S. inácio

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Isso é um pedido de socorro.
Embora eu não saiba exatamente a quem socorrer, nem de que maneira se socorre alguém que já se acostumou a naufragar em terra firme. Talvez seja justamente esse o problema: tenho me afogado em lugares onde sequer deveria haver água, e, ainda assim, aprendi a respirar como quem pede desculpas por ocupar espaço.

Isto é um pedido de socorro, embora não haja gritos, embora não haja sangue, embora eu ainda responda quando me chamam e sorria quando esperam que eu sorria. Porque há uma crueldade particular em continuar funcionando quando já não se sabe ao certo o que, dentro de si, permanece em funcionamento. Como um relógio que, mesmo parado, continua certo duas vezes ao dia. Como eu, que, mesmo perdida, ainda sei apontar o caminho de volta para casa, mas já não reconheço a casa quando chego.

E tenho chegado a lugar nenhum com uma frequência assustadora.

Há dias em que me sinto demasiadamente viva para a vida que levo e demasiadamente morta para a vida que poderia levar. Permaneço nesse intervalo indecente entre o que sou e o que suponho que deveria ser, como se existir fosse uma prova cuja questão principal estivesse escrita em uma língua que todos compreendem, menos eu. Leio, releio, interpreto, sublinho. E, no fim, entrego a folha em branco, porque até as minhas respostas parecem perguntas mal formuladas.

Talvez eu esteja cansada de tentar fazer sentido de tudo aquilo que me acontece. Ou talvez esteja cansada de acontecer a mim mesma. Ou melhor, talvez esteja cansada de mim mesma.

Porque me aconteço todos os dias, e, a cada acontecimento, alguma coisa deixa de acontecer. Perco um pouco de mim para compreender o mundo, compreendo um pouco do mundo para perceber o quanto me perdi. E quanto mais me procuro, mais me proporciono ausências. Sou a procura que não encontra, o encontro que não reconhece, o reconhecimento tardio de que passei tanto tempo tentando me tornar alguém que me esqueci de perguntar se ainda queria ser alguém assim.

Há uma diferença entre mudar e ser mudado. Entre crescer e ser crescido à força pelas circunstâncias. Entre amadurecer e apodrecer antes do tempo, embora, de longe, ambos possam parecer frutos de uma mesma árvore. E eu já não sei dizer se tenho florescido apesar das intempéries ou se apenas aprendi a chamar de primavera os períodos em que a dor não faz tanto barulho.

Tenho essa mania miserável de transformar tudo em alguma coisa. A tristeza em texto, o medo em prudência, a ausência em saudade, a saudade em esperança. Como se, ao nomear o que me fere, eu pudesse diminuir a ferida. Mas nomear não é sanar. Conhecer a causa não significa cessar o efeito. E compreender a própria tristeza, às vezes, é apenas descobrir novas palavras para continuar triste.

Escrevo porque sinto. Sinto porque existo. Existo porque, até agora, não encontrei maneira de deixar de existir dentro de mim mesma sem levar comigo tudo aquilo que ainda gostaria de descobrir. E assim sigo, sobrevivendo às minhas próprias sobrevivências, fazendo da permanência uma espécie de partida que nunca se completa. Há algo de profundamente irônico em passar tanto tempo tentando encontrar um sentido para a vida e, no processo, perder o sentido das pequenas coisas que a tornam suportável.

Eu queria descansar sem precisar merecer o descanso. Queria poder não saber, não entender, não prever as consequências de cada escolha como quem calcula os prejuízos de um desastre antes mesmo de construir alguma coisa. Queria errar sem transformar o erro em identidade, falhar sem fazer da falha um sobrenome. Queria, sobretudo, deixar de me cobrar por não ser capaz de oferecer a mim mesma aquilo que mal consigo oferecer ao mundo.

Porque tenho sido generosa com tudo aquilo que me esgota. Dou tempo ao que me consome, atenção ao que me dispersa, afeto ao que me afasta de mim. E, nesse gasto constante, desgasto o pouco que me resta. Distribuo pedaços como quem distribui pão, sem perceber que também tenho fome. Alimento expectativas, sustento aparências, mantenho promessas que fiz a versões de mim que já não existem. E quando finalmente me falta alguma coisa, ainda me pergunto se não estou sendo egoísta por precisar.

É estranho como posso compreender tão bem a necessidade alheia e tratar a minha como um inconveniente. Como posso reconhecer o cansaço na voz de alguém e ignorar o cansaço que se instalou na minha. Talvez eu tenha aprendido a ouvir para não precisar ser ouvida. Talvez tenha me tornado tão boa em acolher que já não saiba como pedir abrigo sem me sentir um peso. Ou talvez tenha confundido independência com inexistência de necessidades, autonomia com abandono de mim, força com a capacidade de suportar indefinidamente aquilo que nunca deveria ter precisado suportar sozinha.

E, se for esse o caso, tenho sido forte por tempo demais nas coisas erradas.

