Vicente aleixandre
Só você sabe o real significado do que sente e vive, não se justifique tanto, tem coisas que só você entende: Valorize sua dor e não a compartilhe com quem te minimiza.
Quando pedi desculpas a mim mesma por não ter acreditado tanto quanto poderia, por não ter lutado mais, por ter duvidado da minha capacidade e por ter falhado em uma busca tão importante, a desculpa que dei à minha criança interior por não ter realizado seu sonho… ah, essa desculpa me rasgou. Chorei horas e horas, solucei, e o desespero se fez batuque em meu peito. Já falhei tanto comigo mesma, já me deixei para trás tantas vezes, tudo isso por me ouvir pouco e por acreditar pouco em mim. Eu sei que pedirei perdão a mim mesma a cada dia, e nada nem ninguém me fará pensar o contrário de que eu poderia ter feito mais. Sim, eu sei que terei de me perdoar; estou tentando e me resgatando a cada dia, mas isso não significa que não doa. Isso dói, como dói… A cura dói. Que bom que existe a possibilidade de resgate. Sei que posso ser salva. Talvez por isso eu seja tão boa no que faço; talvez seja porque também necessito desse cuidado, por sofrer e ser tão humana. Ao acolher o outro, também acolho a minha dor. Talvez seja sobre isso, diante do processo de cura: sentir a dor e transformá-la em um resgate diário. Também percebo aprendizado na dor; ela me mostra como sou forte diante de tantas fraquezas. Se você me vê como uma pessoa forte, saiba que grande parte disso vem de marcas e lutas. A dor me fez levantar e seguir; eu escolhi isso. Pois jamais permitirei ser vítima. Eu escrevo minha história e a protagonizo, e para isso terei de rir e chorar. E não leve isso como algo ruim; é bom, é uma vivência real e soberana do meu ser. É o que me faz ser tão, tão, tão… Eu.
Título: A Dança das Cicatrizes e da Lua
Na cidade de pedra onde os relógios governavam os passos, Amara tecia planos meticulosos como um ourives. Ela moldava dias em agendas de ferro, acreditando que a perfeição era uma escada para alcançar o céu de suas ambições. Até que um inverno, o fio de suas certezas se rompeu: o projeto que a consumira por anos desmoronou como castelo de areia sob um temporal. A rejeição veio em forma de carta seca, e Amara, ferida, fugiu para a floresta onde os lobos uivavam histórias antigas.
Parte 1: A Árvore que Guardava Segredos
Na primeira noite, sob um céu cortado por galhos retorcidos, Amara encontrou uma árvore cujo tronco era um mapa de cicatrizes. Cada sulco contava uma história, rachaduras de raios, marcas de machados, queimaduras de fogos passados. "Como você ainda está de pé?", sussurrou, tocando a casca áspera. Uma voz ecoou, rouca como vento entre folhas mortas: "As feridas não são fracassos, filha. São raízes visíveis." Era a Senhora do Carvalho, anciã cujos olhos brilhavam como musgo sob luar. "Venha. A floresta tem perguntas para suas respostas."
Parte 2: O Rio que Não se Domestica
A anciã a levou a um rio turbulento. "Faça-o parar", desafiou. Amara ergueu barreiras com pedras, tentando canalizar a correnteza. Quanto mais lutava, mais a água arrancava seus muros, inundando-lhe os pés. "Você quer controlar o que só sabe fluir", riu a Senhora, enquanto mergulhava nas águas escuras. "A frustração é um remédio amargo: mostra onde você insiste em nadar contra a maré." Amara, exausta, deixou-se levar pela corrente. Pela primeira vez, entendeu o sabor do descontrole era salgado, como lágrimas, mas trazia sementes de algo que poderia germinar.
Parte 3: A Alcateia que Dançava na Lua Cheia
Na terceira noite, lobos cercaram Amara. Ela esperava um ataque, mas em vez de dentes, viram convites: um lobo mancando exibia orgulhoso uma pata deformada; uma fêmea velha, sem um olho, liderava a caçada. "Nós caímos, caçamos, falhamos. E ainda assim dançamos", rosnou a líder, enquanto o grupo girava sob a lua. Amara juntou-se à dança, tropeçando, rindo de seus próprios tropeços. A alcateia não a julgou sua vulnerabilidade era um canto ancestral, não uma fraqueza.
