Carta a um Amigo Detento
VELHOS TEMPOS
Eu venho de um tempo esquecido
De calçada e conversa demorada
Onde a lua brilhava mais forte
E a infância era nossa estrada
Lá, domingo tinha cheiro de café
E a vó bordava histórias com a mão
O mundo cabia num quintal pequeno
E o amor nascia no portão
Era permitido viver devagar
Abraçar sem pressa, sorrir sem pesar
O tempo se sentava ao nosso lado
E a vida era um poema cantado
Era permitido sonhar no olhar
Deitar nas estrelas sem precisar voar
Tudo era tão simples, tão inteiro
Naquele tempo verdadeiro
Eu venho de um tempo sereno
De mãos dadas, segredo e luar
Onde a rua era o nosso recreio
E brincar era só começar
A mãe gritava da janela:
“Já tá na hora de descansar!”
E a gente dormia em paz com o mundo
Com mil histórias pra sonhar
Era permitido viver devagar
Abraçar sem pressa, sorrir sem pesar
O tempo se sentava ao nosso lado
E a vida era um poema cantado
Era permitido sonhar no olhar
Deitar nas estrelas sem precisar voar
Tudo era tão simples, tão inteiro
Naquele tempo verdadeiro
Se eu pudesse voltar um segundo
Tocaria de novo aquele chão
Porque mesmo distante no tempo
Carrego esse lugar no coração
Era permitido viver devagar
E eu só queria poder relembrar
Com uma seresta e um violão antigo
O tempo onde eu fui mais amigo
NADA PERMANECE
Nada permanece, tudo vai mudar
A vida é um rio, não para de passar
O tempo nos leva, nos faz renascer
E o que nos resta é só viver
Sentir o agora, deixar acontecer
Que cada instante me ensine a ser
O que importa é agora
O que importa é sentir
Deixar que a vida entre
E me ensine a existir
Sem medo de ir embora
E sem deixar de sorrir
Não é o que guardamos, nem o que ficou
Mas o quanto amamos, o quanto se entregou
Cada riso, cada lágrima que nos tocou
Fez de nós quem somos hoje, e mudou
Sentir o agora, deixar acontecer
Que cada instante me ensine a ser
O que importa é agora
O que importa é sentir
Deixar que a vida entre
E me ensine a existir
Sem medo de ir embora
E sem deixar de sorrir
O vento leva, o mar devolve
O tempo cura, a vida envolve
E no silêncio eu posso ouvir
Que nada fica, mas tudo é aqui
O que importa é viver o instante
Beber da vida até o fim
Deixar que o tempo leve tudo
E que tudo viva dentro de mim
Às vezes, a vida parece mesmo um corredor cheio de portas fechadas.
E a gente cansa de procurar a certa,
de tentar de novo, de acreditar outra vez.
Mas o tempo, esse artesão paciente,
sempre arruma um jeito de nos lembrar
que nenhuma esperança se perde quando é verdadeira.
Há chaves que só aparecem depois do silêncio,
há caminhos que só se abrem quando o coração decide ficar firme.
Então, mesmo cansada,
não apague a luz que te guia.
Ela é Deus te dizendo, baixinho:
“ainda há saída.”
— Edna de Andrade @coisasqueeusei.edna
Setembro
Em um dia frio e chuvoso, o calendário marcava o início de setembro com várias flores pelo chão, quando o amor florescia com uma imensa paixão.
Uma leve garoa caía, cobrindo o mundo como um véu, mas não ousava apagar a chama daquele sentimento que iria se firmar.
Junto à beira do lago, sob o céu cinzento e vasto, a natureza era cúmplice, silenciosa daquele momento.
Ali, o amor florescia com uma força sem par, de tal magnitude que o tempo não poderia apagar.
Com o coração inundado de uma promessa sincera e calma, ele entregou a ela uma singela rosa, para a sua alma.
E o pedido ali selou, mais forte que a chuva que caía, a promessa de um laço que transcende todo dia.
Ali, naquele lago sob a garoa e o céu de setembro a chorar, o futuro se fez presente, eternamente a celebrar.
