Ferreira de castro

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Onde há vida, há esperança.

Todo mundo fica para baixo de vez em quando. Desanimar é próprio do ser humano, porque ninguém é de ferro nem pode ser forte toda vida. A fragilidade faz parte do crescimento, ajuda a gente a se fortalecer.
Mas desanimar não é desistir. Como uma onda que passa, o desânimo pode deixar uma devastação, mas sempre é tempo de se reconstruir. É a lei do progresso. Quando você se sente para baixo, pensando em desistir, algo na sua vida acontece que lhe dá uma mexida. É Deus falando com você, lembrando que tudo tem solução. Pode parecer que não, mas nada é definitivo, nem a morte, que é só um estágio de transição. Tudo pode ser refeito, desfeito e perfeito, porque a perfeição depende das suas expectativas.
Permita-se aceitar que você pode desistir. Isso dá um conforto danado na gente, porque retira de nossos ombros aquela cobrança que a sociedade impõe de que temos que ser persistentes. Você pode desistir, se quiser. Só não desista da vida, porque, sem essa, não dá para se fazer mais nada. A vida é nosso repositório de experiências. Sem elas, não avançamos.
Jogue tudo para o alto, mas lembre-se de que tudo o que sobe há também de descer. Quando isso acontecer, deixe cair o que não lhe serve mais e agarre o que lhe pertence. Você vai ver que isso não é desistir, mas usar a inteligência para se libertar do que pesa na alma para depois prosseguir com confiança, serenidade e, aí sim, persistência.

Tenho amigos anjos e tenho os demônios. Os anjos me falam o que é errado, os demônios me levam pra conhecer!

Recomeçar é começar de novo. É jogar fora, destruir, remover tudo que não foi bom, que não valeu a pena, que foi feito errado, e com o que sobrou, reconstruir.
É fazer novas paredes, no lugar daquelas que os erros encheram de buracos e rachaduras. Até as mais pequenas imperfeições no reboco tem que ser removivas, para que as novas estruturas possam ser sólidas.
Para recomeçar, é preciso ter em mente que tudo que é bom deve ser refeito, revivido. Portas de liberdade, janelas de confiança, assentadas sobre tijolos de verdade e justiça. No teto, uma laje de carinho e perdão, para que possamos ficar ao abrigo das tempestades que a vida fatalmente traz. No chão, um piso seguro e sólido, feito de companheirismo e compromisso, será a base para caminhar de mãos dadas.
Nada de querer aproveitar uma meia bancada, ou uma pintura esmaecida. Afinal, com a vida não se pode brincar. Lembrando apenas dos momentos em que os olhos falaram mais que as palavras, é preciso tomar o outro pela mão e trabalhar. É começar do zero, usando o único material que não se esgota. O amor.

Detesto lamúrias, quero é ser feliz. Uma vez, discuti feio com a Cláudia [companheira de Gullar]. Fiquei sozinho em casa, cheio de razão e triste pra cacete. Então, pra que querer ter sempre razão? Não quero ter razão, quero é ser feliz.

Ferreira Gullar
"Não quero ter razão, quero é ser feliz". Folha de S.Paulo, 2 jun. 2010.

Amor não correspondido
É como viver só,
e sentir-se acompanhado.

Fotografar é parar o momento em um simples clique, congelar cores e paisagens que a mente um dia esquece.

O amor só é realmente belo quando correspondido, quando não correspondido ele se torna a maior das torturas.

Porque nada do que foi feito satisfaz a vida, nada enche a vida. A vida é viver.

Nem que seja degrau por degrau, não pare de subir.

“Só nós dois,
sós os dois,
sóis os dois.”

- Caio Fernando Abreu.

Me ajuda a te amar

Meu medo de me magoar
Exala sensatez

Acalma meus grilos
Justifica minha surdez
Um desarrazoado em te ouvir
De não cuidar do meu ego
Abalado por não te sentir

Ao menos te vi

Temor de te ter
Erguendo minha sobrancelha

Atenuando receios
Magoando minha psiké
Apequenando meu espírito
Recebendo tudo no meu leito
Me ajuda a te amar

É melhor ser feliz do que ter razão.

Ferreira Gullar

Nota: Adaptação de outro pensamento.

Não Cunfunda Bondade com Burrice Nem Meu Silêncio com Passividade

Façamos das antigas memórias
As grandes armas da esperança
E tiremos das doces lembranças
A matéria-prima para novas histórias!

O céu da noite, escuro e frio mais parece a minha depressão, as estrelas vão surgindo como recordações, pequenos pontos de conforto em meio minha alma na mais triste solidão.

As minhas indiretas são diretas, não dou nomes aos bois por ética. Sempre atinge o alvo desejado, e o indesejável também. Não tenho culpa se o "alvo indesejável" se sentiu com "culpa no cartório" e se tornou "Réu confesso".

Um amor à distância!
Você me falou que não podia ser feliz namorando alguém de tão longe.
Explicou que jamais seria feliz comigo, pois não podíamos nos abraçar quando a saudade apertasse, nos beijar quando a solidão chegasse ou nos mimar em uma noite fria de inverno. Mas sabe o que mais doeu? Ouvir você dizer que apesar de tudo me amava, mas não bastava amor quando existia distância.
Eu já não tinha certeza desse amor que você dizia sentir. Realmente, é complicado conviver sem beijos, abraços, olhares, mimos... Mas estamos falando de amor, não de paixão. Se por amor no altar juramos: "até que a morte nos separe" o que são quilômetros perto disso?
Loucura não é largar tudo por um amor a distância, loucura maior é trocar alguém que te ama, mesmo que de longe, por pessoas próximas que tão somente te desejam.
Hoje você tem outro alguém ao seu lado e eu te pergunto: valeu a pena? É irônico te ver com alguém apenas por medo de ficar sozinha. Eu sou diferente de ti, mas não nego que também me sinto carente, a única coisa que nos difere é que outra pessoa que não seja você, não me serve. Outros braços não são tão aconchegantes, outros beijos não me saciam tão bem. Se não for você, não me basta.

Só mesmo um personagem como este [Dom Quixote] e uma história como esta, para nos exporem à nossa própria e invencível contradição: queremos a sensatez que nos protege, mas não resistimos à loucura que arrebata. E, por isso, inventamos a arte, que nos permite experimentar a loucura sem correr o risco de irmos parar num hospício.

Ferreira Gullar

Nota: (em comentário sobre Dom Quixote de la Mancha)

Tenho que baixar a voz
Porque,
Se falo alto,
Não me escuto