Carta a um Amigo Detento

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PEDIDO

Um simples pedido eu quero fazer
Fazer pra você o que eu não pude ter
Um pedaço de torta e uma xícara de café
Como a brisa e uma prancha de surf em meio à maré

São olhos encantadores que você tem
Boca que carrega um toque sutil
Vejo-me um dia como seu refém
E meu coração ficando pulsatil

Às vezes me pego sonhando
Com o estado de um breve outono
Pequenas estradas se enchendo
De flores secas e sem alento

O céu já não é mais o mesmo
É escuro como o fundo poço de um grande celeiro
Sem pássaros livres para voar
Sem vida e casa para morar

Perante a sua fragrância eu pude acordar
De um sonho sem forma e quase real
Mais eu pude recordar
Que estávamos em uma cidade conhecida como candeal

Um dia quero conhecer
Suas grandes artes e pequenas manias
E poder compartilhar com você
Minhas poucas sinfonias e harmonias.

Poema : Rosas Secas


No refúgio de um tácito ataúde
D'onde qualquer sussurro traz espanto
Cujo lúgubre coloração de canto a canto
Consome o que restava da parca saúde


Esconde-se o putrefato cadáver pálido
Cujo olhar não mais se abre
À volta do pescoço segue a calabre
E a carne fétida traz o ventre esquálido


Cercado pela penumbra densa e mórbida
Aos grandes umbrais da vida finada
Cujas bocas seguem tão caladas
Na metamorfose da decadência sórdida


Aos balcões cinzentos que adormece
No frio cimento eternizados
Postos ao descanso contemplado
Onde a história se encurta e se esquece


Em frágeis ossos que viram poeira
Expostos ao tempo e ao lamento eterno
Mutações que agem no seu ventre interno
Definhando desta vida passageira


Revela o último sacrifício
De um espírito que no silêncio vaga
E das poucas palavras que propaga
Abundou da ganância como exercício


Ao flanco esquerdo então se nota o ramo
Que já fora adornado por diversas cores
Mas que hoje comporta enegrecidas flores
Junto a uma carta grafada em " Te amo "


Se vê então o que já foram lindas rosáceas
Outrora balsâmicas em figura crata
Mas que agora definham na gélida prata
D'onde se mostra lânguida como a cartácea


Sobre aquela lápide que guarda as vidas
Escrita está, no puro tom latim
Aquelas rosas secas, mortas ao carmesim
Um dia tiveram aroma e foram coloridas


Escrito por: Wélerson Recalcatti

Quando te amei...
Amava ver a forma que me via em você
Amava ver que havia um pouco de mim em você
Amava sentir orgulho de quem seríamos juntos
Meu amor era genuíno
Era doce
Queria te dar o céu
A lua
Mostrar como eram lindas as cores das estrelas
Mas...
Descobri no seu lado sombrio que eu não me via mais ali
Descobri nas mentiras que não havia nada de mim ali
Descobri que não seria bom nosso futuro baseado em um amor unilateral.
Quero seu gosto, seu cheiro, mas não posso mais ser sua.
Meu corpo te pede, mas minha alma grita por socorro
Meu coração sente falta, mas minha mente me guia.


Um dia te amei
Mas te deixo ir
Parei de ver meu reflexo em você.

Você poderia ter sido tanto, mas escolheu ser meu.
E anda agora comigo a tira colo, usa um anel dourado,
algumas compras feitas no mercado, e um bocado de contas.
Mas daí vem o sorriso compartilhado e as músicas que só a gente gosta.
Os fins de tarde dizendo coisa á toa, e um abraço apertado quando tudo desmorona.

"Ai de quem está sozinho"


É melhor estarem dois juntos do que um sozinho, porque tiram vantagem do seu trabalho, se um cair será apoiado pelo outro. Aí do que está sozinho: quando cair, não terá quem o ajude a levantar-se. Se alguém prevalecer contra um que está sozinho, dois juntos resistirão ao agressor. A corda tripla não se arrebenta facilmente.
(Eclesiastes)

Entre Continentes


Meu filho mora onde meus braços não alcançam.
Um oceano inteiro mora entre o meu hoje
e o teu agora.


A casa ficou grande demais
desde que tua ausência passou a ter endereço.
O silêncio aprendeu teu nome
e o tempo, sem você,
anda mais devagar.


Sinto saudade do que não volta:
do riso solto,
do barulho da presença,
do simples fato de saber
que você estava ali.


Te amo em fuso horário,
te espero em pensamento,
te abraço em oração.


E mesmo longe,
mesmo do outro lado do mundo,
você continua sendo
a parte de mim
que nunca foi embora.

