Carta a um Amigo Especial

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"E que a gente traga na bagagem desta vida
A lembrança das paisagens
Pra que um dia exista alguma diferença
Entre o bom e o ruim
No final, se apruma na incerteza
Sobre tudo aquilo que esses olhos viram
Concluindo que a existência passa
Fica a graça, o alento
Na miragem, na espera...a ilusão passageira
Um mero mensageiro, num veleiro que navega
Contudo
O conteúdo verdadeiro da mensagem
Esse, ele jamais entrega"

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Fim
Mais um fim
Que apesar de o chamarmos assim
Diferente das ilusões
Às quais nós tanto nos acostumamos
Ainda não acabou pra gente
Pois a vida ainda segue em frente
Nem muito linda
Tampouco eternamente triste
É só a vida que a gente tem
Indiferente à nossa vontade, ela existe
Enfim
Mesmo se a gente não sorrir do jeito que queria
Que jamais percamos a alegria de seguir tentando
Viver é preciso
E um sorriso verdadeiro
Vai surgir de vez em quando
Pois que a gente tenha a força de viver
Esse nosso querer diário
De constantes quereres, se assim quiseres
Eles, o Universo sempre os enviou, diariamente
Indiferente ao calendário
A vida permanece
Não que a vida seja feita de vontades
Mas são elas que nos fazem levantar da cama, todo dia
Não em busca de alegria
Nem jamais em busca do querer
Porém, buscando serenidade em reconhecer
Lá no fundo do coração
A alegria de só saber
O que realmente quer, enfim
Com a mais linda e sincera vontade
O raro que se busca, não é forjado em ouro
Mas na simplicidade relegada, deixada de lado
Esquecida
E o brilho do ouro a ofusca
Pois que o mundo aprenda
A desvendar a essa busca, tão prosaica
Resumida em não e sim
Antes do fim.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Creio eu
Que talvez, o segredo
A bem viver a vida
É guardar sempre pra si
Um pouco de coragem
Misturada ao medo
Saber viver as alegrias
Mas só um pouco dela a cada dia
Penso
Num momento de silêncio
Em meio ao caos
Nem todo mal
Nem todo bem com muito afã
Pra que a vida seja bela
Deixe um pouco da tristeza
Para vivê-la também amanhã
Feche a janela para o Sol
Deixe entrar a escuridão do dia
E você sorrirá
Pra luz do Sol de amanhã
Não se come todo o almoço
Numa única garfada
É preciso tempo pra esfriar
Consolidar, brotar, crescer
Secar e até morrer
Não sinta pressa em livrar-se de nada
Cedo ou tarde as coisas se vão
O tempo é que rege essa vida
E é sempre bom ter lágrimas nos olhos
Pra que se contenha as risadas
Mesmo que elas venham
Vão passar
Pois tudo passa
Tudo e nada
Solidão também faz companhia
Penso eu, que a graça da vida
É saber dividi-la
Não se vive tudo de uma vez
De um fôlego só
Uma só voz
É preciso guardar sempre um pouco
de lágrimas e de sorrisos
E, quem sabe, a presença
de alguém que seja louco o suficiente
Para estar
Sempre presente em nossas vidas
E queira estar com nós.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

