Carta a um Amigo Detento

Cerca de 98110 frases e pensamentos: Carta a um Amigo Detento

Um dia, me disseram
sem exageros, sem enfeites
que eu era o que ela sempre quis,
mas só entendeu isso quando minha alma partiu


Não foi vaidade, foi verdade.
Não inflou meu ego, tocou minha essência.
Porque há algo raro em ser lembrado
como aquilo que não se encontra mais.


Saber que alguém me viu assim,
como presença que marca, ausência que ecoa,
me faz entender.
sou feito de conteúdo, não de aparência.
Sou único, não por ser perfeito,
mas por ser inteiro
mesmo quando vou embora.


By Evans Araújo

O homem que um dia foi muralha, hoje treme.


Meu pai, que já foi tempestade, agora é sombra do trovão.
Antes, sua voz era lei, sua presença, temor.
Erguia-se como torre inabalável, inquestionável.
Confrontava os frágeis, dominava os que dele dependiam.
Era força bruta, autoridade sem pausa,
um império de si mesmo.


Mas o tempo, esse escultor silencioso,
foi desgastando as pedras da sua rigidez.
Hoje o vejo com medo.
Não mais o medo que impunha,
mas o medo que sente.
Medo do fim, do esquecimento, da fragilidade que ele tanto desprezou.


E mesmo assim, a arrogância permanece.


Como armadura velha que ele se recusa a tirar,
como se admitir fraqueza fosse morrer antes da hora.
A prepotência não o deixou ou talvez ele nunca quis deixá-la.


Porque abrir mão do orgulho seria admitir que o tempo venceu.
E ele, que nunca soube perder,
prefere se agarrar ao que resta da sua antiga coroa.


Mas eu vejo.
Vejo o homem por trás do mito.
E, apesar de tudo, ainda é meu pai.
Mesmo que hoje ele não seja mais o gigante que um dia foi.


By Evans Araújo

Construir uma carreira no mundo atual é como montar um prato em um restaurante self-service.


Há muitas opções de áreas para seguir, mas se não escolhermos a combinação certa, ou se colocarmos muita coisa, vamos acabar pagando muito caro por algo que não faz sentido.


Escolha com sabedoria, o simples bem feito é como o feijão com arroz, dá o sustento a todo o prato. Mas de vez em quando também é preciso ter algo diferente como uma parmegiana, para não ficar entediado.


No fim, equilíbrio é tudo! 🍲

Sobre o crescimento e o tempo...


O tempo realmente é um agente esclarecedor. Julgamos saber de tudo, mas não ousamos viver no presente. Buscar o que há de melhor na vida nos aterroriza, porque no fundo sabemos que precisamos ser a pessoa que faz com que o melhor seja concretizado.


Porém, nem todos estão dispostos a ser essa pessoa, pois em cada um há um abismo que precisa ser vencido para que sejamos libertos.


E essa talvez seja a resposta pra encontrar a luz. No fim, o crescimento precisa dar sentido a dor.



Quando permitimos sentir o incomodo (ou mesmo a dor)da mudança, podemos ter a chance de ver algo extraordinário acontecer: o nosso crescimento.

UMA ÚNICA VEZ
Somente uma vez a alma será tocada pela divina faísca,
Um amor que te fará incandescer, sem deixar vestígios frios.
Ele percorrerá a essência de teus poros,
Em chamas vivas e sem regresso

A enchente deste amor te arrebatará numa única vez,
E serás tão profundamente inundado
Que o próprio oceano de sua essência emanará
De cada uma das tuas minúsculas células.

Uma só vez, e toda a tua cúpula de estabilidade,
Autocontrole e firmeza inabalável se tornará areia fina.
Teus conceitos mais sólidos serão pulverizados e se espalharão pelo ar,
Rendidos ao vendaval desse amor.

Uma vez, te descobrirás na solidão salgada de um mar sem cais,
Onde a profundeza te rouba o chão e a vista não alcança mais.
Serás o fragmento de um barco, entregue aos braços das correntes imortais
Desta paixão que te arrasta, doce naufrágio,
Rumo a portos desconhecidos e desiguais.

Uma só vez, instante único, eterno e fugaz;
O dom de agora, que jamais se refará.
Não há segunda aurora, nem outro abraço igual;
É este o tempo que não cede, não esfria, não tem final.

