Carne
Sobre um Poema
Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne,
sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.
Fora existe o mundo. Fora, a esplêndida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
os rios, a grande paz exterior das coisas,
as folhas dormindo o silêncio,
as sementes à beira do vento,
- a hora teatral da posse.
E o poema cresce tomando tudo em seu regaço.
E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.
- Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério.
- E o poema faz-se contra o tempo e a carne.
Eis-me aqui
Carne dada aos vermes
Sem arrependimentos
Dormindo nos meus culposos desejos
Sonhando com carícias impróprias.
Fazer jejum, ficar de resguardo,deixar de comer carne por uns dias ou tomar café para praticar uma obra,tudo será em vão se não tiver a mente e o coração limpo.
Eu sou navalha cortando na carne. Eu sou a boca que a língua invade. Sou o desejo maldito e bendito, profano e covarde. Sou o encaixe, o lacre violado. E tantas pernas por todos os lados. Eu sou o preço cobrado e bem pago. Eu sou um pecado capital.
Tudo que é feito de carne é como se fosse mato, e toda a gloria dos homens é como se
fossem flores campestres. O mato seca, as flores caem.Mas as palavras do Senhor Estarão
sempre presentes.
"É apenas mais um corpo, um corpo qualquer, fora de qualquer padrão.
É um composto de carne, sangue, ossos, que não definem quem eu sou.
E quem eu sou? Não ousaria me descrever, porque eu sou aquilo que os outros fazem de mim, eu mudo constantemente.
- Não, não é falta de personalidade, meu caro! Tenho que discordar.
Para mim, essa mudança é resultado do excesso de aprendizado que a vida nos enfia goela abaixo.
Carrego um amontoado de cicatrizes nesse corpo, de um passado judiado, de amores frustrados, de tantos desejos.
Desfruto do acúmulo de segredos que esse corpo esconde, e que ninguém precisa saber.
Dentro desse corpo existe uma essência. Essa vale muito mais que qualquer aparência.
E a minha essência está fácil de ver, porque os meus olhos falam! Ah, eles sempre disseram mais que as minhas palavras.
Eu nunca fui uma pessoa difícil de ler, só é preciso um pouco de silêncio para saber o que se passa dentro de mim."
Deus, agradecemos pela carne salgada de porco que vamos comer com o resto dessa gororoba. E agradecemos pela nova piada da família.
Percebi que não é uma questão de vida ou morte da carne. O que é importante para um guerreiro é a alma...
SUAS PALAVRAS PODEM SER AFIADAS, MAS MINHA VINGANÇA É A NAVALHA QUE RASGARÁ TUA CARNE...
RIKARDO RIBEIRO
Quem tiver dinheiro para comprar carne, em nome de Deus, eu libero para comê-la na Sexta-Feira Santa!
Esquecer a antipatia nata
Saber que a mágoa mata
Que a carne é insaciável
Inflama a chama e nada mais...
Apenas o amor sustenta e satisfaz
E dá o prazer da paz...
Prazer que excede a orgasmos e químicas
E que excita, sem precisar provocar...
Assim diz o Senhor: Maldito o homem que confia no homem, e faz da carne o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor!
Porque será como a tamargueira no deserto, e não verá quando vem o bem; antes morará nos lugares secos do deserto, na terra salgada e inabitável.
(Jeremias 17:5-6)
Não ande com os que se encharcam de vinho, nem com os que se empanturram de carne.
Pois os bêbados e os glutões se empobrecerão, e a sonolência os vestirá de trapos.
Fatalismo
Amo-te como minha amiga fatal...
Vem sentir-me a carne apaixonada,amor!
Hei de sentir-te a tua fome,meu amor
Pega-me o ser virgem do coração,amiga!
Amo-te como minha donzela fatal,
Só um amor carnal adoro a ti,amiga
O anseio do teu poeta a pegar-te,Amor!
És minha bela mulher fatal do amor.
Quero sentir-te o teu coração,amor...
Ó delícia da minha vida! Amo-te sempre...
Apressa-te o meu deleite do amor!
Quisera beber-te o ventre do teu vinho,
Lamber-te já posso a tua alcova do amor
És minha amada amiga,amo-te sempre!
Se amor não é carne e sim sentimento, alguém me explica essa ansiedade acompanhada de dor física que meu coração sente cada vez que olho pra tela do celular, porque falta o ar quando vejo sua foto, ou o seu " escrevendo " aparece. Porque tantas borboletas insistem em voar no meu estômago a cada elogio dele... Me tornei dependente de um telefone e um carregador, um vegetal virtual que não existe sem seu amado. Se já o amava antes, sem saber onde o encontrar e se ao menos existia... Como não amar agora que tem rosto, nome, celular e é ainda mais lindo que em meus sonhos?
