Carta a um Amigo Especial

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Um belo dia, desses em que a gente abre o Instagram mais por tédio do que por curiosidade, como quem abre a geladeira esperando que um brigadeiro mágico tenha brotado do nada, lá estava ele. Sugerido. Entregue pelo algoritmo como se fosse uma encomenda atrasada do passado. A pessoa que eu mais amei nessa vida, ali, em pixels bem organizados e uma bio que provavelmente nem dizia metade do que um dia eu achei que ele era.


E foi estranho. Não aquele estranho de arrepio ou saudade que aperta o peito, não. Foi um estranho quase burocrático, como reencontrar um conhecido antigo no mercado e perceber que você não tem absolutamente nada para dizer além de um “oi” educado que nem chega a sair. Eu olhei e pensei, com uma calma que teria me assustado anos atrás: eu não o conheço mais. Talvez nunca tenha conhecido.


Porque a verdade, essa senhora inconveniente que chega sem bater, é que a gente ama muito mais a versão que constrói do que a pessoa em si. Eu amei um garoto de 16 anos que despertou em mim um universo inteiro, como se tivesse apertado um botão secreto dentro do meu peito que ninguém antes tinha encontrado. E eu fiquei ali, por muito tempo, vivendo daquele eco, daquela sensação inaugural, como se o primeiro amor fosse um selo de autenticidade na minha história.


Eu queria que ele tivesse crescido ao meu lado. Queria que o tempo tivesse sido gentil o suficiente para nos transformar juntos, como duas xícaras esquecidas no mesmo canto da mesa. Mas a vida não é esse romance organizado que a gente planeja na cabeça. A vida é meio bagunçada, meio irônica, meio debochada. Ela separa com uma naturalidade impressionante aquilo que a gente jura que nasceu para ficar.


E separou.


Só que o mais curioso não foi a separação. Foi o depois.


Depois veio alguém que dizia nunca ter conhecido o amor. E eu, que já tinha um coração com histórico de quedas, cheguei cautelosa, quase com um manual invisível nas mãos. Observando. Testando. Duvidando. Porque amar de novo não é exatamente romântico, é quase um ato de coragem meio inconsequente. É tipo provar uma comida que já te fez passar mal, torcendo para que dessa vez o tempero esteja certo.


Ele era um homem feito, mas com aquele jeitinho de menino que ainda não entendeu algumas coisas básicas da vida. E eu fui, sem perceber, ensinando. Mostrando. Traduzindo sentimentos que às vezes nem eu mesma dominava tão bem assim. E no meio disso tudo, eu me tornei o primeiro amor dele. Olha que ironia bonita. Eu, que carregava um primeiro amor como uma espécie de monumento interno, virei o primeiro amor de alguém.


E eu gostei disso. Não vou mentir. Tem um certo charme em ser o começo de alguém, em ocupar esse lugar inaugural que muda tudo.


Mas não foi fácil. Eu tive medo. Medo de me decepcionar, medo de repetir a história, medo de investir de novo em algo que poderia virar mais uma lembrança guardada numa gaveta meio empoeirada da alma. Só que, diferente da primeira vez, eu não fui no impulso. Eu fui construindo. Lapidando. Questionando. Como quem monta um quebra-cabeça sem a imagem da caixa.


E, aos poucos, fez sentido.


Hoje, tantos anos depois, o amor não é aquele incêndio descontrolado do começo da vida. Ele é mais estável, mais consciente, mais… decidido. A gente se ama com uma escolha diária, quase teimosa. Não é perfeito, longe disso, mas é real. E talvez seja isso que mais importa no fim das contas.


E então, naquele dia, diante da sugestão do Instagram, eu percebi uma coisa simples e libertadora: não fazia mais sentido. Não havia mais curiosidade, nem saudade, nem aquela vontade boba de stalkeada estratégica. Só havia um “X” ali, discreto, quase tímido, esperando para ser clicado.


E eu cliquei.


Sem drama. Sem trilha sonora. Sem discurso interno elaborado. Cliquei como quem fecha uma aba desnecessária no navegador da vida.