Quem dera eu pudesse estar aí pra ti dar um abraço, e hj é um dia tão especial para mim,
Pois eu ter você como minha mulher, é uma honra!
E não basta só eu falar que te amo, mas não é só isso, você é o amor de todos nós.
Você é uma pessoa incrível, você é a pessoa mais forte que eu já pude conhecer, uma pessoa assim tão delicada e amorosa, sempre de coração bom e gentil.
Você me salvou de mim mesmo, me faz querer ser melhor a cada dia, eu já não sei mais viver sem você, rs eu te amo!

Nas profundezas onde o poeta arde,
nasce um amor que ele mesmo inventa
feito de brisa que afaga e tormenta,
de força que dobra, mas nunca parte.


É sutil como o gesto que não se vê,
mas feroz como o vento que rasga o céu;
um amor que ele molda no próprio véu
de sonhos que deseja reconhecer.

Epifania das Flores

Nas flores, mora a essência do sublime, um cântico calado em mil matizes, perfumes que, em silêncio, se redimem dos ásperos tormentos e deslizes.

São púrpuras que dançam na alvorada, em pétalas de lume e de ternura, vestindo o chão da vida enfeitada com véus tecidos pela mão da Altura.

Não há amor que nelas não repouse,
nem sonho que, tocando-as, não se inflame; seu ser traduz o Verbo que compõe o hálito do Eterno em forma e nome.

Assim, ao ofertá-las, gesto mudo, diz-se a amada o que não cabe em fala: que o amor, quando é puro, é quase tudo, e em flor, o coração se declara.

I


Para quê tantos planos, se o inesperado nos aguarda como a última chama de um candeeiro que mal ilumina o próprio pavio? Traçamos rotas sobre mapas que se desmancham na chuva. Colecionamos certezas em gavetas que o acaso tranca com ferrugem. Vejo os rostos que partiram [não em procissão solene], mas evaporados no ar pesado das tardes. Eles não deixaram rastros, só um vácuo de gesto interrompido, um café pela metade sobre a mesa. O imprevisto, quando não chega como um ladrão ágil na janela da mocidade, instala-se paciente na poltrona da velhice, à espera do seu momento. É um hóspede que não traz bagagem, apenas um relógio de areia sem fundo. E nós, que julgávamos donos do terreno, descobrimos-nos frágeis como vidro sob pressão. A realidade não bate à porta; invade pelo telhado, quando já estamos dormindo. E o tempo, esse artesão silencioso, talha-nos com golpes cada vez mais fundos, até que a madeira revela suas rachaduras ocultas...


II


Para quê tantos diplomas, selos de um reino que desaba ao primeiro sopro do inverno? Corremos em círculos numa pista que não leva a lugar algum, apenas nos devolve ao ponto de partida, mais cansados. O sistema cobra em moeda invisível: noites em claro, olhos fixos em écrans frios, mãos que apertam outras mãos sem sentir a pele. No final, a conta vem em forma de silêncio. Um vazio que ecoa nos corredores da memória. Perguntamo-nos se valeu a pena o sacrifício do sol pela sombra, do riso pela cifra. Quiséramos ser imortais na alma [deixar uma marca que não se apaga na água], uma palavra que o vento não dispersa. Sonhamos com um fragmento que sobreviva, contador da nossa breve estadia. Mas a verdade é mais árida: seremos esquecidos, como bilhões antes de nós foram. Nomes apagados das lápides pela hera, vozes dissolvidas no ruído de fundo do mundo. Nem mesmo poeira seremos, pois a poeira ainda assenta nas coisas.


III


Sem identidade, viramos número nos arquivos empoeirados de alguma repartição [quisera celestial]. Sem leitor, nossas histórias são livros fechados em prateleiras abandonadas às traças. Sem memória, o que fomos deixa de existir até como fantasma [um fantasma ao menos assombra]. Sem alguém que lave nossos pés cansados, esses pés que tanto andaram de um lado para outro, atravessando lama e terra, em busca de um sentido que se esquivasse como o horizonte. Esses pés que pisaram flores e pedras, que sangraram em atalhos escusos, que dançaram em noites de alegria efêmera. Quem os guardará? Quem recordará o peso do corpo que carregaram, a direção que não encontraram? Somos peregrinos de uma fé que não nomeamos, em jornada para um templo em ruínas. E no fim, nem mesmo a água do esquecimento nos refrescará. Secaremos como rios intermitentes, nossa história sussurrada por ninguém, nosso amor reduzido a zero na equação do tempo...


