de memórias inventadas,
histórias que criei e roteiros que escrevi
acreditando que seriam nossos.
Projetei um enredo,
acreditei no roteiro que escrevi sozinho.
E quando o silêncio chegou,
percebi que o eco não era ausência tua —
era excesso meu.
Nesse excesso, construí um mundo só nosso,
mas apenas eu tinha acesso.
Olho com carinho para tudo que senti.
Não acabou.
É apenas o primeiro dia fora do nosso mundo encantado.
Um mundo criado por mim,
mas que, em essência, pertencia a nós dois.
O que doeu não foi perder alguém —
foi perder o personagem que inventei,
aquele que você talvez nunca tenha conhecido.
Descobri que o amor idealizado
tem o brilho exato do pôr do sol:
belo, mas breve, e feito de despedida.
Me vejo como um belo arquiteto,
mas um péssimo projetista.
Criei estruturas lindas,
dignas de um conto de fadas.
E hoje, de fora,
observo o “nosso mundo perfeito”,
sem saber se você o acharia perfeito também.
Entendi que a decepção
é só a luz acendendo no cinema,
revelando que o filme era projeção.
E no escuro que fica depois,
a vida me convida a assistir de novo —
dessa vez, com os olhos abertos.
Das cenas que mais gosto são os créditos.
Porque, mesmo sendo o único colaborador físico dessa criação,
todas as cores e formas vieram de você.
Lhe agradeço por ter sido inspiração,
mesmo sem saber.
Nunca haverá mágoas
em um mundo onde só um coração pulsava.
E mesmo que esse mundo tenha sido só meu,
ele foi feito com amor —
e por isso, ele sempre será bonito.
Com carinho,
Luis

Carta ao que ainda sente

Anápolis, 27 de outubro de 2025

Hoje, escrevo não para o mundo, mas para mim. Para aquele que há vinte anos rabiscou num caderno uma verdade que ainda pulsa:
“O verdadeiro solitário é aquele que, mesmo rodeado de milhares, ainda se sente sozinho.”

Essa frase me define mais do que qualquer outra. Porque, ao longo da vida, não busquei apenas coisas — busquei sentidos. Amor que não machuca, felicidade que não se esconde, alegria que não precisa de plateia. Busquei companheirismo sem cobrança, aceitação sem máscaras, silêncio que não fosse abandono.

Mas o mundo mudou. Ou talvez tenha apenas se revelado. As relações se tornaram rasas, os sentimentos, ensaiados. Aprendemos a fingir tão bem que esquecemos como é sentir de verdade. E, nesse teatro diário, o “está tudo bem” virou nosso papel principal. Dizemos isso mesmo quando não está. Porque admitir tristeza virou sinônimo de fraqueza. E fraqueza, hoje, não é aceita.

Estar doente, estar triste, se sentir sozinho — tudo isso virou sinal de que algo está errado com você. Então nos condicionamos. A sorrir por fora e chorar por dentro. A incentivar o outro quando, na verdade, era a nossa alma que pedia por incentivo. A oferecer colo quando o que mais queríamos era um abraço silencioso.

Ser forte o tempo todo cansa. Mas fingir força o tempo todo… isso esgota.

E aí, aquela pergunta que me fizeram anos atrás volta a ecoar:
Você vive ou morre todos os dias?
A resposta continua a mesma:
Eu não sei.

Mas talvez escrever isso seja um começo. Talvez admitir que não sei seja, enfim, um ato de coragem. Porque sentir não é fraqueza. Sentir é o que nos torna humanos.

Com verdade,
Pablo

O Calor no Inverno das Grades
​A carta é o grito que atravessa o muro,
De um coração que a cela não calou.
Escreve o "guerreiro" em seu tempo escuro,
Sobre a vida que o crime lhe roubou.
​Diz que a ostentação é marionete,
Um brilho falso que cega o olhar.
Quem no dinheiro a alma compromete,
No cemitério ou na grade vai morar.
​Fala de "porta estreita" e "porta larga",
Do "coração que calejou" na solidão.
A liberdade tem um gosto amargo,
Se a mente ainda vive na prisão.
​Mas entre as linhas de caligrafia incerta,
Há um sopro de vida, um calor, um perdão.
A mão que escreve é a alma que desperta,
Buscando em Cristo a sua redenção.