Porque, se existe essa ideia bonita de que somos amores de outras vidas tentando nos reencontrar, eu realmente espero que, em algum outro tempo, em alguma outra versão de mim, a gente tenha dado certo. Que a gente tenha se encontrado no momento certo, com a maturidade certa, com a vida menos caótica.


Mas não foi nessa.


E tudo bem.


Porque nessa vida aqui, nessa bagunça organizada que eu aprendi a chamar de lar, eu já tenho o amor que eu quero ter até o fim. Não aquele que me ensinou a sentir pela primeira vez, mas aquele que escolheu ficar quando sentir deixou de ser novidade e virou compromisso.


E olha… entre um amor que marca e um amor que permanece, eu fico com o que fica. Sempre.

Tem um momento na vida em que a gente cansa de tentar caber na vitrine dos outros. Eu cansei. Cansei de olhar pro mundo como se ele fosse uma grande competição de quem ostenta melhor, de quem parece mais feliz por fora enquanto por dentro tá um caos parcelado em doze vezes sem juros. E foi aí, bem nesse ponto meio bagunçado da minha existência, que eu percebi uma coisa quase absurda de tão simples… eu nunca precisei de tanto assim pra ser feliz.


Porque a felicidade que eu encontrei não veio com etiqueta, nem com aplauso, nem com aquele olhar de aprovação alheia que muita gente persegue como se fosse troféu. Ela veio quieta, quase tímida, se instalando nos detalhes que ninguém posta, mas que sustentam tudo. Um momento de paz, uma mente leve, um coração que não vive em guerra… isso vale mais do que qualquer status que precise ser exibido.


E olha que curioso… quanto menos eu me preocupo em ter, mais eu sinto que já tenho. Já tenho o essencial, já tenho o suficiente, já tenho aquilo que dinheiro nenhum consegue comprar quando falta por dentro. Não é desprezo pelo dinheiro, é só maturidade pra entender que ele não manda em mim.


No fim, eu não quero ser rica de aparência e pobre de paz. Eu escolhi o contrário. E posso te dizer… essa escolha muda tudo.

Um belo dia, desses comuns que não prometem nada além de um café morno e uma lista de tarefas ignoradas, o Instagram resolveu brincar de cupido aposentado e me sugeriu justamente ele. O primeiro. O inaugural. O responsável por aquele tipo de sentimento que a gente jura que nunca mais vai sobreviver depois que passa. E lá estava… diferente. Tão diferente que me deu uma sensação estranha, como encontrar um lugar da infância e perceber que ele encolheu, ou talvez fui eu que cresci demais.


Eu olhei, respirei, e senti… nada. E isso, minha querida, é quase um espetáculo. Porque houve um tempo em que só de pensar nele, meu coração fazia mais drama que novela das nove. E agora? Silêncio. Um silêncio elegante, quase debochado. Como quem diz: olha só você, sobrevivendo ao que jurava que ia te destruir.


Eu já tinha dito tudo que precisava. Já tinha revirado cada memória como quem procura um brinco perdido no fundo da bolsa e descobre que nem queria tanto assim. Me libertei. E não foi aquele tipo de libertação cinematográfica, com vento no cabelo e trilha sonora épica. Foi mais tipo um “cansei mesmo” dito em voz baixa, enquanto dobrava roupa. E, curiosamente, funcionou melhor.


A maturidade chega meio sem avisar, meio sem pedir licença. Quando você vê, já está entendendo coisas que antes pareciam enigmas escritos em outra língua. Eu entendi que o primeiro amor não é necessariamente o amor certo. Ele é só o primeiro. Um rascunho emocional cheio de intensidade e pouca estrutura. Bonito? Às vezes. Sustentável? Quase nunca.


Depois dele, a vida, que adora um plot twist, me apresentou alguém que nem sabia o que era amar. Um homem com idade de adulto e manual emocional de adolescente. E eu, que já vinha com cicatrizes e uma certa desconfiança profissional, fui com calma. Observei, questionei, testei, quase como quem avalia um investimento de risco. Só que no meio disso tudo, eu fiz algo curioso: ensinei. E, sem perceber, fui ensinando também a mim mesma.