Beatriz D’ Aquino
CAMINHAR O BOM CAMINHO
É preciso sapiência para caminhar o bom caminho,
Ter a paciência de um pássaro na construção de seu ninho.
Semear, em terra fértil, a boa semente,
Saber que a vida tem passado, futuro, mas é presente...
Antes de diminuir é preciso aprender somar,
Antes de dividir é preciso multiplicar,
A dor é mestra a nos ensinar;
Só o tempo pode fazer um coração se acalmar...
Alegrias e tristezas são passageiras,
Como tudo, tem seu jeito e sua maneira.
Caminha seguro quem tem projeto e determinação,
Corre mais riscos quem anda na contramão...
As alegrias precisam de escolta,
A inveja faz cara feia e se revolta.
Quem sabe aonde quer chegar,
Não precisa de ninguém para dirigir o seu caminhar.
A tristeza no Divã às vezes se aporta.
O uso do cachimbo é que faz a boca torta.
A construção do amanhã deve ter início no agora,
A colheita que se faz hoje, veio do árduo plantio de outrora.
Élcio José Martins
O Gato da Rua 15
Na calçada fria, número quinze, Mora um ser de pelo, com manhas e guinze. Não tem pedigree, nem lar aconchegante, É o Gato da Rua 15, o andarilho elegante.
Seus olhos de esmeralda, atentos e sagazes, Viram noites de estrelas, manhãs vorazes. Conhece cada fresta, cada portão fechado, Onde um afago, às vezes, é-lhe dado.
Esguio e ligeiro, em busca de um petisco, Desvia de carros, corre sem risco. Salta muros altos, some entre os quintais, Dono do seu tempo, livre de rituais.
Às vezes, um miado, manhoso e sutil, Pede por carinho, um gesto gentil. Mas logo se afasta, volta à sua postura, Um felino independente, de alma pura.
Testemunha silenciosa do ir e vir da gente, Seu reino é o asfalto, seu teto o crescente. O Gato da Rua 15, figura marcante, Um mistério felino, sempre errante.
Ninguém ama ninguém incondicionalmente.
O que chamamos de amor é a atualização de um padrão afetivo moldado pelo passado e condicionado pela presença viva do outro.
O amor verdadeiro, portanto, não é aquele que ignora as condições — é o que as reconhece e, mesmo assim, escolhe permanecer.
Uma civilização se constrói sobre um conjunto de valores internalizados. Inúmeras civilizações desenvolveram visões radicalmente diferentes de como organizar as sociedades, e estas competiram num processo semelhante à seleção darwiniana para estabelecer qual ethos civilizacional permite o florescimento máximo. O excepcionalismo americano é um desses sistemas e produziu a maior sociedade que o mundo já conheceu. A empatia suicida vai destruí-la porque a tolerância ocidental é o seu calcanhar de Aquiles fatal. Lembrem-se das minhas palavras.
- Gad Saad
Amor
Amor é um sabor,
Amor é igual a paixão
Se você nunca amou
Nunca vai saber a sensação.
Amor é um sonho,
Um sonho bem bonito
Quem nunca amou,
Nunca irá longe, pro infinito.
Amar, amarei,
Gostar, gostarei
Quem sabe amar,
Saberá a emoção que sentirei.
Amor é bom,
Amor é emoção
Se quiseres amar,
Ame do fundo do seu coração!
O Fim da Espera: um Diário de Retorno a Si
Entre o Silêncio e o Reencontro – Diário de um Ciclo de Clareza
Hoje, dia 2 de novembro de 2025, encerro um ciclo que não é apenas sobre alguém, mas sobre o modo como aprendi a amar e a me ver dentro das relações. Este texto é uma forma de reconhecer o caminho que percorri entre a entrega, o medo, a espera e, por fim, o reencontro comigo mesma.
Escrevi uma carta, porque o que sinto só ganha sentido quando se transforma em palavras. Foi assim que me expressei com sinceridade e respeito, como sempre foi entre nós. Depois que escrevi, percebi que a carta não era apenas para ele, era para mim.