**Cinco dias.
E bastou isso para que tua presença tocasse algo em mim,
como um vento leve que muda o rumo sem fazer alarde.
Depois veio o silêncio —
um silêncio que pesa,
mas que também guarda o que foi verdadeiro.
Mesmo assim, teu “bom dia” ainda aparece na minha memória
como um sol calmo, desses que aquecem devagar
e deixam marca.
Eu te vi, linda,
de um jeito simples e inevitável.
Não tentei te prender —
quem tem asas merece espaço.
Te ofereci minhas palavras mais sinceras
e deixei que o destino seguisse o próprio caminho.
Hoje, com a alma mais tranquila,
entendo o tamanho da mudança:
você despertou algo em mim,
me fez olhar para quem eu sou
e para quem posso me tornar.
Sinto tua falta
com uma delicadeza que não sei explicar,
mas guardo, com carinho,
os cinco dias que ficaram para sempre
gravados no meu coração.**

“Anjos, asas de ilusão, um sonho audaz.”
Ser assim: brilhar como um farol, luz na escuridão.
Ouvir as músicas que lhe convierem, ser eclético.
Gostar de ir por onde ninguém foi.
Querer viver — viver mais e mais — e não fingir, não esconder no olhar, mas se permitir ser feliz, aqui ou em qualquer outro lugar.

Não! Não vou mudar a minha maneira de ser, pois é isso que me dá vida.
Viver é ter o mundo real na cabeça e os pés firmes no chão; e, ainda assim, nos é permitido sonhar e projetar coisas. É somente assim que transformamos realidades e preenchemos o inexplicável vazio da alma e do coração.

Cante uma canção.
Dance.
Faça a vida entender que você está feliz por estar aqui.

Os sentimentos — ah, os sentimentos! — são eles que fazem toda a diferença. São responsáveis pela criação de tudo o que vivemos… ou deixamos de viver.
O pensamento é a energia que dá forma ao que desejamos materializar.

“O brilho do sol sobre meus ombros,
em meus olhos, traz um sentimento de vida e felicidade.
Na água, ele parece tão adorável,
e sempre me faz tão bem.


Se eu tivesse um dia que pudesse dar a você,
eu te daria um dia como hoje.


Se eu tivesse uma canção para cantar a você,
eu cantaria para que se sentisse assim.


Se eu tivesse uma história para te contar,
contaria uma história que te fizesse sorrir
e te trouxesse uma doce sensação de felicidade.


Se eu tivesse um desejo para te conceder,
eu desejaria que o sol brilhasse o tempo inteiro,
irradiando em você alegria e vida.


Ah, se eu pudesse…
se eu pudesse.”

A maldade humana tornou-se um souvenir,
distribuído gratuitamente por aqueles
que nada aprenderam com a própria existência na terra.


Há pessoas que, ao despertar,
servem-se de um banquete de sombras.
Estão tão acostumadas a esses maus hábitos
que eles já se alojaram na alma,
como parte da própria espiritualidade.


E, não satisfeitos com o próprio sofrimento,
chamam outros para participar
desse projeto medíocre que chamo de maldade.
O preço?
A breve satisfação
que ilumina o coração sombrio
de quem a pratica.


Faça o bem —
sem buscar explicações.
Faça a sua parte
durante o tempo que lhe foi dado.
É assim que se revela
quem você realmente é.


É necessário distinguir
o certo do errado
com os olhos divinos
que habitam em cada um de nós,
e não com os olhos
daqueles que tentam manipular
e moldar o nosso modo de pensar.


Caminhe pela boa estrada,
e lembre-se:
respeitar pessoas, princípios, valores e crenças
é sabedoria.


E sobretudo —
não tente mudar ninguém.
A verdadeira sabedoria
é colocar-se no lugar do outro.

Ao segurar sua mão,
o mundo desacelera,
e um encantamento desperta
no brilho profundo dos seus olhos.


O coração dela, inquieto,
abandona as amarras do silêncio
e guia seus passos —
livre, pulsante, sem mapas,
sem pedir permissão.


Eu a vejo se tornar alma:
leve, intuitiva, inteira,
um feixe de ternura
pulsando luz sobre mim.


Há um brilho que dança em seus olhos,
um tremor doce nos lábios,
uma paixão que arde devagar,
como fogo que nunca se apaga.


E eu permaneço diante dela,
maravilhado por essa beleza
que se revela inteira
no instante em que ela sorri para mim.

O Olhar Que Esperamos


O olhar que esperamos,
chega, mesmo que tarde,
como um segredo não dito,
como o vento que nos toca
sem pedir licença.


Quantas memórias,
o tempo roubou de nós,
sem que sequer soubéssemos?
O tempo, esse amante implacável,
caminha sem piedade,
nos arrasta,
mesmo quando resistimos.