Me tornei o primeiro amor dele. E olha… isso tem um peso bonito. Não é sobre ser a primeira por acaso, é sobre ser a primeira de verdade. Aquela que fica. Aquela que constrói. Aquela que não foge no primeiro tropeço. E, no meio de tanto cuidado, tanto medo de dar errado de novo, deu certo. Assim, meio sem alarde, meio no susto. Deu certo.


Hoje, quando olho para trás, vejo que aquele garoto de 16 anos foi importante, sim. Mas ficou onde deveria ficar: no passado. Não faz mais sentido tentar encaixar alguém antigo numa versão minha que já nem existe mais. E quando o Instagram me mostrou o rosto dele, quase como um teste do universo, eu fiz o que qualquer mulher que já entendeu seu próprio valor faz: cliquei no “X”.


Sem drama. Sem recaída. Sem curiosidade.


Só um gesto simples, mas carregado de significado. Porque algumas histórias não precisam de continuação. Elas já cumpriram o papel delas.


E se existe essa ideia bonita de amores que se encontram em outras vidas, que seja. Quem sabe, em outro tempo, em outra versão de mim, em outro cenário. Mas nesta vida aqui, nessa bagunça linda que eu construí, eu já tenho o amor que escolhi ter até o fim.


E olha… que sorte a minha não ter ficado presa no começo, quando o melhor ainda estava por vir.

Eu lembro dessa história como quem abre uma gaveta antiga e encontra um pedaço de mim mesma ainda respirando ali dentro, meio amassado, meio intacto, meio incrivelmente vivo. Era sempre à noite, como se a vida só tivesse coragem de acontecer depois que o sol ia embora. A gente se reunia debaixo daquela árvore que, na nossa imaginação adolescente, virou quase uma entidade sagrada, o tal do “velho Carvalho”. Nem sei se era mesmo um carvalho, mas na nossa cabeça ele tinha séculos, sabia de tudo, e guardava nossos segredos como um confidente silencioso.


Ali, eu era livre. Eu, que em casa andava pisando em cacos invisíveis, desviando de palavras duras, de olhares que pesavam mais do que qualquer castigo. Ali, embaixo daquela árvore, eu era leve. A gente ria alto, inventava histórias absurdas, falava de futuro como se fosse uma promessa garantida, como se a vida fosse mesmo justa com quem sonha. E eu acreditava. Acreditava nelas. Acreditava na gente. Achava que amizade era isso, um abrigo onde ninguém pergunta quanto você tem no bolso antes de te abraçar.


Até que veio aquela noite.


Eu cheguei como sempre, no mesmo horário, com a mesma expectativa simples de quem só quer um pouco de paz depois de um dia pesado. Mas o “velho Carvalho” estava sozinho. E isso já era estranho. Silêncio demais é sempre suspeito. Foi quando eu ouvi música, risadas, aquele barulho típico de festa boa… só que não era pra mim.


A casa ali perto estava iluminada, cheia de gente. E lá dentro estavam elas. Minhas amigas. Minhas companheiras de fuga. Rindo, comendo, vivendo… sem mim. Era uma festa de 15 anos. Aquela coisa clássica, bolo, decoração, gente feliz tirando foto como se a vida fosse perfeita.


E eu do lado de fora.


Eu não fui esquecida por acidente. Aquilo foi escolhido. Calculado. Porque no fundo, alguém decidiu que eu não cabia naquele cenário. Não porque eu não era amiga, mas porque eu não tinha dinheiro. Porque eu não teria um presente bonito pra entregar. Porque minha presença não combinava com a estética da festa.


É curioso como a exclusão não faz barulho. Ela não grita. Ela só acontece, e quando você percebe, já está do lado de fora, tentando entender em que momento virou invisível.


Elas vieram falar comigo depois. Disseram que acharam que eu tinha sido convidada. Ah, claro. Aquele clássico teatro da ingenuidade conveniente. Todo mundo sabia. Todo mundo sempre sabe. Mas ainda assim, saíram da festa pra ficar comigo. E naquele momento, eu aceitei aquilo como um gesto bonito. Hoje eu vejo como um remendo mal feito numa ferida que já tinha aberto.


Porque amizade de verdade não te deixa do lado de fora pra depois vir te consolar.