“ESPELHO QUEIMADO”


Esta carta não é ataque.
É espelho.
E vocês sabem
quem vive de escuridão
tem medo de superfícies que devolvem verdade.


Entrei na vossa casa como quem leva luz no bolso,
mas vocês preferiam as lâmpadas fundidas
onde o erro dorme tranquilo.


Chamei-lhe respeito.
Chamaram-me ameaça.
Chamei-lhe limite.
Chamaram-me afronta.
Chamei-lhe paz.
Chamaram-me problema.


A fé que carregavam na boca
não cabia no vosso coração.
Versículos como maquiagem,
religião como máscara,
Deus como pretexto.


E eu vi
vi os silêncios que guardam pecados,
vi segredos a tremer debaixo da mesa,
vi fantasmas sentados no sofá
a serem tratados como família.


Fui espelho demais
para quem nunca teve coragem
de olhar para si.


E quando percebi
que felicidade é luxo,
mas paz é sobrevivência,
soltei o peso,
soltei a casa,
soltei-vos.


Isto não é desistência.
É libertação.


Desejo-vos paz
não a de fachada,
não a que treme,
não a que esconde.


A verdadeira.


Eu sigo.
Inteiro.
Sereno.
Livre.


E vocês ficam com o espelho.
Se tiverem coragem de o olhar.

Carta Aberta: Chovendo Arrependimento


Se nesse momento eu morresse… será que eu me arrependeria?
Creio que sim.
Das coisas que deixei de fazer.
Das coisas que fiz — poucas delas eu realmente me arrependo.
Mas das coisas que não fiz… de muitas eu gostaria de ter feito.
E por que não fiz?
Por medo, vergonha ou timidez.
Acho que por todas essas emoções juntas.


O tempo em que eu fiquei trancado mexeu um pouco com o meu coração.
Eu sei que estou errado nesse momento futuro.
Deixei a única pessoa que realmente gostou de mim ir embora.
Me perdi.
Perdi a minha personalidade para fazer os outros pararem de chorar lá fora e começarem a rir no agora.


Eu não me considero um herói.
Me considero um covarde.
Porque em vez de manter minha personalidade, eu escolhi fugir dela para ser aceito.
Mas adiantou o quê?
Falsas amizades que eu fiz.
Pessoas que me traíram.
Para todos eu desejo o bem… e todos, nem aí, me desejaram o mal.


Tudo o que eu contei, tudo o que eu planejei… eu mesmo destruí.
Mas por que eu não reparei?
Só vai… é o que eu sou.


Eu estava com saudade do teu calor, da tua risada, do teu cheiro, do teu abraço.
Agora, longe, está a chuva lá fora.
Cada gota que pinga se mistura com sonho e saudade.
E a saudade… a saudade não some.
Ela volta.


Volta para mim.
Eu só queria, com você, ter um final feliz.
Talvez agora você não goste mais de mim, pois eu me perdi.
Eu não sou mais o mesmo rapaz.
Gostaria de ser.


Será que ainda tenho tempo?
Será que você não se desfez de vez?
Onde está aquele jovem que uma garota como você um dia quis?

Escrevi uma carta ao tempo sobre você.
Espero a resposta sentado na calçada,
perguntando onde está você.


Que o tempo não demore muito,
pois te amo e sou apaixonado por ti,
mesmo sem ainda te conhecer.


Tempo, tempo, tempo…
não te atrases,
traz para mim aquela mulher
que tanto espero.

