Andre guide

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E no fim, desprezo o superficial, compreendo o inoportuno... E no fundo, só valorizo e me importa aquilo que emociona.

Eu continuei sonhando com um sorriso que eu pensei que nunca veria.

Muitas árvores morrem sem receber um abraço sequer

Viva em busca do saber, pois a alienação é um veneno e o conhecimento é o antídoto.

Nunca haverá problema tão grande durante uma noite em que o amanhã não traga solução.

Pisa descalça na grama, leve candura de criança. Colhe narcisos e lírios, planta sorrisos em quem ama.

Acontece uma descontrolada mandinga que o mundo se apega. É doideira querer que o bicho pegue, e ele pega... Agora se espera não mais, nunca mais, sentir o corpo rua abaixo descer.

Ideias são como borboletas, elas escolhem uma flor para enfeitar, uma vida para mudar, um cérebro para inspirar.

Confiar é a receita para tornar alguém confiável.

Meus olhos castanhos são azuis quando olho para o céu,verde quando olho para o mar e vazios quando não olho para você.

Eu já quis mudar o mundo... mais isso foi antes de me dar conta de que eu não consigo mudar nem a mim mesmo ...

Eu consigo magoar uma pessoa falando nem dez porcento do que eu queria.

O que nos separa uns dos outros nem sempre é a distância, mas o orgulho ferido.

No meio da multidão vazia eu ainda estou sozinho...

Sinceridade ou sincero, palavra derivada do latim SINCERUS... que quer dizer puro, limpo. Sincerus também significava crescimento (não misturado) puro, livre, dos pecados. Hoje ela já perdeu esse significado, amanhã não terá significado algum...

Minha criação consiste em tirar coisas a partir do nada, isso mostra que o nada tem conteúdo.

Não ligo para carapaças, afinal, as pérolas ficam no interior das ostras... Prefiro conviver com o que és por dentro ao que aparentas por fora.

As vezes sem querer descobrimos de nós o pior.

Do Amor que Não é Água Parada


Não te ensinaram o mais perigoso dos segredos, o amor não pede permissão, ele é.
Chega como o sol da manhã, não como a luz tímida de uma vela que se pode apagar.
E se um dia ele bater à tua porta, não lhe ofereças o pão morno da prudência.
Porque o amor que é moderado é uma flor de plástico, tem a forma da beleza, mas não tem o perfume da vida.


Há os que buscam o amor como um refúgio, um porto seguro contra a solidão.
E fazem dele uma casa aconchegante, com janelas fechadas para o vento.
Mas eu te digo:
O amor não é abrigo! É a tempestade que arrasa a casa para que você relembre o céu.
É fogo que consome a lenha morna da tua existência comodista.
O que é morno não queima, é verdade. Mas também não aquece a alma, que é de gelo e de estrela.


O amor insípido é a maior das traições a si mesmo.
É uma concha vazia na praia, que acredita ser oceano porque um dia a água a tocou.
É um beijo dado com os lábios cerrados, um abraço que calcula a distância entre dois corpos.
É a comida sem sal, que sacia a fome do estômago, mas deixa o espírito em jejum.


Porque o amor, quando é, é intenso ou não é.
Ou é um grito que parte o silêncio ao meio, ou é apenas um eco cansado.
Ou é um rio que transborda e altera o mapa dos teus dias, ou é um filete de água estagnada, criando limo.


Ama, pois, com a fúria dos que não temem a destruição, porque só o que é intenso conhece a verdadeira reconstrução.
Entrega-te não como quem depõe uma arma, mas como quem mergulha no abismo, certo de que voarás ou encontrarás as profundezas que te habitam.
Porque o amor morno não perde, é verdade. Mas também não ganha. Apenas... permanece. E permanecer é a morte disfarçada de vida.


Que a tua entrega seja um vulcão, não um braseiro controlado.
Pois é melhor a cinza do que foi intenso, do que a perfeição intacta do que nunca se ousou ser...

Do Reconhecimento Vazio


Não me tragas teus louros nem tuas coroas tecidas de olhares alheios.
Não me ofereças o espelho onde me devolvem a face que esculpi para ser amada.
Pois o que busco habita nas entranhas do ser, onde nenhum aplauso ecoa,
e o reconhecimento é uma moeda que compra apenas o eco da própria imagem.


Dizem que sou digno quando minha sombra se alonga no crepúsculo dos elogios.
Mas eu, que me alimento do silêncio primordial que habita meu peito,
sinto-me estrangeiro no banquete dos aprovados.
Minha fome é mais antiga que a palavra “glória”;
ela vem do tempo em que eu era apenas um pulsar anônimo no ventre do cosmos.


Ah, não me entendas mal:
não desprezo a mão que me estende um ramo.
Mas como posso aceitar um nome que me dão,
se ainda não desvendei o nome que sou quando ninguém me chama?


O reconhecimento é um abrigo construído com janelas para fora.
Ele me mostra o mundo que me observa,
mas me cega para o mundo que sou.
E eu desejo é a escuridão fecunda onde germina a semente que não sabe de si,
onde posso ser inteiro, e sem testemunhas,
assim como a rocha é rocha, mesmo quando a noite a envolve.


Há um grito em mim que não busca ouvidos.
Há uma verdade em mim que não carece de testemunhas.
Ela arde em seu próprio isolamento,
como uma estrela que brilha por sua natureza ígnea,
não pelo navegante que se guia por ela.


Trouxeram-me espelhos e me disseram: “Vê! És grande!”
E eu olhei, e vi um fantasma gestual, uma marionete de expectativas.
Quebrei o espelho e no caco cortante avistei, enfim,
o reflexo de um deus ferido ou de um animal intacto—
já não sei—mas era real, era meu...


Não me satisfazes, ó reconhecimento,
porque me vendes a embriaguez de ser alguém
e me roubas a vertigem de ser todo.


André Vicente Carvalho de Toledo.