Luiz Guilherme Todeschi

Cerca de 19914 frases e pensamentos para a busca por Luiz Guilherme Todeschi;

Odiar Deus como consequência de um sofrimento atroz é um puro ato de fé.

Luiz Felipe Pondé
Só os infelizes verão a Deus. Folha de S.Paulo, 4 jan. 2026.

O inferno deve estar povoado por pessoas que nunca sofreram.

Luiz Felipe Pondé
Só os infelizes verão a Deus. Folha de S.Paulo, 4 jan. 2026.

A consciência é um salto evolutivo infeliz. A clareza absoluta sobre a condição humana é um sintoma insuportável.

Luiz Felipe Pondé
A clareza absoluta sobre a condição humana é um sintoma insuportável. Folha de S.Paulo, 11 jan. 2026.
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O componente irracional humano é o que move a adesão ideológica. Não é o desejo de melhorar o mundo, mas, sim, o gosto de sangue.

Luiz Felipe Pondé
As militâncias ideológicas são da mesma ordem do fanatismo religioso. Folha de S.Paulo, 18 jan. 2026.
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O mundo é um circo de horrores e continuará sendo.

Luiz Felipe Pondé
As militâncias ideológicas são da mesma ordem do fanatismo religioso. Folha de S.Paulo, 18 jan. 2026.
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O Nelson Rodrigues deveria ser lido em cada lar, nas escolas, em cada enfermaria de hospital, nos cemitérios, em cada cama de casal, nas igrejas, na porta dos bares, nas confrarias de bêbados, nas escolas de freiras e nas casas das "meninas", ditas filhas da desgraça.

Luiz Felipe Pondé
Pensando em Nelson Rodrigues, apenas imorais e neuróticos verão a Deus. Folha de S.Paulo, 1 fev. 2026.
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Só os imorais, assim como os neuróticos, verão a Deus.

Luiz Felipe Pondé
Pensando em Nelson Rodrigues, apenas imorais e neuróticos verão a Deus. Folha de S.Paulo, 1 fev. 2026.
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Para os homens, o lugar do mistério está entre as pernas das mulheres.

Luiz Felipe Pondé
Pensando em Nelson Rodrigues, apenas imorais e neuróticos verão a Deus. Folha de S.Paulo, 1 fev. 2026.
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O amor atrapalha os negócios.

Luiz Felipe Pondé
Os jovens já começam a apresentar sinais de uma espécie em extinção. Folha de S.Paulo, 8 fev. 2026.
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A substância da moral pública sempre foi, em alto grau, a hipocrisia.

Ser responsável por muita gente sempre faz de você um algoz em um ou outro momento.

⁠A ansiedade contemporânea é fruto da melhoria das condições de vida.

⁠Os valores morais são uma ficção.

⁠A humanidade não evolui moralmente.

⁠O cínico é um canalha honesto.

Luiz Felipe Pondé
A era do niilismo: Notas de tristeza, ceticismo e ironia. Rio de Janeiro: Globo Livros, 2021.

⁠Só a fartura sustenta a frescura com alimentação.

⁠Na era do marketing, todo mundo é cão que ladra, mas não morde.

Luiz Felipe Pondé
O antimarketing. Gazeta do Povo, 24 jan. 2022.

Nota: Trecho do artigo O antimarketing.

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Sorte, Azar e Inteligência: Uma Interpretação Relacional dos Eventos

Sorte e azar são conceitos profundamente enraizados na experiência humana. No senso comum, costumam ser tratados como propriedades inerentes aos acontecimentos: ganhar um prêmio seria “sorte”; sofrer uma perda inesperada seria “azar”. Contudo, sob análise mais rigorosa, esses termos não descrevem características objetivas dos eventos, mas sim avaliações feitas por um observador situado em determinado contexto. Um evento não é, em si mesmo, favorável ou desfavorável; ele se torna assim na medida em que se relaciona com expectativas, interesses e condições específicas de quem o vivencia.

Se definirmos sorte como um evento que favorece expectativas e azar como um evento que as contraria, então ambos são necessariamente relativos. O mesmo acontecimento pode ser considerado sorte para um indivíduo e azar para outro. Mais ainda: pode mudar de valência para o mesmo observador em momentos distintos da sua trajetória. Um fracasso imediato pode revelar-se condição necessária para um sucesso futuro; uma conquista pode gerar consequências inesperadamente negativas. A avaliação depende da posição temporal, psicológica e circunstancial do observador.