⁠Uma carta pra ela…
Eu queria muito entender o que eu sinto no momento, queria muito entender porque você está aparecendo tão frequentemente nos meus pensamentos e até mesmo nos meus sonhos ultimamente, mas não consigo, por algum motivo. Não sei se isso é uma recaída, se é o luto afetivo que eu retardei, ou se realmente ainda sinto algo por você, mas o que realmente me preocupa é: Você ainda sente algo por mim? Eu sinto como se não fosse mais nada pra você…você tá tão radiante, parece que está vivendo a melhor fase da sua vida, mas eu não sei, não sei de nada que passa aí na sua cabecinha. Olha, tá doendo, tá doendo pra caramba, porque você é especial pra mim, não importa o que aconteça, eu te amei, e talvez até ainda ame, então ver você feliz sempre me faz bem, mas não estar por perto pra vibrar com você, me quebra em milhares de pedacinhos. Eu lembro da dor, lembro dos motivos pelos quais resolvi terminar nosso relacionamento, mas ao mesmo tempo acredito no nosso futuro, acredito que você é capaz de me compreender e melhorar. Na minha cabeça você é “complicada e perfeitinha”. Mas não é só você, eu também sou complicada e nossa situação 3x mais, porém ainda assim, eu sinto, sinto que a frase: “A pessoa certa, no momento errado” sempre fez sentido. No momento tenho medo, junto com o medo, saudade, e junto com a saudade, a indecisão.
Tenho medo porque sinto que te quero de volta, mas acho que é tarde demais, eu te mandei uma mensagem, mas você nem sequer respondeu, eu te entendo, virei sua vida de cabeça pra baixo, devo estar pagando o preço agora. De toda forma, sinto sua falta, ou pelo menos, da nossa parte boa…

Carta para depois de mim

Talvez um dia, quando eu já não puder explicar nada, alguém leia estas linhas e compreenda: eu tentei. Tentei de verdade. Chamem-me de exagerado, de fraco, de “peneirado”. Mas só quem sangra por dentro sabe o peso de continuar respirando quando a alma já está cansada.

Desde cedo, meu corpo foi ferido e minha voz calada. Dentro da escola, por pessoas mais velhas, sofri abusos que ninguém quis ouvir. Fui criança demais para entender e condenado a lembrar para sempre. Houve um dia em que cinco pessoas me violentaram, amarraram meus pés e me arrastaram. Eu lutei. Mesmo ali, eu lutei. Mas há dores que não passam — elas apenas se instalam.

Com o tempo, algo em mim se rompeu. Não foi um grito, foi um estalo silencioso. O espírito foi se quebrando aos poucos, até não haver mais como consertar. Hoje carrego um cansaço que não dorme, uma tristeza que não descansa, um medo que me acompanha até quando fecho os olhos.

Sempre tentei encostar na minha própria família. Sempre esperei um convite, um chamado, um gesto simples que dissesse “você pertence”. Nunca veio. Nunca fui convidado para nada. Fui ficando de fora, sendo esquecido, rejeitado. Não por falta de amor da minha parte, mas por ser quem sou. Ser gay foi o suficiente para me afastarem. Isso também dói. Isso também mata um pouco a cada dia.

Tentei amar. Tentei me apaixonar. Tentei existir perto das pessoas. Mas colecionei recusas, silêncios e portas fechadas. O que hoje chamam de desejo de morte é, na verdade, o que sobrou de alguém exausto de lutar sozinho, magoado demais para continuar fingindo força.

Se alguém disser que quer morrer, escute com o coração. Não é fraqueza. É um pedido tardio de socorro. O que salva não é conselho, é presença. Não é julgamento, é acolhimento. Eu nunca aprendi a ser socorrido — por isso escrevo, mesmo com a alma quebrada.

Se estas palavras ficarem, que sirvam para lembrar que eu lutei por muitos anos. Lutei até não restar quase nada. E que ninguém diga que foi falta de tentativa.
Não tenho pena dos mortos, tenho pena dos vivos, ainda por cima que vivem sem amor.

Carta de Despedida
“Pra Ela Que Nunca Mais Voltou”


Ei, garota de olhos escuros e silêncio barulhento…


Não sei se você lembra de mim,
mas tem um pedaço seu que ainda vive em mim como se o tempo não tivesse passado. Você apareceu como quem não pede licença, entrou na minha mente e fez morada num canto que ninguém conhecia.


Foi tudo tão rápido, estranho, misterioso.
Mas, de algum jeito, foi real.
Mesmo que ninguém tenha visto,
mesmo que eu duvide às vezes,
meu peito lembra.


Você foi abrigo.
Foi confusão.
Foi arte em forma de pessoa.
Me ensinou que saudade não precisa durar anos pra doer como se fosse pra sempre.


Hoje, eu não escrevo pra pedir respostas.
Nem pra te culpar.
Eu escrevo porque quero me libertar do que ficou preso aqui dentro.


