Novembro azul
Nesse mundo azul
a ventania vem,
levando sonhos
que foram adiados
que nos enclausura
nesse cárcere privado
nessa vida seguimos
selando de vez nossos
destinos fechados.
Ontem milhares de balões azul flutuantes em comemoração ao Dia mundial da conscientização do autismo. Depois de um ano apreciando eles estáveis e oscilantes na calmaria da imensidão do céu segurados pela mão tranquila e semblante sereno do meu filho autista, hoje um deles se solta e estoura na imprevisibilidade de mais uma crise e dos pedacinhos do balão o que vejo são os caquinhos de vidros pelo chão.
ALÉM DO DIAGNÓSTICO AZUL
(Um caminho de Paz)
O autismo não é uma doença, é um espectro. No entanto, para Deus, tudo é possível. Embora se trate de um transtorno do neurodesenvolvimento, creio que a bondade e a misericórdia do Criador podem tudo — inclusive suavizar os desafios ou, com um sopro divino, transformar cada barreira em superação.
Essa é a esperança que sustenta a paz e a alegria de uma mãe atípica: ver seu filho vivendo uma vida plena e feliz.
Para uma mãe, independentemente do nível de suporte de que seu filho precise, a jornada é desgastante. Digo isso sem demagogia, porque é a realidade nua e crua. Portanto, sem o intuito de polemizar a causa, é profundamente compreensível que toda mãe deseje que seu filho não enfrente as dificuldades do autismo ou de qualquer outra comorbidade. É uma jornada que exige força extraordinária e uma entrega diária, mantendo a confiança inabalável na fé que nos sustenta.
Lu Lena / 2026
PASSOS EM CÍRCULO
(A caminhada invisível no labirinto azul)
Às vezes, circunstâncias contrárias à nossa vontade fazem com que caminhemos dentro de nós num labirinto sem fim — um caminho incessante que sempre fica estagnado no mesmo lugar. E, nesse caminhar, nossos pés pisam em cacos de vidro que juntamos exaustivamente, sangrando o silêncio, até que o chão esteja seguro o suficiente para encontrar a saída...
Lu Lena / 2026
A BRAVURA ALÉM DO HORIZONTE
(Onde a maioria silenciosa é gigante para erguer o mundo azul)
Às vezes, nosso olhar só vê a coragem como um ato solitário de ser minoria, mas não enxerga além — naquele horizonte azul no infinito — onde existe uma bravura absurda naquelas maiorias silenciosas que enfrentam o impossível todos os dias.
Lu Lena / 2026
Era uma vez uma linda borboleta azul. Suas asas brilhavam sob a luz do sol como pequenas joias vivas, e ela adorava voar pelos campos, jardins e bosques, admirando a beleza do mundo.
Em um de seus passeios, avistou ao longe um escorpião caminhando sozinho. Curiosa e gentil como era, aproximou-se para cumprimentá-lo.
O escorpião ficou surpreso. Nunca antes uma criatura tão bela havia demonstrado interesse em sua companhia. Acostumado ao medo e à rejeição, ele não entendia por que aquela borboleta desejava estar perto dele.
- Olá - disse a borboleta com um sorriso. - Posso caminhar com você?
O escorpião, sem esconder o espanto, aceitou.
A partir daquele dia, os dois passaram a passear juntos. A borboleta voava lentamente para não deixar o amigo para trás, enquanto o escorpião caminhava com rapidez para acompanhá-la.
Com o passar do tempo, o escorpião começou a mudar alguns hábitos. Mantinha o ferrão recolhido e imóvel sobre as costas, como se quisesse mostrar que não representava perigo. Parecia até que não possuía ferrão.
A borboleta o levava para conhecer lugares encantadores. Juntos atravessavam jardins coloridos, seguiam por caminhos floridos e observavam o pôr do sol nas avenidas arborizadas.
Para o escorpião, aqueles momentos eram preciosos. Pela primeira vez em sua vida, sentia que alguém gostava dele de verdade.
Até então, conhecera apenas a solidão.
Todos fugiam ao vê-lo. Ninguém desejava sua amizade. O medo que inspirava era maior do que qualquer qualidade que pudesse ter.
Mas a borboleta azul era diferente.
Ela enxergava além da aparência e não demonstrava receio algum. Sua confiança fazia o escorpião sentir-se aceito, algo que jamais havia experimentado.
