Quintana Amar
Imensurável amar
O amor é muito mais
que conjecturas e
teorias adornadas
por pontos de
interrogação
ou exclamação...
Amor é o suspiro,
o soluço, o sorriso e
as lágrimas,
hoje e amanhã - é vida...
O amor é mistério,
e precisamente por isso,
basta senti-lo e honrá-lo,
nada mais, nada menos;
o preto no branco.
Jorge B Silva
O amar
Quem não declara
não sente, ou se sente
aprende a dizer,
revela o pulsar.
Não se trancafia
o sentimento
no silêncio
do barulho
do coração.
Declama,
diz,
grita dentro da gente!
Márcia A. Prazeres
Tempo
Preciso de um tempo pra mim, preciso chorar sozinha, sorrir das nuvens amar os animais e gostar mais de flores, faz tanto tempo que me sinto menos mulher, faz tanto tempo que nem se quer um botão. Preciso calar minha mente e despir meus atos e completar-me em alguma ação.
Preciso voltar só não sei quantos sorrisos verdadeiros... Mas sei que um dia eu volto a sorrir.
Me deixe amar você? Me deixe esperar por você? - Quero sentir o poder do amor verdadeiro, quero entender o que dizem nas redes sociais, se o amor é amor ele espera o tempo que for. Me deixa dormir nos seus sonhos? - Deixa eu fazer parte da sua realidade? Me deixe... Mas por favor, não me deixa.
Pensamento positivo, esperança e fé, amor próprio mas não abusivo ao ponto de apenas me amar... E feliz. Esse é o meu caminho e dele eu quero apenas plantar frutos bons.
... as sagradas escrituras
exortam-nos a amar tanto os
pacíficos quanto os que, vez ou outra,
nos afligem; isto porque ambos, em
porções distintas, também habitam
nossa interioridade enquanto
espíritos!
O Lírico Amar
"Não me importa agora
Quem acaricia teus cabelos e
Se desfruta do corpo quente,
Vibrante, que também é vida,
Pois o que a mim fora prometido
Já não mora mais em ti,
Mas a mim pertence e
Comigo está.
Nesta resignação, diante do fato,
Simplesmente lustro-lhe
A lembrança que de minha mente,
Trancafiada nos jardins desta,
Em meio às lindas rosas brancas e vermelhas
Vives harmoniosa para sempre."
Jorge B Silva
"O Lírico Amar" é um mergulho poético na sutil arte da
resignação. Diante do fim e da ausência física, o eu
lírico não escolhe o rancor, mas o acolhimento da
memória. O amor que já não habita o outro éresgatado
e eternizado em um jardim particular da mente, onde
o que foi vivido permanece intocado, belo e harmonioso
para sempre. Um relato delicado e potente sobre o desapego
e a imortalidade dos sentimentos - isto é vida, amor e poesia. Jorge B Silva
“Amar Não Foi Minha Culpa”
Há amores que terminam deixando saudade. Outros deixam perguntas.
E talvez as perguntas sejam mais difíceis de carregar, porque a saudade aprende a envelhecer conosco, enquanto uma pergunta sem resposta continua batendo à porta da consciência.
Onde estava a minha culpa?
Foi ter amado demais?
Foi ter chegado sem armadura, colocado o coração sobre a mesa e acreditado que sinceridade seria suficiente?
Porque existe uma estranha crueldade em certos encontros: alguém deseja nossa presença, mas recusa nosso afeto. Quer nossa atenção, mas teme nossa profundidade. Aproxima-se para sentir o calor e depois se afasta quando percebe que o fogo também ilumina aquilo que preferia esconder.
E quem amou fica procurando o próprio crime.
Revira palavras.
Reconstrói noites.
Interroga silêncios.
Procura naquela página branca da memória alguma frase que explique por que aquilo que parecia tão inteiro acabou deixando apenas espaços vazios.
Mas amar profundamente não deveria ser uma confissão de culpa.
O erro talvez não esteja na intensidade do sentimento, mas na ilusão de que todo amor oferecido encontrará do outro lado alguém disposto a recebê-lo com a mesma coragem.