IV


Mas talvez haja uma verdade mais dura e mais bela nisto tudo: a liberdade está precisamente no desapego do rastro, na renúncia à eternidade. Que importa não sermos lidos, se em vida fomos o verbo e não a nota de rodapé? Que importa o esquecimento, se amamos com a urgência de quem sabe o fogo se apaga? Os planos fracassados não eram inúteis; eram treinos para a entrega. Os diplomas não serviam ao sistema; eram armaduras que tivemos de desprender para sentir a chuva na pele. Os pés lavam-se a si mesmos no rio do caminho, e a água que levam é a única oferenda. Não ficaremos? Ficaremos no modo como uma pedra altera o curso do rio, mesmo que ninguém veja. Na maneira como uma palavra jogada ao acaso gerou um sorriso em um estranho. Somos o sopro que move um grão de areia no deserto imenso — ação mínima, mas real...


V


Então caminhemos. Sem a âncora pesada da imortalidade desejada. Com a leveza trágica de quem sabe que a chama se extinguirá. Que nossos passos, agora, não procurem sentido [que o criem no ato de pisar].
Que nossos rostos, antes de se desfazerem, reflitam o céu inteiro, ainda que por um instante. E quando o inesperado vier, seja na mocidade ou na velhice, que nos encontre de olhos abertos, contemplando o vazio não como um abismo, mas como o espaço onde, por fim, tudo é possível. Porque fomos. E esse ter sido, efêmero e sem testemunha, foi nosso ato mais radical de amor. Um eco sem paredes para repercutir, mas que existiu como vibração no ar. Um grão de poeira cósmica que, por um segundo, soube que brilhava.


--- Risomar Sírley da Silva ---

O mundo é um farol que gira sem parar,
lança luz para todos os lados,
mas não aponta caminho algum.
Ele ilumina, confunde, seduz —
e chama isso de liberdade.
A escolha é tua.
Seguir qualquer luz é fácil;
difícil é não se perder no brilho.
O mundo oferece ruído, pressa, vaidade,
promessas ocas embrulhadas em desejo.
Escolhe bem.
Nem tudo que reluz guia,
nem toda estrada leva à verdade.
O mundo não tem o que oferecer
a quem busca sentido,
apenas distrações para quem esqueceu quem é.
Quem não decide, deriva.
Quem não discerne, afunda.
E só permanece inteiro
quem entende que a luz verdadeira
não vem do mundo —
nasce dentro de você.

Com o passar dos anos, foi ficando claro um papel que nunca foi escolhido, apenas assumido. Existir para servir quem passa. Ser riso quando falta leveza, ser escudo quando aparece o perigo, ser distração nos dias vazios. Ser o apoio, o ombro, o abrigo. Estar ali para tudo e para todos, sempre que precisarem.
O tempo vai passando , horas, minutos, segundos, dias, anos , e a ficha cai de um jeito que machuca. Parece que o propósito é ajudar os outros a crescerem, enquanto o próprio crescimento fica em pausa. A felicidade até aparece, mas nunca fica. É sempre temporária, como se não fosse feita para durar.
E dói perceber que o final quase sempre é o mesmo. Correr, se doar, insistir… e acabar voltando para o mesmo lugar. A estação zero. Aquele ponto onde tudo recomeça, mesmo quando nada mudou de verdade.
Ali, o silêncio pesa mais que o cansaço. Não tem reconhecimento, não tem despedida. Só fica a sensação de ter sido útil e, ao mesmo tempo, esquecido. As marcas do esforço ficam pelo caminho, invisíveis para quem seguiu em frente.
O ciclo se repete. Ajudar, proteger, sustentar quedas, emprestar luz quando o outro escurece. Depois, ver de longe essas pessoas seguindo mais fortes, mais inteiras, enquanto quem ficou continua no mesmo lugar.
Mesmo assim, a espera continua. Não por esperança, mas por costume. A estação zero já não assusta tanto — vira algo conhecido, quase confortável na dor que se repete. Aprende-se a sorrir sem motivo, a oferecer sem receber, a seguir mesmo quando não existe um novo caminho.
Os dias passam como trens que não param. Levam sonhos que não eram seus, histórias que não ficaram. Sobram apenas lembranças soltas e a certeza de ter cumprido um papel que nunca foi pedido.
No fim, parece que algumas pessoas existem para ser ponte, nunca destino. Para sustentar o mundo em silêncio. Não para serem vistas ou lembradas, mas para garantir que outros cheguem mais longe. E enquanto todos seguem viagem, permanece quem sempre esteve ali — invisível, cansado, recomeçando outra vez do mesmo ponto.