Os dias passaram, e a amizade entre os dois parecia cada vez mais forte.
Porém, certa noite, algo inesperado aconteceu.
Como de costume, a borboleta adormeceu ao lado do escorpião.
A noite estava silenciosa. Apenas o som suave do vento atravessava as folhas das árvores.
Foi então que o escorpião sentiu um estranho impulso.
Seu ferrão começou a se mover lentamente.
Ele tentou detê-lo.
Lutou contra aquele movimento.
Mas, pouco a pouco, o ferrão ergueu-se sozinho, aproximou-se das delicadas asas da borboleta e a atingiu.
A borboleta despertou imediatamente, tomada por uma dor intensa.
Assustada e com lágrimas nos olhos, olhou para o amigo e perguntou:
- Você sempre foi tão gentil comigo. Por que me feriu?
O escorpião abaixou a cabeça.
Tomado pela tristeza e pelo arrependimento, respondeu:
- Eu não queria fazer isso. Mas é da minha natureza. Tentei controlar meu instinto, porém não consegui.
Aquelas palavras machucaram quase tanto quanto a ferroada.
Com grande esforço, a borboleta afastou-se.
Mesmo sentindo dor, abriu as asas e começou a voar.
Voou para longe.
Voou enquanto lágrimas escorriam pelo seu rosto.
Voou sobre jardins, campos e rios, até que a distância entre ela e o escorpião se tornou impossível de medir.
Com o tempo, a ferida cicatrizou.
A dor diminuiu.
A vida seguiu em frente.
Mas a lembrança daquela noite jamais desapareceu completamente.
Desde então, a borboleta aprendeu uma lição difícil: por mais que exista bondade e afeto, algumas criaturas não conseguem vencer a própria natureza.
E, embora tenha conseguido superar a ferroada, a borboleta nunca mais voltou a se aproximar de um escorpião.
Estrela do mar ou estrela azul
furta cor...murmúrio sombra...sem sol ao sul...
Contaminar....sorriso...poluição...distintas.....clarão azul....solitude.....subtração....astes...mobilidade....onde nos tá...o azul...Estrela do mar ou estrela azul
furta cor...murmúrio sombra...sem sol ao sul...
Contaminar....sorriso...poluição...distintas.....clarão azul....solitude.....subtração....astes...mobilidade....onde nos tá...o azul...
Dentre notas.....pêndulo se entrega....não distante....dentre reflexo aos olhos....lua....caiu...sol está sem cor....atrás....de tua lente....não ....o suspiro...sem ar....o sangue...ignora o vapor....
Sinetas....em sombra....massa....cinzas....covarde....sem eclipse....como se move....antes...adiantando....sem mesmo compor....
Sonata ....sinos....celo....em contas mão....
Segredo de Luz
No brilho do céu que é todo azul,
guardo um segredo, suave e meu.
Borboletas dançam, leves, ao redor,
levando ao vento o que é só amor.
Cabelos de prata, história e calor,
olhos que sorriem, mesmo fechados,
no silêncio do gesto, o maior valor:
a paz que carrego, em mim, guardada.
Estrelas cintilam, testemunhas fiéis,
do que não se diz, mas se sente inteiro.
É a beleza de ser, de viver, de ser eu,
no mistério do mundo, o meu verdadeiro.
Dedo nos lábios: calma e confiança,
tudo o que importa mora no interior.
Borboletas, luzes, céu de esperança,
segredo bonito… só meu, e de amor.
✍️Rosa 🌹
Minha Terra, Meu Amor Maior
Terra abençoada por Deus, de céu tão azul,
onde o verde das matas nunca tem fim,
rios que cantam, árvores que abraçam,
e a natureza brilha, beleza que não cabe em mim.
Tem florestas, campos, frutas doces e fartas,
alimento que vem da terra, dom sem igual,
animais livres, cores que encantam,
cada canto aqui é um lugar especial.
O povo brasileiro — ah, esse é o coração!
Amor no olhar, carinho em cada mão,
recebe a todos como se fossem irmãos,
leveza, alegria, alma de quem é coração.
Há diferenças, sim, e erros na política,
coisas que doem, que poderiam ser melhores,
mas são sombras pequenas perto de tanta luz,
não apagam o brilho das nossas flores.