Era o fim de uma espera e o começo de uma escolha. Ela trazia, escondido nas entrelinhas, o recado que eu mesma precisava ouvir:
“Você pode sentir falta e, ainda assim, seguir.”
Percebo que o que mais me doía não era a ausência dele, mas o silêncio, o vazio de não saber o que se passa do outro lado, o eco de tudo o que ficou sem resposta.
O silêncio sempre foi o gatilho mais difícil para mim, talvez porque, na infância, quando eu pedia carinho, às vezes recebia afastamento. Meu corpo aprendeu a confundir amor com conquista e presença com merecimento.
Ele, com sua forma contida e distante, acabou ativando exatamente essa antiga ferida. Mas, ao mesmo tempo, me mostrou o espelho que eu precisava ver: “Não posso mais tentar provar que mereço amor.” O amor precisa fluir de forma natural, recíproca e leve.
Hoje, olhando para tudo isso, percebo que o vínculo que criamos foi, sim, importante, mas talvez tenha sido importante para me ensinar o que é amar sem desaparecer. Não preciso mais ser a mulher que espera, que entende tudo e que se encolhe para caber. Posso ser a mulher inteira, a que se entende, se cuida e se escolhe.
O silêncio dele, por mais dolorido que tenha sido (e que ainda possa ser, por enquanto), me empurrou de volta para mim. E agora, o que antes era vazio começa a se transformar em espaço, um processo que está se tornando um lugar de paz, autonomia e descanso da alma.
Não sei o que ele vai fazer, e talvez nunca saiba. Mas sei que eu fiz o que precisava ser feito. Falei com clareza, com verdade e com amor, e isso é o que me permite caminhar sem arrependimentos.
Hoje, o que fica é uma frase simples, mas que carrega toda a maturidade dessa travessia:
“Eu posso sentir falta, e ainda assim, seguir.”
Evoluir e mudar padrões requer muita coragem, pois dói, e dói muito.
Você retira tudo aquilo em que acredita ser, remove o véu, as camadas, desfaz-se da única identidade que um dia conheceu, daquilo que aprendeu por uma vida inteira. E, quando começa a entender o que é realidade em vez de utopia, a briga entre mente e coração, que antes era enorme, vai diminuindo, porque o entendimento começa a tomar forma. A razão diz que você fez o certo, mas o corpo ainda entende como errado e leva um tempo para absorver toda essa mudança.
O que prevalece é a decisão de manter o impulso da mudança. Decisão é decisão, e devemos agir de acordo com o que escolhemos. E, neste caso, escolhi a mim. Mesmo que, às vezes, o reflexo pareça dizer que tudo isso ainda é errado, eu sei que não é. O amor-próprio está ligado a parar de se perder e de se anular diante do outro.
O mais difícil nisso tudo? É que sabemos o que devemos fazer… Mas o mais importante é entender que tudo muda quando alguma coisa muda, e eu estou mudando.Não sou mais a fada madrinha. A varinha de condão quebrou, e agora a magia só pode ser interna, não externa.
Se ainda tenho espaço para o amor?
Claro que sim.
Se eu o amaria intensamente?
Claro que sim.
Mas não mais do que me amarei de hoje em diante.
Ana Cláudia Oliver- finalizado em 06/11/2025
Servir
Em momentos de infortúnio a postura se revela.
O caráter de um homem só se prova em meio a guerra.
Há um fardo sobre a jura da defesa da nação
Esse fardo custa sangue e muita determinação
Quem o porta não lamenta e rejeita monotonia,
Premeditando o caos em momentos de calmaria.
Alter ego que anseia o conforto de seu lar,
Mas prepara-se no aguardo das missões que irá herdar.
Não acolhe elogios, nem reciprocidade,
Ele atua em prol da defesa da liberdade.
Quer conheça ou desconheça o semblante deste ser,
Ele sabe, não espera, apenas faz por merecer.
Não o veja com os olhos de alguém que sente pena,
Pois “lamento” é um fruto da árvore que ele condena.
Quando há adversidades seu dever é atuar,
Pois é isso o que se espera do indivíduo militar.
O seu mais sábio instrutor foi pregado em uma cruz,
E por trás da escuridão deixa um verbo em sua luz.