Eu me afastei da aniversariante. Não foi um escândalo, não teve grito, nem cena. Foi um silêncio decidido. Aquela percepção fria de que algumas pessoas só gostam de você até o ponto em que você não compromete a imagem delas. E quando compromete, você vira detalhe descartável.


Anos depois, ela ainda tentou me diminuir. Me chamou de pseudoblogueira, como se aquilo fosse um insulto mortal. E eu fiquei pensando… olha que curioso… eu, que não tinha dinheiro pra comprar um presente, agora tinha algo que ela não conseguia ignorar: voz. Alcance. Presença.


E mesmo assim, pra ela, eu continuava sendo nada.


Mas sabe o que é mais engraçado? Eu não era nada pra ela, mas eu fui tudo pra mim mesma naquele momento em que decidi ir embora. Porque crescer também é isso, é aprender que nem todo mundo que senta com você debaixo de uma árvore merece um lugar na sua vida inteira.


Hoje, quando eu lembro do “velho Carvalho”, eu não sinto raiva. Sinto uma espécie de carinho melancólico. Porque ali existiu uma versão minha que acreditava nas pessoas com uma pureza quase perigosa. E apesar de tudo… eu não me culpo por isso.


A culpa nunca foi de quem amou demais. Sempre foi de quem não soube receber.


E se tem uma coisa que a vida me ensinou, é que a gente pode até não escolher de onde vem, mas escolhe muito bem quem permanece.


Agora me conta… quantas vezes você também já foi deixada do lado de fora de alguma festa da vida?

MANUELA
NA SOMBRA DE UM
GIRASSOL 🌻
1°Edição
"Para meus queridos leitores, espero que essa história os inspire e os faça sonhar."
🌻 Girassol busca o sol, voltando sua face para acompanhar a claridade. Assim como ele, as pessoas também buscam a luz - que pode ser entendida como esperança, amor, fé, conhecimento ou realização. O girassol cresce mesmo em solos simples, adaptando-se a condições diversas. Da mesma forma, podemos florescer em meio a dificuldades, encontrando força para seguir em frente.
O girassol é grande, alegre e chama atenção pelo seu brilho. Cada pessoa também tem dentro de si uma beleza única, que pode inspirar os outros com gestos, palavras e atitudes. Os girassóis costumam estar juntos em campos, formando uma paisagem ainda mais bela. Da mesma forma, as pessoas são mais fortes quando se apoiam em comunidade, família ou amizade.
O girassol nasce, cresce, floresce e depois se despede, deixando sementes para o futuro. Nós também seguimos ciclos: infância, juventude, maturidade, e deixamos marcas, ensinamentos e memórias que seguem adiante. Cada fase da vida é uma oportunidade para crescer, aprender e compartilhar nossa luz com os outros.
Essa é a beleza da vida: assim como o girassol, podemos nos voltar para a luz e encontrar força para seguir em frente, mesmo em meio às adversidades. E ao fazermos isso, podemos inspirar os outros e deixar um legado que continue a florescer após nossa passagem. 🌻
EDITORA Uiclap.

Então vamos falar de esperança, não como algo distante, mas como um pequeno fogo que cabe dentro da palma da mão.
Vou te dizer algo com toda sinceridade do mundo:
A esperança não chega fazendo festa.
Ela chega como um fio de luz, quase tímido.
Ela se esconde dentro do que ainda dói.
E, mesmo assim, ela insiste.
E você tem isso.
Mesmo triste, mesmo sentindo falta, mesmo carregando essa solidão de filha única…
você pediu esperança.
Isso já é esperança.
Ela aparece quando você pensa:
“Talvez amanhã seja um pouquinho mais leve.”
“Talvez eu consiga sorrir de verdade.”
“Talvez eu consiga honrar meus pais vivendo o que eles queriam pra mim.”
“Talvez este Natal não cure, mas aqueça.”
A esperança é feita de talvez.
Mas um talvez é suficiente pra manter o coração vivo.

Rau era pequeno, mas tinha uma energia tão grande que parecia caber um sol dentro dele.
No Berçário 2, todo mundo conhecia seu jeito sapeca: quando ficava animado demais, ele dava umas “mordidinhas de brincadeira” — e saía correndo todo risonho, com os cachinhos pulando atrás dele.


As professoras diziam:
— Lá vai o Vampirinho do Coração Doce!