Podemos entregar o corpo sem entregar a alma.
Podemos dividir uma cama sem dividir a verdade.
Podemos pronunciar palavras de amor enquanto escondemos de nós mesmos aquilo que realmente sentimos.
É por isso que a intimidade mais difícil não acontece quando dois corpos se aproximam. Acontece quando duas pessoas conseguem permanecer diante uma da outra sem máscaras.
E poucos suportam essa nudez.
Há quem prefira perder um grande amor a ser obrigado a olhar profundamente para si mesmo.
Então chega o dia em que precisamos parar de perguntar apenas por que alguém foi embora e começar a perguntar quem nos tornamos tentando fazê-lo ficar.
Talvez seja aí que a dor comece a se transformar em consciência.
Não quero uma verdade confortável.
Quero a verdade inteira.
Mesmo que doa.
Mesmo que destrua aquilo em que acreditei.
Mesmo que me obrigue a atravessar sozinho lugares que imaginei atravessar acompanhado.
Porque uma mentira pode oferecer abrigo por algum tempo, mas somente a verdade nos devolve a nós mesmos.
Por isso, se um dia você me mostrar onde ela está, eu caminharei em sua direção.
Não porque ainda espere recuperar aquilo que perdemos, mas porque compreendi que há algo maior do que permanecer ao lado de alguém:
permanecer inteiro diante de si mesmo.
E se ainda me perguntarem onde esteve minha culpa, talvez finalmente eu saiba responder.
Minha culpa não foi amar.
Talvez tenha sido acreditar que amar com todo o coração obrigaria outro coração a fazer o mesmo.
E essa é uma das verdades mais difíceis da existência:
o amor pode ser inteiro dentro de nós e, ainda assim, não ser suficiente para fazer duas pessoas permanecerem.
Devemos aprender a amar os diferentes pois uma centelha do grande arco íris da vida, colori de forma nova a alma da gente.
Amar a Amazônia, como ela é muito alem de como conseguimos vê-la... me alertava meu querido amigo, mestre o artista e intelectual amazonense Moacir Andrade. Amar verdadeiramente selvagem para entende-la.
“A Liturgia da Dor:
Quando Amar é Sofrer em Vida pelo Ser Amado”
Texto filosófico e psicológico.
Amar é sofrer em vida não por fraqueza, mas por excesso de humanidade. O amor, quando autêntico, carrega em si o germe do sofrimento, porque nasce do desejo de eternizar o que é efêmero, de reter o que inevitavelmente escapa. Amar é querer aprisionar o tempo no instante em que o olhar do outro nos faz existir; é suplicar à eternidade que não nos apague da memória de quem amamos.
Há uma liturgia secreta na dor amorosa. Ela purifica, depura, torna o ser mais lúcido e, paradoxalmente, mais enfermo. O amante vive uma crucificação sem sangue: carrega o peso invisível de um afeto que o mundo não compreende. Vive entre o êxtase e o abismo, entre o beijo e a renúncia. Freud chamaria isso de ambivalência afetiva: a coexistência de prazer e dor em um mesmo movimento da alma. Mas há algo mais profundo algo que a psicologia talvez não alcance, pois o amor, em sua forma mais elevada, é sempre um sacrifício voluntário.
Quem ama verdadeiramente, sofre antes mesmo da perda. Sofre por pressentir a fragilidade do instante, por saber que a ventura é breve, que o corpo é pó e que toda promessa humana é feita sobre ruínas. Esse sofrimento não é patológico, mas metafísico: é o reconhecimento de que a alma, ao amar, toca o eterno e, ao voltar à realidade, sente a mutilação de quem regressa do infinito.
Nietzsche, em seu niilismo luminoso, diria que o amor é a mais bela forma de tragédia, pois ele exige entrega total, sabendo-se fadado ao fim. Amar é afirmar a vida apesar do sofrimento, é dizer “sim” à existência, mesmo sabendo que o objeto amado um dia há de desaparecer. É um heroísmo silencioso, uma luta contra o absurdo.
