Andre guide
Silêncio
Em nome do silêncio que deixei, E da ponte que não cruzei, Deixo estas palavras.
Não vejas na minha ausência um amor minguado, Pois é um amor que, em seu núcleo, é tão vasto e sagrado Que,por vezes, se perde de si mesmo.
Em verdade te digo: Há um oceano de questões dentro de meu peito, Um redemoinho de sombras sem nome e sem jeito, Que a razão,tão frágil, não consegue conter.
E na ânsia de acalmar a tormenta interior, Busquei abrigo no vinho do esquecimento, E mergulhei no véu espesso do entorpecimento, Não para me afastar de ti, Mas para fugir da tempestade que sou em mim.
A vida, em sua superfície, é um jogo de espelhos, Cheio de poeira e de acontecimentos insignificantes. E há dias em que o peso do trivial, O ruído do mundo,o eco do vão, É uma lança que encontra a fenda de minha alma.
Mas oh, amada… Não confundas a fraqueza do vaso de barro Com a pureza da água que ele guarda. Não confundas meu naufrágio momentâneo Com a direção das estrelas que admiro em teu céu.
O que transborda é minha pequenez, Não o meu amor por ti.
Pois o amor é a montanha inabalável sob a neblina dos meus dias. O que vacila é o peregrino, cansado e ferido, Que por vezes se perde no caminho, Antes de encontrar o seu centro novamente.
E se um dia me vires calado e distante, Lembra-te que até o rio mais profundo Precisa, por vezes, correr subterrâneo Para reencontrar sua própria nascente.
Só Quero Te Amar
Não trago joias nem finas palavras,
só esta voz que do peito se lava.
Como o rio que corre, calmo e sereno,
te amo no silêncio, te amo no engano.
Te amo no pão que partimos juntos,
nos segredos antigos, nos mundos defuntos.
Te amo no sol que a janela ilumina,
— ah, Camila, minha doce menina!
Não prometo fortuna, nem grandezas tolas,
só este amor que não cabe nas escolhas.
É raiz que se prende, teima e persiste,
mesmo quando a vida se faz triste.
Quero te amar com a calma da terra,
com o cheiro do café logo na serra.
Com as horas bordadas no mesmo fio,
construindo um jeito simples e manso.
E se um dia o tempo nos for escasso,
que fique esse amor—rasgo no espaço.
Camila, meu canto, meu norte, meu chão,
eu só quero te amar…
és minha canção.
E rompeu as fronteiras do silêncio,
para buscar palavras ao vento,
que, sem noção, foram lançadas,
como lâminas invisíveis,
para causar sofrimento.
A relatividade do status pessoal
afoga qualquer paridade,
pois a coroa que pesa na cabeça da rainha
não pode repousar no plebeu.
E assim, a majestade se ergue,
mas não impera nos meros humanos,
que, despidos de títulos e tronos,
carregam dores mais pesadas
do que qualquer coroa poderia suportar.
O tempo, imparcial em sua essência,
não curva joelhos diante de castelos,
nem poupa o mendigo na calçada fria.
Todos sangram sob o mesmo céu,
e todos partem sob o mesmo silêncio.
As palavras, outrora armas,
podem também ser pontes,
mas quem se ergue para usá-las assim?
A vaidade arranca raízes da compaixão,
e o orgulho apaga a luz da igualdade.
Pois no fim, a grandeza que resta
não está no ouro, nem nos títulos,
mas na capacidade de tocar o outro
sem ferir, sem pesar,
com a leveza de um gesto humano.
Sobrevivor Resignado
Minhas dores, outrora, eram donas de mim,
Tempestades noturnas de um fim sem princípio,
Eram versos truncados, amargos, a rimar
Com o silêncio fundo que o peito pode adotar.
Mas a vida, tecelã de destinos sutis,
Com seus fios de prata, cospe e descospe cicatrizes,
E ensinou a esta alma, tão cheia de ardores,
A sábia, quieta arte da resignação das dores.
Não as arranquei com força, nem as joguei ao mar,
— pois o mar um dia as devolveria à areia fria do meu pensar.
