Vicente aleixandre
De tudo aquilo que eu mais queria,
Talvez eu já não me importe mais,
Daquilo que eu sabia amar,
Reguei apenas o que ficou,
E escolhi paz, invés de moldar
De tudo que aprendi no passado,
Entre solidão, lacunas e escolhas,
Perdido, me achei sozinho,
Descansei o coração e a alma,
E tranquilo ampliei meu caminho
Talvez, ainda não lapidado completo,
Talvez, não esteja em perfeição,
Talvez seja ainda carbono bruto,
Mas diariamente buscando
A resistência brilhante de um diamante em construção.
Um dia, sem pretensão alguma,
lhe perguntarão se você se sente realizado pela trajetória que trilhou no decorrer dos teus dias.
Sua resposta vai refletir, seu grau de evolução, amadurecimento mental e sensorial, nas passagens dos planos de vida.
Como você deseja que seja essa resposta?
Se eu usasse a meu favor, a inteligência que tenho pra aconselhar outras pessoas, ninguém me alcançaria em nada que me propusesse fazer.
Hoje relembrei, pedidos que fiz ao arquiteto disso tudo.
Já pedi pra conquistar, pedi por adrenalina, pedi para que situações passassem rápido, mas pedi também, que alguns instantes fossem para sempre.
Já implorei por justiça, chorei por perdão, atentei contra a moral e inesperadamente, dei exemplo dela.
Já pedi paciência, mas também pedi coragem com impulsividade.
Mas de todos esses pedidos, o mais difícil que fiz, foi que Deus abençoe e guarde quem me fez mal.
Sempre fui assim,... diferente, não que fizesse muita questão, mas as minhas circunstâncias e, tudo a que eu devo a minha existência, me influenciaram a ser assim.
Estou cansado
Saturado
Não aguento mais os cegos que enxergam.
A ignorância é um mal
um mal que corrói
e consome, pouco a pouco,
a alma do humilde.
A cada ano que se passa,
mais e mais cegos que enxergam
nascem e se toram soldados
do exército da ignorância.
A verdade está diante de seus
olhos, mas o orgulho os tampa
com a palma da mão fria.
O correto está escrito no papel,
mas a vontade do errado persiste
na mente do juiz.
Mais e mais
soldados
cegos que enxergam
nascem.
Os pais os ensinam.
Os não-pais os corrigem.
Veja, cego! Você não enxerga?
Como pode viver assim?
Não pensa que já é hora de aceitar a derrota?
A ignorância não vence a guerra, soldado teimoso.
Receita para ser humano:
- Seja humilde
- Seja honesto
- Não odeie
- Não seja odiado
Quantos humanos Deus fez seguindo a receita e o Diabo estragou ao colocar o tempero errado?
Esperar que estejamos prontos, para podermos receber as graças pedidas e os objetivos planejados é uma tolice descabida.
Tolice essa que carrega consigo sabores amarescentes ao coração e a alma.
Ao passar dos anos, já experimentado de tantas adstringentes, vamos contornando sutilmente os novos contragostos que se apresentam avidamente em nosso caminho.
Vamos mudando o sentido mais apurado. Vamos trocando o conveniente pela saciedade de paz. E isso é tão bom de se constatar... mas constatar por si mesmo! Por seus próprios olhos e por sua própria alma...
Seres que, durante sua mocidade, se mostram tão certos e conectados com sua austera pragmaticidade, mas que enfim descobrem, mesmo que tardiamente, sua real essência e seu perfeito equilíbrio, na humildade de reconhecer que erraram... e por fim, se despem da indumentária metamorfica que lhes recobria a carne, a cara e a alma, lhes tornando derradeiramente em almas que sabem realmente de alguma coisa sobre o amor...
As vezes é deixar ir!
As vezes é só admitir o erro e morrer em paz!
Entre os titãs do idealismo alemão, constituído pela tríade Fichte, Hegel e Schelling, é sem dúvida este último que atualmente monopoliza a atenção do mundo culto, alternando-se os pronunciamentos sobre a importância decisiva de sua obra, não só parte dos filósofos propriamente ditos, como também por parte dos etnólogos e historiadores da religião.
Os sonhos nos pregam peças deselegantes...
Nos trazem dissabores e lembranças, há muito suprimidas pela lógica emocional.
Parece que sonhamos com o coração, e não com o cérebro.
Acordo num misto de querer e não querer, com um perfume antigo morando nos pulmões...
Abençoado seja o amanhecer que me resgata diariamente pra realidade! Uma realidade não muito simpática, porém fiel!
Jefferson Vicente Teixeira
Vivemos dizendo que estamos sem tempo. Gastando esse precioso tempo, pelejando arduamente, pra ver se finalmente, com bastante tempo, consigamos nos encontrar.
Agimos como se estivesse acabando o tempo.
Choramos pelo tempo que passou e ficamos ansiosos por não saber quanto tempo ainda há.
Preocupamos em acumular o tempo, para simplesmente deixar que escorra pelo vento, o que sofremos pra juntar.
Perdemos tempo, inertes, distraidos por flertes vendo o tempo passar.
Ahhh o tempo! Ele não é de perder, ele é de ensinar!
Quanto dele ainda tens?
Quanto ainda podes aproveitar?
Agradece quem ele te dedicou e aos que te negaram, deixa pra lá!
Levanta que o tempo urge, ele não espera, e o seu próprio tempo passará!
Se você está perdido, mas tem um objetivo em mente, siga o caminho daqueles que já chegaram lá. No percurso, você encontrará não apenas a direção, mas também a si mesmo.
Ah! Esse pequeno e quase esquecido móvel retangular, suavemente estofado, estratégicamente posicionado no lugar mais calmo da casa...
Palco de aventuras incríveis e de momentos de recuperação extremamente necessários...
Habitat de sonhos quentes e alguns planos extraordinários.
Local de inspiração para poemas, crônicas e até amores inventados.
Foste também, um repouso para os momentos de incertezas e prantos do mais pesados.
Sobre você, as vezes de joelhos ao seu lado... doente, muitas vezes triste, adormeci calado.
Chorando, arrependido, orei ansioso. Confessionário do forte, recanto do desanimado.
Derramei sobre suas vestes, todo tipo de emoção, inclusive o choro de redenção.
Hoje, apenas te agradeço!
Pelo repouso do corpo cansado.
Pelo abraço na mente inquieta.
Minha nobre e calada testemunha, que nunca me nega um aconchego.
Obrigado, pela cumplicidade, e por entender meu apego, nessas noites tão incertas!
Jefferson Vicente Teixeira
Sábio mesmo é o coração!
Mesmo cheio de mágoas e feridas, palpita sem hesitação!
Sereno, aguarda pacientemente.
Mantém vivo o corpo e tudo aquilo que se sente.
Ventricula cadenciado como numa prece
Recebe comandos de esquecer, de uma memória, que de nada se esquece.
Intacto e irredutível, trancado numa pose de durão!
Quer parecer inatingível, gelado, como um fóssil antes da escavação!
Mas ao receber o impossível, abrupto quebra o âmbar dócil, da sua imaginária proteção!
A oportunidade, é tal qual uma linda mulher, com cabelos apenas na frente da cabeça... depois que passa, não se pode agarrar mais...