A palavra iluminada é a razão para o seguir,
O maior verbo da história, com certeza é SERVIR.
CATÁLOGO DE UM AMOR EXTINTO
Juvenil Gonçalves
Encontrei teus ossos no baú do tempo,
fósseis de um verão que o outono esqueceu
cada osso, um verso; cada verso, um tempo
em que éramos mais que o amor que se deu.
Teu fêmur ainda trazia as marcas
dos meus dedos, tão leves, tão sem perdão...
E o teu crânio, qual taça de arcas,
guardava o vinho amargo da solidão.
As costelas, outrora meu abrigo,
agora são grades de um museu vazio.
Catalogarei cada fragmento teu
na prateleira dos amores falidos:
— úmero que me sustentou como véu,
— fíbula de nossos passos unidos.
E o que dizer da coluna, outrora erguida,
templo de carne, altar de nosso enleio?
Hoje é apenas ruína esquecida,
poema sem sujeito, verso sem meio.
Mas ah! Entre as relíquias desfeitas,
encontro teus dedos — frios, sem vida
e lembro que, um dia, nestas mesmas digitais,
eu li o futuro... e não soube ver a despedida.
Agora resta-me o catálogo frio:
um osso por amor, um verso por ossada.
E assim, entre rimas e pó, eu crio
um museu para nós, na página arruinada
Juvenil Gonçalves
O poeta é um fingidor (mas sente de verdade)
o poeta, às vezes, sente o que nunca viveu
e jura pra si que doeu.
mas não doeu.
é só que ele viu alguém doendo
e achou bonito o jeito que o mundo sangra em silêncio.
ele sente por nós,
por quem esqueceu de sentir,
por quem cansou de tentar entender o próprio peito.
finge tão bem
que a gente acredita,
que a dor dele é nossa,
que o amor que ele perdeu
era o mesmo que a gente procurava.
o poeta cria sensações
não pra enganar,
mas pra lembrar a gente
de que o coração ainda existe,
mesmo quando a vida não deixa.
e no fim,
não é que ele minta.
é que ele traduz.
traduz o que a gente não sabe dizer,
e chama de poesia
aquilo que ainda resta de humano em nós.
Mais um dia amanheceu.
Um presente discreto, embrulhado em luz e possibilidade.
Deus, em Sua delicadeza, nos concede outra chance
de recomeçar o que ficou pela metade,
de fazer o bem que ontem faltou tempo,
de ser mais paz, mais fé, mais amor.
Nem sempre o novo dia vem com calmaria,
mas sempre traz uma mão invisível
nos guiando pra mais perto do que é essencial.
— Edna de Andrade
@coisasqueeusei.edna
Minha vida começou como um pássaro cantando,
mas hoje estou vegetando
num caminho de dor sem cor,
com pedras afiadas
e asas atrofiadas.
Tudo começou com a partida
que me desadoçou.
Com muita dor, virei delinquente,
com uma mente inconsequente.
Após o bullying,
a dor pegou forte.
Mas hoje não vivo só de dor —
vivo de luta e vitória.
A cada passo, me reergo
com a poesia e a literatura,
desbravando mundos
e vencendo,
cada vez mais,
o meu passado.
escrever sem pressão
entre pausas
surge uma lembrança na memória
entre respiros
um suspiro
e uma nova forma de me reconectar comigo
diferente
única
e acolhedora
eu gosto de escrever
isso me liberta
me traz de volta
para as melhores partes de mim
De quem sou
do que gosto
e o novo eu descubro,
de mim.
e me liberto
das correntes
que me aprisionam
uma nova versão renasce
como se ela estivesse adormecida
esquecida
empoeirada
guardada dentro de um baú
para ninguém ver como brilha
como inspira
Como é possível?
Ficar tão escondida!
agora sua luz ilumina o caminho
consigo ver a direção que eu devo tomar
e que a luz me leva
enxergo o céu sobre a minha cabeça
sinto os pés no chão
e o cheiro das flores por onde passo
o mundo do qual sempre fiz parte
é estranho como havia caminhos nebulosos
dentro de mim
mas como é bom estar de volta
para quem sempre fui.
