Cada um tem de Mim Exatamente o que Cativou e
todas essas mobilizações que vemos, toda essa baderna tem o dedo da oposição querendo desestabilizar o governo. todos de olho no poder...
DESCARGA
Sentado no vaso sanitário
Ninguém quer ser otário
Todos têm suas filosofias
Mas caga toda a tua sujeira
Esquece todas as besteiras
E dá descarga nessa porcaria
O passado tem mão suave
Um sorriso tão doce
E, todos percebemos a ternura
Mas, naqueles momentos
Os avisos, os conselhos
Pareciam empecilhos
Não sabíamos ver como filhos
Atrás daquilo o verdadeiro sentimento
Agora filosofa essa merda
Chora tuas perdas derrama na urina
Tudo que for rancor mas te limpa
Banha-te e perfuma-te
E ouve o que diz o amor
Ando pés descalços num satélite esquisito; júpiter tem tantas luas e nenhum poeta. Europa sem olhares verde-azuis e pelos ruivos; Europa é uma lua confusa em meio a gases, e quem quer saber disso? Os americanos querem... querem saber da origem da origem. Deliro; uma alma poética viaja onde sondas deitam curiosidades yankees, meus pensamentos voam sobre vapores com a velocidade da solidão; a solidão é tão rápida que nossos olhares programaram nossos beijos há tanto tempo, mas acho que me acostumei com este vagar e desaprendi a ser feliz. A minha lua se ergue de uma montanha é prateada e definha em fases; nova é sua fase mais fina, uma grande ilusão, a lua é uma só... além da mangueira o vento lamuria a fantasmas que se perderam no rio ou conheceram suas curvas e nunca mais voltaram o que não os tornam menos fantasmas; muito além Juno espia Júpiter, descobre a possibilidade de vida em Ganímedes, são as novidades e o novo sempre me atormentou; séculos me acompanham de aventuras batalhas e paixões das minhas outras histórias de amor, muitas se acabaram em precipícios, é uma intuição que me acompanha e silencia quando a solidão vem acolhedora e preventiva; eu tenho tudo o que já tive um dia e o que eu não tive é o que me apavora em teu olhar: são tantas promessas, não sei se serei feliz, feliz assim...
O ruim de fazer poema sobre mãe é que sempre tem-se a impressão de que falta algo a ser dito; mãe é uma coisa tão imensa, tão incabível que tenho a impressão de que temos que inventar outras palavras pra definir com exatidão. Acho que mãe é Deus perto da gente...
Milputasiuma é capital de Hamilputápolis que tem Cornópolis e Piranhópolis como seus maiores municípios; Vagabundagenhense é um de seus bairros; no centro da capital muitos bares e bordeis onde se ouve músicas bregas num volume alto, mulheres com maquiagens carregadas, trajando saias muito curtas e decotes exagerados, ingerem bebidas alcoólicas com olhares perdidos na abstração de suas vidas miseráveis. nas praças elas fumam suas ansiedades e confidenciam seus descaminhos que lhes conduziram às drogas e a prostituição.
Vagabundagenhense tem como pilar o tráfico que alimenta a prostituição e recruta jovens adolescentes para a vida do crime; tudo decorre numa total normalidade e por conta de guerras entre facções, jovens são executados muitas vezes por estarem em lugares errados na hora errada; repito, tudo dentro da maior normalidade.
Mas tudo Isso é ficção, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência.
LEÕES E TIGRES
Tem alguém do outro lado da lua
Que arremessa as estrelas...
Depois do horizonte tem os pilares
Que sustentam o mundo...
E o que sustenta o teu orgulho
Se o tempo curva as nossas espinhas...
Lá na África tem gente tão bonita,
Diamantes negros, puros sangues,
Perdemos nossa melanina
Com o passar dos séculos,
Mas eles têm a pele retinta,
Os espíritos que habitam a savana
Com o rugir dos leões e o bramir dos tigres,
Isso corre em nosso sangue
E nos fez resistir a rebenques e troncos
E nos induz a procurar planetas;
Éramos deuses astronautas
E resistimos aos meteoros,
Resistimos à tirania de senhores feudais,
Resistimos à burguesia...
Nos fortalecemos nos canaviais,
Nos quilombos já planejávamos viagens espaciais;
Ganhamos com a miscigenação,
Agora somos quilombos e colonos,
Colecionamos estrelas na via láctea,
Mas leões e tigres ainda correm nas savanas,
Impune ninguém derramará o nosso sangue...
À LUZ DE LAMPARINA
Tem uma mensagem expressa no neon do outdoor,
O mundo se acaba na Europa,
Horizontes em chamas também na Califórnia,
Eu tento, à luz de lamparina uma frase de amor...
Eu acho que pirei completo,
Não sou poeta muito menos arquiteto,
Talvez uma loucura me sustente;
Talvez o que sustenta esta loucura
O suave perfume das flores,
A brisa e acreditar que deus sou eu...
Ah, meu amor, os loucos bebem o orvalho da madrugada
E a minha sede é de sorrisos estampados,
O ódio se alimenta de carnificina
E a minha rima nasce santa
Porque até as cicatrizes indeléveis trazem ensinamentos.
Eu nunca fui sozinho assim, eu sempre fui solitário;
Mas meu amor, esta ternura de falar sozinho
Talvez seja influencia do meu signo sagitário,
Eu olho estrelas...
Constelações me deixam consternado;
Quantos mundos, quantos Raimundos e Edmundos, tantos otários
E a solidão universal dos nossos olhares
Dói muito menos que a inanição da África
Mas as insignificâncias nada significam,
As insignificâncias não significam nada
o mundo se acaba e o que teremos sido
uns sozinhos, muitos sós e outros solitários...
Tem sessenta, só viveu vinte
e tá com uma gata de vinte que já viveu oitenta
ele pensa que ela é novinha
ela tem muita estrada, beco, vielas, guetos...
ele adolesce sexagenário
ela parece um anjo, e ele não parece ser otário..
ainda é cedo, mas o medo que eu tenho não tem noção de tempo
de clima ou de temperatura
o medo que tenho chove com sol e se aquece com a chuva
o medo que eu tenho não tem olhos nem ouvidos
ainda é cedo pra ter medo, mas o medo que tenho acorda tão cedo
sem noção de emoção ou sentimento, sem segredos nas periferias
Tem amigos que eu deixei escapar como água...
mas agora vejo que preciso deles assim como preciso de oxigênio.
Algumas pessoas tem comportamento venenoso, nocivo e tóxico, mas agem como se não soubessem disso. Hipócritas e frias, desprovidas de amor e cheias de rancor. Para seus problemas, sempre haverá um bode expiatório, pois não admitem erros e são incapazes de perdoar ou pedir desculpas. Sua língua é mais afiada que uma espada e suas palavras penetram como lâminas afiadas. De seu beijo emana traição e falsidade, mas sua saliva é veneno para o qual não existe antídoto.
Tem gente que defende a mentira com a ousadia de quem é dono da verdade. Eu sou daqueles que ousam sustentar a verdade com a coragem dos que não tem parceria com mentira e falsidade.
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