Sonhei comigo
Onde eu me via
Como um velho abrigo
Cuja companhia
Há muito que eu não tinha
Sonhei comigo
Onde eu me vi
Como jamais pensei que eu era
E percebi que sem atentar
Eu sempre havia sido
Aquela cara era minha
Perguntei por mim
Com certo medo
Assim
Como quem jamais tinha me conhecido
Como alguém que nunca mais eu vi
Mas era eu
Meu velho amigo estava ali
E eu era alguém
Que pensei
Que nunca mais veria
Assim, pela primeira vez na vida
Chorei de alegria
Por uma espera
Que havia chegado ao fim
E era por mim.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Andando pra sempre sozinho
E agindo pra sempre
Como se eu fosse sempre
Muito mais que um
Obedecendo a lei que determina
Que o dia termina pra sempre
E que indeterminadamente
Sempre há de nascer mais um
E se juntar pra sempre o hoje
Com todos os outros
Que nasceram antes de anteontem
Não tenho nenhum
Eu venho de lugar distante
Que fica adiante de onde nasce a Lua
Mas como sempre o mundo gira
A Lua queimou numa pira
Perdida na esquina que vira
Desce a rua e chega
Em frente à colina
Onde a noite termina e sempre nasce o Sol
Mas esse Sol também se despede
E o tempo concede mais um dia
E mais um e mais um
E eu
Andando pra sempre sozinho
E agindo pra sempre
Como se fosse eu pra sempre
Sempre mais que um.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Eu
Procuro urgentemente
Um coração sincero
Pra guardar lá dentro este poema
Que escrevi na folha de papel
Da folha de papel
Eu fiz um avião
O vento veio e o carregou
Saiu em busca
De amor inteiro
E não de meio amor
Alguém que me faça sentir
Vontade de lembrar
Das coisas que falamos ontem
Alguém pra eu poder
Pensar o dia inteiro
Ser dono da saudade que ela sente
E a causa do sorriso em seus olhares
Procuro um coração que também voe
Eu busco urgentemente
A alma inteira e boa e verdadeira
Que queira de verdade
Ser a alma companheira
Dessa metade de alma
Que, feita de papel
Flutua ao léu
Pra andar de mãos dadas na rua
Escrever seu nome junto ao meu
Em algum lugar lá do céu
Pra nunca mais viver à toa
Procuro alguém
Que nada e nem ninguém
Jamais a separe de mim
Alguém que queira alguém assim
Desse jeito que escrevi
Pois o poema
O vento há tempos que o levou
Mas eu ainda estou aqui.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Outro dia eu vi o desenho
de um lugar feliz
Em que todos tinham muito tempo
Onde todo mundo tinha voz... e vez para falar
E eram muitas as vozes
Vozes a cantar ao vento
Era tanta a luminosidade
Que a própria luz do Sol
Parecia ser somente um lume
Uma falsa e velha flor
Já desbotada e sem perfume
Durante o reinado da ilusão
Realidade é fração de momento
Um cume de montanha pra poder morar
Com nascente de águas cristalinas
Pra guardar em cântaros de porcelana
Cada palmo e cada prumo
Cada alma sedenta em seu rumo
Mas esse lugar
Era apenas um colar de sonhos
Pois pétalas bonitas e serenas
Podem até desabrochar ao Sol
Mas as flores em botão
Essas brotam noutros tempos
Mais difíceis e cinzentos
Pois o tempo é o mais sincero dos amores
E ele veio...um dia ele veio
Dentre toda relação que cresce
O tempo estabelece
A relação entre a causa e efeito
E veio o tempo de chorar
Pois sempre existe
O tempo de chorar sorrindo
E de sorrir chorando
O tempo de plantar
E o de colher
De sorte
Que as menores sementes
Dão árvores de grande porte
Cada coisa em seu lugar
E o lugar para ilusão é uma ilusão também
Outro dia eu vi o desenho
De um lugar chamado vida
e eu estava lá e via
Mas não vi as coisas do mesmo jeito
Não no lugar de onde eu venho
Pode ser também que toda aquela gente
Tenha olhos que eu não tenho.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Tristeza
É o nome de um lugar
Que não tem chão
Um lugar que foi criado
Pra semear-se ilusões
É um lugarejo tão distante
Que só vejo uma razão
Pra se estar lá
É ter plantado uma planta
Chamada falsa esperança
Que é algo que quem semeia
Palmilha com a planta dos pés
Planta espinhenta e tão falsa
Que se planteia descalça
E fere as palmas das mãos
Para tirá-las
Quem perdeu-se lá
Perdida a alma
Saída não tem
Se cala e fica lá
Mas não fala pra ninguém.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Um dia eu desejei
Possuir a todo um campo florido
Num verde vale, onde a brisa
Soprasse de leve toda manhã
Hoje eu sei que ninguém precisa
de nada mais que uma pétala
Simples...pequena
Todas as flores do campo se vão
Mas um breve toque de pétala no coração
Apenas de leve, de maneira
Que só por mim seja sentido
Permanece assim...pra sempre
Ao abrigo do peito
Juntinho da gente
Desse jeito, pela vida inteira
O amor de uma única mulher
Como a pétala que se deseja
Escondido aqui
Pra que ninguém
Nem mesmo ela veja
Que esse lugar, somente ela tem
Pois só seu sorriso adentrou
E mesmo que esse amor ela não queira
Ele vai ficar pra sempre
E ela, eterna!
Eternamente a primeira.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Ilusão.