Se você era real, eu te desejo paz.
Se você era só uma fantasia, eu te agradeço por ter me feito sentir.
Mas agora, eu preciso me escolher.
Preciso me olhar no espelho e parar de procurar seu rosto nos rostos alheios.
Preciso parar de me perguntar "e se?",
e começar a me perguntar "e agora?"


Hoje eu me despeço.
Não porque eu esqueci.
Mas porque eu me respeito.
E porque eu mereço ser amado no presente.


Adeus, garota de franja e mistério.
Você foi capítulo.
Mas eu sou o livro inteiro.

⁠CARTA DE AMIGO CÉTICO

Demétrio Sena - Magé

Meu amigo; vê se não carta - como também não descarta -, mas esta carta não é para tirar da manga... e não manga de mim por causa dela... é para ti. Não Parati nem qualquer outra cidade, mas para ti. Acorda a corda e deixa de marra... ou amarra a marra, que o posto oposto é onde há parto e aparto a briga, pois agora tem ágora para brigas. Não boto acento no assento, há cento e tantos dias não como, como não sei. Só sei que o culto oculto eleva e leva sem desculpas... nem dez culpas... pois nada nada em águas alvas e, o alvo é alvo da mosca na qual jamais acertei.

Eu me livro com livro e sei que a porta aporta lembranças, porta saudades e me pergunta: "E você; qual quer entre qualquer uma?". Seja como for, te peço que peça a peça certa, e acerta; encara a vida em cara limpa e não atira a tira... nem atola a tola no convento com vento, em meio à catinga da caatinga do abandono. É a sina que assina o conto que não conto nem contas, entre as contas dos contra e dos pró. Calma; não sou ator que atormente. Ator mente e atua a tua e também minha vida. Não tenho fé, porque fé demais fede mais; fé de menos nem fede nem cheira.

Acho que acabo aqui. porque há cabo aqui e não quero ser presa da surpresa do acaso nem do ocaso do caso sério com o qual não brinco... mas é brinco na orelha da minha saga. estou doente do ente que há em mim. Não fica assim... ou fica sim, mas não assim, porque há sim, esperança no ar, apesar de a pesar e sentir que não pesa muito. Seja como for, como flor e digiro espinho; dirijo o que digiro para o esquecimento, mas eis que cimento não há. Perdão, amigo; mas eu dei adeus a Deus... e fiquei cético... sei que não tem antisséptico... nem anti-cético para me ajudar.
... ... ...
#respeiteautorias Isso é lei.

UMA CARTA PARA A MORTE


Tenho medo de olhar em teus olhos, mas tenho vontade de sentir o teu beijo frio e o teu abraço gelado, me envolve com tua mortalha, me leva daqui, quero derramar minhas tristezas em teus braços. A vida me fez te desejar, sinto que nasci para morrer, parece que fui feito pra você, quero ir ao mais profundo do abissal, onde ninguém possa me encontrar. Deixa eu lavar tua veste com minhas lágrimas, canta pra mim uma música triste, então deitarei em teu colo e dormirei e não mais acordarei.


Autor: Raone Fonseca

⁠Carta a um Amigo Especial
Faz muito tempo desde que tomamos rumos diferentes, e a vida nos levou para destinos diversos. Mesmo assim, não consegui evitar lembrar de você e dos momentos que vivemos. Cada recordação me traz um sorriso, mas também uma sensação de saudade.

Nosso tempo juntos foi especial para mim de maneiras que palavras dificilmente podem descrever. Você sempre será uma parte importante da minha trajetória, alguém que marcou profundamente meu coração. Ao longo dos anos, aprendi e cresci, mas algo dentro de mim nunca conseguiu deixar você completamente no passado.

Espero que você esteja bem e que a vida tenha sido generosa com você. Gostaria de saber como você está e, se possível, retomar o contato, mesmo que seja apenas para relembrar os momentos que compartilhamos. Sei que o tempo passou, mas acredito que algumas conexões nunca se perdem totalmente.

Se você estiver disposto, adoraria saber como a vida tem sido para você e, quem sabe, reencontrar essa parte de nós que ainda ressoa em mim. Se preferir não retomar o contato, compreendo e respeito sua decisão, desejando-lhe todo o bem do mundo.