Mas no fundo, Rau não queria morder…
Ele só queria mostrar carinho de um jeito todo dele.
E com o tempo, aprendeu que abraços apertados e sorrisos sinceros mordem muito mais — só que por dentro.

UMA FLOR NO MEIO OBSTÁCULOS
Flor de lótus é um símbolo poderoso em muitas culturas, representando a resiliência, a beleza e a transformação.
Raízes profundas:
Assim como a flor de lótus cresce em águas lamacentas, mas mantém suas raízes profundas e fortes, eu também enfrentei desafios e dificuldades na minha vida, mas mantive minha força e resiliência. Minhas raízes são minha família e fé.

Memórias de um Jardim
Raízes que Florescem
Dizem que a flor de lótus
nasce da lama,
mas escolhe florescer.
Eu também.
Minhas raízes foram profundas,
regadas por uma infância cheia de histórias —
entre risos, quedas, travessuras
e o amor firme da minha família.
Houve dias difíceis,
momentos de dor e confusão,
mas como a lótus,
aprendi a permanecer.
E havia aquela casa…
Não era só uma casa,
era um mundo inteiro guardado em paredes simples
e um jardim cheio de vida.
Ali, o tempo desacelerava,
as memórias nasciam sem pressa,
e o amor se escondia
nos pequenos detalhes.
Foi ali que aprendi sobre cuidado.
Minha tia…
com mãos já cansadas,
mas com um coração que nunca desistia de amar,
olhava o jardim como quem conversa com Deus.
Havia ervas, havia frutos,
mas faltava uma rosa vermelha.
E então, um dia, ela plantou.
Com dificuldade, com esforço,
mas com fé.
Naquele momento,
eu já sabia…
o tempo estava se despedindo.
Mas o amor não.
Porque um ano depois,
quando a saudade ainda morava forte,
a rosa floresceu.
Silenciosa, firme,
como uma resposta do céu.
E ali eu entendi:
algumas despedidas não são fim —
são sementes.
Hoje, voltei àquela casa.
Os portões são outros,
os passos já não são os mesmos,
e o tempo levou o que era nosso.
Mas não levou tudo.
Porque o que foi vivido ali
criou raízes em mim.
E hoje eu sei…
Sou feita de tudo isso:
da menina que caiu e levantou,
da fé que permaneceu,
do amor que ficou,
e das flores que insistem em nascer
mesmo depois da dor.
Como a lótus,
como a rosa…
eu floresci. 🌹

Ela e o Jardim
Ela tinha mãos de cuidado
e um sorriso que abraçava sem dizer palavra.
Amava o jardim
como quem conversa com a vida,
entre ervas, frutos e silêncio.
Faltava uma rosa vermelha…
e mesmo com o corpo cansado,
foi com coragem que ela plantou esperança na terra.
O tempo levou sua presença,
mas não levou seu amor.
Porque um ano depois,
a rosa floresceu —
como ela sempre foi:
forte, bonita
e impossível de esquecer.
O nome dela era Irma.

Observar com carinho,
entender sem julgar,
cada gesto é um caminho
que a gente pode escutar.
Passo a passo, bem de perto,
com cuidado e atenção,
o comportamento fala…
mesmo sem explicação.
Com ciência e com afeto,
vamos juntos aprender:
todo avanço, por menor,
já é um lindo crescer.

Tem gente que olha pra vida como quem olha pra um espelho quebrado e pensa assim, vou deixar um pedaço meu espalhado por aí, quem sabe assim eu não sumo por completo. Aí faz filho como quem planta uma placa escrita “eu estive aqui”, como se o tempo fosse um porteiro educado que respeita avisos. Mas o tempo não respeita nada, minha filha. O tempo entra sem bater, apaga luz, leva os móveis e ainda sai assobiando.

A gente cresce ouvindo nomes de família como se fossem heranças eternas, como se aquele sobrenome fosse uma espécie de colete à prova de esquecimento. Só que aí você para pra pensar com calma, numa terça-feira qualquer, lavando uma panela ou dobrando roupa, e percebe que mal lembra o nome dos seus bisavós. Às vezes nem foto tem. Viraram um vulto, uma história mal contada, uma frase começando com “dizem que...”. E pronto. Foi assim que uma vida inteira virou rodapé.

