Carrego Comigo
No meu íntimo intenso, penso que carrego comigo o espírito de um lobo solitário, que não é compreendido na sua plenitude, que passa um certo tempo adormecido, mas quando desperta, faz eu querer estar acompanhado apenas da minha amada solitude ao som causado por meus pensamentos, principalmente, aqueles bons que conversam e motivam o meu imaginário, festejam com o meu senso poético.
Talvez seja justamente esta a razão da tranquilidade que sinto à noite, da grande atenção que dedico a lua, encantadora de várias formas em todas as suas fases, que transforma marcante a mais simples ocasião, que me traz uma sensação muito cativante, singular como deve sentir um lobo que caminha tranquilamente sob a forte luz do luar sem nenhuma companhia desgastante, sem ninguém que eu possa incomodar.
Para a saúde do meu bem estar, graças a Deus, isso representa um fragmento da minha complexidade e este espírito de hábitos noturnos sente a necessidade de adormecer, o que me permite aproveitar outras companhias, deixar a solidão pelo menos descansar, poder saborear também a simplicidade e outros benefícios do dia claro, caloroso, frio, chuvoso ou nublado, uma vida não tão solitária, um sono bastante necessário.
Carrego comigo muitos desejos não realizados, abafados pelas responsabilidades dos caminhos que escolhi. É estranho perceber que, em busca de um propósito maior, precisei deixar de lado certos quereres, como se cada passo para frente demandasse um sacrifício silencioso. Há uma dualidade entre o que sonho e o que posso, onde abrir mão se torna parte do preço de alcançar aquilo que, acredito, definirá meu futuro. É como se cada escolha levasse um pedaço de mim, moldando-me, mas também criando vazios que talvez nunca sejam preenchidos.
"Carrego comigo cada palavra dita, pois minha memória guarda o que me ensina e conecta às pessoas."
POSTAL
.
.
Carrego comigo um postal...
Lembrança da minha terra:
minha paisagem natal!
.
Debruçado sobre a Baía,
ou de braços estendidos
(não sei bem assim ao certo),
um Cristo de Pedra abençoa
o resto do mundo em pessoa.
.
Anoiteceu no retrato...
Casas e ruas cintilam:
só há luz, não há maltrato.
.
As misérias se apagaram;
pobrezas não há mais
(sutilezas fotográficas).
.
O morro tem um colar
de barracos que são pérolas,
a avenida tem formigas
coloridas que são gente,
e a sombra deita em praias
assoalhos diferentes.
.
Carrego comigo um postal...
Anoiteceu na gravura
que a perícia de um fotógrafo
fez de um momento imortal.
.
No retrato em que nasci,
não há seres infelizes;
só há luzes de mim sorrindo,
e ondas no mar suspensas.
.
Toda coisa ruim sumiu:
a câmara filtrou tudo
na beleza de um postal!
.
Aonde vou
carrego comigo o postal...
.
Mal se forma uma conversa
sobre pátrias e valores,
exibo aos estrangeiros
a beleza de um postal.
.
– um pouco envergonhado –
... não faz mal.
.
.
[José D'Assunção Barros.
Publicado na revista Nós, vol.10, nº2, 2025]
Carrego comigo uma bagagem pesada, mas valiosa. Não é uma bagagem de lamentações, de dor e sofrimento sem fim. É uma bagagem de lições. E tudo que vivi, tudo que passei, foi um professor que me ensinou a me conhecer. Não precisei me afundar nas minhas lamentações ou me perder nas angústias para entender minha própria jornada. O que vivi na pele, o que só eu senti, são as marcas que me fizeram chegar até aqui.
E há uma força no ato de reconhecer isso. O orgulho que vem de perceber que a dor foi, de fato, transformadora. Não sou mais refém do meu passado, mas carrego nele a sabedoria que só a experiência pode trazer. Hoje, sei que a jornada nunca é em vão. Cada passo, cada tropeço, tem seu valor.
A Sensação de Nunca Passar
Constantemente, sinto a mesma sensação, carregando comigo um sentimento que parece nunca se afastar do meu peito. Por vezes, me pego refletindo sobre seu rosto, seu jeito e seu sorriso. Em um breve momento, uma sucessão de lembranças se forma, retratando como poderíamos ser felizes, caso você me permitisse te amar, ou, ao menos, se demonstrasse um mínimo de consideração pelos meus sentimentos — sentimentos esses que, por mais que eu queira acreditar, nunca tiveram e provavelmente nunca terão importância para você. Cada segundo de carinho e brincadeira que você me ofereceu foi, para mim, o maior gesto de amor que pude receber. A primeira vez em que você me abraçou, senti meu coração disparar, e esse sentimento não se limitou a esse único instante, mas se estendeu à ocasião em que você me apelidou de Jeyjey.
Há também o episódio no elevador, quando você fez massagem em minha mão e me fez cosquinhas na barriga. O dia em que você quis me mostrar o cheiro do seu cabelo, o beijo no rosto enquanto me acompanhava até a faculdade — embora, no fim, tenha sido eu quem te acompanhei até o ponto, pois minha aula ainda não havia começado.
Nunca esquecerei o primeiro dia em que te encontrei, na porta daquele elevador. Você estava deslumbrante com uma blusa verde escura, calça skinny, sapato preto e branco e uma munhequeira no braço esquerdo, acompanhada de uma máscara e um olhar mágico. Não consigo explicar, mas aquilo foi um sentimento surreal que nasceu em meu coração: uma mistura de borboletas no estômago e batimentos acelerados. Em cada momento em que te olhava, ficava sem palavras. Talvez seja o destino ou o conceito de almas gêmeas, mas, no final, parece que não estávamos predestinados a ficarmos juntas. A dor foi ainda mais profunda quando te vi pela última vez. Você estava com um vestido branco com detalhes vermelhos e um perfume de rosas. Guardarei cada detalhe na memória, embora eu deseje apagar toda a sua existência do meu coração e da minha mente, e deixá-la no passado. No entanto, parece uma dependência sem fim, algo que não consigo explicar. Estou evitando os lugares que me fazem lembrar de você, mas isso não tem surtido efeito. Às vezes, passo meses sem pensar em você, mas, de repente, um pensamento intrusivo aparece e não sai da minha mente.