Mas há também o lado sombrio o amor que se torna cárcere, o sentimento que se alimenta do próprio tormento. A psicologia o chamaria de complexo de mártir, mas o filósofo o vê como a tentativa desesperada de alcançar o absoluto num mundo que só oferece fragmentos. O sofrimento, então, torna-se o altar onde o amante consagra sua fé.
“Amar é sofrer em vida pelo ser amado” eis a verdade dos que ousaram sentir profundamente. É morrer um pouco a cada ausência, é carregar dentro de si a presença que já não se tem. O amor, quando verdadeiro, não busca recompensa: ele é em si o próprio sacrifício.
E talvez seja esse o segredo trágico e belo da existência: somente quem amou até sangrar conhece o sentido oculto de viver. Pois o amor é o único sofrimento que salva, a única dor que eleva. Quem nunca sofreu por amor, nunca amou apenas existiu.
Epílogo:
“Há dores que são preces disfarçadas. E o amor é a mais silenciosa de todas elas.”
" Amar é o cume. Não como sentimento ingênuo, mas como princípio consciente e deliberado. Amar é querer o bem, inclusive daquele que falhou. "
AMAR COM LUCIDEZ: QUANDO O CORAÇÃO CAMINHA AO LADO DA RAZÃO.
Autor: Marcelo Caetano Monteiro.
"Espíritas! Amai-vos, este o primeiro ensinamento; instruí-vos, este o segundo."
— O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. VI, item 5. Tradução de José Herculano Pires.
A recomendação do Espírito de Verdade, dirigida especificamente aos espíritas, está longe de ser uma exortação meramente afetiva. Ela constitui uma síntese admirável da pedagogia espírita, revelando que a verdadeira transformação moral nasce da união entre o sentimento e a inteligência. Não se trata de escolher entre amar ou instruir-se, mas de compreender que ambos são inseparáveis.
Entretanto, é comum observarmos que esses dois imperativos são vividos de forma fragmentada. Há quem exalte o amor, mas relegue o estudo a um plano secundário; há também quem cultive o conhecimento, porém se esqueça da ternura, da humildade e da fraternidade. Em ambos os extremos, perde-se o equilíbrio proposto pela Codificação.
O amor, quando desprovido de discernimento, pode transformar-se em sentimentalismo inconsequente. Sob a aparência da bondade, acaba tolerando o erro sem esclarecê-lo, confundindo indulgência com conivência e misericórdia com omissão. Nesse estado, a caridade deixa de educar para apenas consolar, esquecendo que o verdadeiro bem também orienta, desperta e corrige.
José Herculano Pires, um dos mais lúcidos intérpretes de Allan Kardec, advertiu com admirável precisão:
"Não basta amar. É preciso saber amar."
— Curso Dinâmico de Espiritismo.
E, aprofundando ainda mais essa reflexão, acrescenta:
"Não se pode confundir Espiritismo com sentimentalismo barato. A emoção sem inteligência é o caminho mais curto para a mistificação."
— Introdução à Filosofia Espírita, cap. 4.
Essas palavras permanecem profundamente atuais. Quando o amor abandona a razão, abre espaço para interpretações personalistas da Doutrina, para concessões injustificáveis e para atitudes que, embora revestidas de aparente bondade, acabam obscurecendo os princípios espíritas.
Foi justamente para impedir tais desvios que Allan Kardec estabeleceu uma das maiores salvaguardas da Doutrina:
"Fé inabalável é somente a que pode encarar a razão face a face em todas as épocas da humanidade."
— O Evangelho segundo o Espiritismo.
No Espiritismo, a razão não limita o amor; ela o ilumina. A inteligência não esfria a caridade; ela lhe oferece direção. O verdadeiro amor jamais contradiz a justiça divina, porque nasce dela e para ela converge.
Por isso, o espírita que busca apenas ser "amoroso", sem estudar, sem refletir e sem vigiar as próprias tendências, corre o risco de substituir o Evangelho pela emoção. Em vez de auxiliar o próximo em seu crescimento moral, pode apenas alimentar ilusões, evitando confrontar o erro quando a consciência exige esclarecimento.