Mesmo com tudo, com o que pode falhar,
esse é o meu chão, a minha raiz,
não há nada igual, em nenhum lugar,
o Brasil é tudo o que eu sempre quis.
Agradeço a Deus, de todo o meu ser,
por me dar essa pátria, essa nacionalidade,
é a terra mais linda que se pode ter,
minha vida, meu orgulho, minha verdade.
Sou feita do azul escuro do céu a noite (...)
Sou feita de culpa,lágrima derramadas e gritos silenciosos a penumbra da pernoite
As lágrimas são as correntezas onde só a alma nada
Mas onde a gente se pergunta por que tanta perca de esperança em viver uma vida injustiçada já acostumada?
Uma solidão onde só se resta desespero e impaciência
Onde se acha a Santa desistência (...)
Aí você se pergunta, "o que eu tô fazendo aqui?"
O mundo é o castigo, o castigo que carregamos conosco pelo simples fato de todos sermos pecadores, é o mínimo que devemos suportar.
Acontece que "Deus não dá um fardo que não possa carregar".
Desaparecer traria muita ajuda, mas você não desaparece, você continua em algum lugar por aí.
Mas se eu pudesse desaparecer faria
Poderia me jogar de uma ribanceira
Ou até tacar-me na fogueira
Poderia enfiar uma espada em mim mesma apontada ao meu coração
Sem precisar sentir uma aflição
Eu sou condenado a morte de qualquer jeito, uma hora outra vai acontecer.(...)
Porém...
Me machucar seria desistência demais, me extinguir seria fraqueza por não conseguir sobreviver
E Deus não te deu a vida pra você tirar
E o abismo não foi feito pra escolher.
Viu-se que o azul do céu havia se acinzentado. No entanto, quando olhou para dentro do próprio âmago, percebeu que aquilo que lhe era mais precioso estava perdendo a chama.
Entendeu, então, que nem tudo estava perdido, mas o mais valioso estava se apagando.
Percebeu que era tempo de voltar. Mas como voltar quando já não havia forças nem sequer para pedir ajuda?
Então, dependeu do próprio coração para clamar por si.
CORES DO CÉU
Tudo hoje está cinza, começou pelo céu perdeu o azul e o branco das nuvens,
No Horizonte chove pingos d'água daqui vejo tudo cinza.
Os passarinhos se escondem no serrado,
as pedras se fundem ao limo,
esperamos a noite para quem sabe
a escuridão dê espaço para as estrelas,
trazendo,assim, as belezas em cores.
MARCOS GUEDES
Há tanto azul em mim, tanto azul…
que quando penso em você, o céu amanhece dentro do peito e o mar aprende a morar no meu olhar.
Durmo céu, sonhando com o brilho do teu amor…
e acordo mar, transbordando saudade, desejo e vontade de navegar para os teus braços.
Porque você transformou minha alma em horizonte:
infinita, calma e completamente apaixonado.
Ian N.T
Concha
Lá longe não se sabe onde
A ideia pega salga e sopra
Vem rolando o manto azul
Num vai e vem e alguém
num barco pesca
Passa e deixa
Segue o manto que banha tudo
Sobe e baixa
Cheio de peixes lá no fundo
Olha o tanto que dá pra escutar
Será concha será letra será
O uuuuuh do vento
E o sentimento na areia
Sai no banho não sai não sai a palavra mar
Vem o manto banhado tudo
E o som no último verso a quebrar
Leonardo Mesquita
O perfume dourado da primavera estava em sintonia com o silêncio azul da madrugada e era acariciado pela voz aveludada do vento, o sabor cristalino da esperança, cuja luz perfurmava os lírios no toque luminoso da ternura. O aroma quente do verão esperava a melodia prateada da chuva e seu brilho doce das lembranças na escuridão macia do crepúsculo. Eu sentia a doce tristeza da saudade e inventava muitas atividades para tentar esquecer a luminosa escuridão da alma. O silêncio que gritava em meu peito de uma ausência presente. A solidão me exigia muitos esforços para suportá-la. Mas eu era resiliente e não me deixava afogar nesse lago de fraquezas. Minha felicidade era melancólica, mas ainda assim era felicidade. Quanto mais forte eu ficava mais a força aumentava. E em solitude escrevia um poema sem pretensão de publicá-lo. Meu vazio tinha significados e me salvavam de um desalento destrutivo que eu evitava. E vivia cada eternidade de um segundo. Minha fragilidade era invencível. Por séculos esperei talvez uma solução mágica, mas corpórea que sou, aceito o materialismo do meu destino, sem lágrimas débeis a escorrer na face altiva. O céu inteiro cabia nos meus olhos e o tempo parou para observar. Minha saudade atravessou continentes, mas não saiu do peito, em ar rarefeito, eu me contive como uma rocha e colhi minha própria dignidade. A noite parecia infinita, mas o silêncio cobriu o mundo. Desejo que a noite proteja meus sonhos.