Nessa perspectiva, sorte e azar não são propriedades ontológicas do mundo, mas categorias interpretativas. O mundo apresenta eventos — muitos deles de natureza aleatória ou imprevisível — e o observador atribui valor a esses eventos conforme seus objetivos e estado atual. Assim, a aleatoriedade pertence ao domínio dos acontecimentos; sorte e azar pertencem ao domínio da interpretação.

Se deslocarmos essa discussão para a biologia, encontramos um paralelo interessante. Organismos vivos, ao longo da evolução, não controlam a ocorrência de eventos aleatórios, mas podem desenvolver mecanismos que aumentem sua probabilidade de sobrevivência e reprodução diante deles. Em termos funcionais, perpetua-se aquele organismo que consegue maximizar os efeitos favoráveis das circunstâncias e minimizar os desfavoráveis. Essa maximização e minimização não são necessariamente conscientes; podem estar inscritas em adaptações fisiológicas, comportamentais ou cognitivas moldadas pela seleção natural.

Nesse sentido, a inteligência — especialmente em formas de vida dotadas de cognição complexa — pode ser entendida como uma amplificação desse princípio. Uma vida dita inteligente não elimina o acaso, mas aprende a lidar com ele. Ao reconhecer padrões, antecipar riscos, acumular memória e projetar cenários, ela transforma a relação com o imprevisível. Quando um evento considerado “sorte” ocorre, a inteligência procura potencializá-lo: consolida ganhos, explora oportunidades, cria novas possibilidades. Quando ocorre um evento percebido como “azar”, busca mitigar seus efeitos: adapta-se, reorganiza estratégias, aprende com o erro.

A inteligência, portanto, não consiste em controlar o aleatório, mas em administrar suas consequências. Trata-se de um sistema de processamento de informação que reduz vulnerabilidades e amplia oportunidades dentro de um ambiente incerto. Quanto mais eficaz for essa gestão, maior a probabilidade de continuidade e expansão da vida que a exerce.

Em última análise, a distinção entre sorte e azar revela menos sobre o mundo e mais sobre a estrutura do observador. Eventos acontecem; sistemas vivos os interpretam e respondem. A vida que persiste é aquela que transforma contingência em vantagem relativa. Assim, inteligência pode ser compreendida como a capacidade de converter o acaso em aprendizado e o aprendizado em estratégia — uma dinâmica contínua de maximização do favorável e minimização do desfavorável em um universo essencialmente indiferente.

Estar presencialmente numa guerra, com certeza, não é a mesma sensação de se jogar Battlefield no sofá de casa.

Intervalo


Há encontros que não chegam — apenas se revelam.


Passei anos acreditando que certas ausências eram definitivas. A vida, metódica como sempre, organizou seus corredores, distribuiu suas responsabilidades, assentou cada coisa no lugar socialmente aceitável. Tudo parecia… coerente.


Ainda assim, havia uma pequena dissonância — quase imperceptível — como um relógio que atrasa poucos segundos por dia. Nada que chamasse atenção. Nada que justificasse investigação.


Até que, sem aviso, o tempo produziu uma coincidência.


Não foi surpresa.
Também não foi exatamente reconhecimento.
Foi algo mais silencioso — como quando a memória chega antes da consciência.


Curioso como certas presenças não envelhecem dentro de nós. Apenas se tornam… menos nomeáveis.


Hoje tudo está construído. Estruturas firmes, compromissos respeitáveis, trajetórias que fazem sentido à luz do mundo. Não há desordem externa. Não há espaço para imprudências juvenis.


E, no entanto, existe essa zona neutra onde algumas coisas permanecem em suspensão — não vivas o suficiente para perturbar, nem mortas o bastante para desaparecer.


Aprendi que maturidade não é ausência de intensidade.
É, muitas vezes, a administração silenciosa dela.


Não há aqui pedidos.
Nem projetos tardios.
Apenas a constatação serena de que o tempo, por mais rigoroso que seja, não possui jurisdição absoluta sobre tudo.


Algumas histórias não continuam.
Mas também não terminam no sentido comum da palavra.


Elas apenas… se deslocam para um lugar onde só é possível compreender por reconhecimento — nunca por explicação.


Quem nunca atravessou esse tipo de intervalo
provavelmente achará tudo isso excessivamente abstrato.


Quem já atravessou…


não precisa que se diga mais nada.