Deixei que se finissem, como deixa a árvore a folha:
num lento morrer dourado, que já não pede dó.
Foram-se como a neblina que o sol da manhã consome,
Como notas distantes de uma canção que não se nome.
Já não são ferida aberta, nem punhal, nem espinho,
São apenas lembranças de um antigo caminho.
Hoje, olho para trás e vejo o que ficou:
não a sombra da falta, mas a luz do que curou.
E na paz resignada que a saudade não corrói,
Sou mais forte pelo que deixei de ser, e por aquilo que não sou.
E assim sigo, leve, embora marcado pela sorte,
Com as dores resignadas à sua própria morte.
Elas não ditam mais o rumo, não definem mais o amor,
São apenas o passado… e eu, o sobrevivor.
E No Entanto, É Bom Amar
E todas as mulheres que amei foram como janelas abertas para o sol. Em cada uma,eu vi o infinito — não o infinito delas, mas o do amor mesmo, que é maior que qualquer um de nós. Elas eram a claridade que não se explica, a verdade que não precisa de palavras.
E quando seus olhos me olhavam, e só enxergavam a fração,o pouco, a sombra, eu não me entristeci por muito tempo.
Pois aprendi que o amor não pede licença para ser completo. Ele não exige que nos vejam por inteiro para que seja real.
E ah, como é bom amar! Como é sublime sentir o peito arder mesmo que só de um lado. Como é profunda a felicidade que não depende do espelho que o outro segura.
A completude não está em ser entendido, mas em entender o amor que nos habita. A alegria não está em ser amado com grandeza, mas em amar grandemente.
E se eu pudesse falar uma última coisa a todas elas, diria apenas:
Obrigado por terem sido a luz que me fez enxergar o amor que eu mesmo carrego.
Pois no fim, a maior felicidade é poder sentir, seja como for, e ainda que sozinho, o milagre simples e eterno de amar.
Um Filho de Oyá
E um de vós disse: “Fala-nos de ser filho de Oyá.”
E ela respondeu:
Não sois folha seca ao vento, arrastada sem rumo. Sois a semente que a própria tempestade escolheu para carregar em seu ventre de nuvens e relâmpagos. E assim, um filho de Oyá não é criado na quietude do pântano, mas forjado no crisol do vendaval.
Ele aprendeu a linguagem do trovão antes mesmo da palavra do homem. Sua alma não teme a dança dos raios,pois reconhece neles o cintilar da espada de sua Mãe, cortando as amarras do que já não serve. O seu caminho não é suave,pois o vento não constrói pirâmides, mas desfaz máscaras e derruba fortalezas de ilusão.
Ele marcha, e seu andar não é pesado, pois Oyá sopra em suas costas, e seu fôlego é o impulso que não cessa. Quando a paixão se levanta em seu peito,não é fogo de palha que consome e se apaga; é o fogo do raio que ilumina a verdade e transforma a terra.
Não o vereis parado ante o portal do medo. Pois ele é o guardião do mistério,aquele que conhece a dor da separação para dar valor à união. Ele é o guerreiro que não luta por possessão,mas pela libertação. Sua espada não fere o espírito,mas corta o cordão que prende a alma ao sofrimento.
E assim como a tempestade que limpa o ar, ele traz a clareza após o caos, a renovação após a perda. Em seu silêncio,ouvis o sussurro dos mercados, o rumor dos segredos trocados no meio do redemoinho. Em sua voz,há o eco do rugido que anuncia a mudança.
Pois ser filho de Oyá é aprender que o fim é sempre um novo começo. É honrar a Mãe que não o abriga sob asas estáticas,mas que o ensina a voar com asas de vento e coragem. É dançar no centro do turbilhão e encontrar,no movimento incessante, a paz de quem nada teme perder, pois tudo pertence ao movimento da vida.
E no dia em que o vento final soprar sobre vossa face, não chorareis por ele. Pois sabereis que ele simplesmente voltou para o abraço irresistível de sua Mãe, Não como um filho perdido,mas como um guerreiro completo, de volta ao seio da tempestade primordial de onde um dia partiu. Eparrei Oyá"🌀⛈️🌪️
Ressonância
Não sei por que te amo, o seu nome. O nome é um som Tu és o silêncio que vem depois. É uma pergunta que se faz ao escuro, e o escuro, em vez de responder, acende uma lâmpada quente no peito.