Eu buscava o sabor dourado da esperança, sua doçura luminosa, mas encontrava o gosto azul da melancolia, o amargor cinzento da ausência. Mas uma luz me cobria e eu sentia o sabor cristalino da paz, a leveza da manhã. Sua lembrança era o gosto rubro do amor e o sabor prateado da lua. Mas ardia a dura violeta da saudade, enquanto eu buscava o som luminoso da liberdade, sem perder a delicadeza transparente do afeto, na esmeralda dos sonhos no vermelho silente e solar da eternidade. Eu senti a voz aveludada do tempo no murmúrio sedoso da chuva e o canto macio dos pássaros era uma sinfonia em minha alma. No entanto, ardia o quente áspero do esquecimento na canção morna do verão. Eu sentia enfraquecer o meu corpo no silêncio cortante da ausência, mas a música líquida das fontes trazia sua delicada voz solar. O eco suave era a fala mansa do vento. Leve como a brisa na melodia transparente. Era o perfume luminoso do amor, na voz cintilante do desejo, a fragrância cálida da paixão que ruborizava meu rosto ao olhar seus olhos brilhantes na cândida alegria da tarde. O aveludado aroma da presença fazia a música macia da pele. E a voz doce das recordações é uma saudade teimosa que nunca vai embora e insiste no perfume estelar da união. A claridade do amor. A doce tristeza da saudade me deixava pensativa, vivendo no presente o passado distante. A voz pálida das lembranças que se fazia a escuridão doce da melancolia no aroma distante de quem anda errante a divagar memórias e a comer o tempo. Queimava o sabor nebuloso da perda, na canção fria da solidão, o eco azul dos dias perdidos, no silêncio do que ficou. Nem o perfume das galáxias podia redimir a música dourada dos astros. Mas a voz potente do universo faz calar o pranto e a claridade sonora das estrelas tem o toque luminoso da eternidade.
A melodia dourada do crepúsculo fez raiar o silêncio azul da madrugada, em que o canto prateado das estrelas fazia a voz violeta do horizonte. A música cristalina da chuva fazia o murmúrio esmeralda das florestas em campos elísios. No dia seguinte, a canção rubra do entardecer se elevava no eco luminoso das montanhas. Eu sentia em meu ser a sinfonia alaranjada do outono e meu silêncio era branco como a neve, quando se ouve a fala cintilante dos rios no já passado concerto acobreado da alvorada. E minha voz era o sussurro transparente do vento no brilho sonoro das constelações. Era a luz macia da esperança, que trazia consigo a claridade aveludada, em contraste com o brilho áspero da realidade, na escuridão sedosa da manhã. A sombra morna do verão em altas árvores preparava a noite de textura líquida a se espraiar na boca de um rio cristalino, com o toque luminoso da ternura. Dia e noite se fundiam e a aurora de seda fazia o frio do infinito na luz amarela. A transparência cálida do afeto me lembrava o brilho delicado das lembranças e uma nostalgia sorrateira abraçava minha alma. Era a sombra acetinada do tempo na claridade macia da paz. Eu pedia aos céus um sinal, e a suave escuridão era bordada de estrelas de perfume da primavera, no aroma azul da distância entre dois corações que se perderam na fragrância prateada da lua, no perfume rubro das paixões. Eu pensava em você no cheiro translúcido da chuva e você me respondia na essência da eternidade, e isso era saudade no aroma cintilante das memórias. O perfume azul das saudades que não nos poupavam, já que o perfume luminoso dos lírios era a fragrância solar de nossa comunhão nas mãos da liberdade. Essa era nossa verdade.