Parte 4: O Fogo que Comeu as Máscaras
Na cabana da Senhora do Carvalho, Amara queimou os papéis de seus planos falidos. Cada chama consumia uma expectativa rígida. "A lua", contou a anciã, "já foi inteira, mas um dia se partiu em mil fragmentos. Em vez de se esconder, ela aprendeu a brilhar com suas próprias sombras." Amara olhou para as próprias mãos marcadas por quedas, mas ainda capazes de acender fogueiras. Entendeu: suas cicatrizes não eram fracassos, eram testemunhas de que sobrevivera aos próprios incêndios.
Epílogo: A Volta para a Cidade que Aprendeu a Respirar
Amara retornou à cidade, mas agora carregava a floresta em seu passo. Quando projetos desmoronavam, ela ouvia o rio rir em seu peito. Quando errava, imaginava os lobos uivando: "Dança, irmã!". E nas noites de lua cheia, ela subia ao telhado e mostrava suas cicatrizes ao céu não como troféus, mas como promessas. A cidade, aos poucos, começou a sussurrar histórias sobre uma mulher que ensinava os relógios a bater mais devagar, e as crianças a colecionarem pedras imperfeitas como joias.
Nota da Senhora do Carvalho:
"Nenhum fruto nasce sem que a flor se despedace. Nenhuma loba lidera sem antes ter perdido uma caçada. E nenhum ser quebra sem deixar rachaduras por onde a luz entra para que, um dia, possa também sair."
Como escapar da própria pele?
Por mais que eu tente me afastar de mim, mais perto fico.
Na travessia pelo mar da vida, deparo-me com um castelo de areia frágil, efêmero, mas incrivelmente belo.
Imagino seus cômodos, suas histórias não vividas, um universo inteiro que brota no silêncio da mente.
Por um instante, um único segundo de imaginação se faz vida: tão real quanto o toque do vento.
Mas então, sem aviso, a chuva despenca.
Molha-me. Pesa. Incomoda.
A areia gruda na pele, a realidade se impõe como tempestade.
Abro os olhos
E tudo que resta é uma poça onde antes havia um sonho.
Se dói para o outro ouvir o "NÃO" é porque o mesmo está igualmente amadurecendo e seu ato de amor consigo é um reflexo do ato de amor ao outro. Porque vale a pena mostrar-se, desnudar seus sentimentos e dizer ao outro através do "Não" o que se precisa dizer. Não preciso satisfazer suas vontades para me sentir segura que não me deixarás ou ficarás bravo comigo.
Aceite e aprenda que eu existo.
Se relacionar é assim, um contato com a sombra e quando há consciência de buscar ajuda e ser o melhor para si e para o outro, se torna um cutucar para a transformação, para o despertar do melhor que a em si para o “Nós”.
O amor é sempre paciente e generoso
nunca é invejoso.
o amor nunca é prepotente e nem orgulhoso
mas sim maravilhoso
o amor não envelhece
e nem rejuvenesci
o amor permanece
não é rude e nem egoísta
o amor é realista
não se ofende
nem se rescende do mal
mas sim sobrevive nas altas e baixas
hipocrisia universal
o amor não se alegra com os erro dos outros
mas se regogisa
com a verdade.
Ele tudo perdoa
tudo crê
tudo espera
e tudo tolera.
Por isso amém-se sempre como Jesus nos
amou e ainda nos ama.
Foi como um dia de primavera, uma flor silvestre abriu o coração ressentidos e aflito, e compreendeu que o segredo para cortas as dores do passado era espalhar o perdão entre os espinhos da memória.
O determinante de uma escolha não sendo maior que as renúncias, será insuficiente para decidi-la. O aprofundamento de uma decisão é intrínseco ao sentimento, se decidires com alma e harmonia, as consequências não serão maiores que a sua vontade.
Cabe a ti decidir: Para quê.
Admiro demais o beija-flor
Que com medo da cobra inimiga
Só constrói o seu ninho na urtiga
Recebendo lição do Criador
Observo a coragem do condor
Que nos montes rochosos come presa
Urubu empregado na limpeza
Como é triste a vida do abutre
Quando encontra um morto é que se nutre
Quanto é grande e suprema a natureza