Amo-te como se ama o mistério de uma porta entreaberta. Amo-te com a força de uma coisa que não precisa de nome para ser. É um amor anterior à palavra, um animal quieto e vasto que dorme no centro de mim.
É inenarrável. Como narrar o sabor da água? Como descrever o peso da luz na tarde? Tento pegar esse sentimento com as mãos, mas ele escorre por entre os dedos, líquido e vivo. É um pulsar contínuo, um sim primordial que meu corpo diz sem minha permissão.
Minha força de meu amor não é um furacão. É a gravidade: invisível, inevitável, sustentando os mundos em seus lugares. Sustentando-me em teu eixo.
Não te amo por razão. Te amo por ser. Como se respira. É um estado de graça involuntário, um acidente belo e necessário da vida que se torna maravilhosa.
Seu nome. O nome é um som.Tu és a ressonância e eu apenas o reverberar...
Calunga da Alma: Umbanda em Versos Alquímicos
Não é só na guia, no atabaque ou no giro,
Mas na sombra que dança no fundo do respiro.
A Umbanda não vem só de folha ou raiz,
Vem do abismo do ser, onde o eu se infiltra e diz:
"Quebranta-me, Preto Velho, com teu cachimbo lento,
Desfia este novelo de falso sofrimento.
Mostra-me na kalunga do inconsciente fundo,
O Exu guardião do meu desejo infindo.
Eis que o terreiro é espelho: arquétipo em transe,
Jung e Lévi-Strauss no mesmo passo que dança.
Ogum desce no ferro da couraça quebrada,
Oxóssi flecha a angústia, caça a alma atordoada.
Iemanjá é o útero, o mar primordial,
Onde o ego se afoga num sal gélido e igual.
Ela lava na espuma o complexo enraizado,
O trauma cristalizado, o amor não realizado.
Oh, Pombagira gira no eixo da libido,
Desata o nó do gozo, do que foi reprimido.
Seu riso é catarse, seu gume é análise,
Desvelando na lama a mais pura promessa.
A magia? É símbolo que opera no osso,
Projeção transformada em axé, sangue e gozo.
O médium, o transe, não é Narciso ferido, é amparo
Enxergando no orixá seu duplo esquecido.
A cura não é fuga, é integração profunda:
O inconsciente coletivo que em santo se desfunda.
O ego se dissolve no ponto riscado no chão,
E renasce no corpo de luz, em comunhão.
É "Erzulie" no espelho quebrado da autoimagem,
Xangô julgando a culpa, cortando a ramagem
Do superego severo, da moral que oprime,
Restituindo o sujeito ao seu centro sem crime.
A Umbanda opera a grande sublimatio...
A pulsão devoradora, em caridade e ofício.
O desejo recalque, em gesto de dar,
O ódio ancestral, em perdão sem parar.
Não é magia menor, feitiço no escuro,
É "magnum opus" da alma no cadinho do futuro.
É a psique em procissão, arquétipo em terreiro,
Desfazendo o sintoma, curando o mundo inteiro.
No silêncio que ensurdece após o último ponto,
O eu, agora coletivo, perde seu contraponto.
A vida transformada? Não por mero milagre,
Mas porque a alma, enfim, aprendeu a ser ponte
Entre o abismo e o astral,
Entre o humano e o divino,
Entre a dor e o axé,
No terreiro, destino....
Querer
Eu só queria que o mundo fosse mais abundante, não dá a prosperidade material, pois isso é inegável, mas sim de uma leveza de uma clareza, uma lucidez que o fizesse mais sublime, que cada sonho de magnanimidade fossem empreedidos...
O meu seria a profundidade das palavras onde a alma de cada um, sobrepor-se as questões inerentes a subterfúgios.
Leveza não constrangimento suavidade não sofrimento... Onde enfim, não seria mais o querer...Particularizadamente viver...
