Carrego Comigo
Eu sou um criador de horizontes e um destruidor de expectativas pois carrego comigo o dom de frustrar as ambições alheias sobre perfeição.
Não se engane com minha educação e meu sorriso, carrego o bem e o mal junto comigo, então não me compare a Cristo. Se vejo que és tu quem me engana, tortura e crucifica: te arrasto pra baixo junto comigo. Meu senso lógico é intuitivo e de justiça é vingativo.
MEU EU EM CONFLITO
Conviver comigo é carregar um peso que poucos suportariam.
O peso das indecisões, das alegrias esporádicas, dos pensamentos sórdidos, dos desejos insanos.
Equipara-se à um vaso, belo por fora, repleto de adjetivos, e o interior é inacabado, vazio.
O peso das angústias constantes, das migalhas de fé.
O peso de se sentir vivo e não viver, de ser intenso e ameno ao mesmo tempo.
Sabe por quê poucos suportariam ?
Porque nem eu suporto.
Carrego comigo muitos desejos não realizados, abafados pelas responsabilidades dos caminhos que escolhi. É estranho perceber que, em busca de um propósito maior, precisei deixar de lado certos quereres, como se cada passo para frente demandasse um sacrifício silencioso. Há uma dualidade entre o que sonho e o que posso, onde abrir mão se torna parte do preço de alcançar aquilo que, acredito, definirá meu futuro. É como se cada escolha levasse um pedaço de mim, moldando-me, mas também criando vazios que talvez nunca sejam preenchidos.
"Carrego comigo cada palavra dita, pois minha memória guarda o que me ensina e conecta às pessoas."
POSTAL
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Carrego comigo um postal...
Lembrança da minha terra:
minha paisagem natal!
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Debruçado sobre a Baía,
ou de braços estendidos
(não sei bem assim ao certo),
um Cristo de Pedra abençoa
o resto do mundo em pessoa.
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Anoiteceu no retrato...
Casas e ruas cintilam:
só há luz, não há maltrato.
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As misérias se apagaram;
pobrezas não há mais
(sutilezas fotográficas).
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O morro tem um colar
de barracos que são pérolas,
a avenida tem formigas
coloridas que são gente,
e a sombra deita em praias
assoalhos diferentes.
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Carrego comigo um postal...
Anoiteceu na gravura
que a perícia de um fotógrafo
fez de um momento imortal.
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No retrato em que nasci,
não há seres infelizes;
só há luzes de mim sorrindo,
e ondas no mar suspensas.
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Toda coisa ruim sumiu:
a câmara filtrou tudo
na beleza de um postal!
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Aonde vou
carrego comigo o postal...
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Mal se forma uma conversa
sobre pátrias e valores,
exibo aos estrangeiros
a beleza de um postal.
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– um pouco envergonhado –
... não faz mal.
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[José D'Assunção Barros.
Publicado na revista Nós, vol.10, nº2, 2025]
Carrego comigo uma bagagem pesada, mas valiosa. Não é uma bagagem de lamentações, de dor e sofrimento sem fim. É uma bagagem de lições. E tudo que vivi, tudo que passei, foi um professor que me ensinou a me conhecer. Não precisei me afundar nas minhas lamentações ou me perder nas angústias para entender minha própria jornada. O que vivi na pele, o que só eu senti, são as marcas que me fizeram chegar até aqui.
E há uma força no ato de reconhecer isso. O orgulho que vem de perceber que a dor foi, de fato, transformadora. Não sou mais refém do meu passado, mas carrego nele a sabedoria que só a experiência pode trazer. Hoje, sei que a jornada nunca é em vão. Cada passo, cada tropeço, tem seu valor.
"Carrego comigo a dúvida se a fé está me deixando ou se são apenas sentimentos humanos que me recusei a aceitar."
Do livro - Quase Santa.
São tantos eus que carrego comigo ao longo da vida que acabei ficando com os passos lentos, com o olhar cansado e com essa alma nostálgica de quem esqueceu os sonhos em algum canto da memória.
Uns versos
Sou poetisa, que rima por pura sedução
Carrego comigo as fontes da natureza
Sou broto de rosa despetalada
Sou pergunta sem resposta
Insônia nas madrugadas
Uma poesia mal interpretada
Sou fábrica de versos
Com meus textos
Desenho meu universo
Minha alma sustenta cada frase escrita
Rabiscando poemas de Amor
Colorindo jardins sem beleza
Declamo o que floresceu em mim
Escrevo versos que falam com teu coração...
Só uns versos meus
Talvez acabem com essa sua tristeza danada
Ah, que satisfação
Saber que meus delírios
Se alinham com teus sentimentos
Autora:Simone Lelis
Deixando sair o sentimento e carrego comigo a verdade do fluir, é o meu processo de criação o que para muitos é uma queda para eu é a colheita satisfeita.
Te perdoar foi o estopim de toda a minha guerra interna, deixei de te carregar comigo, para finalmente te deixar ir. E depois de todo esse tempo, é tão bom estar livre de ti.
Angústia
É o que sinto
é o fardo quando muito se pensa
não aguento mais carregar isto comigo
o futuro me escraviza
e o presente me tortura
estou me destruindo
ficando sem estrutura
o tempo passa
e o que penso me mata
cansado mentalmente
morto inquietamente
pensar me machuca
e quando as vezes falo
todos ouvem
mas ninguém me escuta.
escrito pelos meus próprios pensamentos.
- Arthur Teles
Sei que não sou perfeita... carrego comigo milhões de defeitos, talvez minhas qualidades são poucas, mas as poucas que tenho são as melhores!
A coisa que mais tenho medo é desta esperança que carrego comigo, ou o remédio que cura a dor e faz a ferida cicatrizar, ou o veneno disfarçado de remédio que promete cura mais mata
Quero que possa contar sempre comigo; sou sua labuta, seu domingo. Quero lhe carregar no colo, até seu quarto de prazer. Mas se não for o suficiente, se faltar sal ou açúcar, até mesmo o ínfimo arrepio na nuca...
Você será sempre livre, para fazer o que bem entender.
Lembrar do passado é o meu destino
Pois fiz tudo errado
Então, só me carregá-lo comigo
Trago ele na memória
Como uma bagagem pesada
Mas é uma longa história
Por ter apostado na pessoa errada
Eu me lembro que um dia eu tive tudo
E hoje eu não tenho nada.