E nos encontramos, então,
diante de anos perdidos,
diante de sonhos
que se afastam,
como estrelas fugidias
em um céu distante.


Como encontrar coragem para seguir,
quando o desejo é de ficar,
quando a alma implora por descanso
nas margens do que é seguro?
Oh, como se faz isso,
quando tudo parece tão distante,
quando a esperança se dissolve
no horizonte da incerteza?


O futuro não pertence a mais ninguém,
ele é nosso —
mesmo que o mundo tente nos convencer do contrário.
Você, que se sente esquecido,
é mais importante do que imagina.


A cada passo,
deixamos rastros invisíveis,
como marcas no vento,
tocando corações,
permanecendo
em silêncio, mas eternos.


Nos olhos guardamos memórias,
não escritas, mas profundas,
como ecos de um tempo que não se apaga.
E quando a dor tentar nos silenciar,
é nesse instante que devemos levantar,
seguir,
pois o futuro é nosso —
e ninguém, nunca,
poderá roubá-lo.


Lembre-se, sempre:
nada, nem ninguém,
pode silenciar a voz da sua alma.
Você é importante.
Faça-se ouvir.

Senhorita
musica que mais parece um poema de autoria do cantor Zé Geraldo
Senhorita




Minha meiga senhorita,
eu nunca pude lhe dizer.
Você jamais me perguntou
de onde eu venho e pra onde vou.


De onde eu venho
não importa, pois já passou.
O que importa
é saber pra onde vou.


Minha meiga senhorita,
o que eu tenho é quase nada,
mas tenho o Sol como amigo.
Traz o que é seu e vem morar comigo.


Uma palhoça no canto da serra será nosso abrigo.
Traz o que é seu e vem correndo, vem morar comigo.


Aqui é pequeno, mas dá pra nós dois,
e, se for preciso, a gente aumenta depois.
Tem um violão que é pra noites de lua,
tem uma varanda que é minha e que é sua.


Vem morar comigo, meiga senhorita.
Vem morar comigo, meiga senhorita.
Vem morar comigo.


Aqui é pequeno, mas dá pra nós dois,
e, se for preciso, a gente aumenta depois.
Tem um violão que é pra noites de lua,
tem uma varanda que é minha e que é sua.


Vem morar comigo, meiga senhorita.
Vem morar comigo, meiga senhorita.
Comigo, doce, meiga senhorita,
vem morar comigo.


Senhorita: Zé Geraldo

Liberdade é um estado de ser


Há momentos em que a alma sente a necessidade de respirar, de romper as correntes invisíveis que a mantêm presa.
Liberdade não é um destino, é um estado de ser, algo que flui dentro de nós, esperando para ser reconhecido.
Não precisamos ir longe, apenas aprender a nos soltar, a nos permitir.


E quando a liberdade se apresenta, ela não grita — ela sussurra, suave, como uma brisa leve que nos envolve.
É no silêncio da mente que ela se revela, no instante em que nos libertamos da constante pressão de sermos algo que não somos.
E, nesse momento, tudo se torna possível: o peso do mundo desaparece, e somos simplesmente nós mesmos, inteiros, em paz.


Muitas vezes, buscamos fora o que está dentro de nós.
Mas a verdadeira liberdade não vem de conquistar, de ser mais, de ter mais.
Ela vem de abandonar, de desapegar, de aceitar que, no fundo, já somos completos.
E quando entendemos isso, nos tornamos capazes de viver de forma plena, sem medo, sem limitações.


Eu aprendi que ser livre não é um ato de rebeldia, mas um gesto de autocompreensão.
E, ao olhar para o que sou, vejo que a liberdade está em cada passo, em cada respiração.
Não é algo que se conquista, mas algo que se permite.


E quando me perco nesse estado, eu me encontro.
E sigo, sem pressa, sem pressões, apenas sendo.

“A ciência suave de amar”


Amar é um estado químico que aprende a ser humano.
Começa no corpo antes de virar escolha.


No início, o amor é dopamina em festa: euforia, foco absoluto, aquela vontade quase infantil de estar perto, de repetir o encontro, a conversa, o cheiro. É o cérebro dizendo “mais disso, por favor”. A pessoa vira ideia fixa, não por fraqueza, mas porque a serotonina cai e a mente passa a orbitar um só nome — como se pensar nela fosse um hábito involuntário.


Aí vem o frio na barriga: a noradrenalina e a adrenalina aceleram o coração, suam as mãos, deixam tudo mais vivo. O amor, nessa fase, é risco gostoso. É expectativa. É o corpo em alerta, como quem sabe que algo importante está acontecendo.


Com o tempo — se houver cuidado — a química muda de tom.
A paixão barulhenta aprende a falar baixo.