Sua sempre amiga!

Carta à minha alma gêmea


Ainda que eu não saiba teu nome, teu rosto vive em mim como um eco antigo. Há algo em mim que te reconhece, mesmo sem nunca ter te tocado.


Talvez sejamos feitos da mesma luz, do mesmo silêncio que dança entre as estrelas. Quando o mundo pesa, é tua lembrança que me alivia, como se tua existência me soprasse coragem.


Não te busco com pressa, porque sei que o tempo da alma é diferente. Mas quando nossos caminhos se cruzarem, não haverá dúvida — só um profundo “enfim”.


E se já nos encontramos, que essa carta te alcance como um sussurro, lembrando que o amor verdadeiro não precisa de provas — só de presença.


Com tudo que sou, com tudo que ainda serei, te espero com leveza, como quem espera a primavera.

Carta aos Romanos 3:12


«Todos se extraviaram, todos se corromperam. Não há quem faça o bem, não há
um sequer.»


Pai,
Estas palavras foram escritas na Bíblia há muito tempo sobre os judeus e os
gregos. Quererá o Pai dizer, nesta situação, que haverá um novo início?

Pai,
Que esse início seja breve, que o seu mundo venha, que os seus filhos se
arrependam, que a sua atitude nos ensine.

Pai,
Não nos olhe com desprezo, não nos olhe com desdém, pois só o Pai pode
ensinar-nos segundo a Palavra. Só o Pai pode transmitir-nos afeto, mesmo
enquanto pecadores.

Pai,
Que o Pai exulte sobre as almas, sobre o nosso ser, melhore as nossas atitudes e
torça pelas nossas melhores decisões.

Pai,
A nossa atitude é errada, mas o Pai está lá sempre para corrigir, para que
possamos ter momentos de reflexão e comungar consigo, pois necessitamos da
sua Palavra.

Pai,
Por fim, peço-lhe que olheis por aqueles que mais precisam, para que cresçam na
fé, no respeito, no exemplo e no ser para com os outros irmãos. Pois só assim
alcançaremos a paz de coração e viveremos em plena união enquanto irmãos em
Cristo.

Amém

❝ ...Você me lê sem pressa, como se lê uma carta antiga, Descobrindo a história em cada linha, cada dobra. E eu sou em você a poesia que não se fatiga, A semente da paz que a cada novo dia se desdobra.
⁠Somos o encaixe perfeito da imperfeição que acalma, Do riso que quebra o gelo e a dor do que passou. Você é a melodia que embala a minha alma, Onde o simples de amar é o nosso maior louvor...❞


------------ Eliana Angel Wolf

Carta à Hora Zero


Eu queria voltar
não para mudar o mundo,
mas para silenciar o relógio
antes do primeiro “agora”.


Às 00h00 de um janeiro antigo,
o tempo piscou
e eu já estava aqui
presa dentro de um corpo
que sente demais para este chão.


Não cheguei em casa.
Caí em território desconhecido,
com uma memória vaga
de algo que parecia
mais verdadeiro do que isto.


Nasci sem mapa,
com nervos de vidro
e uma saudade
que não cabe em palavras.


Enquanto outros aprendiam
as regras do jogo,
eu procurava
a porta de saída
do labirinto.


Carreguei dias
como quem carrega pedras no peito
e ainda me pediam
que eu chamasse isso de vida.


Hoje os parabéns
chovem sobre mim
como pétalas sobre um velório:
belos para quem olha,
dolorosos para quem ficou.


Não é sobre morrer.
Eu só não reconheço
este lugar
como o meu.


Se eu pudesse falar com o Criador,
não pediria o fim,
só uma explicação:
“De onde eu vim
que nada aqui me parece lar?”


Mesmo cansada,
continuo respirando,
não como escolha,
mas como quem ainda
não recebeu permissão para partir.


Talvez eu seja isso:
uma alma em exílio,
olhando o mundo
como quem olha pela janela
de um trem que nunca escolheu pegar.

Em carta, meu último suspiro


Em carta, meu último suspiro,
Expresso o tormento que me assola. Um amor tão puro, porém maldito,
A dor que me consome, indescritível e imola.