"Há um tipo de cansaço que não vem do corpo,
nasce do acúmulo de tentativas que nunca chegam ao sim.
De portas que se fecham antes mesmo de serem tocadas.
A vida vai negando em silêncio,
como quem repete a mesma resposta até que o coração aprenda a desistir.
Cada frustração vira peso,
cada expectativa, mais um nó difícil de desfazer.
Seguir adiante deixa de ser coragem
e passa a ser apenas hábito.
Um movimento automático, sem entusiasmo, sem brilho.
Não é vontade de parar,
é exaustão de insistir.
Um desejo mudo de descanso
de um mundo que cobra demais
e devolve de menos".

A sabedoria não está no saber, nem no mero conhecer; é como um vento.
Ninguém sabe de onde vem, para onde vai, ou desde quando sopra.
O sábio não perde tempo tentando entender essas coisas.
Ele apenas alinha suas velas na direção correta,
sabendo que jamais poderá dominá-la,
apenas aproveitar a brisa de sua visita, aliviando a moléstia debaixo do sol.

Hoje uma estranha calma está em mim...Me sinto segura e um tanto felina...Acabou a pressa, tenho somente o desejo da espera...Observo como a loba espreitando sua presa...Sigo com olhares ...Pra enfeitiçar ...E sei que enfeitiço...Os encantos de uma feiticeira pronta e perfeita...Sei vai ser difícil sair da minha teia ...Por isso aviso ,se não quer ficar nem chegue perto...Se não quer se apaixonar ...Não viaje sob meu céu...Foge ...Mais foge rápido...
Não sei pegar de leve ...Eu me esparramo ... Eu inundo...Eu devoro..

Mesmo na solidão entre seu mundo e o meu ...
Um coração guerreiro segue sofrido ...
Buscando na luz da lua e do sol reflexos
daquele momento que marcou nossas almas ...
Meu amor por ti se tornou um escudo sagrado,
se tornou luz, quando outras luzes se apagaram.
Pois meu corpo sabe que só a ti pertence ...
Um dia ancorei no seu cais...Me permiti sonhar...
E hoje passo a vida a desejar seu mar.
Busco na imensidão o brilho do seu olhar...
Mas é meu coração seu templo sagrado...
Onde vive esse amor feito prece...
Suplicando estar compassado com no seu...

Foi uma promessa
Não iria mais amar
O acaso me trouxe
Um novo momento
Voltei a acreditar
No amor...
No que nao posso ver
Mas tive medo
De novamente
ter meu coracao ferido
Tive alma machucada
E fugir foi a saída
Um dia você chegou
E delicadamente
Foi me curando
Me enchendo de paz
Quase te deixei partir ...
Por estar despedaçada
Voce me juntou ...
Tomou conta de mim
Tua luz foi tao forte
Acendeu meu sorriso
Escreveu em mim
O poema mais bonito
Me mostrou
O amor mais lindo
Que eu conheci
Meu doce anjo
Por você me ponho
a contar estrelas
Vejo meu mundo
Agora mais bonito
Eu te amo ...Seu amor
Me salvou de mim...