E não é falta de amor, não. É excesso de tempo mesmo. O tempo vai empilhando gerações como quem guarda caixa em cima de caixa no fundo do armário. Uma hora ninguém mais abre. E lá dentro ficam risadas que ninguém mais escuta, medos que ninguém mais entende, sonhos que ninguém mais sabe que existiram. Tudo guardado, tudo esquecido, tudo tão humano.

Aí me vem essa ideia de imortalidade através de filho, e eu fico meio assim, meio rindo, meio pensativa. Porque não é sobre permanecer no mundo, é sobre ter feito sentido enquanto esteve aqui. Não adianta querer eco eterno se a própria voz nunca foi ouvida de verdade nem por si mesma. Não adianta deixar descendência se a existência foi vazia de presença.

No fim, a gente não fica. O que fica é um gesto, um jeito, uma frase repetida sem saber de onde veio. Fica um costume, um traço no rosto de alguém, uma mania de rir em hora errada. A gente vira detalhe. E talvez isso seja até mais bonito do que virar monumento. Monumento ninguém toca. Detalhe vive sem pedir licença.

Então talvez o segredo não seja tentar não ser esquecida. Talvez seja viver de um jeito que, mesmo esquecida, tenha valido cada segundo. Porque a verdade, meio sem glamour nenhum, é essa: o esquecimento não é o contrário da importância. É só o destino comum de quem passou por aqui.

E eu, sinceramente, acho libertador. Dá um alívio danado saber que não preciso carregar o peso de ser eterna. Já basta ser inteira enquanto dura.

Eu confesso que às vezes eu olho pra esse tal “sistema” como quem olha pra um vizinho fofoqueiro que sabe demais da vida alheia, mas nunca lava a própria louça. Ele sempre aparece quando dá errado, sempre tem uma narrativa pronta, sempre tem um culpado conveniente. E, curiosamente, esse culpado quase nunca é humano. É sempre algo maior, inalcançável, impossível de confrontar. Deus vira o bode expiatório perfeito, porque não responde no WhatsApp, não dá entrevista e não abre processo por difamação.


E eu fico pensando, com a minha xícara de café meio frio na mão, que existe uma certa preguiça intelectual nisso tudo. Porque culpar o divino é confortável. Me tira da responsabilidade. Me absolve antes mesmo de eu admitir culpa. Se o mundo “resetou”, se civilizações caíram, se tudo foi destruído e recomeçado, talvez seja menos sobre um botão secreto sendo apertado lá de cima ou por um sistema invisível… e mais sobre o fato de que a gente, como humanidade, tem um talento quase artístico pra repetir erro com convicção.


Eu, sendo bem honesta comigo mesma, vejo esse discurso como um espelho meio distorcido do nosso medo. Medo de perder o controle, medo de evoluir e não saber lidar com o que vem depois, medo de olhar no espelho coletivo e perceber que, muitas vezes, somos nós mesmos os agentes do caos que tanto tememos. Porque é mais fácil acreditar que existe uma força manipulando tudo do que admitir que talvez a gente ainda não aprendeu a conviver com o próprio poder.


E sobre Deus… eu penso nele não como um destruidor impaciente, mas como algo que observa, talvez até silenciosamente cansado, essa nossa mania de terceirizar responsabilidade. Porque, se existe criação, também existe continuidade. E destruir tudo repetidamente seria mais uma falha de projeto do que um plano divino. E, sinceramente, eu não consigo acreditar em um criador que erra tanto quanto a gente erra tentando explicar Ele.


No fim, essa ideia de “reset” me parece menos um evento externo e mais um padrão interno. A gente constrói, complica, corrompe, colapsa… e recomeça. Não porque alguém apertou um botão escondido, mas porque ainda estamos aprendendo, tropeçando, insistindo em não aprender, e chamando isso de destino.


Talvez o verdadeiro sistema não seja uma entidade secreta, mas um ciclo de comportamento humano que se repete com nomes diferentes ao longo do tempo. E talvez a maior rebeldia não seja lutar contra esse sistema invisível, mas simplesmente evoluir de verdade, quebrar o padrão, sair do roteiro.