Buracos no Silêncio
(Homenagem a Tanaru — o Índio do Buraco
Verso 1
No ventre da selva, onde o vento é rei
Um homem caminha sem ninguém na lei
Tem buracos na terra e um sol na mão
E um povo perdido na escuridão
Verso 2
Ele fala com as folhas, conversa com o chão
O rio responde na mesma canção
Cada passo que dá é um livro fechado
Cada noite que vem é um sonho enterrado
Refrão
Oh, Tanaru, ninguém te viu partir
Mas a floresta ainda sabe ouvir
O som do arco, a sombra no mato
O tempo passando num passo exato
Verso 3
As estrelas vigiam, mas não dizem por quê
A lua lhe mostra o que o mundo não vê
E a terra é o templo, e o templo é você
Guardando segredos que não vão morrer
Ponte
Um dia os homens virão, sem saber do lugar
Vão pisar no silêncio sem se perguntar
Quem era o último a dançar com o vento
E a deixar seu nome no esquecimento
Refrão final
Oh, Tanaru, teu rastro ficou
Na veia da selva que nunca secou
E enquanto houver folha caindo no chão
Teu canto ressoa na mesma canção
Houve um tempo em que pensei que muito do que aprendi na noite não me faria bem.
Mas o tempo mostrou que até as sombras ensinam.
Hoje entendo: ser diferente é uma bênção, mesmo com o preço que carrega.
E nada pode mudar essa certeza.
Soneto da declaração
Gostaria de dizer que te amo
Sem você ter como saber
Que seu nome, à noite, chamo
Talvez nem mesmo perceber
O quanto você faz meu coração
A bater por ti e o dia a pensar
És a minha inspiração
Que me faz a dia melhorar
Sua voz é tão doce
Chega a ser mais do que o mel
Amo também a sua delicadeza
Posso até parece precoce
Contigo gostaria de ter uma relação estável
Pois sou escravo da sua beleza
Do Reconhecimento e do Esquecimento.
A graça, amado, é como o lírio que se ergue no vale ao primeiro raio:
Todos apontam para sua brancura,
Inclinam-se ante seu perfume,
E nomeiam sua beleza em todas as línguas.
Ela é a água clara na taça do sedento,
O abraço que aquece os ossos do inverno,
A palavra que germina no deserto da alma.
Reconheceis a graça porque ela é espelho...
Reflete o que há de divino em vós.
Mas o mal, filho da terra, não se apresenta com trombetas.
Ele é a raiz oculta que mina a árvore frondosa,
A sombra que se confunde com a penumbra da noite,
O veneno que escorre no mel do descuido.
Não o vedes porque não quereis ver?
Ou porque ele veste as roupas do hábito,
E caminha nas ruas com o passo do comum?
Dizei-me: como podeis reconhecer o fogo se negais a fumaça?
Como podeis nomear a serpente se venerais sua pele?
O mal se desconhece não por ausência de olhos,
Mas por ausência de coragem.
Os homens fecham as janelas da alma
E depois estranham a escuridão.
A graça é reconhecida porque é dádiva que humilha o orgulho;
O mal é ignorado porque é espinho que adorna a coroa do poder.
Um exige reverência,
O outro — cumplicidade.
Oh, buscador da verdade!
Não basta celebrar a luz no alto da montanha;
É preciso descer ao vale e enfrentar a névoa que corrói as raízes.
Pois só quando nomeais a sombra dentro de vós,
A graça deixará de ser visita
E se tornará morada.
O Peso das Raízes e dos Frutos
Tu que carregas o nome de Filho,
Diz-me: fizeste da tua alma um altar suave
Onde queimaste cada desejo jovem,
E ergueste, em silêncio, a oferenda do teu ser?
Diz-me: caminhaste sobre as pedras agudas da obediência,
Molhando o chão com o orvalho das tuas renúncias,
Acreditando que o amor se tece com fios de sacrifício?
Ah, filho... o altar queimou até cinzas,
E as pedras deixaram marcas mais profundas que o dever.
Tu que carregas agora o nome de Pai,
Diz-me: moldaste os teus braços em colunas fortes,
Pensando que a força bastaria a conter o vento?