Menininho do espaço sideral
(Poesia baseada no Le Petit Prince de Antoine de Saint-Exupéry)

Um pequeno astro no meio do universo!
Clama por atenção!
Pequenino! Miúdo!
E grande de coração!
A amizade é o bem mais precioso que podemos conquistar na vida!
No qual encontramos e levamos!
Somos responsáveis por nossos amigos!
O que ensinamos! O que aprendemos deles!
Cada um que passa por nossas vidas deixa um pouco de si!
E leva um pouco de nós!
Amigo é a nossa alma fora de nós! Tão importante e que devemos cuidar!
Assim como uma plantinha pequena que precisa de cuidados!
O tempo é o senhor dos laços! Da história que construimos!
E nossos amigos são os registros de tudo o que fazemos e vivemos!
Por isso a amizade é muito importante! Por que armazena nossa história!
Não importa o tamanho do lugar! Do planeta! das pessoas!
Não importa quantos e a quantidade de amigos que tenha!
Mesmo que seja uma rosinha no meio do espaço sideral!
O tamanho da honestidade e da amizade! Do coração é que importa!
Quantidade não é qualidade! E nós somos sempre responsáveis!
Por tudo que dizemos e fazemos com nossos amigos!
Um amigo é o cuidado que temos com nós mesmo! Ao outro!

O Que Me Faltou
A vida passou diante dos meus olhos
como um trem que nunca esperei pegar.
Eu estava ocupada demais
cuidando, sustentando, sendo porto
para todos que precisavam ancorar.
Disseram que vivi plenamente,
que fiz o que quis,
que eu devia ser grata.
Mas ninguém viu
o silêncio que ficou em mim
quando o aplauso acabou.
Há um cansaço que não vem do corpo,
vem da alma que sempre se doou
e raramente foi escolhida.
Um vazio sem nome,
essa falta que não grita,
mas dói.
Nunca me senti amada —
não de verdade.
Sempre havia uma explicação,
um motivo justo,
uma história bem contada
para a ausência do afeto.
E eu segui.
Mesmo faltando.
Mesmo tentando entender.
Mesmo sorrindo para não incomodar.
Sigo…
com essa coragem silenciosa
de quem aprendeu a viver
sem receber o que mais desejava:
um amor que ficasse.

— Zeni Muniz

Raízes invisíveis




Aprendi a caminhar
com um céu nublado por dentro,
sem pedir que o sol explicasse
por que não ficava.


Há encontros que não acontecem,
mas ensinam o corpo
a reconhecer profundidades.


Guardei o que não pôde ser dito
no mesmo lugar onde o vento guarda
o nome das coisas que toca
e nunca possui.


Não carrego ausência,
carrego espaço.
E nele crescem forças silenciosas,
raízes invisíveis
que me mantêm em pé
mesmo quando tudo parece distante.


Sigo.
Não porque esqueci,
mas porque viver
também é uma forma de amor.

Crônicas de um Cadáver

A Indevitável!


​A morte é a única que nunca chega atrasada para o jantar. Já chorei por alguns que se foram, é verdade, mas convenhamos: a saudade é um imposto que a gente paga por ter conhecido gente boa demais. O problema é quando o "falecido" ainda respira.

O Coveiro de Vivos!


​Sepultar alguém que ainda está respirando exige técnica. Não vai pá, nem caixão de luxo, apenas um "bloquear" bem dado e um silêncio profundo. É uma decisão difícil, mas necessária: tem gente que a gente não enterra por maldade, mas por puro instinto de sobrevivência.


​Meu Cemitério Particular!


​Se eu olhar para trás, meu jardim de memórias está mais para um cemitério lotado. Na verdade, já sepultei muito mais gente viva do que morta. É um condomínio silencioso de ex-amigos e ex-amores que decidiram que a minha paz era um item opcional. Eles estão lá, bem guardados, mas sem direito a visita.


​O Especialista em Falecer!


​Eu mesmo já morri tantas vezes que já poderia pedir música no Fantástico. Morri de vergonha, morri de cansaço e, principalmente, morri para certas opiniões. A vantagem de ser um cadáver experiente é que, depois da décima "morte", a gente aprende a ressuscitar apenas para o que realmente vale a pena.


​O Epitáfio do Dia!


​A vida é esse ciclo engraçado: a gente morre um pouco aqui para não ter que enterrar a nossa saúde mental ali. Sigo sendo um cadáver muito bem humorado, obrigado. Afinal, para quem já morreu tantas vezes, qualquer solzinho de fim de tarde já é uma ressurreição de luxo.


Franco Kotryk