Calma
Aprecio um lindo cenário
que vivifica a alma, revigora o corpo
e deixa a mente mais calma
num banho de entusiasmo
com as águas do mar,
a luminosidade do Sol
e a liberdade celeste
que acolhem como um gesto
de amor,
dessarte, sua grandeza é evidente
num resplendor de frugalidade
que encanta intensamente.
A flora com sua vitalidade
possui uma bendita calma preciosa
contida numa bela austeridade
que supri a necessidade da alma
e sem dificuldade a revigora,
dessarte, é sensato observá-la
por esta sua essência transformadora.
Cicatriz Azul
Minha dor tem cor de céu,
brilha calma, sem troféu.
É cicatriz que não sangra mais,
mas ensina o que a pressa desfaz.
Você me deu força quando eu já não tinha mais
E paz quando perdi a minha calma
Me entendeu quando eu não sabia o que fazia
Me fez tudo que eu sou
Me disse que estava certo
Quando meu único acerto
Foi te ter ao meu lado
Sei o que sentes não precisa dizer. Não é difícil de entender. Mas escuta com calma o diálogo principal de teu coração. Porquê dentro dele tem o seu jeito de ser e de querer. Percebes que já é hora. Apenas traduza que já esta na ponta de sua lingua. Só esperando dizer sim pra que possa entrar e ser feliz.
Jose A Nascimento
Nada quero da calma dos pobres de sonhos, do sossego tristonho de quem silencia, tornando-se corpo animado sem alma.
AMOR HOSTIL
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Tenha calma e me queira menos tensa;
mais a fundo; silente; bem contrita;
seu amor se confessa em sua ofensa
e seu olho desmente o que a voz grita...
Não se renda e também não faça fita;
guerrear de fachada não compensa;
é a súplica em gestos de quem dita
numa espécie afetiva de doença...
Pra pintar de frieza o sentimento,
leve o seu coração ao pensamento
e supere a si mesma; chegue ao pódio...
Sua fúria não vai vencer o drama;
se não pode assumir o quanto ama,
não precisa me amar com tanto ódio...
PECADO IMPECÁVEL
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Só tenha calma e consinta... e se permita. Sinta os panos etéreos dessa fantasia que nos veste. Forme sutilmente comigo essa cumplicidade velada... que não podemos confessar a nós mesmos... apenas vivê-la, nos limites bem próprios do não poder.
Não tenha medo, entretanto, porque sabemos que sonhamos sem alvo. Sem nenhuma pretensão pra depois. Nossa única esperança é a de podermos manter uma esperança, costurando imagens... estilizando o que jamais avançará o campo da idealização.
Só assim nos provocamos a salvo. Trocamos desejos, com olhares secretos que ninguém sabe ler. Negociamos armadilhas ocultas em gestos dissimulados. Adivinhamo-nos mutuamente, protegidos pela própria bolha da probidade que nos rodeia.
PREGUIÇA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Por favor me perdoe pela calma
nos meus traços, no brilho do semblante,
pela palma da mão que não transpira
e a voz que não perde a impostação...
Guarde a raiva, prometo que outro dia
soltarei o meu bicho mais feroz,
minha foz de rancores reprimidos
por verdades avessas aos meus sonhos...
Mas agora só quero esta ressaca,
o silêncio, a soltura do bocejo,
meu solfejo, a canção assobiada...
Só lhe cabe adiar esse confronto;
contornar o rompante que lhe atiça;
tenho muita preguiça de odiar...
MATURAÇÃO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Hoje gosto de calma. De ar puro. Sombra, rede, quintal. Gosto de amar, fazer amigos, ter liberdade para ser quem sou e deixar bem claro que é pegar ou largar. Escrevo e leio mais do que nunca, sei exatamente o que não quero, aprecio arte, boa música e já não tenho vergonha de ser sensível; romântico; sentimental.
De bem com a vida e comigo mesmo, estou no ponto em que tempo não é dinheiro e sossego não é caretice. Posso desprezar a moda, gostar do que realmente gosto e sonhar ao meu bel prazer... e como não se chega impunemente a tal estágio de segurança, bom gosto e sinceridade, chego à conclusão de que realmente chego à velhice.
VOZ SEM VOZ
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Quando tudo estourar,
tenha calma;
pois terei alma
para não dizer que avisei...
Vou apenas calar
com respeito, empatia
e muitos desvelos;
calar pelos cotovelos...
Porque bem sei,
é assim, feito lei,
não há como impedir
que chegue a vez...
E quando chegar,
você não vai conseguir
não ouvir
a minha mudez...
ANTESSALA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Tenha calma; discorra com brandura,
pois conter o furor não é fraqueza;
ninguém vai concordar sob tortura,
por temer esses gritos de certeza...
Seja franco, mas tenha gentileza;
use a voz como tal; não como bomba;
não enxergue no próximo essa presa
que se não destrancar você arromba...
Seu saber é somente o seu saber;
o maior dos saberes é não ter
essa vã pretensão de sapiência...
Tente ouvir algo além de sua fala;
torne o seu coração em antessala;
um acesso pra sua consciência...
Eu brinco com os poemas
Para alegrar a minh'alma
E a Poesia traz a calma
Diminui os meus problemas
Enfrentando meus dilemas...
Eu abro meu coração
Mergulhando na emoção
Vou nadando nesse mar
TENHO ORGULHO DE FALAR
QUE SOU FILHO(A) DO SERTÃO.
Mote: Edionaldo Souza
Glosa: Noélia Dantas
Como posso eu ter calma?
Sendo que o coração que jurou-me ódio, sei que me ama.
A mesma boca que deveria despir só o corpo também despe a alma.
É amor de peito o que deveria ter sido só amor de cama.
Na madrugada não sou eu, é só o lençol, que por ti clama.
Do que me adianta?
Um amor racional e uma paixão insana?
Perdoe-a, pai, pois ela não sabe o que sente, não sabe a quem ama.
Ela sabe que, a cada toque, meu nome ela chama.
As labaredas, o ardor dessa paixão, o meu ser inflama.
Amá-la transformou-se em blasfêmia.
Nessa cacimba de amarguras, morro e vivo um dilema.
E vivendo tudo isso, como posso eu ter calma?
Nas chamas que dançam, purifico a alma, Folhas ao vento, trazendo a calma. Todo mal intencionado, afasto com fervor, Que o fogo transmute, afastando a dor.
À terra entrego minhas dores e aflições, Sementes de esperança, plantadas em milhões. Que o ar leve embora o que já não serve mais, Transforme em aprendizado, ventos de paz.
Nas águas que correm, encontro a renovação, Cada gota a lavar, trazendo regeneração. E que o espírito renasça, com brilho e vigor, Unindo os elementos, em um ciclo de amor.