Diz-me: semeaste no jardim do outro
As flores que nunca brotaram no teu próprio deserto,
Regando-as com a água acumulada das tuas lágrimas não choradas?
Ah, pai... os ventos sopram de lugares desconhecidos,
E as raízes alheias bebem de fontes que não controlas.
Mas, eis o Desamparo:
Entre o altar extinto e o jardim insondável,
Há um vale silencioso.
Não é de ingratidão, nem de fracasso.
É o vale primordial, onde ecoa o primeiro grito
Que nenhum sacrifício de filho acalma,
Que nenhuma promessa de pai preenche.
Chamas-te "bom" e carregaste a coroa de espinhos da expectativa,
Tua própria mão a tecendo, fio a fio de ansiedade.
"Fiz de tudo", dizes, e é verdade!
Fizeste do teu sangue uma ponte sobre o abismo.
Mas o abismo não se preenche com pontes, apenas se atravessa... nu.
O desamparo que sentes não é falta de amor dado ou recebido.
É o eco daquele primeiro instante em que o mundo te viu
E tu viste o mundo,
E percebeste, na carne frágil da alma,
Que nascer é chegar estrangeiro a um lar terreno,
Que gerar é enviar outro estrangeiro à mesma terra estranha.
Sábio é quem, no fim das pontes construídas,
Se ajoelha diante do vale primordial e diz,
Eis o solo sagrado do humano...
Nem meu pai o preencheu para mim...
Nem eu o preencherei para meu filhos..
Aqui, na vastidão deste desamparo,
Encontro-te, ó estrangeiro que sou em mim mesmo, amigo companheiro...
E te saúdo. Juntos, sob o mesmo céu desconhecido,
Respiraremos a liberdade terrível de sermos apenas...
"O que somos."
Te amo eternamente meu pai.. "Demóstenes Carvalho de Toledo"
André Vicente Carvalho de Toledo.
O Cálice Transbordante
Por que me olhas, ó Vida, com olhos de espanto?
Acaso não vês que trago nas mãos um cálice tão cheio,
Que o amor nele contido, como um rio inquieto
Derrama-se sobre a terra árida dos dias comuns.
Buscando raízes que o aceitem?
Sim, carrego dentro de mim sóis internos,
Jardins noturnos de afeto não nomeado,
E um sentido mais vasto que o horizonte do mar.
É um vinho antigo, fermentado em silêncios,
Destinado a saciar a sede das estrelas...
Mas as estrelas são mudas, e seguem distantes.
Dizem que o amor é ponte para os objetivos,
A chama que ilumina o caminho da alma.
Eu o sei, ó Sabedoria Eterna!
Por isso insisto em erguer altares com as mãos vazias,
Em semear afeto no vento que passa,
Em oferecer meu peito como abrigo a pombas sem rumo.
Ah, se minhas asas pudessem carregar tanta dádiva!
Mas o tempo é lento, e os corações, quando se abrem,
Muitas vezes tremem como folhas de outono.
E eu fico aqui, na esquina do eterno,
Com os braços cheios de sementes douradas...
À espera de uma terra que as queira germinar.
Não me chames de iludido, emocionado em demaseio, chamem-me de, fiel.
Fiel ao rio que canta dentro do meu peito, pagodes, poemas..
Fiel ao sentido que nasce do próprio dar,
Fiel ao mistério de amar, mesmo sem destino.
Pois o amor que não encontra porto
Transforma-se em raiz.
E da raiz invisível nasce a árvore da resiliência,
Cujos frutos são a própria existência plena.
Assim sigo:
Com meu cálice transbordante,
Minha alma como oferenda,
E a certeza quieta de que o amor...
Mesmo não visto, mesmo não partilhado...
É o primeiro alicerce de todo sentido.
Porque antes de ser resposta, ele é pergunta sagrada.
Antes de ser encontro, ele é a coragem de permanecer aberto.
A busca de sentido no ato humano de amar,
quando
reciprocado... é o compreensível amar.
O Cálice Transbordante
Por que me olhas, ó Vida, com olhos de espanto?
