Frases de Caio Fernando Abreu

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Quando a gente precisa que alguém fique a gente constrói qualquer coisa, até um castelo.

Estou apenas enterrando as impurezas e toxinas da minha vida e deixando brotar uma bela e frutífera árvore. E que seja doce.

E que seja doce tudo que tiver que ser...

Se tiver que ser, como tem que ser, do jeito que tiver que ser, a gente volta um dia.

- Toque nela com cuidado, senão ela foge.
- A coisa ou a pessoa?
- As duas.

Só que chega um ponto que a gente cansa, que não quer mais saber de aventuras ou de procuras, entende?

Então, o que devo fazer é esperar. Sem desespero, sem melodrama, sem niilismo - esperar. Mas até quando, meu Deus, até quando?

Toma um café, que o mundo acabou faz tempo.

É preciso entender as artimanhas do tempo: a hora certa sempre chega.

E de repente, não mais que uma tarde quase quebrando de tão clara, você chegou na minha saudade.

É, não sei se Deus está armando uma arapuca, ou se ele realmente ficou com pena de mim.

Não te preocupa. O que acontece é sempre natural — se a gente tiver que se encontrar, aqui ou na China, a gente se encontra.

O tempo existe, sim, e devora.

E se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que chamam de amor? Quando você chega no mais íntimo. No tão íntimo, mas tão íntimo que de repente a palavra nojo não tem mais sentido.

Queria que você gostasse de mim por mim. Caótico, distraído, perigosamente despreocupado. Meio despenteado, tão preocupado com coisas vagas. Queria que você também se encantasse com minhas imperfeições, os trejeitos que nem vejo, meus vícios e virtudes.

Você tem que amar quem você ama agora. Já, você tem que começar a fazer tudo o que você quer porque a bruxa está do lado esperando.

E devo dizer ainda que gostaria de vê-lo feliz, apesar de tudo o que me fez sofrer nos últimos tempos.

Caio Fernando Abreu
Uma História De Borboletas, in: Pedras de Calcutá

Sinto-me terrivelmente vazio. Há pouco estive chorando, sem saber exatamente por quê. Às vezes odeio esta vida, estas paredes, essas caminhadas de casa para a aula, da aula para casa, esses diálogos vazios, odeio até este diário, que não existiria se eu não me sentisse tão só.

Aquilo que é bom, e de verdade, e forte, e importante – coisa ou pessoa – na sua vida, isso não se perde.

E lá vou eu, nas minhas tentativas, às vezes meio cegas, às vezes meio burras, tentar acertar os passos. Sem me preocupar se a próxima etapa será o tombo ou o voo.