Anestesia
Ao sentir o sabor, as partículas, o vinho como um todo, sinto-me relaxado, sensação de anestesia e rebeldia.
Dez horas da manhã e já sinto-me levemente alterado. É, sensação de anestesia.
Cigaretto;
Vinho;
Sedativo;
Música.
O ‘quarteto fantástico’ que asfixia minha disforia, minha angústia e minha melancolia.
Ao colocar uma dessas coisas para dentro, todos os problemas se vão.
— Lorenzo Almeida. (25.10.24).
Reflexão
Será que um dia as pessoas vão reconhecer minhas frases?
Será que um dia elas vão ler e dizer: esse cara é surreal.
Será que um dia alguém vai olhar para minhas palavras e perceber que cada linha minha carrega um pedaço da minha alma?
Às vezes eu me pergunto se o mundo está pronto para tudo aquilo que escrevo.
Se um dia vão ler e dizer:
Esse pensador chamado Jalison Santos… é um dos mais profundos que já encontrei.
Eu não escrevo para aparecer.
Escrevo porque a vida me marcou, e minhas marcas se transformaram em palavras.
Mas, no silêncio do meu coração, existe uma esperança…
A esperança de que alguém leia o que eu escrevo
e sinta que minhas frases nasceram de verdade, dor, fé e amor.
Talvez um dia reconheçam.
Talvez quando meus textos tocarem o coração certo.
Talvez quando alguém ler e sentir exatamente aquilo que eu senti ao escrever.
Até lá, sigo.
Porque um pensador não escreve para ser grande.
Escreve para ser eterno.
O Que Fica do Que Fomos
William Contraponto
Se um dia eu cruzar a noite inteira
e o corpo cansar do próprio som,
não esperarei por luz ou fronteira;
apenas o rastro do que ainda sou.
Porque além da morte não há segredo,
não há espírito buscando um lar.
Há só memória vencendo o medo
e o que deixamos no fundo do olhar.
O que fica do que fomos é o gesto,
é o nome lançado ao vento incerto.
Não é alma pairando em algum lugar,
é a lembrança que insiste em continuar.
E se eu não voltar, que seja assim:
no que construí, no que vive em ti.
Quando a última porta se fechar,
não haverá juízo nem muralha.
A vida é um barco que aprende a passar,
e cada travessia ensina – e falha.
O que chamam alma, eu chamo história:
a voz simples do que se amou.
É a cicatriz guardando a memória
de cada luta que alguém lutou.
O que fica do que fomos é o gesto,
é o nome lançado ao vento incerto.
Não é alma pairando em algum lugar,
é a lembrança que insiste em continuar.
E se eu não voltar, que seja assim:
no que construí, no que vive em ti.
Se deixo um verso solto pela rua,
que seja luz pra quem quiser seguir.
Não há mistério entre sombra e lua:
há só a marca do que se quis sentir.
E quem nos guarda não é o além,
é quem repousa o nosso bem.
No silêncio que sucede o último passo,
ninguém nos chama para salvação.
O tempo recolhe o nosso espaço
e entrega aos outros a continuação.
Se algo vive depois do adeus,
não são anjos nem eternidade:
é o que plantamos no chão dos seus,
a parte nossa que vira verdade.
O que fica do que fomos é o gesto,
é o nome lançado ao vento incerto.
Não é alma pairando em algum lugar,
é a lembrança que insiste em continuar.
E se eu não voltar, que seja assim:
no que construí,
no que vive em ti,
no que chamam fim
e que eu chamo de existir.
Quando o passado se apaga e o presente te recebe, o que resta é o vazio moldado pelo caos, e um destino que se oculta em seus próprios enigmas.
O passado, que se curvou ao tempo e era presente, cheio de idas e vindas, esvaiu-se como cinzas. E as cinzas voaram, encontrando o vento, que naquele momento era um futuro sussurrante, sem saber se traria palavras de verdades carrascas, cruéis e indecifráveis, ou presentes e bênçãos do imperador imprevisível, ditador e amargo: o tempo.
Ellen De 🌷
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