Acaso não vês que trago nas mãos um cálice tão cheio,
Que o amor nele contido, como um rio inquieto
Derrama-se sobre a terra árida dos dias comuns.
Buscando raízes que o aceitem?
Sim, carrego dentro de mim sóis internos,
Jardins noturnos de afeto não nomeado,
E um sentido mais vasto que o horizonte do mar.
É um vinho antigo, fermentado em silêncios,
Destinado a saciar a sede das estrelas...
Mas as estrelas são mudas, e seguem distantes.
Dizem que o amor é ponte para os objetivos,
A chama que ilumina o caminho da alma.
Eu o sei, ó Sabedoria Eterna!
Por isso insisto em erguer altares com as mãos vazias,
Em semear afeto no vento que passa,
Em oferecer meu peito como abrigo a pombas sem rumo.
Ah, se minhas asas pudessem carregar tanta dádiva!
Mas o tempo é lento, e os corações, quando se abrem,
Muitas vezes tremem como folhas de outono.
E eu fico aqui, na esquina do eterno,
Com os braços cheios de sementes douradas...
À espera de uma terra que as queira germinar.
Não me chames de iludido, emocionado em demaseio, chamem-me de, fiel.
Fiel ao rio que canta dentro do meu peito, pagodes, poemas..
Fiel ao sentido que nasce do próprio dar,
Fiel ao mistério de amar, mesmo sem destino.
Pois o amor que não encontra porto
Transforma-se em raiz.
E da raiz invisível nasce a árvore da resiliência,
Cujos frutos são a própria existência plena.
Assim sigo:
Com meu cálice transbordante,
Minha alma como oferenda,
E a certeza quieta de que o amor...
Mesmo não visto, mesmo não partilhado...
É o primeiro alicerce de todo sentido.
Porque antes de ser resposta, ele é pergunta sagrada.
Antes de ser encontro, ele é a coragem de permanecer aberto.
A busca de sentido no ato humano de amar, quando
reciprocado... é o compreensível amar.
André Vicente Carvalho de Toledo
Novo Amanhecer
Novo Amanhecer
O sol rompe a noite fria,
Trazendo luz, trazendo dia.
Cada alma que brilha, calma e forte,
Carrega consigo sua própria sorte.
Quem vem com mão de sombra e dor
Não apaga o sol, nem o fulgor
Da chama que dentro de ti vive:
Essa, só tua luz acende e escreve.
Sorri ao mundo, ser iluminado!
Teu brilho interno, bem guardado,
Nem a escuridão mais insistente
Rouba a luz do nascente.
Pois o bem que há em ti, completo,
É raiz, é sol, é puro afeto.
E o mal que passa, vento leve,
Não derruba o que
a luz tece e eleva.
O sol rompe a noite fria,
Trazendo luz, trazendo dia.
Cada alma que brilha, calma e forte,
Carrega consigo sua própria sorte.
Quem vem com mão de sombra e dor
Não apaga o sol, nem o fulgor
Da chama que dentro de ti vive:
Essa, só tua luz acende e escreve.
Sorri ao mundo, ser iluminado!
Teu brilho interno, bem guardado,
Nem a escuridão mais insistente
Rouba a luz do nascente.
Pois o bem que há em ti, completo,
É raiz, é sol, é puro afeto.
E o mal que passa, vento leve,
Não derruba o que a luz tece e eleva.
O Engano da Mente
Nunca sabemos o que as pessoas são capazes,
Nem o que escondem atrás dos seus disfarces.
Por mais que a mente insista em julgar,
Há mistérios que ela jamais pode alcançar.
Não crie expectativas do que sua mente imagina,
Talvez seja ela mesma a voz que te ensina
Que o maior engano pode estar em você,
Ao sonhar com uma sociedade que não pode acontecer.
Pois o mundo não segue os ideais da ilusão,
E a verdade mora no imprevisível do coração.
Tem gente que nasce para ser o jogador, que movimenta a peça.
Outros se tornam apenas personagens, presos às regras, sem notar que o verdadeiro jogo começa quando se pensa fora da caixa.