Surge a ocitocina, que não grita, mas fica. Ela constrói confiança, abrigo, vínculo. É o conforto do abraço que acalma, da presença que não exige performance. O amor amadurece quando deixa de ser só fogo e vira lareira: menos urgente, mais constante. A vasopressina entra em cena e sustenta a ideia de “nós” ao longo do tempo.


Então, pelas experiências humanas, amar é isso:


Um processo onde o corpo se apaixona primeiro
e o coração aprende depois a ficar.


Amor não é só química — mas também não existe sem ela.
É quando os hormônios acendem a chama,
e as escolhas diárias decidem mantê-la acesa.

⁠Ao observarmos um quadro, é natural interpretá-lo pela imagem que nos é apresentada. No entanto, para verdadeiramente interpretar a obra, devemos desviar o olhar da imagem e concentrar-nos no pintor.
É importante ter cautela, pois nem sempre a mensagem transmitida é a mensagem real; algumas pessoas transformam a arte da ilusão em filosofia de vida, sabendo que nós, podemos ser facilmente enganados pelo que vemos.
O segredo não reside no que vemos, mas sim naquilo que não conseguimos ver. Afinal, nem tudo o que parece é.

O peixe que não seguia o cardume:
peixoto era um dos vários peixes que compunham um dos vários cardumes de um dos vários mares, peixoto, assim como os outro peixes, apenas seguia sem rumo, sem esperança, eles não tinham nem sequer uma imaginação do motivo pela qual eles nadavam, em mais um dos dias em que peixoto e os outros peixes nadavam sem rumo, peixoto viu um brilho, atrás de si mesmo, algo que parecia precioso, mas estava fugindo de peixoto, parecia estar em direção contrária ao cardume, peixoto então decidiu fazer algo, ele pela primeira vez, nadou em direção contrária ao seu próprio cardume, foi rapidamente em busca daquilo que viu, mas não sabia o que era, peixoto entrou em um dúvida, ele podia continuar, sem saber pelo o que procurava, sem saber quando ia achar, ou se sequer iria achar aquilo. Ou, peixoto podia voltar ao cardume, antes de se perder e nunca mais achar seu cardume, peixoto poderia perder aquilo que viu uma vez, e nunca mais achar, mas também podia se perder do cardume, e ficar isolado daquilo que já conhecia, quanto mais peixoto nadava, mais perto ele sentia que estava daquilo, mas mais longe ele sentia que ia estar do cardume, peixoto pensava e pensava, mas nunca chegou a uma conclusão da resposta de seu pensamento.
isso não é sobre peixes, é sobre você, sobre mim e sobre nós

Não te desejo um ano maravilhoso em que tudo seja bom. Esse é um pensamento mágico, infantil e utópico.

Desejo que você se encoraje a olhar para si mesmo e a se amar como é. Que você tenha bastante amor próprio para lutar em muitas batalhas, e a humildade de saber que existem batalhas impossíveis de vencer pelas quais não vale a pena lutar.

Eu desejo que você possa aceitar que existem realidades que são imutáveis, e que existem outras, que se você fugir do lugar da reclamação, você pode mudar.

Não se permita o "eu não posso",mas desejo que você reconhece o "eu não quero".

Desejo que você ouça sua verdade e a diga com plena consciência de que é apenas sua verdade, não a do outro. Que você se exponha ao que você teme, porque é a única maneira de superar o medo.

Que você aprenda a tolerar os "pontos negros" do outro, porque você também tem os seus. Que você não se condene quando errar; você não é todo poderoso.

Cresça, onde e quando quiser.

Não desejo que 2019 lhe traga felicidade. Eu desejo que você seja feliz, seja qual for a realidade que você vive. Que a felicidade seja o caminho, não o objetivo."

Sou um pássaro trancafiado desde o nascimento; e vinte anos após, libertaram-me por cuidado de outrem. Eis que pergunto, com desespero e fervor: como pode um pássaro que só conheceu uma realidade, onde suas asas foram inutilizadas, voar para o além — sem ou com direção —, e sentir a serenidade do pôr do sol no sublime horizonte infinito?
Como poderia atravessar o mar, se nunca lhe deram a resistência necessária para deixar o chão?

*Derradeiro Poema*


Hoje, talvez, um último verso ou um derradeiro poema, uma terminante chance, uma última vez que ouvirá a minha voz, talvez ouviremos falar um do outro, ou não, o silêncio não foge, ele vai invadindo onde antes havia uma certa prioridade, contudo, não a minha prioridade como a sua ou a sua como a minha, as lembranças vão sumindo e esquecerei a sua voz, esquecerei quem foi e a sua importância só será lembrança. Tivemos a chance, mas queremos o mais fácil, não por de fraqueza, mas por falta de fé, fé em Deus e fé no amor. A esperança que era combustível, se apagou.