Oh, amada estrela, minha doce paçoca, Tu és a razão de minha desventura. Meu coração se desfaz em mil pedaços,
Na angústia profunda de uma paixão que perdura.


Os céus testemunharam nosso afeto ardente,
Uma chama que queima, que não se apaga.
Mas a vida cruel nos separou, infelizmente,
E agora, na solidão, minha alma se afoga.


Em cada palavra que escrevo com lágrimas,
Transborda a intensidade desse amor que me corrói.
A dor, inescapável, como brasas a me queimar,
Numa aflição profunda que me consome e dói.


Me despeço, meu amor, com o coração partido,
Na esperança de que encontres a felicidade.
Mesmo na dor, meu sentimento é infinito,
E carregarei nosso amor com gratidão e saudade.


Que a vida te seja gentil e suave,
Que encontres alguém que te ame com fervor.
Eu parto, deixando um vazio insubstituível,
Mas meu amor por ti será eterno, meu amor.


Adeus, minha estrela brilhante,
Levo-te comigo em cada batida do peito.
A dor é insuportável, mas sigo adiante, Sabendo que em tua lembrança meu amor é completo.


Que a vida siga seu curso, implacável,
E que um dia, possamos nos encontrar além do véu.
Me despeço com dor, mas também com gratidão,
Pois nosso amor, mesmo não correspondido, foi real e cruel.


Adeus, meu amor inigualável,
Adeus, minha estrela, minha sina. Seguirei adiante, em busca de paz,
Mas jamais esquecerei a paixão que me domina.


IL

Carta que nunca te entreguei


Eu sei que você me amou do jeito mais limpo que alguém pode amar.
Sem jogos, sem fuga, sem meio-termo.
E talvez por isso tenha doído tanto.
Eu ouvi quando você disse que me amava.
Ouvi uma, duas, tantas vezes que perdi a conta.
Cada palavra sua era casa, era futuro, era permanência.
E dentro de mim havia vontade, sim,
mas havia também um peso antigo,
um cansaço que não nasceu em você
e uma resistência que eu não escolhi ter.
Existe um muro em mim.
Não foi levantado contra você,
nem para te ferir.
Ele só estava lá antes.
Toda vez que você dizia que me amava,
algo em mim queria correr na sua direção.
Mas outra parte, menor e mais antiga,
batia desesperada por dentro desse concreto,
pedindo que nada fosse aberto.
Você chamava de amor.
Eu sentia como risco.
O problema nunca foi você.
Nunca foi falta de amor.
Foi excesso de medo dentro de mim.
Quando você falava de futuro, algo em mim se fechava.
Não por desprezo,
mas por pânico.
Como se amar significasse perder a mim mesma outra vez.
Porque deixar alguém entrar
sempre significou desmoronar depois.
Existe em mim uma vontade imensa de ser amada assim,
desse jeito inteiro, sem reservas.
Eu sei que mereço.
Mas hoje eu não consigo corresponder
sem me violentar por dentro.
Eu queria sentir só o amor,
mas sentia o medo junto.
Queria ficar,
mas meu corpo gritava para não prometer
o que ainda não sei sustentar.
Você me ofereceu paciência,
futuro, permanência.
E eu sei que isso é raro.
Mas o problema do muro
é que ele não cai com promessas.
Ele cai com tempo.
E eu ainda não tenho esse tempo dentro de mim.
Eu me irritava, me afastava, me culpava.
Não porque você errava,
mas porque eu ainda não sei receber cuidado sem desconfiar.
Você merece alguém que te ame sem hesitar,
sem se irritar sem motivo,
sem carregar fantasmas que não são seus.
Merece descanso, não dúvidas.
Te deixar ir foi uma forma torta de respeito.
Porque te amar pela metade
seria mais cruel do que te perder inteira.
Talvez um dia eu aprenda a amar sem esse nó no peito.
Talvez um dia o futuro deixe de me causar náusea
e passe a parecer escolha.
Hoje, amar você exigiria
trair o silêncio que ainda me protege.
Se eu fui embora,
não foi por falta de sentimento.
Foi porque ainda estou aprendendo
a distinguir abrigo de prisão,
amor de sobrevivência.
Um dia, talvez,
esse muro vire porta.
Hoje, ele ainda é o que me mantém de pé.