O aroma oblíquo dos séculos cai na sonoridade azul da eternidade no sabor crepuscular das horas. A textura silenciosa do futuro descansa meu corpo fatigado pela movimentação do dia. Será um dia passado se o brilho áspero das eras são esquecidas, mas a temperatura violeta da memória faz mais forte a lembrança do amor, que surge exasperada, pois eis que são correntes do tempo e as mãos bradam por liberdade. As lembranças moram em um labirinto e voltam várias vezes ao mesmo lugar. É uma face que surge na parede sorrindo indiferente, talvez, se caminhos opostos não atravessam a cidade. No entanto, as palavras me resgatam e oferecem saídas através do perfume mineral da lógica, que altiva se faz racional. E na claridade sonora do pensamento penso em esquecer na noite escura, sujeito a perigos de ternura. Resta a luminosidade amarga da consciência e eu nego o sabor da boca se o dia foi pacífico e muito mais gratidão eu sinto. Tentar fortemente esquecer é fazer a memória cada vez mais vívida, então eu apenas me conformo a ver o copo meio cheio no murmúrio cristalino do conceito de que não há mal que sempre dure e paradoxalmente estou plena de alegria se a melancolia não entorpeceu o dia produtivo. A culpa são das noites escuras, que mais exaltam a cor da saudade. Mas não se come saudade nem amor, e sou privilegiada se tenho três refeições diárias. Diria que é uma forma torpe de diminuir a idealização, mas estou no sossego de casa e se bem pensar não me falta nada. O mais são pormenoridades e no estelar vazio dos minutos eu vislumbro o silêncio azul das nebulosas de meu peito e combato sentimentos ardilosos na geometria do infinito, que traz muitas promessas de prosperidade e tudo é relativo se o brilho dos vocábulos me enchem de bem estar e posso dizer que a felicidade está em mim, que em mim nasceu e reluz em meus olhos.
Pequeno Pintor
Uma tela pintada de azul,
Com árvores murchas e frutos azedos,
Os quais não conseguem ser segurados nem pelos dedos,
Um lugar que quem viu mentiu.
Uma moça com olhos cor do âmbar adentrou,
E, no cenário, tudo revirou
E, para a sua surpresa, nada de bom encontrou.
Olhando tristonha aos arredores,
Onde secos eram os rios,
Onde nada tinha fantasia,
Muito menos alegria.
Surpreendeu-se ao ver um jovem pintor segurando o coração
E começou a pensar sobre o que fazer nessa situação.
Carregando toda a meiguice, deu-lhe a mão
Onde o rapaz depositou todas as suas esperanças.
Tirou do peito aquilo que segurava e entregou-lha.
Nesse instante, era ela a sua crença.
A dama indagou-lhe: “Meu pintor, quem te magoou?”
Relutante, devolveu: “Como a notícia te chegou?”
Com simpatia, respondeu-lhe: “No momento em que me entregaste as tuas
crenças, havia proclamado também que desacreditaste da paixão.”
O pintor apenas suspirou: “Oh, não...”.
Os dias se sucederam;
Os pigmentos azulados se perderam.
Desde a chegada da jovem, o Sol tornou a ficar amarelado;
Depois de ele por ela ser amado.
Os luares, agora, teciam a sua felicidade;
Os risos abertos e barulhentos compunham parte do seu dia,
Enquanto, de perto, a via.
A esta altura, já estava familiarizado com a nova realidade.
A sege desenhada os levava perdidamente.
Ambos não tinham lugar destinado.
Finalmente, soltou-lhe aquilo de diferente.
A amada, moldada pela alegria, disse que, por ela, era amado.
No dia seguinte, encostou-se no Pintor
E tirou-lhe a dor.
Para ela, o mundo prosseguiu,
Enquanto, para ele, parou.
Acordado, encontrava-se sem a deusa da sua benção.
Próximo ao chão, chorava as lágrimas de Adão.
Arrastando-se, tentou pegar-lhe o pé,
Mas, dela, só recebeu um pontapé.
Berrando, clamou pelo vulto do espírito;
Porém deste já estava restrito.
Pobre coitado.
O azul reapareceu;
Sua amada desapareceu,
E ele, por ninguém mais, era amado.
Ouvindo o barulho do mar,
Sentado na areia,
Com esse céu azul bonito,
Que se perde no infinito,
Tenho vontade de dar um grito,
Onde estás minha sereia.
