Calado
Vem quieto, calado , vem sem medo de ser feliz..vem que eu te quero faz tempo e vc nem sabe ..vem que eu tô doida pra fazer um estrago ..vem que eu te quero tanto que o desejo só me consome ... hoje se eu te pego de jeito nunca mais te largo... se eu te pego hoje eu te viro do avesso , te mostro o que eu sou capaz ..porque esse desejo incomoda ja faz tempo e eu tenho sede de vc.. então vem e me deixa sentir o que sempre sonhei sentir..teu cheiro , teu gosto , tua pele , teu corpo , teu toque .. tenho pressa pra amar vc ...
Se me amas, sussurre aos meus ouvidos.
Grite ao mundo, proclame esse amor.
Não ame calado o amor proclamado, tenho pressa quero viver com intensidade o que não sei se é breve.
Vamos viver o hoje.
O amanhã é incerto.
Se um homem sábio manter-se calado diante dos seus erros, ele está tirando só proveito deles; se ele não lhe corrigir, sua sabedoria se tornou apenas teoria.
Perdão não é remover o lixo da língua para o coração e ficar calado, mas é tirar da memória e expressar para o culpado que Deus o ama e você também.
Execução
Não posso ficar calado.
Matar uma mulher
por não aceitar
o fim da relação
é um crime imperdoável.
Eu só quero esse rosto, essa boca, esse riso, esse gosto acanhado que me engole calado com seus doces ruídos.
O sax do Manu Dibango foi calado pelo Coronavírus. Na partitura do silêncio, a imprensa não emitiu sequer uma nota!
Eu não quero silêncio dentro de mim,também não sei comer calado,as vezes nem talher,nem guardanapo eu uso,por isso me lambuzo todo,uns dizem que me falta educação,eu garanto que sobra felicidade.
Eis que eu aqui
Calado, esquecido
Perdido e desarvorado
Eis que eu
Escondido às sombras
Nas penumbras do passado
do qual eu me escondia
Sem nem saber
Que o presente também sabia
Brincar de pique-esconde
E mais do que todo mundo
Sabe onde procurar
Por certo
Apesar de distante
Diante dos resultados
Agora a gente também sabe
Que ele esteve sempre perto
Pois
Perante a rapidez da vida
Não havia como estar tão longe
ou se esconder
da hora de ir embora
quando a mãe chamar
Só agora a gente vê
A inútil futilidade
do lugar onde se esconde
Eis-me aqui.
Edson Ricardo Paiva.
Era como aguardar calado
Que as coisas que acontecem
Por obra do acaso
Sem prazo, sem cobrança
E nem olhares impacientes
Era esperar que uma delas
De repente batesse à porta
Botando uma notícia boa
No meio da mesa da sala
Alguma coisa que calasse a alma
Num mágico momento
Daqueles que a gente não fala nada
Era esperar alegria
Era apenas espera
Era sonhar
Os sonhos que cada pessoa sonha
Eu ponho meus sonhos à mesa
Pode ser que eu sonhe à toa
Assim
Como era sonhar essa hora boa
A vida passa depressa
Mas o sonho bom demora
A hora da surpresa
Vai ficando no passado
Era assim que era
Essa era toda a verdade
Felicidade
Não era.
Edson Ricardo Paiva
“Na prática do método Reiki, às vezes, a melhor forma de ajudar é ficando calado, mantendo a atitude de ouvinte. Escute, escute e escute.”
O Lobo e os Abutres
Em leito, sinto
oh, quão frio,
lobo só, sem matilha,
eco de uivo calado
que reverbera na pedra crua.
Não tema,
está só!
Não reclame, diziam eles,
engula o choro
como quem engole a própria sombra.
Em leito, sentia
já não mais,
mas, nada!
Frio sou
não!
Tornei-me
um vulto que se dissolve
na geada da madrugada,
uma presença que ecoa
no vácuo entre o ser e o deserto.
Em leito, sentiria
na pele,
rasgando o instinto
como faca cega.
Seleção natural
de almas partidas.
Quantos lobos
perecem em si mesmos
por não entender
que há algo errado
na dança da sobrevivência?
Em leito, sinto
coração, não mais.
Odor pérfido
de carniça ao amanhecer.
Não eram lobos,
eram abutres
vestidos de companheiros,
espreitando o cansaço
da fera solitária.
Liberdade, enfim?
Ou apenas a descoberta
de que a solidão
é menos vil
do que a falsa aliança
dos que fingem caçar juntos
mas apenas esperam
o momento da queda?
E quando o sol rasga a penumbra
como lâmina quente,
vejo o rastro das garras
que um dia julguei companheiras.
Eles não uivam,
não caçam,
não sangram pela honra
de viver em matilha.
São carniceiros,
esperando o último suspiro
da presa que pensavam ter domado.
Então ergo meu uivo
para o alto,
rompendo o céu cinzento
com o brado de quem
não teme mais a escuridão.
O eco invade os vales,
acorda os corvos,
faz tremer as sombras
que habitam a floresta.
E descubro,
na solidão que corta,
a liberdade crua
de ser lobo
entre abutres.
Não sou ferido,
sou a cicatriz que se ergue,
o instinto que sobrevive
ao banquete dos falsos.
Sou a fera que renega
o pacto da servidão.
Sou o silêncio que precede
o grito dos justos,
a promessa de que mesmo só,
o lobo sempre voltará
a caminhar sob a lua
sem temer as aves de rapina.