Não quero ser admirada pela maneira como suporto. Não quero que chamem de maturidade a minha facilidade em silenciar o que me machuca. Não quero que confundam a minha capacidade de continuar com a ausência de motivos para parar, respirar e reconhecer que alguma coisa não vai bem. Há sofrimentos que não se tornam menores porque aprendemos a carregá-los; apenas nos tornamos maiores ao redor deles, até que já não saibamos distinguir o tamanho daquilo que nos dói do tamanho que precisamos assumir para escondê-lo.

E eu tenho me escondido de mim com uma habilidade que, se não fosse triste, seria admirável.

Às vezes, penso que o futuro é uma promessa feita por alguém que não conhece as condições do presente. Dizem que tudo passa, mas raramente explicam o que fazer enquanto não passa. Dizem que o tempo cura, mas não mencionam que o tempo também cobra, corrói, consome. Talvez o tempo não cure coisa alguma por conta própria. Talvez apenas nos conceda distância suficiente para que algumas dores deixem de ocupar todos os cômodos da casa. Ainda assim, há lembranças que permanecem como móveis antigos: mudamos tudo de lugar, reformamos as paredes, abrimos as janelas, mas continuamos esbarrando nelas no escuro.

E eu estou cansada do escuro, embora já conheça os móveis de cor.

Isto é um pedido de socorro.

Não porque eu tenha uma explicação definitiva para o que sinto, mas porque já não quero precisar de uma explicação definitiva para admitir que sinto. Não porque saiba exatamente do que preciso, mas porque reconhecer a necessidade deveria ser suficiente para começar a procurá-la. Não porque espere que alguém venha decifrar todos os meus silêncios, mas porque gostaria de aprender que posso falar antes de transformar tudo em silêncio.

Talvez o socorro não seja uma mão que me retire imediatamente de todos os lugares em que me perdi. Talvez seja alguém que permaneça enquanto aprendo a reconhecer as saídas. Talvez seja a possibilidade de dizer que não estou bem sem precisar apresentar provas, laudos, argumentos ou uma redação dissertativo-argumentativa que justifique a minha própria dor. Talvez seja compreender que nem toda tristeza precisa produzir alguma coisa, que nem todo sofrimento precisa virar aprendizado, que nem toda ferida precisa ser bonita para merecer cuidado.

E talvez eu precise aprender a não fazer da minha dor uma dívida que pago a mim mesma todos os dias.

Porque não quero passar o restante da vida tentando compensar a existência de quem sou. Não quero transformar cada amanhecer em uma nova oportunidade de me corrigir, como se houvesse alguma versão impecável de mim esperando do outro lado de todas as minhas renúncias. Quero poder existir sem estar constantemente em revisão. Quero escrever sem precisar justificar cada palavra, mudar sem precisar condenar quem fui, permanecer sem me sentir estagnada e partir sem interpretar toda partida como fracasso.

Quero descobrir que ainda existe diferença entre estar perdida e não ter salvação, entre estar cansada e ter chegado ao fim, entre não saber o caminho e não poder encontrá-lo.
Talvez amanhã eu ainda não saiba responder quando me perguntarem como estou. Talvez continue procurando palavras, tropeçando nas frases, confundindo o que sinto com o que consigo dizer. Mas gostaria que, algum dia, a minha resposta não fosse uma tentativa de parecer bem. Gostaria que a verdade pudesse sair de mim sem que eu precisasse primeiro torná-la aceitável.

Por enquanto, só consigo dizer isto: estou aqui dessesperadamemte viva, mas estar viva não signfica estar a viver. Com isso concluo que mesmo morta continuo, mas continuar não significa que não precise de ajuda. Sorrio, escrevo, estudo, converso, faço planos; sou capaz de todas essas coisas ainda que morta e, ainda assim, sou um morto-vivo que posso precisar que alguém perceba quando o peso delas se torna excessivo.

Não quero que me salvem de ser humana. Quero apenas deixar de acreditar que preciso sofrer em silêncio para provar que sou capaz de viver e não somente de sobreviver.

Isto é um pedido de socorro.
Desculpa por não saber me auto socorrer.

Quero viver todos os meus sonhos, sem deixar nem mesmo um para depois. Quero sentir a plenitude de saber o que é ter aquilo que sempre quis. Quero moldar o mundo na beleza de um olhar inesquecível. Quero viver tudo aquilo que achei ter perdido. Quero a razão suprema que me traz de volta a vida.
- Marcela Lobato

Espiritualidade, assim como a falta dela, é um caminho extremamente individual. Cada pessoa tem o seu, e não adianta tentar se encaixar onde não é compatível com a sua energia. Porém, se o livro no qual a maioria das pessoas se baseiasse fosse a bíblia satânica, só pelas onze leis, estaríamos em um mundo muito melhor, mais justo e menos adoecido do que o que estamos hoje.
Dizem que satanistas são malignos, mas ao comparar o livro do LaVey, que apesar de não ser nem mesmo teísta, mas sim filosófico, com qualquer um dos livros "sagrados" das religiões abraâmicas, fica muito nítido onde se encontra, de fato, a maldade, assim como onde há liberdade, justiça e valores que poderiam nos salvar de nós mesmos enquanto seres humanos, inclusive melhorando absurdamente a saúde mental coletiva, ao nos aceitar em nossa própria natureza.
Por mais Satan, e menos Iavé. Por mais rebeldia, e menos obediência cega. Por mais questionamento, e menos verdades absolutas. Por mais consciência, e menos julgamento. Por mais conhecimento, e menos ignorância. Por mais autoconhecimento, e menos negação de si mesmo. Por mais prazer, vida, felicidade, e menos sofrimento. Por mais aprendizado, e menos culpa. Por mais liberdade, e menos auto aprisionamento. Por mais justiça, e menos atrocidades "divinas" de um "deus" louco.
- Marcela Lobato

