S. inácio
A informação liberta quando amplia o horizonte da escolha; aprisiona quando estreita o horizonte sem revelar que o fez.
Quem conquista a atenção não possui ainda a consciência alheia, mas já ocupa a antecâmara de suas decisões.
Quando uma crença religiosa reivindica autoridade científica sem evidência, o problema deixa de ser apenas teológico e torna-se epistemológico e jurídico.
Uma crença religiosa pode sobreviver à ausência de prova científica porque seu fundamento pode ser metafísico; uma alegação científica não pode reivindicar o mesmo privilégio quando se apresenta como empiricamente verificável.
Há fronteiras que não diminuem o pensamento; são precisamente elas que impedem que o pensamento se perca no próprio excesso.
Quem atravessou o inferno quase nunca precisa descrevê-lo; certas dores ficam melhor guardadas no silêncio de quem sobreviveu.
Talvez a maior rebeldia intelectual não seja destruir os valores, mas submetê-los ao tribunal de sua própria genealogia.
A razão não elimina o mistério; elimina apenas algumas das falsas respostas que inventamos para suportá-lo.
O mundo não é apenas aquilo que concebemos intelectualmente, mas aquilo que tocamos, percebemos, sofremos e habitamos antes mesmo de podermos explicá-lo.
O casamento tenta transformar uma emoção imprevisível em instituição permanente. A burocracia sempre teve uma relação curiosa com o amor.
A liberdade de pensar é para o espírito aquilo que o ar é para o corpo: sua ausência pode não ser imediatamente visível, mas sua falta o sufoca.
A solidão não é necessariamente ausência de pessoas; às vezes é a distância entre uma consciência que pensa profundamente e um mundo que não consegue acompanhá-la.
Sabedoria não é acumular acontecimentos na memória; é transformar experiência em compreensão suficiente para não repetir cegamente aquilo que a própria vida já ensinou.
A ordem social não começa nas instituições; começa no indivíduo que aprende a reconhecer que seus atos possuem consequências sobre a vida dos outros.
Não basta possuir inteligência; é necessário aprender a governá-la, porque uma mente poderosa sem método pode produzir erros mais sofisticados.
A matemática fascina a razão porque demonstra que, quando os princípios são claros e o método é rigoroso, a conclusão não depende da autoridade de quem a pronuncia.
O consentimento transforma indivíduos dispersos em comunidade política e impede que a autoridade seja confundida com simples capacidade de mandar.
A vontade geral não é a soma matemática de interesses particulares; é a busca daquilo que pode ser reconhecido como interesse comum de uma comunidade.
Nem toda desigualdade é natural; muitas são produzidas por instituições que transformam diferenças circunstanciais em estruturas permanentes de poder.
As ideologias funcionam melhor quando deixam de parecer ideologias e passam a parecer simplesmente senso comum.