Acontece numa tarde linda
de um tempo que talvez
Não tenha vindo ainda
Meu mirante é o alto da colina
e de lá eu posso ver a todos os lugares
Lá, vivemos todos
Uma coisa que eu creio que esteja
um degrau acima, talvez dois
da mera esperança em todos sermos
Algo que a vida obrigou
a deixar pra depois
Eu vejo o início da estrada
E também onde termina cada uma
Posso ouvir desejos e orações
Sentir a dor no coração de quem detém cada pedido
E cada medo
Cada medo de viver a vida a esmo
Consumidas no miasma que as consome
O medo em libertar a dor guardada
Aquela que em cada manhã lhes invade
Enorme e em segredo
Medo até do fogo eterno
Enquanto a chama interna os queima em vida
Cada imagem de espelho
Todo dia tem lhes revelado
A miragem refletida atrás de si
As almas não se reconhecem
Por receio de olhar-se
Se fogem de molhar na tempestade
E todos vão vivendo a própria vida
Em seu mundo perfeito
Aqui nesse lugar a noite nasce feliz
Cada estrela onde quis estar
A lua, linda, vem dizer
Que esse dia não chegou
e novamente eu desço
ao degrau da esperança
esperando que algum dia seja realmente
Essa tarde tão linda
de um tempo que talvez
não tenha vindo ainda.

Edson Ricardo Paiva

Inserida por edsonricardopaiva

⁠"Aqui na minha rua
Tem uma casa que fica
No quintal de um pé de nada
E mora debaixo da lua
Quem a vir, de olhar distante
Na hora em que brilhar de iluminada
Nem nos seus melhores sonhos
Desconfia da alegria que morava lá
Mas mudou-se, escondeu-se igual
Só que ora, distante."

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Eu tanto pensava em colher em vida
Um espaço entre quatro linhas
Linhas tortas, quiça tivesse
Uma horta de flores que Deus me desse
Regadas da dor doída, ao longo de uma jornada
Eu tanto quis, de querer
Um querer que me foi verdadeiro e existe ainda
Um simples canteiro de céu
Daqueles que nos ensinaram que existia
Desses, que eu tanto ensino a quem puder
Que eles existem
Um pedaço qualquer entre algumas linhas
Daqueles, com nome da gente escrito
Que ao longo do tempo é que se descobre
O quanto era pobre esse nosso pensar
Sobre dor doída ou de sofrimento
Não era, essas coisas não eram minhas
Era apenas sobre toda raiva
Que não fosse devolvida
Era sobre deixar aqui, quando voltar
A todo pedido de desculpas
Que devia ter pedido e que não foi pedida
Era sobre aprender a enxergar
Uma grande conquista
Um tanto assim de céu que já temos
Todo dia sobre as nossas cabeças vazias
Repletas de atmosferas
Era sobre saber ver apenas
Pequenas coisas que estão bem diante das nossas vistas
Pouco importa as flores que cresçam lá
Que nem cresçam, que nasçam mortas
Gira sobre a complexidade das coisas simples
Que tanto nos esforçamos em torná-las complicadas
E, no final, o mais nos interessa
Não passa de um monte de nada, de todo sinceras
É a surpresa de perceber
Que agora, quase nada mais nos surpreende
São as dores que não mais queremos
É o amor que nos ensina a não querer deixar elas aqui
Pra que outros também as sintam
E essa forma sucinta e profunda de viver a vida
É que haverá de regar ou não
Os jardins da outra vida
Porque tudo sempre recomeça
No lugar exato onde termina
Esquecer a pressa de sentir-se
Triste ou feliz
Essas coisas vem
E são sempre mais pesadas para quem não quis
Quando tudo volta e se mistura
E nada mais se encontra
É ali que se acha o segredo
As flores, canteiros, os medos da vida
Uma orquestra de letras e notas misturadas
Volta tudo pro universo enorme
Com o nome da gente escrito
Onde tudo é mais pleno e bonito
Quanto mais pequeno
E sereno é o pranto
Se eu pensar menos em mim
A vida é mais simples assim.



Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠"Passarinho, fim de tarde
Pensamento, Sol que ardia
Finda o dia, nunca é mais um dia
Há um só momento, uma hora boa

O gosto de voar contigo assim
Breve instante em que eu te olho
E vejo em meu pensar à toa
Qual se fosse um passarinho

Eu trouxe o meu sorriso pra mostrar
Você nem viu, não veio
Não existe olhar que alcance

Passarinho foi-se embora
O olhar ao longe chora, ecoa
Pensamento não se cansa, voa. "


Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Haverá respostas
Se vivermos por buscá-las
Encontrará quem não viver só pela vida
Como um pássaro pequeno, que não voa ainda
Aguarda em paz
E sabe mais que todo aquele
Que não vê mistério em nada
E tem sido sempre assim...eis a graça e a lei da vida
O conflito interno, a guerra, o dia ruim
A terra embrionária...flores mortas
Que visão mais torta, que dores são essas?
E, sem pressa, estrelas
Esperando lá no céu, para poder ser lidas
Vida celular oculta, secular.
Areia do deserto
A vida, uma arquiteta paciente
Aguarda um dia a nuvem vir chover lá perto
Repletas do saber de Deus
Noite alta de profundos sonhos
Enquanto a brisa leve cruza o mar à luz da lua
Desenhando um novo mundo
Que vem lá de não sei onde
Ninguém sabe a vida e o que ela traz
A parte que te cabe é tentar perceber
A melhor maneira de vivê-la
...ou viver só por viver
Eis a graça e a lei da vida

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Há momentos
Que valem uma vida
Como andar na chuva
Olhar pra cima e perceber
Um raio de Sol que a invadiu
Chove dentro de você
É preciso uma miragem
Uma fagulha frágil
Um sonho em forma de mensagem
Num milagre, a lucidez
Era preciso uma visão
Que talvez não te venha jamais
Não dessa forma sucinta
Veja, chove no papel
E o presente é uma tinta que o borra mais
É querer ouvir a própria mente
Enquanto a mente, propriamente, não se cala
Há momentos
Que podem valer uma vida
Um pensamento que te aguarda há muito
Paciente, lá no fundo do quintal
Até que a mente se aquiete
E pense até ser ouvida
Por enquanto é tudo que lhe resta
No entanto
Esse momento vale uma vida.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Nada
Que te pode ser tirado
Te pertence
Não pense que Deus fez a vida
Pra te dar alguma chance
ou uma oportunidade.
Deus é um Deus de decisão
e de boa vontade
Fica tudo que se faz na vida
Conta mais o que se fez da vida
É semente de flor que não germina
É palavra certa na hora errada
De nosso na vida... é a vida
Luz do Sol, sopro da brisa, o cantar de um pássaro qualquer
a hora à toa... e algum tempo de vida
A Luz da vida é um sopro, um canto
Um pranto à guisa da vontade alheia
Volta e meia dando asa à vida
Hora inexata, imprecisa
A vida era assim, quando era boa
de uma hora pra outra ...ela voa!
Amor bom, sem destino
Era puro em tempos de menino
Amor só...só de espera
Claro, cristalino
Ele era de alguém?
Não, não era!
Era crer e também bem querer amar alguém
Todo aquele que não, também.
Pois o coração da gente é uma casa
Não tem porta e nem portão
Só tem duas janelas
O nome de uma é Amor
O da outra é Espera
Talvez nosso amor seja pouco
Pode ser que a espera seja tanta
O resumo da vida
São só sementes que germinam
das flores que a gente planta
Muitas serão esquecidas
Outras serão lembradas
Teu, é o fica
Da vida não se leva nada!