Unfortunately, in today's Brazil, within open philosophical orders, long-time members have turned into opportunists; they mirror one another's vices, superficiality, and lack of commitment to the law, honor, dignity, and morality—traits clearly visible at various levels of the sordid political society we inhabit. The real problem isn't when a judge considers themselves untouchable; the greater problem is when a neighborhood watchman fancies himself the law and the owner of the entire neighborhood.

Neste mundo tecnológico atual, com tantos poderosos e famosos, a perda de uma pessoa comum nos é sempre muito dolorosa, pois cada vez mais por si só, são simplesmente insubstituíveis.

Sempre recebemos generosamente mais dadivas da vida do que espalhamos sementes, carinhos e flores. Sempre, muito mais a agradecer do que pedir.

"NA VITÓRIA VOCÊ MERECE CHAMPANHE, NA DERROTA VOCÊ PRECISA DELA" Napoleão Bonaparte
Sem dúvida, a vitória coroa o nosso esforço, por isso, devemos valorizá-la. A derrota faz parte da luta, não devemos ficar frustado" Ademar de Borba

Às vezes estamos com apetite, outras vezes não,
o desejo vem e vai como as ondas do mar.
Assim é a nossa vida, com altos e baixos que nos testam, um dia com fome de mundo e força para lutar, no outro, apenas buscando apenas um canto sossegado para descansar.

"Faça o bem sem olhar a quem? A quem não te trata com indiferença, a quem não te procura só quando precisa dos teus favores, a quem sempre está contigo, a quem te oferece abrigo e o ombro amigo."


_Derley Filipiak_  ⁠

“Em um mundo cada vez mais rendido à razão científica, para alguns, professar a fé deixou de ser sinal de convicção e passou a ser tratado como loucura.”

“Let's go, no stop play.”

⁠Às vezes é necessário ficar sozinho para aprender que a presença de Deus é a melhor companhia.
A solidão é só para quem não quer companhia.

A vida é uma grande provocação.⁠

S.A.

⁠⁠Estava deitado na grama⁠, observando as estrelas, 
quando, pra minha surpresa, vi passar um anjo sobrevoando com uma certa leveza
Repentinamente, veio até mim, 
Eu estava tão deslumbrado 
que nem pensei em fugir
Mesmo sem conseguir compreender aqueles instantes surreais
Tratava -se de uma linda mulher com asas angelicais, 
uma estonteante beleza, 
Até que para minha tristeza, olhou-me nos olhos, 
fazendo-me sentir uma forte emoção, 
sorriu e, assim como veio, partiu sem explicação.

⁠Já olhou pra o espelho 
e pôde enxergar 
uma pessoa incrível 
que precisa de amor 
e que aprendeu se amar?

⁠Quero que os teus pensamentos me abracem,
quero ser digno dos teus sentimentos,
que meus dias não se acabem 
sem que, em alguma momento, 
eu possa conquistar-te.

Quando o amor-próprio se torna profundo, aquilo que for menos se mostra raso e aceitá-lo passa a ser um grande absurdo, um descaso com a própria existência, que faz ignorar tudo que não é amável apenas por carência

portanto, um despertar muito necessário para transformar o mundo particular, provando a prudência de se amar para não aceitar um amor falso ou sem a profundidade suficiente, prestado com pouca vontade, de um jeito negligente,

Amar de acordo com uma visão humana, obviamente, não é algo fácil, muito menos, perfeito, são raros os momentos de amor de verdade, há mais erros do que acertos, da sutileza à complexidade, mas já é um começo a capacidade de amar a si mesmo.

"O primeiro passo para enriquecer é reconhecer que é pobre; o segundo passo para se tornar sábio é reconhecer que é ignorante."

Os opostos se...

Os opostos se atraem, se pegam , se apegam, se tocam, se chocam, se estranham, se arranham, se beijam, se almejam, se desejam, festejam, arquejam, se julgam, se afastam, se lançam, se alcançam, se largam, se fecham, se abrem, se punem, se oprimem, se assumem, se culpam, se descupam, se despedem, se movem, se comovem, se promovem, se removem, se resolvem, se fazem, se desfazem, se roem, se envolvem, devolvem, promovem, se impelem, se repelem, se atiram, se viram, se ferem, se interferem, se enamoram, se elaboram, se evaporam, se permitem, se apavoram, se devoram, se odeiam, se renovam, se perdoam, se amam!!!

LCS...ENJ

A Eternidade...

Eternidade é um momento Único, multiplicado pela Fé, somada ao Amor sem divisão e sem Subtração!!