Embora tenha apreciado os sentimentos que vivi, também os odiei. Jamais imaginei que um "inferno astral" como esse tomaria conta da minha vida até você aparecer. Eu queria ser a mesma pessoa, a aquariana conhecida como "coração de gelo", que se afastou de qualquer possibilidade de amar.
No fim, o amor é uma bomba-relógio, esperando explodir sem rumo nem direção.
"Carrego comigo a dúvida se a fé está me deixando ou se são apenas sentimentos humanos que me recusei a aceitar."
Do livro - Quase Santa.
Para o Meu Amor, Vander Machado
Vander, há sete anos carrego comigo um amor que não se mede, que não se explica. É um sentimento que nasceu sem aviso, mas que nunca deixou de crescer, mesmo diante das tempestades, das idas e vindas, dos silêncios e das incertezas.
Você é o meu amor mais profundo, aquele que me faz sorrir só de lembrar. É o brilho nos meus olhos e o aperto no meu peito. Mesmo quando a vida parece não nos dar todas as respostas, o que sinto por você continua firme, inabalável.
Queria que o nosso amor fosse o “pra sempre” do mundo, o final feliz de uma história sem fim. Mas, mesmo que não seja, quero que saiba que você sempre será o meu “pra sempre” dentro de mim.
Te amo com uma intensidade que não depende do tempo, das circunstâncias, ou das escolhas que ainda faremos. Porque o amor verdadeiro é isso: um pedaço da alma que encontra o outro, e ainda que a vida nos leve a caminhos diferentes, essa conexão nunca se desfaz.
Você é, e sempre será, o meu amor de alma. O meu sonho bonito. O capítulo mais especial da minha história. E enquanto houver vida em mim, haverá amor por você.
Com todo o meu coração,
De quem te ama há sete anos e te amará para sempre.
Eu ainda carrego comigo uma esperança enorme... Eu ainda acredito na tua vinda ..na tua volta... Acredito que o destino quando esbarra pessoas não é por acaso...nada é por acaso .. nessas voltas que o mundo dá eu ainda vou te encontrar e te sentir de novo nos meus braços ...sentir o calor do teu corpo e o teu beijo gostoso mais uma vez ou quem sabe pra sempre... Porque vc se foi mas ficou gravado, guardado, eternizado comigo em minha mente... E sabe aquele sexto sentido que anda com a gente? Pois é ele sempre sussurra em meus ouvidos que não acabou... Que ainda temos muita história pela frente...muitas águas pra rolar e muito amor para amar ....
“Chamar-me de 'boca de sacola' é apenas reconhecer que carrego comigo as realidades que muitos preferem ignorar."
O que eu carrego comigo?
Tudo.
As coisas que vi, que ouvi, que senti.
As pessoas que conheci, convivi e as que perdi.
As dores que sofri e os momentos em que caí.
Tudo o que consegui e até do que eu desisti.
Sou esse grande amontoado de coisas. Eu sou isso aí.
Faço minhas orações sem atravessadores
carrego comigo o único templo que me dá linha direta com Deus
A minha consciência tranquila
Memórias e marcas eternas.
Carrego comigo as memórias de pessoas que cruzaram meu caminho – algumas que talvez eu nunca mais veja e outras que nunca vi pessoalmente, mas que, ainda assim, deixaram algo bom com suas palavras de alegria e ânimo. A vida, com seu curso imprevisível, separa destinos e muda rotas, mas nunca apaga as marcas deixadas. Sigo agradecido pelas pequenas aparições em forma de mensagens, fotos ou gestos que, em momentos de tristeza, aqueceram meu coração e acenderam uma luz capaz de iluminar meu caminho nesta jornada que ainda trilho.
Cada pessoa que passou por mim deixou algo valioso: um sorriso espontâneo, um conselho que ressoou nos momentos mais difíceis, ou um abraço tão apertado que até hoje sinto como um eco em minha alma. São como estrelas que continuam a brilhar, mesmo quando já não consigo vê-las no horizonte. A presença delas, por breve que tenha sido, trouxe aprendizados, carinho e uma força silenciosa que me tornou alguém melhor.
A vida, afinal, é uma dança de encontros e despedidas, mas os verdadeiros permanecem. Eles se eternizam, ocupando um lugar único no coração, onde o tempo não alcança.
E assim, sigo refletindo sobre como essas almas, em sua simplicidade, chegam no momento exato – como um vento que alivia o calor, como uma música que embala a dor. Elas nos ensinam que, mesmo nas despedidas, há beleza; e que cada pessoa que cruza nosso caminho, por menor que pareça o impacto, contribui para a construção de quem somos. Essas memórias não são apenas lembranças: são forças vivas, são alicerces que nos sustentam quando tropeçamos, são fagulhas que reacendem a esperança.
Sejam próximas ou distantes, presentes ou ausentes, essas pessoas são a prova de que a vida se molda nos detalhes – nas marcas que ficam em nós e nas que deixamos no outro. Talvez o maior presente que possamos carregar seja a gratidão por termos sido tocados por algo tão simples e ao mesmo tempo tão profundo: o amor compartilhado na forma de palavras, gestos e presenças que jamais se apagam.