Ao mesmo tempo, o conhecimento sem humildade converte-se em orgulho intelectual. A instrução que não sensibiliza o coração produz rigidez, vaidade e espírito de superioridade. Saber muito sobre a Doutrina não significa vivê-la.
É precisamente nesse ponto que a máxima do Espírito de Verdade revela toda a sua profundidade. "Amai-vos" e "instruí-vos" não representam duas etapas sucessivas, mas duas forças simultâneas que se sustentam mutuamente. O amor preserva o conhecimento da frieza; a instrução preserva o amor da ingenuidade.
O próprio Allan Kardec recorda que:
"O verdadeiro espírita não é o que crê nas manifestações, mas o que se reforma moralmente, esforçando-se por dominar suas más inclinações."
— O Evangelho segundo o Espiritismo.
Essa reforma íntima exige constante vigilância sobre nós mesmos. Ainda estamos longe da perfeição. Muitas vezes, defendemos o amor enquanto nos irritamos diante da menor contrariedade; pregamos humildade, mas desejamos que tudo se faça conforme nossas ideias; falamos de fraternidade, porém resistimos às críticas e aos limites que a própria consciência nos apresenta.
O verdadeiro amor não elimina a responsabilidade moral; antes, fortalece-a. Amar não é aprovar indiscriminadamente. Amar é desejar sinceramente o progresso do outro, ainda que isso exija orientação, firmeza e exemplo. A caridade autêntica jamais abandona a verdade, porque sabe que somente ela conduz à libertação espiritual.
Assim, algumas responsabilidades permanecem inadiáveis para todo aquele que deseja viver autenticamente o Espiritismo:
Amar é unir misericórdia e justiça, jamais fraqueza moral.
Instruir-se é dever permanente da consciência, e não simples ornamento intelectual.
Evangelizar-se significa vigiar a si mesmo antes de corrigir os outros.
Preservar a Doutrina exige fidelidade aos princípios codificados por Allan Kardec.
Reconhecer as próprias imperfeições é o primeiro passo da verdadeira humildade.
Compreender que o amor sem esclarecimento pode transformar-se em indulgência equivocada, enquanto o conhecimento sem amor converte-se em orgulho.
No Espiritismo, não basta possuir um coração sensível; é necessário possuir também uma consciência esclarecida. A luz da inteligência e o calor da caridade não competem entre si: completam-se. Quando uma delas falta, a outra perde sua plenitude.
O Cristo jamais separou a verdade do amor. Kardec jamais separou a razão da fé. O Espírito de Verdade jamais separou o estudo da fraternidade. Eis por que amar com lucidez é amar de verdade.
Frase final.
" Quanto mais a consciência se ilumina pela verdade, mais o coração aprende que o amor não consiste apenas em sentir, mas em servir, educar e transformar, começando sempre por si mesmo. "
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De amar...
de ser amado...
de viver...
de ser vivido...
de ontem...
de hoje...
de sempre...
de repente.
Se sente...
se lamente...
se contente.
De se amar, e se amado for.
(Saul Beleza)
condenado sem culpa.
que culpa ela teve
se eu não soube amar?
nenhuma.
ela veio inteira,
eu vim com medo.
ela veio com tempo,
eu já vinha atrasado.
A vida foi curta
para nós dois,
e longa demais
para o que eu não fiz.
Agora carrego
o que não dei:
o amor que ficou preso
na garganta.
e ela se foi
leve,
sem culpa.
e eu fiquei,
condenado
não por ela,
mas por mim, que não soube dizer o quanto amei.
(Saul Beleza)
Não posso amar sozinho.
A madrugada é fria
e eu rolo na cama vazia
sonhando contigo.
O lençol não te abraça como eu,
o travesseiro não tem aquele teu perfume que me entontece e fica jogado no piso frio e sem brilho,
e a noite...
ah, a noite não acaba sem você aqui.
*- Saul Beleza*