Mas isso dá trabalho, né? Muito mais do que culpar Deus.

Será que um dia terei seu amor?
É tão fútil isso...não saber seus sentimentos
Olhar para você, e o mesmo não retribuir o olhar...
Pode ser coisa da minha cabeça...pelo menos era o que eu queria...


Ao mesmo tempo que pode haver algo que preencha essa ansiedade e curiosidade por uma resposta...De mesmo forma, pode não significar nada...


Sinto o véu frio da névoa envolvendo-se em mim, procurando me dar conforto ou me dar esperança...só que não funciona, não chega nem mesmo perto de ter o calor da esperança...


Óh céus! Como eu queria que você me dissesse algo que me acalorasse e me desse esperança...


Que você retribuisse seu olhar,
Começasse uma conversa comigo, para ambos ouvirmos a voz um do outro..
Que você me enviasse músicas com uma mensagem oculta...
Queria eu que fosse verdade,
Mas, óh céus, por que isso tem de ser tão difícil?


Pode ser tudo ilusão,
No fim não há nada entre nós,
É algo fantasioso da minha mente,
E tenho de aceitar, para que isso não me corroa por dentro...

Amei muitas vezes,
e cada amor foi como um espelho partido,
onde vi reflexos meus que jamais reconhecera.
Não amei por acaso,
não amei por distração
amei porque no fundo do meu vazio
era a única verdade que pulsava.

O amor foi meu templo e meu refúgio,
meu remédio e também minha ferida.
Nele encontrei paz,
mas também me perdi em labirintos sem saída.
E mesmo assim, voltava a amar,
como quem procura o ar
quando já não pode respirar.

Cada mulher que cruzei
carregava um universo,
e eu, sedento de infinito,
tentava me perder em suas constelações.
Não para fugir de mim,
mas talvez para me encontrar.

Porque dentro de mim há um vazio,
um buraco onde o silêncio ecoa,
mas o amor sempre ele
foi a única chama pura
que ousou desafiar a escuridão.

E se eu amei demais,
foi porque só no amor
eu soube ser inteiro.

Às vezes, a vida não é trilha de um só,
no nó da família, o laço vira nó.
Por mais que o rosto tente o brilho sustentar,
há um peso invisível que faz tudo desabar.
Os problemas não guardam RG ou lugar,
a raiva e a dor insistem em contagiar.
Tento ser ilha, viver o meu norte,
mas o sangue é o rio que corre mais forte.
Psíquico e espírito em fios emaranhados,
meus passos, por eles, parecem travados.
Quero a partida, a estrada, o além,
mas a culpa me puxa e me prende também.
Como seguir, sem ao peso me entregar,
se deixá-los para trás parece me abandonar?


Ass Roseli Ribeiro

391🌹🙏"Vivemos hoje um cenário de dois mil anos, quando o inocente é preso e o ladrão é solto. O cenário é o mesmo e muitos distorcem, em todos os níveis sociais, aquilo que a humanidade aprendeu há dois mil anos. Muitos se deixaram envenenar por inverdades e distorcem a verdade, condenando aqueles que não têm crime algum, fechando os olhos à verdadeira justiça. Pobres de espírito, levando culpa a quem não tem! Os ensinamentos cristãos não serviram para esses seres que, no pretérito, viveram tal injustiça...

A riqueza desses ensinamentos é de grande relevância e não assimilamos ainda. A humanidade sempre retalia o mal vivido de forma distorcida e sem a prática do perdão. Não abrem seus corações, para a paz e assim alimentam as trevas. O mundo gira em injustiça, desde conflitos geopolíticos pela ganância do homem, pela fome do poder roubado. Conflitos que ceifarão vidas inocentes, como ocorreu no Holocausto, onde homens, mulheres, jovens, crianças e idosos sofreram crueldade sem limites na Segunda Guerra Mundial. Vidas ceifadas e famílias destruídas em prol da ganância e superioridade de povos e raças. Crueldade ao extremo em que as trevas prevaleceram na vida daqueles que aplaudiram e ainda aplaudem toda aquela crueldade que nos tornou pública. Triste demais...

