Luiz Guilherme Todeschi

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Sou uma metamorfose. Não sei quando essa evolução começou, nem quando terminará; só sei que sou.

Eu reprovo o sistema que me aprovou: eu estava errado e, por isso, errei.

Para uns, um excesso de ousadia é coragem; para outros, um excesso de coragem é ousadia. Talvez seja sobre isso: ser ousadamente corajoso ou corajosamente ousado.

Não me cobre tantas perguntas, porque eu ainda busco para mim mesmo as respostas.

Quando o ser humano foge da compreensão, aí ele está se compreendendo e percebe o risco disso.

Às vezes eu bato, mas é porque o meu medo de apanhar é enorme.

O melhor remédio para a vida, às vezes, é ignorá-la. Como? Isso é pessoal; cada um deve saber o seu modo.

Às vezes só queria acordar à tarde, com o pôr do sol, um pouco de melancolia, café e um livro.

Todos nós somos influenciáveis; um influenciador só influencia porque um dia foi influenciado.

⁠Não é sobre todas as vezes que você tentou e não conseguiu, é sobre todas as vezes que você não desistiu. Numa delas, você tentou e deu certo!

Sua coragem não o tornará imune à sanha dos covardes: estes apenas mudarão de tática. Mas como os dois lados nunca usam as mesmas armas, a coragem precisará ser redobrada e a vigilância também.

Tão fascinados por ver a Lua de tão perto e a Terra de tão longe, e diante da imensidão da galáxia, descobriram que eram muito pequenos — ou quase nada.




Artemis II

⁠Às vezes, o impossível acontece a partir de um simples começar.

A desumanidade
A desumanidade raramente se apresenta de forma explícita. Ela não chega anunciando a si mesma como crueldade ou indiferença. Pelo contrário, muitas vezes se disfarça de normalidade — de rotina, de interesse legítimo, de prioridade inevitável. É nesse terreno silencioso que ela se instala: quando vidas humanas passam a ser tratadas como números, quando tragédias se tornam apenas mais um evento no fluxo contínuo de informações, quando o sofrimento do outro perde densidade por não nos afetar diretamente.
Grande parte dessa desumanização nasce de interesses próprios e egoístas que operam em diferentes escalas. No nível individual, manifesta-se como autopreservação excessiva, como a tendência de priorizar o próprio conforto emocional em detrimento da empatia. No nível coletivo, aparece em sistemas políticos, econômicos e midiáticos que, mesmo sem intenção explícita, acabam reduzindo a complexidade humana a abstrações gerenciáveis. Assim, o que deveria ser intolerável torna-se apenas mais um dado assimilado.
Há também um mecanismo psicológico profundo: a fragmentação da responsabilidade. Quando muitos estão envolvidos — direta ou indiretamente —, a sensação de culpa se dilui. O resultado é um cenário em que ações com consequências devastadoras podem ocorrer sem que ninguém, individualmente, se sinta plenamente responsável. Essa dissociação permite que pessoas que também possuem famílias, afetos e histórias ajam ou consintam com realidades que negam exatamente esses mesmos valores nos outros.
O problema não é apenas moral, mas estrutural. Ainda operamos como partes isoladas, competindo por recursos, reconhecimento e poder, como se a sobrevivência fosse um jogo de soma zero. Nesse modelo, o outro facilmente se transforma em obstáculo, estatística ou abstração. A empatia, que deveria ser um princípio organizador, torna-se circunstancial.
Superar isso exige mais do que boa intenção. Exige uma mudança de paradigma: reconhecer que a separação entre “nós” e “eles” é, em grande medida, uma construção. Biologicamente, socialmente e até ecologicamente, já somos interdependentes. A ideia de humanidade como um único organismo não é apenas uma metáfora idealista — é uma descrição mais fiel da realidade do que a lógica fragmentada que ainda predomina.
Viver como um único organismo implica internalizar que o sofrimento em qualquer parte desse sistema é, de alguma forma, um dano ao todo. Significa substituir a indiferença pela responsabilidade compartilhada, e o interesse egoísta por uma consciência ampliada de pertencimento.
Ainda estamos longe disso. Mas o simples fato de reconhecer a desumanização — de se incomodar com ela — já é um sinal de que esse caminho existe. A transformação começa exatamente nesse ponto: quando nos recusamos a aceitar como normal aquilo que diminui o valor da vida humana.
08/04/2026 - Reflexão sobre o evento ocorrido no dia 28 de fevereiro de 2026, em que um bombardeio atingiu a escola primária feminina Shajareh Tayyebeh em Minab, no sul do Irã.

A democracia brasileira é corrupta em todos os poderes, funcionando sob a eterna "lei" de para os amigos tudo, para os inimigos a lei.

Luiz Felipe Pondé
Irã dos aiatolás é um país agressivo que interfere nos Estados à sua volta. Folha de S.Paulo, 5 abr. 2026.
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Vivemos numa guerra insana na qual insistem em nos transformar em mastros de bandeiras alheias, e cobrar-nos lutar em trincheiras que não são nossas.

A liberdade é abstrata, enquanto o prazer é concreto. Daí de sempre sair vencedor se não houver a ética a lhe servir de freio.

Quando o medo é o motorista, a estrada sempre o levará em direção ao abismo.

⁠Há algo de imaturo na incapacidade de perceber que existem questões para as quais não há solução.

Luiz Felipe Pondé
Na vida cotidiana real, tudo é mais ou menos e os tons de cinza imperam. Folha de S.Paulo, 19 mar. 2023.
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Crer que numa empresa a hierarquia escolha uns em detrimento de outros de modo racional, fazendo uso de uma racionalidade meritocrática, é a mesma coisa que crer em lobisomens.

Luiz Felipe Pondé
O sapiens é uma espécie delirante e a modernidade é o pior dos seus surtos. Folha de S.Paulo, 19 abr. 2026.
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