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Há pensamentos
Que conduzem nossas mentes
A lugares onde
a imaginação não chega
Como um avião, daqueles de papel
Que, uma vez lançado, não se nega a voar
Porque não tem vontade própria
Tem apenas o céu
Mas vão somente até onde o vento os levar
Depois se entrega, se aconchega
e se deixa ficar uma tarde
Uma triste metade assimétrica
Uma cópia de felicidade
Um voo que não leva a nada
E que não chega a revelar nenhum segredo
Um medo bobo, uma dor escondida
Cujo pensamento, sem muita imaginação
Lhe força a mantê-lo guardado
Em algum
dos muitos lugares desertos
Que existem em qualquer coração
Assim a vida vai colhendo
Pensamento e pensamento em vão
Assim se vão passando as tardes
A cada tarde, outra omissão
Outro alarde mudo, inexistente
Ali na mesa ao lado, próximo da gente
E isso é tudo
Um enlevo
Outro trevo de quatro folhas que não foi colhido
Só que a vida é bem mais do que isso
E tudo é muito mais bonito e mais profundo
Podia ter sido algo além...ter ido mais longe
Só que estava perto, muito perto
Foi só outro avião de papel que caiu
Num dos muitos lugares desertos.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

Aqui na minha rua
Tem uma casa que fica
No quintal de um pé de nada
E mora debaixo da lua
Quem a vir, de olhar distante
Na hora em que brilhar de iluminada
Nem nos seus melhores sonhos
Desconfia da alegria que morava lá
Mas mudou-se, escondeu-se igual
Só que ora, distante
Sob um pé de pensamentos
Entremeado de dimensões
Mas que morreu de seco e quedou-se no próprio eco
Só que esse era mudo, era atroz qual num galope
Mas não tinha voz
Era feito de espera, era quase perfeito
Penso que quem não o conhece
Pode ser que pense que era e o compre
Pois o som não se propaga no silêncio...o rompe.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Um Texto sobre a Poesia da Relatividade.

Enxergamos despedidas
Tempo e lugares distantes
Borboletas antigas
Buscando uma pétala vaga
Pra descansar as velhas asas
Vagando sobre flores desbotadas
Que recobrem um resto de alegria
Que flutua na memória
Uma pintura
Uma palavra do Mestre
Arte rupestre do acender das luzes
Traz de volta à vida outras luas passadas
A felicidade primordial, rudimentar
A única que foi real
Vem romper com a ruptura
Em formato de palavra dura
E mostra uma flor que não víamos naqueles dias
Provando que o tempo não retrocede
Senão como saudade
Que nem mesmo a sede, uma vez saciada
Há de voltar às nossas vidas
Se despede, se despe de nós
Vai zunir nas asas de uma velha abelha
Fazer morada nas telhas
De uma casa há muito demolida
Tudo está pra sempre lá
Porém velho, desbotado e sem vida
Talvez seja essa a relatividade do tempo
A velha roseira ao meu lado
Sempre trará flores novas
A roseira nova do passado
Não há provas que tenha existido.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva

⁠Tem um mundo
Lá no coração da gente
Um mundo sempre igual
Só que diferente
Porque lá também tem céu
Só que nunca é o céu presente
É sempre outro, o tempo
E tudo é melhor, eternamente
Mas só dá pra olhar pra ele
Quando o olhar da gente
Como num barco distante
Olha o mar
Quando uma fogueira acesa
Lá no alto da maior montanha
Uma pipa no céu
Que se torna avião
Contorna o mundo
e volta pra um dia qualquer
Nesse dia é de tarde
E a gente se vê
Lá no galho de uma árvore
Porque lá tem quintal também
Só que sempre é diferente, é melhor
Mesmo assim, distante o chão
Ainda que eu voasse
E, lá nesse céu tivesse
O rosto de tanta gente
Que passou pelas nossas vidas
Gente que nos esquece
Porque sempre haveremos de ser esquecidos
Nesse mundo o esquecimento é diferente
E tudo sempre volta
Em formato de brumas
Como um barco na noite
Que passa lá, distante
E você numa montanha
A montanha no quintal
O quintal lá no galho
O galho no céu
Que se torna avião
Que contorna o mundo
E traz você sempre de volta
E quando volta você deixa lá teu rosto
Pra que sempre sejamos lembrados
Em formato de bruma sem nome
Somos todos crianças brincando no mesmo quintal
Se pudéssemos sair pra brincar
Com certeza a gente iria pra lá
Sempre...ou de vez em quando.

Edson Ricardo Paiva.

Inserida por edsonricardopaiva