E continuam procurando atalhos para chegar ao poder e ter o que não lhes pertence. Temos que nos perdoar uns aos outros, pois o cenário que hoje vivemos foi o mesmo no pretérito. Só o perdão liberta. Cada qual vive aquilo que conquistou através do trabalho... As trevas te mostram a mentira e te escondem a verdade que está no teu coração. "O reino de Deus" usa de todas as formas para te envenenar; o Reino do Criador não está nas religiões, mas no coração. As nossas imperfeições ocorrem pelo distanciamento de Deus. Portanto, ore, ore e busque o teu equilíbrio espiritual e a verdade chegará a você... 🌹🙏BOM DIA FAMÍLIA.
Ayache Vidal"

390🙏🌹"De um sentido à sua vida, uma razão de existir, faça o necessário para viver o amor. A riqueza da nossa existência está nos valores que, muitas vezes, ignoramos e deixamos para depois, caindo no esquecimento. A vida passa tão depressa e, quando percebemos, é tarde. Retornamos para casa sem nada, a nossa morada espiritual, e arrependidos... Perdemos todas as oportunidades que a vida nos dá, vivemos sem sentido algum, deixando para trás os valores reais da vida... Nossas origens, um bem maior que se torna um passado em nosso viver. Como águas do rio que vêm e se vão, deixamos um rastro de tristeza em vidas desprezadas e esquecidas.

O homem que despreza e nega o amor, depois de conquistá-lo em vidas pretéritas, é de uma total negligência e paga um preço muito alto na sua consciência: 'é tarde'...

A família é um instrumento de progresso espiritual. Entenda e lembre-se de que não pode ser esquecida, desprezada e trocada por qualquer migalha... Nossa tendência é amar ao próximo, mas nunca esquecer os que nos amam. É esse o sentido da vida...🌹🙏

BOM DIA, FAMÍLIA!

Ayache Vidal

vez ou outra o meu "eu do passado" vem me dar um abraço
vez ou outra o meu "eu da infância" me chama para brincar
vez ou outra... o meu "eu do futuro" me leva para passear e me mostra que vale a pena chorar e que toda essa luta valerá muito a pena se eu decidir ficar

363🙏🌹🙏🌹 conduzido intuitivamente a um culto evangélico atendendo o pedido de socorro de um espírito amigo, eu fui inconscientemente...O tema da pregação era: raiva, rancor, ódio e mágoas, sentimentos esses que às vezes nutrimos quando temos uma experiência no plano físico... E inconscientemente o narrador sentiu em seu coração a necessidade de falar sobre perdão, e que foi sentido por meu amigo quando partiu, seu o coração pedia o mesmo... E Tais sentimentos negativos, levados para o além túmulo causou revolta e com o coração ferido a vítima não aceitava o desfecho trágico que o envolvia, ainda mais quando o agressor totalmente alheio a essas dores e sofrimentos causado na vítima e famiares, atingiu também o próprio agressor arrependido de seu ato, cometido numa ação impensada batendo forte em seu coração o peso na consciência, e após um descontrole emocional uma perda se fez deixando um imenso vazio naquela família, despertando todo sentimento negativo descrito acima onde causou a destruição no viver de ambos, seguido por uma profunda tristeza em todos os envolvidos...
Mas a misericórdia divina leva todos ao tema descrito, a vítima em espírito nutrindo o ódio do seu algoz que se arrependera, e assim o amigo doou-se ao perdão... O pregador emocionou-se ao relatar o acontecido como forma de pedido de perdão, e a necessidade do tema, na igreja era um alerta para os presentes e todos ouviram o relato do narrador que aliviado de falar sobre o caso num gesto de arrependimento, mostrou-se mais leve como que tivessem os dois se doando em vibrações de perdão, e os familiares ausentes pois desconheciam o culto, e eu como testemunha do acontecido, "não do fato em si" e amigo muito próximo fui intuído estar presente nesse culto, quando senti a forte presença do meu amigo ali espiritualmente, e em vibrações o perdão ao seu agressor, às emoções de ambos era sentido por mim, todo o episódio narrado depois de anos passados, onde o encontro gerou perdão arrependimento entre ambos " o perdão cura e fecha feridas"...🌹🙏BOM DIA FAMÍLIA. Ayache Vidal.